Um Caminho Diferente para a Vingança
6 Nada dura para sempre
Notas iniciais
Foi uma correria sem tamanho. Ela não se lembrava de como tinha chagado ali, mas estava em seu quarto sentada na cama. Cora estava a seu lado amparando-a. Ela só sentia a dor. Sentia seu corpo se contrair para expulsar a criança. No quarto era um entra e sai sem tamanho. Criadas entravam e saiam com toalhas e bacias. Mas ela não prestava atenção em nada, não via nada. Só pensava na dor e em seu bebê. A cada contração ela gritava alto. Queria seu marido ali com ela, queria ele lhe passando segurança. Mas não era a tradição da corte. Homens não assistiam partos. Restava-lhe se amparar em sua mãe.
Cora. Cora a colocara naquela situação. Cora a obrigara a se casar. Há uns meses ela não podia sequer ouvir o nome da mãe. Mas agora isso não importava mais. Ela só queria o apoio dela. E pela primeira vez na vida ela o teve. Pela primeira vez ela ouvia alguma palavra de incentivo vinda de Cora. Pela primeira vez ela se sentia amada pela mãe
–Empurre majestade!- a parteira falava em meio aos gritos de Regina
Agora ela estava deitada. Também não se lembrava de ter se deitado. Cora à sua cabeceira segurava-lhe os ombros e lhe ajudava empurrando o tronco dela para baixo. Ela sentia o bebê descer... Sentia seu filho saindo... A cada força que fazia ela sentia que se tornava mais forte
–Respire filha! Força!
Regina fez força mais uma vez. Soltou um grito forte e sentiu um alivio
–A cabeça saiu! – disse a parteira – Vamos Majestade! Força!
Mais um movimento e o alivio. Ela sentiu o bebê sair e caiu contra os braços de sua mãe, que a amparava. Imediatamente um choro forte encheu o quarto. Ela olhou para baixo e a parteira erguia a criança. Forte... Grande... Saudável
–É um menino majestade!!! – a parteira falou com alegria – É um menino!
Ela colocou o recém-nascido sobre o colo da rainha ainda pelo cordão umbilical. O menino era lindo! Forte, grande e cheio de dobrinhas. Regina o limpou com o lençol e olhou o rostinho do filho. Ainda não dava para dizer com quem parecia... Estava amassadinho... Mas para ela era a criança mais linda do mundo
Cora ao seu lado não parava de sorrir. Era exatamente o que ela queria para Regina. Tudo estava como deveria estar. Mas Regina estava alheia à mãe... Estava alheia a tudo. Seu mundo estava ali: seu filho! O menino chorava forte e alto
–Oi! – disse a rainha baixinho no ouvido do filho – você que ficava me chutando?
Ao ouvir a voz da mãe o menino foi se acalmando... Parando de chorar aos poucos. Regina o olhava maravilhada. Se alguém falou algo ela realmente não ouviu. Ela levantou os olhos e viu Snow e Leopold entrando no quarto. Ela encarou o marido e a enteada com os olhos brilhando
–Temos um menino! – ela disse em meio a um sorriso sem tamanho
Snow correu para perto da madrasta e Cora cedeu a ela seu lugar na cabeceira. Leopold se aproximou e sentou-se do lado oposto ao de Snow. Os três se abraçaram e contemplaram o menininho
–Ele é enorme – Snow disse acariciando o rostinho do irmão
Regina olhou para Leopold. Em nenhum minuto nenhum deles parava de sorrir. Ele beijou a cabeça da esposa
–Obrigado Regina – ele disse abraçando a esposa para olhar o filho
–Meu rei? – a parteira se dirigiu a ele
–Sim?
–Gostaria de cortar o cordão umbilical do príncipe?
Leopold assentiu sorrindo. A mulher indicou onde o corte deveria ser feito e ele cortou o cordão que ligava o filho a sua mulher
–Bom – disse a parteira – a rainha e o príncipe precisam descansar
–Claro! Marizza!
–Meu rei – a criada de Regina respondeu
–Diga a Michael para mandar os arautos a todas as províncias! Avisem que o reino tem um filho!
A criada fez uma reverencia e saiu. Leopold se dirigiu aos presentes
–Me deixem a sós com a rainha e a princesa
Cora, a parteira e mais uma criada que ainda estavam no quarto saíram deixando o casal e a menina com o bebê
–É maravilhoso! – disse Regina sorrindo
–Ele é lindo! – Snow acariciava o irmão – Como vamos chamá-lo?
–Por isso pedi pra ficarmos sozinhos – Leopold respondeu – Como sabem o nome do herdeiro só é revelado em uma recepção para todo o reino. Porém, nos somos a família dele e temos que escolher o nome. Sugestões?
–Eu tenho uma – disse Regina
–E qual é? – Snow perguntou
Regina olhou para o filho em seus braços, enrolado apenas em um lençol
–Arthur –ela disse – Se vocês deixarem eu gostaria que ele se chamasse Arthur
Leopold sorriu. Arthur! O nome do lendário rei que guiara seu povo de volta a união. Um homem forte que com certeza seria uma inspiração para o filho
–Muito apropriado! Forte! O nome de um rei! Concorda filha?
Ele olhou para a menina, mas o sorriso desaparecera do rosto dela
–Eu não sou mais a herdeira, não é?
Leopold contornou a cama e foi para perto da filha
–Não Snow – ele disse olhando-a nos olhos – a lei é clara. Seu irmão é o primeiro herdeiro ao trono
A menina suspirou. Tanto Regina como Leopold preveu outro ataque de fúria, tal qual no dia em que eles contaram sobre a gravidez. Ela, porém surpreendeu os dois
–Bem... Então tenho que fazer de tudo para ajudá-lo – a menina disse olhando o garotinho no colo da madrasta
Leopold e Regina sorriram. Nem ele nem ela esperavam essa reação da menina. Um chilique como o do dia da descoberta da gravidez seria mais esperado. Ela porém apenas olhou o irmão. Não sorria mais. Ela o amava, claro que amava sempre quisera um irmão. Mas também sempre quis ser rainha. Sempre sonhara com o dia de sua coroação. E agora ela não teria isso mais. O trono era do pequeno Arthur. E ela teria de se conformar
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A parte mais difícil dos primeiros quarenta dias do pequeno Arthur foi justamente esconder o nome. Regina acho que Snow não conseguiria esconder esse segredo, mas se enganou. Aliás, Snow perdeu um pouco de sua vitalidade. Ajudava Regina com Arthur em tudo e nas horas livres passou a se dedicar à equitação. Ela ainda tinha aulas, mas muito menos intensas já que não seria mais a rainha. E isso a machucava. A machucava muito.
Chegou então o esperado dia da apresentação do príncipe. O nascimento unira como nunca o reino, e as apostas sobre qual seria o nome do menino eram o assunto constante em toda e qualquer roda de conversa. No palácio, chegara o dia de contar a Snow que ela teria de se casar com James. Tanto Leopold como Regina adiaram ao máximo o comunicado. Não queriam abater a menina ainda mais, mas não tinha como adiar. Assim que soube que Leopold tivera um filho, George o notificou sobre o cumprimento do acordo e a muito custo aceitou esperar que o menino fizesse quarenta dias para anunciar o noivado de James e Snow. Na tarde que antecedia a recepção para o príncipe, Regina e Leopold contaram a filha o acordo
–Como assim me casar com o estúpido do James?- ela estava revoltada e chorava
–Eu sei filha – Leopold a acariciava – Mas não há outra escolha... Entenda é para garantir...
–A paz... Eu sei – Ela disse limpando as lágrimas que não paravam de escorrer – Mas justo o James?
–Snow... – a rainha fez que ia tocá-la
–Não! – ela repeliu o gesto da madrasta – Não...
A menina saiu correndo. Sua expressão lembrou a Regina o dia da morte de Daniel, a dor e o desespero de se perder tudo o que amava. Ela achou que ficaria feliz com o sofrimento da enteada. Mas se enganou. Naquele momento tudo o que ela mais queria era proteger e livrar a menina daquilo. Como esse sentimento havia surgido ela não sabia. Mas naquele instante percebeu que seu ódio já não era mais o que lhe movia.
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