Notas iniciais
Olá! Então, já peço desculpas pra quem não gosta de quando eu coloco música no meio da história, mas prometo que vou parar de fazer isso depois desse capítulo /risos. Chama I'll Be Seeing You, na versão do Rod Stewart, e eu sou apaixonada por ela, então espero que também gostem e que ouçam junto quando chegar a hora no capítulo. Mas, é claro, não se sintam obrigados a fazer isso (embora eu realmente gostaria que fizessem)

Apolo sentiu uma gota de chuva pingar em algum lugar perto da sua bochecha. Ouviu um trovão bagunçar o céu e estremeceu. A chuva logo começaria e era melhor entrar em algum lugar, mesmo que gostasse de se molhar com as gotas.

A primeira porta que abriu dava passagem a um lugar familiar. No entanto, já fazia quase uma semana desde que tocara alguma coisa.

Os instrumentos (uma infinidade deles) estavam todos espalhados, exatamente como Apolo os deixara da última vez. Aquela era a sua sala, e um dos lugares que mais gostava em todo o mundo.

As janelas iluminavam o espaço parcialmente, cortinas cobrindo grande parte da luz e fazendo papel de decoração.

O deus do sol, no breu daquela sala, se sentia sufocado, e ele realmente odiava aquela sensação.

Abriu a cortina que tinha a janela de frente ao piano. Um lindo, lindo piano de cauda. Branco...

Apolo sabia que não resistiria.

Sentou-se logo, passando os dedos pela madeira lustrada, suspirando profundamente enquanto um pequeno sorriso de conforto surgia espontaneamente pelos seus lábios. Abriu-o, tocando as primeiras notas e fechando os olhos.

Se existe algo realmente mágico nessa vida, pensou ele, é a música.

A melodia ia saindo automática e cheia de felicidade. Olhando pela janela, Apolo podia ver o céu nublado escurecendo e a chuva que caia forte tocando o vidro.

–Talvez eu fique aqui por um bom tempo -murmurou, se distraindo e errando a harmonia da mão esquerda por momentos.

Tentou se concentrar, mas cada vez que olhava pela janela, ia errando mais notas. Logo o som confuso e errado por tanta felicidade lhe irritou. Tudo aquilo simplesmente não combinava com o que estava sentindo.

Esbarrou em algumas teclas e em mais algumas, até tocar de propósito e forte notas desafinadas e aleatórias, tirando depois as mãos do piano.

A melodia acabou e até a sua respiração estava fora de compasso.

Passou as mãos pelo cabelo loiro, deixando-o bagunçado, como se refletisse o estado de Apolo naquele momento. Lançou um olhar para fora, os olhos azuis vagando pela paisagem como se procurassem alguém. E no fundo, ele procurava mesmo.

Olhou novamente para o branco e preto se alternando no piano. Pensou em algo triste, e então voltou a tocar. Uma música tão bonita.

Se demorou na introdução, podendo emocionar qualquer um que estivesse ouvindo-o. Mas ele estava sozinho. E depois de uma última olhada para o céu escuro, cantou com a voz junto ao piano:

–I'll be seeing you in all the old familiar places that this heart of mine embraces all day through.

Seus dedos pesaram sobre mais algumas notas, naquela versão calma e triste da música.

–In that small cafe, the park across the way, the children's carousel and the chestnut trees, the wishing well.

–And I'll be seeing you in every lovely summer's day and everything that's light and gay, I'll always think of you that way.

Ele tocou forte, fazendo soar a própria voz cada vez mais alto.

–I'll find you in the morning sun and when the night is new.

Ele levantou os olhos para a janela, enfraquecendo de repente.

–I'll be looking at the moon, but I'll be seeing you.

A música recebeu um breve solo do piano, em que Apolo suspirou e depois voltou a cantar, a cabeça viajando lá do lado de fora, onde a chuva ia ficando cada vez mais leve.

Por algum motivo aquela letra o lembrava de Ártemis, e assim de todas as suas recusas e gentilezas que sempre deixavam-no tão confuso. E por que, afinal, se a sua noiva era Atena?

Mas, bem, não adiantava tocar no nome dela. Apesar do sorriso automático que surgia em seu rosto, não passava muito tempo até a deusa da lua ocupar seu inconsciente, com todos aqueles sorrisos brilhantes como a própria.

Sentia necessidade de achá-la naquele mesmo momento, onde quer que ela estivesse, para cantar todos os compassos, notas, sustenidos e bemóis no melhor tom que conseguisse.

–I'll be seeing you in every lovely summer's day -cantou, devoto agora à melodia- in everything that's light and gay, I'll always think of you that way.

Apolo escorregou os dedos do agudo até onde suas duas mãos se encontraram.

–I'll find you in the morning sun and when the night is new...

Ele fez uma pausa, os olhos brilhando.

–I'll be looking at the moon... But I'll be seeing you.

Com os últimos arpejos, ele deixou o pedal (N/A: que prolonga o som) preso, até o som acabar enfim.

Apolo ainda ficou parado mais alguns segundos, a cabeça longe de pensamentos. Aquela música era... Tão, tão bonita.

Levantou-se depois de quase dois minutos em silêncio, suspirou e encaminhou-se até a porta. Abriu-a depois de olhar uma última vez para todos os instrumentos daquela sala, prometendo a eles que voltaria em breve.

O piso do lado de fora estava molhado e ele podia sentir aquele cheiro gostoso de chuva. Só o que pôde fazer foi aspirar o ar fresco profundamente.

Abriu os olhos lentamente e então continuou andando, rumo ao próprio quarto.

Lá no céu, as nuvens iam se dissipando aos poucos, deixando entrever algumas estrelas e uma esfera branca e luminosa, que estava especialmente grande naquele dia.

E aquele círculo branco foi alvo de um par de olhos azuis durante quase toda a caminhada de Apolo.

–------------------------------

N/A:E aí? Ficou bom isso? Assim, eu queria mostrar a visão de Apolo sobre isso tudo, porque afinal ele também está enfeitiçado, mas não queria fazer ele pensando como a Atena e o Poseidon fizeram, porque achei que vocês me xingariam (esse capítulo ficou muito dramático também?), então resolvi colocar com essa música que, pelo menos pra mim, é linda e me lembra muito Apolo/Ártemis.

Bom, espero que tenham gostado mesmo estando curtíssimo, e amanhã prometo responder todos os reviews. Prometo não, juro. Pelo Estige.

P.S. Alguém já conhecia o Rod Stewart? *-----*

Notas finais
Ah, claro, desculpem-me pela minha eterna demora. );