Um Casamento Um Tanto Bagunçado
40 Distração
Eram quatro da tarde. O sol estava mais forte do que nunca e parecia atravessar as paredes e chegar à Atena. Ela transpirava de calor. Andava pelas ruas de um lado para o outro, comprando enfeites aqui e ali, sem ter muita ideia do que realmente estava fazendo. Já tinha se perdido duas vezes naquele dia, andando por uma rua e de repente perguntando-se o que estava fazendo ali. E aquilo era tão anormal que ela já estava começando a ficar exasperada com a sua repentina confusão.
Eu diria distração, sussurrou uma vozinha na sua cabeça que quase a fez rolar os olhos.
– Como se eu precisasse do meu próprio inconsciente para me lembrar disso murmurou sozinha, franzindo os lábios logo depois.
No fundo ela sabia o motivo de não estar conseguindo pensar em nada direito. De se distrair com qualquer besteira e se xingar logo depois por tanta irracionalidade.
Porque era mesmo irracional se apaixonar por alguém e se casar com outra pessoa.
Eu. Não. Estou. Apaixonada! Quer dizer, eu estou apaixonada, mas por Apolo! E por falar nisso, eu quero sim me casar com ele, mais do que eu quero qualquer coisa na minha vida. Eu amo Apolo.
E ela realmente abriu um sorriso, apenas para voltar a realidade e se castigar logo depois ao entrar em uma rua e encontrar um restaurante que costumava ir, mas que definitivamente não era o destino previsto por ela anteriormente. Mas pelo menos, pensou, ainda praguejando um pouco, dessa vez eu posso usar essa distração.
Apertou o passo e se viu em frente ao vidro que dava visão ao interior do restaurante francês. Não esperava encontrar o lugar muito cheio, afinal era meio de tarde e o horário nunca chamava atenção para restaurantes e comidas que fossem pesadas. Mas ainda assim, havia certa movimentação por ali. Quando entrou, pôde observar uma família almoçando, cada qual com o seu prato de sabor diferente; três homens engravatados, bebendo e parecendo esquecer qualquer dignidade que o trabalho que parecia ser de alto padrão, ao julgar pelas suas vestimentas e feições lhes exigia; um grupo de adolescentes falando alto e fazendo gracejos enquanto pediam algo a um garçom; e duas mulheres se entreolhando e dando risadinhas ao debocharem do trio cuja risada preenchia o restaurante.
Atena se encaminhou sozinha para uma mesa mais afastada. Podia ver uma porta de vidro que dava em um coreto branco, mas não havia nenhuma música tocando naquele momento. Seus olhos se distraíram ao fixarem-se em uma mesinha que lhe era mais familiar do que as outras idênticas que posicionavam-se em volta. Impensadamente, ela sorriu, se lembrando de algo.
"-... Já não basta eu descobrir que uma pessoa foi idiota o suficiente para ficar com você, não vamos aumentar para duas -disse ele, esticando o braço para pegar um pão de uma cestinha que estava sobre a mesa.
Você é ridiculo. -comentou, batendo na mão dele e impedindo que ele roubasse o pão.
Eu faço o que posso.
Estou vendo. Mas eu estou falando sério, por que está aqui?
Porque eu quis te seguir já que tenho uma paixão louca e secreta por você.
Ela rolou os olhos, reconhecendo um caso perdido. Ele riu.
Eu simplesmente gosto desse restaurante e quis vir para cá, mas infelizmente você teve a mesma ideia que eu.
Ela suspirou.
Bom, sobre isso eu não posso fazer nada, mas ainda assim, o que você veio fazer na minha mesa?
Novamente, ele deu de ombros.
Não posso ser educado e vir falar oi para a minha odiada inimiga?"
Atena rolou os olhos, sorrindo minimamente. Ele era tão... Cínico. E parecia haver tanto tempo desde que tivera essa conversa com Poseidon, que ela se surpreendeu ao constatar que não faziam nem seis dias.
Eu queria que ele estivesse aqui comigo. E, argh, não me pergunte por quê, consciente, eu talvez esteja simplesmente delirando. Estive negando isso o dia inteiro, mas mesmo assim eu sinto a falta dele. Ele pode ser uma ótima companhia quando quer, mesmo que me irrite e me faça perder a cabeça às vezes.
Ela suspirou.
Eu estou com saudades até de discutir com ele. Pela milésima vez, o que está acontecendo comigo?
E o pior é que ela não conseguia chegar a uma resposta racional. Nada mais estava fazendo sentido, e sua vida sempre fizera todo o sentido do mundo. Sempre fora milimetricamente planejada. E agora ela mal podia andar por uma rua sem se distrair com o seu ex-inimigo e perder completamente o rumo.
Atena moveu os olhos para baixo, mexendo uma mão por cima da outra sobre a mesa.
Talvez eu devesse ir falar com ele.
Esse pensamento a fez levantar a cabeça na mesma hora. Talvez estivesse ficando louca. Vasculhou com os olhos o restaurante até achar um garçom e levantar a mão para chamá-lo.
– Boa tarde — desejou ele animadamente quando alcançou-a. — A senhorita gostaria de fazer um pedido?
– Boa tarde, eu gostaria de pedir uma água, por favor.
– Oh, só isso? Hoje estamos chamando atenção para a sobremesa! Criamos um novo sabor que consiste em um bolo com camadas de maracujá e chocolate amargo, com cobertura de chocolate branco e cascas de coco por cima. Uma delícia!
– Ah, e deve ser mesmo — ela disse sorrindo, educada. — Mas eu realmente vou querer só uma água.
– Bien, bien. Irei buscá-la e qualquer coisa que quiser a mais, é só me chamar.
E ele saiu depois que ela agradeceu, ainda com um sorriso. A hospitalidade dali era tão boa quanto a beleza do lugar. Seus olhos observaram-no por alguns instantes, mas depois ela remexeu mais uma vez as mãos nervosamente, e seus pensamentos voltaram sem que ela se desse conta para onde estavam antes.
Não seria completamente loucura, seria? Eu só quero visitá-lo para saber por que não veio comigo hoje.
Ela mordeu o lábio.
Mas eu não estaria sendo impertinente? Não é obrigação dele me ajudar. E talvez ele esteja ocupado com outras coisas. Eu... Acho que... Bem, não custa tentar, não é? E se ele for grosseiro comigo dizendo que tem mais coisas a fazer, eu vou ter uma desculpa para não gostar mais tanto dele, e também vou com certeza parar de pensar nele.
Atena sorriu, se animando com a própria ideia. Não que ela quisesse que ele fosse grosseiro, mas a ideia de ficar se distraindo com Poseidon estava deixando-a maluca, e aquela era a única alternativa razoável que ela tinha encontrado até agora. Foi tirada dos seus devaneios quando seus olhos identificaram o mesmo garçom de antes trazendo uma bandeja com um copo e uma garrafa de água em cima.
– Aqui está, senhorita — disse, colocando os objetos na mesa e abrindo um sorriso para ela. — Não quer mesmo mais nada?
– Não, obrigada. Você pode trazer a conta?
– Ah, minha querida, já? Vai beber apenas água?
– Oh, não me leve a mal, eu adoro a comida daqui, mas tinha vindo para, bem, pensar, e acabei muito mais rápido do que previa.
O garçom então sorriu e piscou.
– Então espero que tenha chegado a uma conclusão adequada. A senhorita parece ter grande inteligência. E a água custa dois dólares, se vai mesmo ficar só com isso.
– Ah, sim, muito obrigada.
Atena puxou da bolsa uma nota do valor dito e entregou a ele. Agradeceu uma última vez sorrindo e encheu o copo com água quando ele se retirou. Bebeu em goles rápidos, se sentindo ansiosa. Assim que terminou, levantou-se, caminhou em passos largos até a saída, notando agora que uma criança chorava na mesa onde a família se encontrava, e chegou novamente na calçada. Por conta da movimentação, resolveu caminhar um pouco mais, achando uma ruela que não era muito visitada, onde ela podia ver e sentir o cheiro ruim de uma grande caçamba de lixo. Percebendo que era seguro desaparecer ali sem ninguém perceber, Atena fechou os olhos e sumiu, deixando uma névoa levemente dourada que poderia fazer até aquele lugar parecer encantador.
[...]
Poseidon estava deitado em um sofá havia mais de duas horas. A televisão estava ligada, mas ele não estava prestando atenção em nenhuma palavra. Sua mente vagava em ansiedade e, por que não admitir?, medo. Em poucas horas iria fazer algo que ou o faria muito feliz, ou lhe tiraria todas as esperanças.
Ele bagunçou o cabelo escuro com uma mão, soltando o que achou que era todo o ar que tinha nos pulmões. Olhou de esguelha para a televisão, registrando um motoqueiro em um desses bares de estrada, discutindo algo com alguém. Tão desinteressante naquele momento que Poseidon nem sabia por que ainda não tinha mudado de canal ou desligado de vez a TV. E talvez o teria feito se não tivesse ouvido sua porta tocar, inesperadamente.
O deus franziu as grossas sobrancelhas. Levantou-se, aproveitando e fazendo o tal motoqueiro se calar apertando o botão de desligar do controle remoto. Quando abriu a porta, ele viu um sereiano conhecido do outro lado.
– Lorde Poseidon, o senhor tem uma visita.
– Hum... sério? Quem está aqui?
– Ela diz ser Atena, a Olimpiana.
Ele arregalou os olhos.
– Atena?
– Se me permite dizer, fiquei surpreso por ver ela por aqui também, senhor. Achei que eram inimigos.
– Ah — disse ele, parecendo passar da surpresa para a alegria com um grande sorriso. — Nós já passamos dessa fase. Obrigado por avisar, diga a ela que já estou descendo.
– Eu... Claro. Eu direi — disse ele, parecendo confuso, mas se afastando do sorridente deus dos mares.
Poseidon se aproximou do espelho que a sala tinha e passou a mão pelo cabelo, apenas o deixando mais bagunçado do que antes, e piscou uma vez para a própria imagem. Então, se precipitou para a porta e saiu para o encontro de Atena, esperando que seu sorriso não fosse tão grande.
Desceu as escadas que davam em um corredor, este largo e cheio de passagens e portas. Abriu uma específica que lhe deu visão ao majestoso hall de entrada, onde seus olhos verdes pousaram em uma linda mulher loira de olhos cinzas, os quais estavam compenetradamente encantados por cada mínimo detalhe de seu palácio, mal percebendo sua presença.
Fingindo uma cara mais séria, ele pigarreou.
– O palácio não está à venda, sabe, mas se você quiser vir aqui o visitar de vez em quando, eu nem me importaria.
Atena voltou-se para ele no mesmo instante. Ela revirou os olhos, mas estes brilhavam com tal intensidade que sua felicidade não poderia ter sido mais óbvia. E o sorriso que ela estampava no rosto era uma dica nada discreta também.
– O seu palácio é mesmo muito bonito, mas eu prefiro o meu templo, se quer saber.
– E por que mais você estaria aqui se não fosse por arquitetura?
Havia qualquer coisa no sorriso dele que fez com que as pernas dela tremessem contra a sua vontade.
– Porque talvez eu queira falar com a pessoa que, ao contrário do que eu pensava, foi capaz de construi-lo.
– Oh. Então acho que vou precisar de um telefone para você poder falar com os pedreiros da obra. Ah, não faça essa cara, eu tenho todos os números anotados, não iria perder algum.
– Você deve ligar muito para eles, entendo.
Ele estreitou os olhos, aproximando-se dela, que tinha um sorriso no rosto.
– Isso foi golpe baixo.
Atena riu, fazendo-o sorrir também.
– Só porque você sabe que é verdade.
– Acho que você está um pouco enganada sobre as minhas preferências sexuais.
– Já eu, acho que não.
Poseidon trocou um olhar com ela, sorrindo.
– Você... Precisa falar comigo, então?
– Eu... É, eu preciso — disse, assumindo um tom de voz mais preocupado.
– Tudo bem. Vamos pra sala, é mais confortável e temos mais privacidade.
A ideia pareceu soltar várias das borboletas que estavam presas no estômago dela, mas Atena assentiu, relutante, e o seguiu pelos corredores. Os dois subiram uma escada e chegaram a uma porta depois de pouco tempo. Poseidon abriu-a e deixou que Atena entrasse primeiro.
Era uma sala de TV, com um sofá grande, paredes em um tom escuro de vermelho, piso de um marrom que se aproximava do preto e tapetes negros. Um rádio enorme se encostava em uma parede, ao lado de um armário onde havia uma coleção variada de discos enfileirados. E o mais estranho de tudo eram as luzes, que tinham semelhança com aquelas de pistas de dança.
– Aqui é a sua discoteca? — sorriu ela sem se conter, mirando as lâmpadas especiais.
– Minha discoteca? — perguntou, achando graça, enquanto fechava a porta atrás dela.
– É. Você tem CD's, caixas de som, luzes coloridas... É algum tipo de sonho secreto ter seu próprio lugar pra dançar?
Poseidon riu.
– Você vai me achar muito ridículo se eu disser que sim?
Atena se virou para ele, aturdida.
– Está falando sério?
– Não — admitiu, dando de ombros -, mas é divertido ligar as luzes e ouvir música aqui.
– É... Eu imagino — disse ela, sorrindo um pouco ao passar os dedos pelos discos.
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, ela franzindo os lábios. Atena virou-se para ele, os olhos cinza azulados brilhando.
– Olha, eu... Eu queria... Perguntar... — ela mordeu o lábio, se sentindo nervosa. — Eu não sei se vou estar sendo impertinente, mas queria saber por que... Bem, por que você não veio comigo hoje — soltou ela, lentamente e com muita dificuldade, ainda se perguntando se deveria mesmo falar isso.
Mas se Poseidon achou ruim, não teve a menor vontade de demonstrar.
– Você... queria que eu tivesse ido?
– Eu... Bem, sim. Eu acho que sim.
– Você acha?
– Não, eu... — ela passou a mão pelo cabelo loiro. Ter que olhar para aqueles olhos verdes tornava tudo mais difícil. — Sim, eu queria que você tivesse ido.
Poseidon teve que se controlar absurdamente para não sorrir. Aquilo acendera algo em seu peito que ele nem era capaz de descrever.
– Então acho que eu te devo desculpas — disse, se aproximando dela.
Atena ficou vermelha.
– Ah, não, não! Eu... Não foi a intenção te fazer se sentir culpado nem nada assim, eu só... Bem, eu só achei que... Talvez... Talvez você estivesse, hã, bravo comigo.
– E por que eu estaria bravo com você? — indagou, sabendo perfeitamente a resposta, mas adorando vê-la se embaraçar toda na frente dele.
– Porque... Você sabe... Por causa do que aconteceu ontem.
– O nosso beijo? — ele continuava se aproximando, vendo ela corar loucamente.
– Er, sim... Bem, um pouco depois disso, quando eu acho que fui um pouco grossa com você. Quer dizer, eu fui muito grossa com você — corrigiu-se, rápida e nervosamente -, mas eu juro que ainda não... Eu não queria ter dito tudo aquilo, eu não sei por que eu disse. Você...
– Sim?
– Você não está ressentido?
– Com você? Jamais.
Atena ficou ainda mais vermelha, se é que isso era possível.
– Eu... Bem, então... Por que não veio hoje?
Poseidon agora estava tão perto que poderia descrever com exatidão os lindos olhos confusos dela, que estavam mesclando-se intensamente com o azul.
– Porque eu tive que fazer uma coisa de extrema importância hoje de manhã, sabe, Atlântida está com vários problemas a serem resolvidos — disse, mentindo sobre a segunda parte. — Mas hoje à tarde eu estava aqui e não fui porque... Eu achei que não ia querer que eu fosse.
– E desde quando isso te impede de ir mesmo assim?
Ele riu, se lembrando claramente de aparecer para ajudá-la com os preparativos sem que ela desejasse.
– Ah, vai, foi divertido.
Atena sorriu, sentindo um formigamento estranho.
– Foi. Foi sim. Mas não muito no começo da semana. Você me irritava mais do que o normal, se isso é possível.
Poseidon sorriu e bagunçou o cabelo um instante.
– Sabe... Hoje quando eu estava aqui sozinho... Eu talvez... Tenha sentido a sua falta.
Atena deixou um sorriso escapar pelo canto dos seus lábios.
– Ah. Isso não foi muito convincente — brincou.
Ele estreitou os olhos, sorrindo.
– O quê? Quer que eu te agarre aqui pra provar o quanto senti saudades de você?
E ele conseguira: novamente, ela ficou vermelha.
– Ah sim — disse, irônica -, eu com certeza quero iss... Aaaah!! — gritou, ao sentir ser levantada por duas mãos que estavam agora na sua cintura. Ela riu, sem ter ideia do que ele estava fazendo. — Poseidon, me solte!!
– Não acredita que eu estava com saudades? — ele disse sorrindo, carregando-a em direção ao sofá.
– E me carregar no colo vai mudar a minha opinião? — Atena ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços com um sorriso.
– Eu acho que sim.
– Pois saiba que está errado.
– Ah, é assim então? — riu ele, chegando ao sofá, colocando-a ali e subindo em cima dela, com um joelho apoiado de cada lado do seu corpo. — Então eu vou ter que pelo menos fazer você admitir que sentiu minha falta.
– Muito engraça--
Mas antes que pudesse terminar a frase, sentiu mãos em sua barriga lhe fazendo cócegas, e ela cedeu à risada sem ter alternativa.
– P-Pa-Para! — exclamou, rindo junto com ele, que não parecia ter a menor vontade de fazer o que ela lhe pedia.
– Você sabe o que tem que dizer pra sair daqui.
Ela riu, tentando impedir as mãos dele, mas falhando miseravelmente.
– N-Nunca.
Poseidon abriu um sorriso estranho e, inesperadamente, parou de fazer cócegas nela, que, descabelada e ofegante, olhou para ele com um sorriso, sem entender.
– Vou ter que usar outros meios então.
Um momento muito longo pareceu se estender enquanto ele chegava mais perto.
Mordendo o lábio, com o coração acelerado e o desejo invadindo todas as partes do seu ser, ela assistiu, prendendo a respiração, Poseidon aproximando-se lentamente.
Apolo, sussurrou algo em seu cérebro.
Atena fechou os olhos, sentindo devagar os lábios macios dele pressionarem o canto dos seus lábios.
Apolo, disse pouco mais alto a mesma voz.
Poseidon beijou um espaço mais centralizado da sua boca, fazendo-a ferver por baixo dele.
Apolo, chamou, audivelmente.
Então, encaixou seus lábios perfeitamente, deixando suas bocas se roçarem por alguns segundos antes de começar a beijá-la de verdade.
Atena entreabriu os lábios e sentiu a língua dele encontrando a sua prazerosamente. Suas mãos agarraram a camisa dele, puxando-o para mais perto como se não pudesse sobreviver sem o aperto dele.
Apolo!, exclamou a mesma voz, começando a gritar.
Sentiu as mãos dele apertarem sua cintura. O corpo de Poseidon grudou-se ao seu e ela agora podia jurar que sentia as batidas do coração dele tão fortes e descompassadas quanto as suas.
Apolo!!, gritou algo na sua cabeça, como se estivesse se irritando.
A língua dele movia-se contra a sua perfeitamente. Atena percebeu que o beijo começara a se tornar mais possessivo, e os dois puxavam-se cada vez com mais vontade e necessidade, mesmo que já estivessem completamente grudados. Deuses, Atena não queria parar de beijá-lo por nada nesse mundo.
APOLO!!!!!
E dessa vez, ela ouviu tão claramente aquela voz escandalizada e estridente, que, em um susto, tentou se levantar. Porém, o corpo pesado de Poseidon em cima de si não permitiu, embora parecesse que ele tinha levado um susto maior do que o dela.
Mas depois que percebeu o que estava acontecendo, xingando mentalmente, levantou-se no mesmo instante, observando uma raiva inconfundível aflorar no rosto dela logo depois.
– O QUE É QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?!
– Atena, se acalme...
– ACHA QUE PODE ME BEIJAR SEM MAIS NEM MENOS, SEU IDIOTA RIDÍCULO?
– Atena...
– EU SOU COMPROMETIDA!! APOLO É O AMOR DA MINHA VIDA, ENTENDEU, VERME? APOLO, NÃO VOCÊ!
– Eu sei! — gritou ele, para fazer a voz soar alta como a dela. — Apolo é o amor da sua vida, você é sim completamente apaixonada por ele. Eu acredito em você — disse, claramente, a voz mais calma agora que percebera que ela parecera deixar um pouco a raiva. — Você não me ama, sei disso.
O que era, é claro, uma mentira. Ele poderia ser a pessoa mais sonsa de toda essa vida, e ainda assim conseguiria identificar o amor que ela mostrava nos olhos. Infelizmente, não naquele momento. Mas ele estava lá durante cada segundo em que ela o puxara para si enquanto o beijava.
Porém, as palavras pareceram surgir efeito nela. Drasticamente, sua expressão mudou, e ela descruzou os braços. Parecia confusa.
– Eu... eu não sei o que... Aaarh — fez, segurando a cabeça com as mãos como se ela lhe causasse terrível dor.
Sentindo algo ruim no peito, mas sabendo que não deveria se aproximar, ele disse:
– Atena? Atena, quer alguma coisa? Quer que eu traga um copo de água? A cozinha fica aqui perto.
Ela afirmou com a cabeça, parecendo aflita.
– Eu já volto. Você... Espere aqui, ok? Eu prometo que já vai passar.
E saiu, tentando não olhar muito para os olhos dela, embora isso fosse algo difícil. Achava que ela explodiria de novo caso ele demonstrasse muito amor, e aqueles olhos cinzentos definitivamente tinham um caso com os seus olhos verdes.
Atena ficou ali, os olhos frisados e a cabeça latejando. Ela se sentou no sofá, respirando fundo, tentando aliviar a dor. Esta foi cessando, muito lentamente, enquanto o tempo ia passando.
Ouviu a porta se abrir e em questão de segundos observou Poseidon lhe oferecendo um copo de água. Ela aceitou, a mão trêmula, e levou o copo aos lábios. Fechou os olhos quando engoliu, e se sentiu agradecida por ter tomado aquilo, porque sua cabeça voltou ao normal depois de poucos momentos, embora ela ainda se sentisse completamente perdida.
– Poseidon, eu...
– Shiii — fez ele, sentando ao seu lado. — Não precisa.
Ela estremeceu.
– Mas eu...
– Atena.
A deusa franziu os lábios, e por um momento ele achou que fosse chorar. Sentiu um aperto no coração.
– Eu... Eu tenho que ir.
– Tudo bem — disse, calmamente, mesmo que não estivesse nem um pouco calmo. — Eu te encontro hoje à noite?
– Vou estar com Apolo — disse, automaticamente.
– Sim, eu sei que vai — confirmou, tristemente. — Até... Até lá então.
Ela afirmou com a cabeça, mordendo o lábio, e se levantou, vendo ele a observar sentado.
– Até lá... — murmurou, a voz fraca.
Mas então, Atena teve um súbito impulso, o coração batendo forte, e ela se abaixou e beijou a bochecha dele, que, agora sim surpreso, olhou para ela enquanto um sorriso irrefreável surgia em seus lábios.
Atena corou imediatamente, e ainda não fazendo ideia do que levara ela a fazer aquilo, estalou os dedos, se sentindo completamente envergonhada.
Quando chegou ao seu quarto, sua cabeça em grande conflito, ela deitou-se na cama, sentindo algumas lágrimas visitarem seus olhos. Estava tão confusa.
Poseidon não... Eu... Eu o amo tanto. Eu amo Apolo.
Atena fungou, segurando a cabeça.
O que... O que está...
Ela fechou os olhos, sentindo a cabeça doer de novo, e percebendo que seu travesseiro estava molhado mais uma vez naquela semana.
Se demorou em suas lágrimas, chorando de dor, de confusão, de amor. Quando seu choro já estava mais distante, ela apoiou a cabeça de lado, fixando um ponto qualquer do seu quarto. Seus olhos piscaram uma vez. E duas, e três. Ela percebeu como estava exausta. Fechou-os demoradamente. Estava com tanto sono... A consciência dela estava se fechando também.
E antes que pudesse ver, Atena tinha adormecido profundamente.
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N/A: Oh-Oh. Fiz esse capítulo ouvindo Mascarada, do Emílio Santiago, e ela é, assim, linda. E me lembra Anos Rebeldes também *---* (aquela mini-série... Alguém já ouviu falar? É maravilhosa e eu recomendo imensamente). De qualquer jeito, espero que tenham gostado do capítulo, apesar da demora. E, Deuses, estou com tanta dó de Atena :S E reescrevi isso tantas vezes que parei de contar.
Bem, mil beijos ♥
P.S. Eles são tão, tão lindos juntos *suspira*
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