Um Casamento Um Tanto Bagunçado
11 Conversível
Poseidon sorriu maliciosamente, pensando em lhe falar do outro sentido da palavra "comida", mas resolveu ficar quieto, lembrando-se que teria que gritar de novo um pedido de desculpas.
–Pelo menos eu sou menos criancinha que você -provocou.
–Não é não.
–Sim, eu sou.
–Sim, você é. Mais criança.
–Menos.
–Menos digo eu pra você. Vamos logo pros preparativos do casamento.
Ele sorriu, com vontade de rir.
–É tão fácil te irritar.
–E você ama fazer isso.
Poseidon riu, covinhas fofas se formando em volta dos olhos.
–Pra onde vamos mesmo?
–Comida.
–Ah é. A loja é perto daqui?
–Pra falar a verdade eu não faço ideia.
–Então vai ficar andando pelas ruas até achar uma? -perguntou ele, as sobrancelhas franzidas.
–Era o meu plano.
–Por que não vamos de carro?
–Hum... É uma ideia...
–Boa?
–É. Mas não temos um carro aqui.
–Mas somos deuses.
–E dai?
–Certo, é estranho a ideia de um carro debaixo d'água, mas eu tenho um em Atlântida.
–E vamos lá buscar?
–Você está com umas perguntas tão bestas hoje.
–Isso significa que vamos buscar?
–Ele não vai vir andando até nós.
–Argh, como você é irritante!
–Sim, vamos buscar. -sorriu ele.
Ela concordou com a cabeça.
–Então vamos.
–Claro.
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Atena estranhou a sensação da água tocando sua pele sem molha-la, mas perto do palácio isso não era nada.
Grandioso, com detalhes em conchas e pérolas, todo branco e azul, rústico ao mesmo tempo em que tinha o estilo moderno. Atena não sabia bem como descrever algo tão lindo quanto aquilo. Seu queixo poderia estar no chão se ela tivesse um pouquinho menos de presença de espírito.
Poseidon sentiu o peito inflar sobre os olhos brilhantes dela.
–Hã... Eu não sei se você já conhece Atlântida.
Ela balançou a cabeça devagar, negando.
–Não.
Ele sorriu.
–Não quer entrar? -perguntou, pois os dois estavam parados na porta do palácio.
–Ah... Claro. -disse, piscando.
–Na verdade podemos ir por trás, pelos jardins, para chegar na garagem; mas se quiser atravessamos por dentro.
Ela deu de ombros.
–O que preferir.
–Acho que nunca ouvi você dizendo isso pra mim.
Ela riu.
–Primeira e última vez.
O sorriso dele tornou-se um pouco malicioso.
–Hum... Será?
Ela rolou os olhos.
–Poseidon, sem essa.
–Eu sei que você ama. -disse ele sorrindo enquanto guiava-a para dentro do palácio.
–Essa também não rola.
–Se eu te levar pro meu quarto rola?
Ela parou de andar, fazendo-o sorrir.
–Quer que eu te carregue, amor?
–Poseidon, me faça um favor e cale a boca. -disse ela, continuando a andar.
–Se eu não calar você vem e cala?
–Pare com essas cantadas, eu tenho um marido.
–Um noivo, na verdade.
–É a mesma coisa.
–Não, porque vocês ainda não se casaram e é mais fácil pra se separar.
–Eu não vou me separar dele.
–Posso te fazer mudar de ideia facilmente se você subir para o quarto.
–E eu posso realmente te fazer calar a boca facilmente de um jeito bem diferente do que você está pensando.
Ele riu, abrindo uma porta que depois Atena descobriu ser a garagem.
–Pode escolher um dos carros -orgulhou-se, pois ali haviam realmente muitos deles.
Ela percorreu o lugar com os olhos, parando-os em um conversível vermelho estiloso e apontando para ele.
–Hm, gosta de conversíveis? -perguntou, se adiantando para o carro.
–Sim. Não é o tipo de carro que eu compraria, mas eu acho eles lindos.
Ele abriu o carro, entrando e dando a partida assim que ela também tinha entrado.
A forma como o carro saiu dali foi diferente do que ela achou que seria.
Primeiro o portão da garagem se abriu bem lentamente, mostrando uma rua que parecia não ter fim. Poseidon soltou o freio, e começou a andar mais devagar, até sorrir.
–Está com cinto? -perguntou, tendo uma resposta positiva- Ha, -sorriu ele- eu adoro fazer isso.
Antes que Atena pudesse perguntar o quê exatamente, ele acelerou o carro tão, mas tão rápido que Atena se arrependeu de não ter achado um fusca na garagem dele.
–Poseidon!!!
–Oi?
–Vai devagar!!!
Enquanto a velocidade ia aumentando, Poseidon ia abrindo mais o seu sorriso e Atena gritando mais para ele diminuir.
O conversível chegou a tal velocidade que ela soltou um grito, e o carro pareceu de repente atravessar a água, como se passasse por uma camada grossa de lama, até chegar em uma rua isolada de NY.
Atena soltou o fôlego, respirando muito fundo.
–Poseidon!!!
Ele tinha um sorriso no rosto, enquanto virava para um rua, entrando em uma avenida.
–O que foi?
–O que exatamente foi isso?!
–Como você queria que eu trouxesse o carro pra cá?
–Não dava pra estalar os dedos ou sei lá?!
Ele deu de ombros.
–Na verdade eu nunca tentei, porque esse portal é extremamente divertido.
Ela rolou os olhos.
–Eu quase morri do coração!
–Você é uma deusa, não pode morrer.
–Posso sim.
–Não, não pode -riu ele, ligando o rádio.
–Eu vou fazer questão de te contrariar em tudo só por causa do que você acabou de fazer. -retrucou, mudando a estação que ele tinha ligado para outra em que estava terminando de tocar uma música.
–"E agora, -anunciou o locutor após os últimos acordes- é aquela para quem ainda vive na magia dos anos 70!"
Atena mordeu o lábio, identificando a música nas primeiras notas e abrindo um sorriso tão encantador que quase o fez bater o carro pela distração de olha-lo.
–Poseidon!
–Me desculpe. -ele engoliu em seco, ainda olhando para ela.
–Oh, eu amo essa música. -ela fechou os olhos, cantando- Guess mine is not the first heart broken, my eyes are not the first to cry...
Ele sorriu.
–Gosta de Grease então?
Ela abriu os olhos azuis brilhantes de empolgação, sorrindo.
–Mas é claro!
–Identifico você claramente com a Sandy.
Ela riu.
–É, eu também.
Poseidon sorriu.
–Você gosta de músicas antigas?
–E depois você diz que eu estou te fazendo perguntas bestas.
Ele riu.
–Isso quer dizer que você gosta.
–Isso quer dizer que eu sou apaixonada.
–Ah, isso é ótimo -sorriu ele- Porque se vou passar a semana inteira com você que pelo menos tenha música boa.
–Digo o mesmo -comentou ela, um sorriso escondido no rosto.
Os dois ficaram um tempo em silêncio, Atena já de olhos fechados novamente.
Poseidon olhou-a de canto de olho. Seus cabelos loiros cacheados e compridos desciam até os seus seios. Ele levantou um pouco o olhar para a sua boca, se encabulando em seu pensamento e passando para o seu nariz e sua pele, ambos sem nenhuma imperfeição, e embora seus olhos estivessem fechados ele sabia a tamanha intensidade de olha-los.
"Ela é realmente maravilhosa... É uma pena que seja tão mimada, arrogante, irritante, filhinha de papai e... E tudo mais que ela é", ele pensou, sorrindo um pouco.
Atena abriu um pouquinho os olhos, pulando do banco e dando um grito para ele parar o carro, avistando uma loja famosa por vender comidas deliciosas.
–Me desculpe, acho que eu me assustei -disse ela, vermelha.
Ele sorriu.
–Vou pensar se eu te desculpo -respondeu, estacionando o carro.
O som se desligou, fazendo-a soltar um muxoxo, emburrada.
Poseidon quase riu.
–Quer terminar de ouvir a música?
–Hum? -fez ela- Ah! Não, não... Temos que ir ver a comida, enrolamos demais e já está quase no meio da tarde.
Ele riu e ligou o rádio, fazendo-a sorrir.
–Dois minutos não vão mudar muita coisa.
Ela rolou os olhos, sorrindo e deitando a cabeça no encosto do banco.
"My head is saying "fool, forget him"
My heart is saying "Don't let go! Hold on to the end! That's what I'm intend to do.
I'm hopelessly devoted to you"
Ele teria olhado pra ela o resto da música inteira, mas resolveu fechar os olhos e escuta-la também.
Depois que ela acabou, os dois abriram os olhos ao mesmo tempo, desligando o carro e abrindo as portas, prontos para ir à próxima loja.
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N/A: AI MEUS DEUSES, COMO EU AMO ESSA MÚSICA!!! Eu não sei se algum dos meus leitores que liam a minha outra fic já perceberam, mas eu tenho a mania de colocar músicas no meio da história, porque eu não resisto. Me desculpem caso vocês não gostem disso, mas é quase automatico! /risos.
Eu atrasei um dia, mas ah, Poseidon fez uma proposta de ir para o quarto com ela! Estou desculpada, né? Não? Ok. :( /risos. Brincadeira, me desculpem ;)
Beeijinhos, estou indo responder reviews! ♥
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