Um Casamento Um Tanto Bagunçado

34 O que realmente aconteceu


Pov. Narradora

Uma semana atrás...

Atena estava cansada. Passara o dia inteiro trabalhando em um grande projeto arquitetônico e precisava de um pouco de água ou refresco. Afinal, morreria faminta e desidratada naquele calor caso não fizesse isso.

Enquanto caminhava em direção à cozinha, seu estômago gritava, reclamando sobre a falta que o almoço tinha feito. E a deusa concordava, mas não podia dar tantas pausas no que estava fazendo. Seu trabalho era sempre muito importante.

Mas tudo sumiu da sua cabeça quando passou pela porta da cozinha e viu uma jarra de vidro grande completa até a metade com suco de laranja. Ou tangerina? Bem, não importava.

–Atena?

E só então a deusa viu Ártemis, de costas para a pia com uma expressão de felicidade para ela.

–Ártemis!

E Atena sorriu, abraçando sua amiga.

–Veio descansar um pouco também?

–Quem me dera -suspirou- Vim aqui porque Afrodite me chamou para conversar com ela.

Atena franziu o cenho.

–Afrodite?

–Sim, veio falar comigo sobre... Apolo.

–O que tem Apolo? -Atena repuxou os lábios- Conhecendo ela, diria que veio dizer algo sobre você e ele serem lindos juntos.

–Ah, quase isso, mas com certeza mais complicado. Veio me dizer que ele está... Droga, Atena, isso é ridículo.

–O que é ridículo? Eu não sei exatamente o que ela te disse, mas não confie em tudo o que ela diz. Você conhece Afrodite.

Ártemis suspirou, franzindo os lábios.

–Infelizmente, não sei se ela brincaria com isso, Atena. Me disse que Apolo está... apaixonado por mim. Você, mais do que qualquer pessoa, sabe como eu menosprezo ele e todos os homens, mas desde que ela saiu daqui alguns momentos atrás, não consigo pensar em outra coisa, porque não sei porquê ela viria aqui para dizer para mim algo desse tipo apenas para... brincar comigo. Afrodite parecia mais séria do que o normal e talvez... Talvez ela esteja falando a verdade. E eu estou assustada.

Atena parou os olhos por poucos segundos, e depois suspirou.

–Receio que ela esteja sim falando a verdade, Ártemis. Mesmo por quê, já ouvi vários boatos sobre vocês dois juntos. Talvez eles tenham começado porque ele contou para alguém que gostava de você.

Ártemis balançou a cabeça.

–E o que eu faço?

–Bem... Eu não esperava essa pergunta -confessou Atena, confusa- Quer dizer, você não tem a obrigação de fazer nada, certo? Outros homens já gostaram de você antes.

–Eu... Acho que é esse o problema -ela estremeceu- Atena, de alguma forma, eu me sinto na obrigação de fazer alguma coisa.

–Pra fazer ele parar de gostar de você? Ou... -os olhos da deusa aumentaram o tamanho- Ártemis, você gosta de Apolo?

–O quê? Não! Não. Eu... Só estou confusa porque nunca tinha imaginado que ele poderia gostar de mim desse jeito.

–Ah.

Atena pareceu pensar.

–Posso te dar uma dica?

–Eu adoraria que fizesse isso.

Ela sorriu.

–Pense sobre isso o quanto for necessário para você chegar a uma conclusão que faça sentido na sua cabeça. Mas não fique neurótica por causa de Apolo.

–Assim como você ficaria?

–Ei! -protestou Atena, mas então Ártemis riu.

–Estou só brincando -disse, fazendo a outra sorrir e assentir com a cabeça.

–Tudo bem, eu admito que ficaria paranóica se isso acontecesse.

–Ah!, eu sei disso!

E as duas riram, como sempre faziam sempre que se encontravam.

–Atena, vou seguir o seu conselho e pensar sobre isso, mas preciso ir agora. Minhas caçadoras estão esperando, e eu já perdi um tempo conversando com Afrodite.

–Ah!, então vá. Não quero que se atrase por minha causa.

E as duas se despediram com um beijo na face.

Quando Ártemis estava passando pela porta, porém, Atena chamou-a.

–Ei, eu posso beber esse suco?

–Ah, claro. Afrodite que fez e eu não queria laranja, então fingi beber por educação. A jarra está inteira ainda, tirando pelo meu copo e o dela.

–Muito obrigada então -sorriu Atena.

–Magina.

Ártemis se virou e saiu da cozinha.

Atena, cantarolando alegremente por não precisar beber apenas água com toda a sua sede, pegou um copo em um dos armários de vidro e madeira branca que ali encontrava-se. Virando o líquido alaranjado em tons próximos de amarelo dentro dele, ela levou-o à própria boca.

Havia algo especial ali. Não era comum o gosto daquele suco, e ele passava por sua garganta em grande velocidade, conforme ela virava o copo sem parar para respirar. Era uma sensação deliciosa e quando ela parou de beber, apenas porque tinha acabado, Atena se sentia revigorada.

Tamborilando os dedos na mesa enquanto pensava no que fazer, ela decidiu voltar ao trabalho. Quanto antes terminasse melhor, ainda que estivesse pensando no quanto adoraria passar o dia inteiro bebendo aquele suco.

Mas então, subitamente, sua barriga virou de cabeça para a baixo, e ela teve que se apoiar no batente da porta para não cair no chão. Uma dor terrível remexeu todo o seu estômago, e ela sentiu vontade de vomitar e chorar ao mesmo tempo. Nada passava pela sua cabeça senão dor.

E então, tudo aliviou-se em um segundo e ela suspirou, confusa, mas agora leve.

Atena estava com o pé no primeiro degrau da escada, sentindo-se estranha, quando percebeu sua cabeça latejar fracamente, para depois fazer a simulação de um martelo batendo-a de forma forte e bruta. Ela, com a pouca linha de raciocínio que ainda tinha, pensava que talvez nunca tivesse experimentado um sentimento tão ruim como aquele. Como se sua cabeça fosse explodir, literalmente.

Mais uma vez, deixando-a cada vez mais confusa, a dor passou e de repente ela só se sentia tonta. Muito tonta.

A escada por onde descia cambaleando não era grande. Apenas três degraus, estes que a fizeram despencar no chão.

Atena colocou as mãos sobre a cabeça, apertando os olhos com força como se pudesse aliviar a dor. Sua cabeça latejava novamente e ela simplesmente ficou ali sentada no chão quente de olhos fechados.

Podia sentir seus olhos começarem a lacrimejar, mas tentava não deixar cair nenhuma lágrima.

–Oh, meus Deuses! -exclamou em voz baixa e esganiçada.

E quando ela não aguentava mais, quando achava que não podia sentir mais nenhuma dor maior do que aquela, sua cabeça voltou ao normal. Em um instante.

De repente, ela levantou o olhar. Erguendo-se do chão, a deusa abriu um grande sorriso, vendo a pessoa que esperava encontrar.

Os cabelos de Apolo ofuscavam o próprio sol de tão loiros, assim como seu sorriso, branco e brilhante.

Contrariando toda a dor que havia sentido segundos atrás, Atena saiu correndo na direção dele com os lábios vermelhos curvados de orelha a orelha.

Apolo sorriu largamente indo até ela também, em um gesto cinematográfico.

Os dois se encontraram no momento em que ele a segurou pela cintura, girando-a no ar.

–Atena!!

–Apolo!!

Ele refreou o sorriso para dar um beijo nos seus lábios doces.

–Eu precisava tanto te dizer uma coisa!

–Você jura? Eu também!

Ele pigarreou, os lábios subindo de orelha a orelha.

–Eu amo você!

O sorriso dela aumentou.

–Eu te amo muito, muito mais!

Ele tomou seus lábios para mais um beijo.

–Oh, isso é tão perfeito! E me lembra que eu tenho um pedido a fazer pra você...

–Você pode pedir qualquer coisa, meu amor!

–Certo, então, Atena, quer se casar comigo?

E então um sorriso ainda mais aberto brotou nos lábios dela, enquanto seus olhos azuis elétricos marejavam.

–Sim... Sim!!

–Ah! Mês que vem vai ser o melhor da minha vida!

–Mês que vem? Não é muit--

–Tarde? Pensando bem, você tem toda a razão! -ele sorriu largamente- O nosso casamento vai acontecer na próxima semana.

E Atena achava que não poderia estar mais feliz. Mas, na verdade, estava completamente enganada.

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N/A: ..... E aí? Alguém percebeu? Acho que sim, hum? Esse é o começo do capítulo 2 (como se na verdade aquele capítulo não fosse o completo *pisca*). Podem ir lá para conferir ;)

P.S. Espero que tenham gostado dessa minha ideia e desse mini-capítulo também hihihi

P.S. 2: Obrigada por tudo. Mesmo.

Notas finais
Muuuuuuuito obrigada pela recomendação Bia Chase! (Que aliás mudou o nome e me confundiu por alguns momentos /risos) Sério, eu nem tenho como te agradecer por isso ♥