Um Caminho Diferente para a Vingança
2 Menina Mimada
Notas iniciais
“Barulho de galopes de cavalo”
–Ia! – Snow guiava seu cavalo com maestria à frente do pai e da madrasta
Aquela diversão irritava Regina. Ela merecia estar sofrendo e não feliz daquela forma “Calma Regina,calma!” ela pensou consigo “Tudo a seu tempo”. Ela balançou a cabeça e continuou guiando seu cavalo preocupando-se em manter-se ao lado do cavalo de seu marido. Snow galopava rápido com um irritante sorriso no rosto
–Ela é sempre assim – a voz de Leopold rompeu seus pensamentos – cheia de vida
Regina sorriu para o marido
–Ela é uma criança muito doce. Você a criou bem – Regina disse disfarçando muito bem a raiva
–Não sei se tão bem assim – ele respondeu – às vezes não sei se faço certo
–O que você quer dizer?
Os doís pararam os cavalos e observaram Snow galopar
–Snow as vezes é, digamos, exigente – ele disse encarando a visão da filha – E pra mim é difícil frear isso, quer dizer, ela já perdeu tanto...
–Você quer dizer que não sabe como acabar com os mimos dela? – Regina falou seriamente
Leopold a encarou com uma expressão furiosa
–Está chamando minha filha de mimada?
–E se estiver?- Regina o encarou nos olhos. Ninguém se atrevia a questioná-lo, quanto mais encara-lo daquela forma.
A expressão dele era de ódio
–Regina...
–E acho que isso VAI prejudicá-la quando crescer
Leopod ainda encarava a esposa confuso. Ela desceu do cavalo e um criado que os acompanhava à distancia se aproximou para pegar o animal. Ela agradeceu com um aceno de cabeça enquanto ele também descia e se dirigia para perto dela
–Como assim prejudicá-la? – ele questionou após o criado se afastar
–Acha mesmo que uma rainha mimada pode ser amada por seu povo? – ela o encarou novamente nos olhos.Aquilo o incomodou, mas também fascinou. Nem mesmo Eva o tratara dessa forma. E isso sem duvida era apaixonante pra ele. Regina continuou – Uma pessoa mimada pode ser tornar imprevisível quando contrariada. Já imaginou como seria?
Leopold pensou um pouco. Regina tinha razão. Pensar em Snow contrariada ao governar seria um tanto quanto trágico. E sem falar nos ataques histéricos, comuns a ela, que com certeza despertariam antipatia nas pessoas. Isso traria desunião e consequentemente enfraqueceria o povo. Que mulher era aquela? Jovem, bonita e tão inteligente. Definitivamente não poderia ter escolhido esposa melhor
–Falo isso pelo bem dela – A voz de Regina interrompeu os pensamentos dele –Detestaria vê-la em maus lençóis por excesso de mimo – ela disse com uma expressão que pareceu preocupada a ele
Nesse momento Snow se aproximou dos dois ainda em seu cavalo
–Pai vamos até o outro lado do lago?
–Sinto muito querida- ele disse carinhosamente à filha enquanto rodeava o braço em torno da cintura de Regina, trazendo-a para si — mas o jantar será servido em uma hora e não se pode haver atrasos. Não se esqueça de que ainda são os festejos de meu casamento
–Mas pai! – a menina replicou com uma voz irritante de criança mimada – eles podem nos esperar!
–Já disse que não Snow White! – Leopold disse bravo à filha – Tome o caminho de casa AGORA
A menina fez cara de choro, virou o cavalo e correu para o estábulo. Leopold suspirou
–É disso que estou falando – Regina disse ao marido
–Sim – ele respondeu ainda encarando o caminho que a filha tomara – Você tem toda razão! Cavalo!
E dizendo isso se dirigiu a seu alazão que o criado guardava. Regina deu um sorriso maldoso e feliz. “Acho que o jogo está virando cara enteada” ela pensava consigo enquanto subia em seu cavalo e seguia o marido de volta pra casa
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Durante o jantar Snow permaneceu calada e emburrada. Quase não comeu e não respondia direito quando falavam com ela. Assim que a sobremesa –essa sim ela comeu- Snow se retirou emburrada sob os olhares de reprovação do pai e da madrasta enquanto Cora falava sobre algum assunto que ela não entendeu.
Entrou no quarto e quase derrubou Johanna, sua criada, antes de se jogar na cama
–Tudo isso porque seu pai não quis dar a volta no lago? – a criada perguntou com voz doce
– Papai nunca me negou nada... – a menina respondeu secamente
–Você sabe que ele não podia...
–Ele nunca me da o que eu quero! – respondeu brava
Joahnna se santou na cama ao lado da menina
–Você sabe que não é verdade! – ela tentou acariciar a cabeça da menina, mas foi repelida – Seu pai faz tudo o que você quer
–Mas o que custava? – A menina respondeu emburrada – Não ia fazer diferença mais minutos menos minutos!
–Independente de não fazer diferença para você queriada – Johanna disse docemente – Você não pode agir ass..
–Me deixe à sós com minha filha Johanna – o rei entrara no quarto sem que ambas ouvissem
Johanna fez uma reverencia e os deixou. Snow encarou o pai com medo
–Que fique bem claro – ele começou serio – que não vou mais tolerar desrespeito e falta de educação da sua parte Snow White
A menina esboçou um inicio de choro, mas o pai não se comoveu e continuou
–Você precisa aprender que nem sempre vai ter o que quer na hora que quer e como quer! Isso já foi longe demais – ele agora gritava com a filha – Me descontrolei de você, mas agora isso vai mudar. Tenha em mente que você é minha herdeira e tem acima de tudo que zelar pelo bem de todos independente de suas vontades, e isso inclui fazer o que não quer. Estamos entendidos?
A menina apenas encarou o pai em silencio
–Interrompo? – Regina estava à porta observando os dois
–Não minha querida – Leopold respondeu já em seu tom de voz normal – Snow e eu já terminamos
E dizendo isso ele passou pela esposa em direção à porta
–Não demore – ele sussurrou a ela antes de sair
A porta fechou e madrasta e enteada se encararam em silencio. Os olhos de Snow ainda marejados de lágrimas
–Ele só quer o seu bem meu anjo – ela fingia muito bem. Qualquer um acharia que ela realmente se importava com a menina
–Jura? Falando comigo desse jeito? – Snow respondeu tom aborrecido
Regina se aproximou da cama da enteada e fez menção para que a menina fosse para debaixo das cobertas
–Ele só quer garantir que você saiba o que vai fazer quando for a rainha – disse enquanto ajeitava a coberta da enteada – Quer o melhor para você e para todos querida
Snow fez que ia retrucar, mas Regina a deteve
–Agora – ela disse beijando o rosto da enteada – Durma e pense bem no que seu pai te disse
Regina se levantou e saiu enquanto Snow virava para o canto e fechava os olhos de mau humor
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Regina entrou em seus aposentos e soltou o seu sorriso triunfante. Estava funcionando. Jogar o marido sutilmente contra a enteada e parecer a mãe preocupada... Sim seria uma vingança lenta. E ela iria saboreá-la como um delicioso picolé de limão em um dia de calor.
“Esta dando certo” –pensou –“ E vai ficar melhor ainda”
Ela foi a seu closet e escolheu outra langerie bem sexy. Se queria Leopold na palma de sua mão teria que se sacrificar. E se o sacrifício era necessário ela pretendia pelo menos aproveitá-lo um pouco. Passou pela penteadeira e checou o visual antes de cruzar a porta que levava diretamente aos aposentos do rei
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