As gotas de água escorriam por todo o seu corpo. O vidro já estava embaçado, e os espelhos começavam a ir pelo mesmo caminho. Poseidon ensaboava-se, distraído, mal percebendo quando parou mais uma vez encarando um ponto fixo no azulejo do próprio banheiro.

Ele não sabia o que faria se o seu plano com Ártemis não desse certo. Atena se casaria com Apolo, e Poseidon achava seriamente que isso não impediria nem um pouco a vontade que tinha de agarrá-la a todos os momentos.

A lembrança de Atena o deixava fora de si. Era loucura, ele nunca havia desejado alguém assim. Podia lembrar com exatidão de seus lábios vermelhos e macios, inchados depois de um beijo.

Poseidon engoliu em seco. Era bom que ninguém pudesse vê-lo ali, porque o seu corpo poderia mostrar claramente o rumo dos seus pensamentos.

Atena era simplesmente irresistível.

Ele fechou os olhos, deixando a água cair e escorregar sobre o seu corpo. Droga, seu estômago se revirava só de lembrar do último beijo que ela deixara em sua bochecha. Tão inocente e doce, que poderia ser usado para descrevê-la. Não quando ela ficava irritada, é claro, mas ele também adorava deixá-la assim. Ele a amava de todos os jeitos.

Pensando que nunca estivera tão pateticamente vulnerável, entrou uma última vez debaixo do chuveiro, desligou as torneiras e enxugou-se desleixadamente com a sua toalha. Enrolou-a na cintura e saiu do box, entrando no quarto. Podia ver pela sacada as águas do oceano escuras. A festa estava se aproximando, e ele estava dividido entre ficar ansioso ou tão nervoso como nunca estivera.

Abriu o armário, pegando uma calça preta e uma blusa social. Se queria impressionar Atena, precisava fazer isso direito, mesmo que existissem sérias possibilidades de ele morrer derretido dentro daquela roupa. Vestiu-se, calçando um sapato preto depois e mirando sua imagem no espelho.

Seus cabelos pretos estavam rebeldes e molhados, o rosto relaxado como sempre. Mas os seus olhos não mentiam. Uma cor intensa esverdeada deixava-nos mais escuros do que o normal, e havia um brilho estranho correndo por ali.

Afastando-se, deitou na cama, a barriga para cima servindo de repouso para uma mão enquanto a outra encaixava-se atrás da sua cabeça.

"Vai dar tudo certo"

Poseidon podia ouvir a voz de Ártemis sussurrando. Estivera tentado a acreditar naquilo, mas começava a duvidar um pouco. Será que poderia dar certo?

O deus dos mares fechou os olhos, lembrando do beijo dela e de como se sentiu no paraíso nas duas vezes que conseguiu tomar os lábios dela nos seus. Ele podia sentir a boca ficando seca.

Merda, Atena, como você consegue mexer tanto comigo?

Talvez fosse a maneira como ela mordia o lábio quando ficava indecisa e nervosa. Talvez fosse seu jeito irônico de levantar uma sobrancelha mesmo que ele conseguisse ver que ela estava sorrindo por dentro. Talvez fossem seus olhos brilhantes. O seu sorriso angelical tão lindo, e como este era dirigido a ele sempre que ela deixava de lado a pose decidida. Talvez fosse porque ela o fazia sorrir sozinho por lembrar de cada uma dessas coisas.

Alguma coisa nela o fazia enlouquecer.

Poseidon sorriu por alguns instantes. Então abriu os olhos e esse sorriso desapareceu, enquanto lembrava que poderia perder Atena caso tudo desse errado.

E era por causa de cada lembrança dela que ele desejava tão imensamente que desse certo.

Ele se levantou, suspirando, e abriu a porta para o corredor. Caminhou um pouco até chegar em duas portas, uma do lado da outra. Porém, antes que ele batesse, ouviu uma gritaria dentro de uma delas.

– EU TE PEDI PARA NÃO CONVIDAR ELE, LÍVIA!!

– MAS EU APOSTO QUE VOCÊ ADOROU A NOTÍCIA DE QUE ELE VAI JUNTO COM VOCÊ, NÃO É?

– NÃO!! MAS É CLARO QUE NÃO!

– POIS EU ACHO QUE... — ela fez uma pausa, ouvindo um "Toc, Toc" distante. — QUEM É?

– Eu posso abrir a porta ou as irmãs da paz estão se trocando?

Ele observou com um sorriso mal contido quando Lívia abriu a porta com uma careta, vestindo um vestido vermelho colado e vários bobes na cabeça.

– Irmãs da paz? Deuses, Poseidon, isso foi péssimo.

– É, foi péssimo. As duas já terminaram de discutir? Porque eu não sei se posso me atrasar para a festa.

Ele viu Lara bufar mais atrás da irmã. Usava um vestido azul marinho que não era tão indecente como o de Lívia, mas também não era comprido e nem muito solto.

– Que fique bem claro que o motivo da discussão foi ela e não eu.

– Eu?! — exclamou Lívia, em uma pose de exagerada indignação — E a culpa é minha se você não admite que ama o Sam?

– E você pode por favor não se intrometer no relacionamento dos outros?

– Então você admite que os dois têm um relacionamento amoroso!

– Eu nunca citei a palavra amor!!

– Mas aposto como estava pensando!

– E o que é que você--

– Vocês podem pelo menos tirar a roupa para isso ficar mais interessante?

– Poseidon!! — exclamaram em uníssono.

– Ah, vai — disse, rolando os olhos -, vocês sabem que eu estou brincando. Eu só preciso que vocês fiquem quietas por dois segundos e terminem de se arrumar, isso é possível?

Lara suspirou, mal humorada.

– Só porque você vale mais a pena do que essa... Coisa.

– Só está dizendo isso porque sabe que eu estou certa sobre tudo o que eu disse — cantarolou Lívia, aproximando-se do espelho para se maquiar enquanto a outra rolava os olhos e ia soltando o cabelo.

Poseidon observou a cena com um sorriso.

– Vou esperar lá na sala.

– Uhum — murmuraram juntas, e ele saiu do quarto de Lívia, fechando a porta.

OoO

Passara-se trinta minutos. Ele não podia acreditar em como mulheres demoravam para se arrumar. Estava sentado no sofá, ora batendo o pé rapidamente, ora parando quieto, compenetrado em algo. Ou talvez o pé dele simplesmente se cansasse de bater no chão o tempo inteiro. Nunca fora muito paciente.

Mas a questão é que quando ele entrara no quarto delas, as duas já estavam vestidas e pareciam praticamente prontas, com exceção ao cabelo cheio daquelas coisas redondas. Por quê. Trinta. Minutos?

– Oh merda, elas devem ter começado a brigar.

Poseidon se levantou, decidido a bater na porta delas outra vez, mas antes que saísse pelo corredor, ouviu vozes altas se aproximando, em um tom bem mais calmo do que ouvira há alguns minutos atrás.

– ... e você tinha prometido.

– Certo, mas você admite que gosta dele? Só gostar, vai, Lara!

– Pelos Deuses, Lívia! — ele ouviu-a suspirar — Se eu supostamente disser que sim, mesmo que eu não esteja dizendo a verdade, você pode parar de falar sobre isso?

– Sim! — exclamou ela, na mesma hora, e Poseidon viu quando elas chegaram na porta da sala, Lívia parecendo muito animada. Ela virou-se para ele.

"Poseidon, Lara vai admitir que gosta do Sam!"

– Eu não vou admitir nada, eu só vou dizer algumas palavras que podem não ter significado nenhum pra mim.

– Elas poderiam não ter, mas eu sei que tem! Os seus olhos dizem isso.

– Mas eu ainda nem disse nada!

– Mas vai dizer.

– Ou não.

– Ah, sim, Lívia, eu acho que ela preferiria dizer isso diretamente pra ele — interveio Poseidon, sorrindo de lado.

– Argh! Vocês dois não... Argh!!

Lívia trocou um olhar com Poseidon, rindo.

– E então?

– E então o quê?

– Ah, diga logo, vai.

– Você vai parar de falar sobre isso?

– É, tanto faz — disse com indiferença, um sorriso animado no rosto.

Lara respirou fundo, e as suas bochechas tomaram um tom ligeiramente avermelhado.

– Eu... Eu gosto do Sam. Satisfeita? Podemos ir agora?

E o sorriso de Lívia mal cabia no rosto quando ela balançou a cabeça positivamente, os olhos verdes maquiados muito brilhantes.

– Sim, podemos. Poseidon, agora sim nós estamos prontas... Ah, Lara, fale com ele na festa.

E antes que Lara retrucasse alguma coisa, ele pegou a mão de cada uma rapidamente e sumiu dali, materializando-se nos jardins do Olimpo, à frente da grande entrada do salão de festas. Já eram mais de dez horas afinal.

Poseidon mal pôde olhar em volta e procurar Atena quando ouviu um gritinho ao seu lado.

– Andrew!

E só o que viu depois foi algo vermelho passando rapidamente por ele e jogando-se nos braços de um homem de cabelos loiros.

– Paz, finalmente — ele ouviu Lara murmurar, e não conseguiu conter uma risada.

– Ei, Larinha, sei que ela te irrita muito, mas Lívia não deixa de estar certa.

Ela fez uma pausa.

– Sobre o Sam? Mas eu... Eu não... — mas antes que ela pudesse continuar, Poseidon tomou o seu lugar.

– Escute, eu sei que as chances de isso acontecer são menores que zero, mas você viu o que aconteceu comigo, e o que aconteceu com Atena. Não deixe que as chances que você tem com Sam também sejam quase impossíveis.

Lara encarou-o, e ficou sem fala por alguns segundos. Não esperava por aquilo.

– Poseidon... Você ainda tem como reverter tudo.

Ele suspirou, balançando lentamente a cabeça.

– Eu até tenho sim. Mas eu daria tudo pra ter o caminho livre como você e ele têm. Não, é sério — disse, porque ela ameaçara dizer alguma coisa para negar -, vocês dois gostam um do outro. Não perca o seu tempo ou você pode acabar perdendo algo muito pior mais tarde.

Ela ficou quieta, como se estivesse analisando-o. E então, devagar, abriu um pequeno sorriso.

– Eu te amo muito, Poseidon.

– Oh, Lara, eu já estou comprometido.

Ela riu gostosamente enquanto ele sorria.

– Você sabe que não é nesse sentido, idiota.

– Eu não sei como você pode não ter uma queda por mim. Eu sou absurdamente irresistível.

– Sim, você é absurdamente irresistível — Lara disse, surpreendendo-o por um instante. — Para Atena, e não para mim. Sem contar que eu... — ela pigarreou — eu já... Sabe, eu já estou... apaixonada por outra pessoa.

Poseidon abriu um sorriso grande.

– Queria ver a reação de Lívia agora.

Ela rolou os olhos, sorrindo.

– E você não se atreva a contar pra ela.

– Eu vou pensar no seu caso.

– Poseidon.

– Estou brincando — sorriu ele. — Você pode fazer isso depois. E, aliás, você não vai ter escolha, porque não tem chances de ela não te ver agarrando o Sam por aí.

E ele piscou pra ela e foi se afastando em direção à entrada.

– Eu não vou 'agarrar' ele — disse, em voz alta o suficiente para ele ouvir e soltar uma risada.

– Você tem razão. Ele vai te agarrar.

E antes que pudesse ouvir a resposta dela, Poseidon já estava dentro do salão. Mas o que veio a seguir, o surpreendeu de tal forma que ele ficou parado por um bom tempo, a boca meio aberta, a cabeça tentando registrar o que via.

Estava tudo diferente. As luzes do lugar, para começar, eram aquelas fluorescentes, em tom azul escuro, que faziam o ambiente ficar muito mais escuro do que o normal. Havia banheiras ali dentro. Banheiras de hidromassagem que borbulhavam e davam ao lugar outra fonte de luz — dessa vez azul clara. Ele podia ouvir o barulho da água se remexendo, mas este som era quase inexistente, pois a música ali estava alta, e estimulava de uma forma tão óbvia sua testosterona divina que por um momento se perguntou se Afrodite não teria dado a ele algum tipo de Afrodisíaco. Mas foi quando ele avistou um poste de bombeiro em frente à fontes de chocolate que os seus pensamentos depravaram-se de vez. Viu de repente Atena ali, nua, fazendo um strip tease lento só para ele. Sentiu um formigamento dentro das calças, e olhou para outro lugar tentando impedir o que estava pensando. Mas agora ela já estava impregnada na mente dele. Imaginou-se dentro da banheira, junto com ela. E então desviou novamente o olhar e achou janelas amplas, dando vista para o lado de fora. Talvez a lua e as árvores fossem as únicas coisas que não tinham algum duplo sentido naquele lugar. Mas ele traiu-se ao olhar novamente para o poste fino de metal, e imaginou-a ali com a luz da lua tocando sua pele macia, deixando-a irresistivelmente tentadora.

– Poseidon!!

E ele levou um susto quando sentiu dois braços em torno do seu pescoço, abraçando-o empolgadamente.

– Hum, você está mais maravilhoso do que o normal — disse Afrodite, maliciosamente. — Atena vai adorar te ver por aqui.

– Afrodite, o que foi que você fez com esse lugar?

Ela soltou uma risadinha.

– É uma despedida se solteiro, não é?

– Achei que tinha dito que não ia contratar strippers.

– E eu não contratei. Está vendo o cano ali no meio? Existem outros dentro daquelas cabines — ela apontou para o fundo do salão, onde Poseidon ainda não tinha reparado -, e nós podemos usá-las como quisermos.

E para a total surpresa dela, Poseidon fez uma careta.

– Uh, Ártemis não vai gostar disso.

– Ártemis? Oh, Deuses, você está pensando em Ártemis? Mas e... Mas...

– Não — apressou ele a dizer -, não estou pensando em Ártemis por causa disso. Eu fiz um plano com ela hoje de manhã, como você disse que eu tinha que fazer, e nós combinamos que vou levar Atena para os jardins e vou beijar ela enquanto Ártemis chama Apolo em um canto aqui dentro e se declara pra ele. Só estava pensando que Ártemis não vai gostar nenhum pouco de ter que fazer isso com todas essas insinuações em volta dela.

– Oh. Ah, se eu soubesse eu poderia... Poderia ter preparado alguma coisa.

Ele deu de ombros, embora seu rosto mostrasse preocupação.

– Vamos ver o que acontece. Se você puder ajudar de alguma forma, eu também agradeceria.

Afrodite assentiu rapidamente.

– Eu posso, é claro. Bem, ainda não conversei com Ártemis sobre tudo o que aconteceu, então acho que ela deve estar brava comigo por ter tentado enfeitiçá-la. Com razão, é claro, mas vou ter que falar com ela com muito cuidado, e depois posso tentar monitorá-la e ajudá-la com o que vai ter que dizer para Apolo.

– Certo, só tome cuidado pra não dizer nada que a faça desistir de me ajudar, por favor.

Ela olhou-o por um instante. Então, ele pôde ver seu rosto perdendo de vez toda a felicidade que estivera ali quando veio cumprimentá-lo.

– Poseidon, me desculpe por fazer isso com você. Oh meus Deuses, eu nem sei como posso... Como posso... — ela fungou, e de repente ele viu algumas lágrimas surgirem em seus olhos — Você e Atena são tão lindos juntos. Eu venho fazendo planos pra juntar vocês há tanto, tanto tempo, que não posso acreditar que tenha sido eu a destruir todas as... T-todas as chances que vocês tinham. E-Eu... Me desculpe, eu...

– Afrodite, não precisa — disse, em um tom de voz muito baixo, passando uma mão pelo braço dela. — Vai ficar tudo bem.

Então ela deu uma última fungada muito profunda e olhou-o nos olhos, os seus cheios de lágrimas.

– Eu vou tentar te ajudar o máximo que eu puder, eu juro. Juro por tudo que eu amo nessa vida. E eu sou a deusa do amor então isso é muita coisa. Mas preciso ir no banheiro agora, minha maquiagem deve estar um caco depois disso.

E ela se virou e seguiu até uma porta em passos rápidos e elegantes, sorrindo com os olhos encharcados para algumas pessoas que passaram por ela nesses momentos. Poseidon quase sorriu. Algumas coisas nunca mudavam.

Ele voltou a observar o lugar, agora tentando refrear ao máximo algumas imagens de Atena que insistiam em aparecer furtivamente na sua cabeça. Mais além do que tinha observado, onde Afrodite tinha apontado, estavam as tais cabines que, segundo ela, continham canos dentro. Poseidon achou que Atena teria preferido os strippers. Conteve um sorriso ao imaginar sua reação quando visse aquele lugar, e olhou uma vez para a porta de onde tinha acabado de entrar, esperando a entrada dela a qualquer momento.

– Está esperando Anfitrite, Poseidon?

Ele se virou e viu um bar grande encostado na parede à sua esquerda. Pelo jeito ainda ia descobrir muitas coisas que Afrodite dera um jeito de colocar ali.

– Que os Deuses me livrem — disse para Ares, que sentava em um dos banquinhos em uma pose durona, o rosto arreganhado em um sorriso. Ao seu lado estavam Dionísio e Apolo; o primeiro bebendo em uma garrafa que já estava pela metade, o segundo mais carrancudo do que ele jamais o vira.

Poseidon se perguntou por quê, até lembrar-se que tinha dito que ia pedir Ártemis em casamento no mesmo dia mais cedo.

Oh-Oh.

Ele se aproximou de onde estavam, puxando um banco e se sentando.

– Quer alguma bebida? — perguntou um jovem que aparentava ter vinte e poucos anos, chacoalhando uma garrafa na mão.

– Hum, não, obrigado — disse, meio distraído, pensando que estaria com ainda mais problemas se resolvesse se embebedar e acabasse perdendo a razão.

– Acho que não era Anfitrite que ele estava procurando — disse Apolo, e Poseidon se virou para ele no mesmo instante, detectando o rancor em sua voz. — Ele está atrás de Ártemis agora.

Até Dionísio parecera menos desinteressado na conversa.

– Ártemis, Poseidon? Ela é gostosa, mas essa aí é mais casta que Atena.

Poseidon poderia simplesmente ter dado um soco na cara de Ares. Se espantou por um momento com o seu pensamento, mas olhando para o lado, ele percebeu que Apolo ficara furioso.

– Eu não estou atrás de Ártemis. Apolo, cara, eu precisava te mostrar uma coisa lá fora.

Apolo não respondeu. Olhou-o por alguns instantes como se estivesse analisando a proposta. Então, se levantou de onde estava. Poseidon ficou de pé também e seguiu o caminho até o lado de fora, as mãos no bolso da calça.

Sentiu o ar fresco no rosto, a brisa soprando como se sussurrasse algo a ele.

– Hoje de manhã — começou, virando-se para Apolo -, eu não estava falando sério quando eu disse que ia pedir Ártemis em casamento.

Apolo encarou-o.

– Eu não tenho muita certeza disso.

– Eu sei como ela é importante pra você, Apolo, me desculpe por dizer aquilo, mas eu ando extremamente estressado e cansado, e acabei descontando minha raiva em você.

Apolo ficou quieto por alguns segundos.

– E o que estava fazendo no templo dela?

– Ela me disse outro dia que queria falar comigo sobre — ele pigarreou — o casamento de você e de Atena. Ela achou que foi muito de repente, e queria saber minha opinião sobre o que estava acontecendo.

– E o que poderia estar acontecendo? Eu amo Atena.

Poseidon olhou para as árvores, iluminadas pela luz da lua. O céu estava nublado, e ele pensou de repente no drama que Afrodite faria caso começasse a chover.

– Ela estava só preocupada com Atena. E um pouco com você também, pra falar a verdade.

– Preocupada?

– É, foi muito de repente que você e Atena decidiram se casar. Eu tinha quase certeza que você amava Ártemis. Acho que até ela achava isso também.

Apolo franziu os lábios.

– Ártemis é... Você sabe, ela é maravilhosa — e os olhos azuis dele brilharam -, mas eu amo mesmo Atena.

Poseidon assentiu, analisando o agora conhecido efeito da poção se misturando na sua fala.

– É... Eu entendo completamente.

– Entende que eu ache Ártemis maravilhosa?

– Entendo que você ame Atena.

Apolo franziu o cenho, mesmo que parecesse estranhamente aliviado.

– Você ama Atena?

– Como amiga — disse, rapidamente, fazendo a expressão de Apolo passar à compreensão. — Você sabe, Atena também é uma pessoa... maravilhosa.

Apolo confirmou com a cabeça. Então, inesperadamente, seus olhos brilharam e ele abriu um sorriso enorme.

– Calma. Cara, acho que 'tá vindo um haicai.

– Aah! Acho que vai começar a chover, vamos entrar — disse, tentando não soar desesperado.

– Mas você é o deus das tempestades.

– É por isso que estou dizendo que vai chover, vamos pra dentro.

Apolo deu de ombros, e enquanto ia até a porta, seguido por Poseidon, o deus dos mares o viu lançando um olhar à lua. Foi rápido, mas tão apaixonado, que ele se perguntou como a poção não o impedira de fazer isto.

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N/A: Hello! Feliz 2014 atrasado pra vocês! Quer dizer, eu ainda posso desejar isso, não posso? Bom, espero que esse capítulo não esteja ruim e que vocês tenham gostado dele.
Aliás, queria agradecer trilhões de vezes por todos os reviews que vocês me enviam, e dizer que eu realmente amo todos eles, embora demore tanto pra respondê-los (o que vou fazer agorinha). Sério, muito, muito obrigada pelo carinho ♥
Mil beijos!

Notas finais
Muuuuuuuuuito obrigada pela recomendação Isabelle Oliveira! Ownn, que gracinha, sério *abraço sufocante*