Um Casamento Um Tanto Bagunçado
6 Restaurante francês
Atena andava despreocupadamente pelas ruas, um leve sorriso no rosto enquanto observava aquela área de Nova York. Particularmente, não gostava muito da cidade. Sempre muito barulho, muito movimentada e com todas aquelas luzes. Em suma, era o seu oposto. A deusa sempre preferira lugares mais calmos onde ela pudesse pegar um livro e ler com tranquilidade enquanto ouvia o barulho da água caindo de uma cascata qualquer. Mas onde ela estava, não tinham muitas pessoas andando, e nem tantos carros como no centro de NY.
Já era noite, ela vestia um vestido branco lindo. Era um pouco justo no busto, com alcinhas delicadas com pequenas e detalhadas pérolas incrustadas. A partir da cintura, um tecido leve descia até um pouco antes dos joelhos e seus pés calçavam uma sandália delicada de strass.
Olhando para um quarteirão adiante, ela viu um restaurante com aparência francesa, as paredes da entrada de madeira e uma grande janela de vidro dando vista para duas mesas, onde em uma delas uma família se sentava, conversando alegremente enquanto jantavam.
Seguindo até o restaurante, ela entrou, se perguntando quando fora a última vez que estivera ali.
O lugar era chique, três lindos lustres de vidro espalhados organizadamente de forma que tudo ficasse iluminado. As mesas e as cadeiras refletiam exatamente o estilo francês dali, mas de qualquer jeito, a primeira coisa que lhe veio realmente na cabeça quando ela entrou foi o cheiro delicioso de comida e a música tão tipicamente francesa. (N/A: Tal como naquele filme Ratatouille :D)
–Bonne Nuit, madamosile Annie! Oh, a quanto tempo não a vejo por aqui!!
Atena se virou surpresa, um sorriso aparecendo nos lábios.
–Boa noite, Sebastian!! Andei sumida durante esses anos, adimito.
–Mas parecem apenas dias ao julgar pela sua apareceria!! Continua igual, como se não tivesse envelhecido nesses nove -ou dez?- anos! C'est maguinifique, como eu gostaria de ser assim...
Ela riu graciosamente.
–Muito obrigada! O senhor também parece bem jovem para alguém nos seus cinquenta anos!
–Oh, são só os seus olhos.
–Senti falta daqui -confessou ela, fazendo-o sorrir, agraciado.
–E o que vai querer para hoje?
–Humm, vocês ainda tem uma mesa lá fora?
–Oui, oui! Me siga, por favor.
Ele se encaminhou para uma grande porta de vidro (que estava aberta) e passou para o lado de fora, Atena em seu encalço.
Ali haviam plantas, todas podadas e de um verde um tanto escuro, e um coreto branco todo rebuscado onde uma pequena banda tocava a música que se podia ouvir do resto do restaurante. Rosas vermelhas enfeitavam as seis mesas brancas dali, apenas duas desocupadas.
Atena se sentou em uma delas, sorrindo pra si mesma enquanto admirava o lugar. Se olhasse pro céu, conseguia ver a lua cheia brilhando.
Logo, um garçom já estava diante dela, lhe entregando um cardápio e pronto para anotar o seu pedido.
–Boa noite -disse ela, passando os olhos pelo cardápio.- Eu vou querer um spaghetti a bolonhesa.
–E para beber?
–Um suco de laranja, por favor.
–Mais alguma coisa?
–Não, obrigada -agradeceu ela, gentilmente com um sorriso, ao que ele sorriu e lhe deu as costas, indo atender outra mesa.
Atena se distraiu com a música. O francês era a língua mais bonita na sua opinião, e ela não resistia àquela sanfona sendo tocada de forma tão linda. Os músicos não pareciam entediados nunca, o que ela achou completamente compreensível, afinal, eles deviam amar o trabalho maravilhoso que tinham.
Ela estava observando o coreto quando sentiu a presença de alguém sentando na mesa.
Atena virou-se no mesmo momento, estacando quando viu um par de olhos verdes sorrindo para ela.
–Poseidon?
Ele sorriu, dando de ombros.
–Não sabia que você me seguia, Atena.
Ela franziu as sobrancelhas.
–Como assim eu te seguia? Você apareceu aqui do nada quando eu já estava sentada.
–Você se engana. Te vi entrar no restaurante, mas acho que você não reparou em mim porque estava dando oi pra um senhor... É o seu amante?
Ela rolou os olhos.
–Eu não acredito que você veio aqui pra me irritar. E eu não vou nem comentar sobre o seu comentário ridículo de ele ser meu amante.
Ele riu de novo, formando covinhas fofas em volta dos olhos.
–Eu estava só brincando. Já não basta eu descobrir que uma pessoa foi idiota o suficiente para ficar com você, não vamos aumentar para duas -disse ele, esticando o braço para pegar um pão de uma cestinha que estava sobre a mesa.
–Você é ridiculo. -comentou, batendo na mão dele e impedindo que ele roubasse o pão.
–Eu faço o que posso.
–Estou vendo. Mas eu estou falando sério, por que está aqui?
–Porque eu quis te seguir já que tenho uma paixão louca e secreta por você.
Ela rolou os olhos, reconhecendo um caso perdido. Ele riu.
–Eu simplesmente gosto desse restaurante e quis vir pra cá, mas infelizmente você teve a mesma ideia que eu.
Ela suspirou.
–Bom, sobre isso eu não posso fazer nada, mas ainda assim, o que você veio fazer na minha mesa?
Novamente, ele deu de ombros.
–Não posso ser educado e vir falar oi para a minha odiada inimiga?
–Diga sobre educação para a sua carta de hoje -disse ela, reprimindo a vontade de rir.
–Achei que tinha me desculpado.
–E eu te desculpei.
Os dois ficaram em silêncio, ouvindo a música.
Ela suspirou.
–De qualquer jeito, não sabia que você vinha a esse restaurante.
–É um habito antigo meu.
–Não. É um habito antigo meu.
Ele sorriu.
–E por que não pode ser um habito que nós temos em comum?
–Porque seria muito estranho você frequentar um lugar que eu frequentava.
–Na verdade eu não venho mais aqui deve fazer uns vinte anos.
–E eu há pelo menos dez.
Poseidon sorriu torto.
–Tenho uma pergunta, Atena.
–E tem uma boca também, Poseidon.
Ele rolou os olhos sorrindo.
–Mas como você é insuportável!
–Isso é uma exclamação dispensável, não uma pergunta.
–Onde está o seu amado noivo? -perguntou com um sorriso irônico, ignorando a ultima frase dela.
Ela franziu o cenho.
–No Olimpo, provavelmente.
–E por que você não está jantando com ele?
–Eu sou gêmea siamesa dele, por acaso?
–Não, mas por um acaso noivos costumam jantar juntos, principalmente uma semana antes do casamento.
–Eu... A culpa não é minha, ele também não está jantando comigo.
–Vocês brigaram?
–Não!
–Vou começar a achar que esse casamento é uma farsa.
Ela rolou os olhos.
–Vou ignorar comentários seus sobre o meu casamento. Aliais, por que você está tão... er... Insuportavel por causa disso? Vou começar a achar que você tem realmente uma paixão secreta por mim.
Ele riu.
–E se for você termina tudo com Apolo e casa comigo?
Ela rolou os olhos, dando um sorrisinho.
–Só no dia em que Ártemis e Apolo se beijarem.
–Mas tecnicamente se eu estiver com você Apolo vai poder ficar com Ártemis.
–Ha, mas eu aposto que os dois nunca se beijariam. Principalmente porque eu não ficaria com você.
–Duvido.
–Fique duvidando.
Mas Poseidon não teve tempo de responder, porque o garçom chegou com uma grande bandeja trazendo um prato de macarrão, um de lasanha, um suco e uma taça de vinho.
–O senhor se mudou para essa mesa? O seu pedido está aqui.
–N--
–Sim, você pode servir aqui, por favor -disse ele educadamente, interrompendo a resposta de Atena para ele voltar para o lado de dentro do restaurante.
Os dois foram servidos, agradecendo ao garçom logo depois.
–Hum -fez Atena, fechando os olhos após enrolar um fio de macarrão no garfo e colocar na boca. Seu macarrão estava borbulhando de queijo e molho de tomate.
Ele observou-a, deliciado.
Ela abriu os olhos, vendo o sorriso malicioso dele e rolando os olhos pela milésima vez naquele dia.
Poseidon riu e levou uma garfada de lasanha à boca.
–Você é ridículo.
–Só estava admirando a sua beleza.
–Ta, e quando eu te dei essa permissão?
–E desde quando eu preciso da sua permissão?
Ela bebeu o suco, sem responder.
–Isso está muito bom -comentou ele após alguns segundos.
Ela afirmou com a cabeça.
–Não só a comida, esse lugar é maravilhoso.
–É. Por isso eu sempre vinha aqui.
–Eu também.
Ele olhou para ela e ela retribuiu o olhar, até suspirar.
–É uma pena eu não poder passar a noite aqui.
–Por que?
–Eu já te disso hoje. Amanhã eu tenho milhões de coisas pra fazer e eu pretendo acordar cedo.
–Hum. Caso você queira acordar mais tarde eu acordo com você e te ajudo, assim nós terminamos no mesmo tempo em que você faria tudo sozinha.
Ela balançou a cabeça devagar com o olhar fixo nele.
–Ainda não acredito que você está me oferecendo ajuda. Obrigada, na verdade -disse- Mas eu acho prefiro fazer isso sozinha.
Ele deu de ombros.
–Não tem de quê. Qualquer coisa... Me chame -ele olhou os olhos azuis dela e viu ela corar e desviar o olhar para a banda no coreto.
–Ah... Certo. Obrigada.
Ele sorriu e continuou a comer.
O resto do jantar foi em silencio. Não um silencio tenso, mas confortável.
Quando terminaram, Poseidon chamou o garçom e ignorando todos os protestos dela, ele pagou a conta dos dois.
Saindo do restaurante, os dois se viraram um para o outro e ele sorriu.
–Até amanhã.
Ela deu um sorriso mais tímido.
–Boa noite. -desejou, recebendo um sorriso que fez suas pernas tremerem sem seu consentimento.
Os dois estalaram os dedos e foram cada um para o seu quarto, e quando deitaram, caíram no sono de vez, mas uma coisa... estranha aconteceu.
Atena sonhou com o mesmo restaurante e com todos os minimos detalhes daquela noite, mas no lugar de Poseidon, estava ali, o rosto de Apolo.
–-------------------------------
N/A: Estranho.... *roi as unhas*
Essa fic é legal de escrever, mas como eu não fazia ideia do que ia ser esse capitulo eu demorei um ano até escrever isso, então me desculpem pela demora.
Estou ouvindo Skank.
Que os braços sentem, que os olhos vêem, que os lábios sejam dois rios inteiros sem direção...
E vamos fugir e tão seu também, mas essa é a que está na minha cabeça agora u.u
Beeijinhoss ♥
Fale com o autor