Um Caminho Diferente para a Vingança
12 Marcas do Passado
Notas iniciais
Depois da partida de James, Snow voltou a seu humor habitual. Já não andava emburrada nem evitando as pessoas. A verdade era que o simples afastamento de seu futuro esposo a deixava mais calma. Ela sabia que um dia o inevitável aconteceria, mas tê-lo por perto a machucava e lhe dava medo. Como sua vida mudara: há pouco mais de dois anos eram apenas ela e seu pai. Ele um homem melancólico e frio. Só sorria quando estava com ela, e as vezes nem assim. Ela se dividia entre cavalgar e se preparar para ser rainha. Uma lágrima escapou pelo olho dela: ser rainha era tudo o que ela mais sonhara. Realmente se dedicava a aprender sobre política, relações internacionais e sobre seu povo. E agora ela não seria mais rainha, tinha um irmão e poderia ganhar outro, o que a afastaria de vez do trono...
Outra lágrima escapou. Nem mesmo o fato de ter uma família completa a consolava. Amava Regina como uma mãe, aliás à chamava de mãe. E amava ter Arthur e também a ideia de mais um irmão ou irmã... Mas o fato era que ela sequer poderia vê-los crecer. Em seis anos estaria casada com James. Iria pra longe deles... O máximo que conseguiria era ver Arthur chegar à terna idade dos seis anos. Depois só em festas e olhe lá...
–Filha? – a voz de Regina rompeu os pensamentos dela.
Ela enxugou as lágrimas e tentou disfarçar a voz que provavelmente sairia embargada
–Oi mamãe – ela disse fracassando na tentativa de fazer parecer que estava tudo bem
Regina olhou a menina do batente da porta do quarto. Ela fez uma expressão de ternura e fechou à porta atrás de si
–O que houve? – ela se aproximou e sentou-se um uma das cadeiras da luxuosa suíte de Snow – Pensei que a partida de James melhoraria seu humor...
Snow engoliu o choro de vez e falou com voz firme, porém ainda melancólica
–Tava pensando em como minha vida mudou...
–E isso é bom ou ruim?
–Bom e ruim ao mesmo tempo – ela não olhava Regina, mas encarava o chão
–Como assim bom e ruim?
Snow levantou os olhos e encarou a madrasta
–Agora eu tenho tudo o que eu sempre quis desde que minha mã... – ela engoliu a palavra com medo de ferir Regina
–Desde que sua mãe morreu – Regina completou com voz doce, o que acabou tranquilizando a princesa
Snow deu um longo suspiro
–Antes meu pai era triste e melancólico... E eu bem... Eu era meio sozinha apesar de ter muita gente. Mas agora eu não podia querer uma família melhor! – as duas se encaravam nos olhos e pareciam ler uma a alma da outra – Você trouxe vida de volta pra essa casa Gina!
Os olhos de Regina se encheram de lágrimas. Ela odiara Snow quando contara a sua mãe sobre ela e Daniel e consequentemente motivara a morte dele. Ela a odiara por não guardar seu segredo. Mas percebera que Snow era uma menina sem estrutura nenhuma. Extremamente carente, mimada e arrogante por ter sido afetivamente abandonada pelo pai. Leopold a amava, é claro, e lhe dava tudo o que ela poderia querer, a fim de reparar a ausência de uma mãe e a sua própria melancolia
A rainha enxugou as lágrimas que lhe haviam brotado
–E qual é a parte ruim?
–A parte ruim – ela disse tentando não chorar – É que logo eu vou perder vocês – ela reprimiu um choro – E vou pra um lugar em que não conheço ninguém, casar com um cara que eu sei que me detesta... Porque ter essa felicidade se ...
Regina se aproximou dela e a trouxe para deitar em seu colo. Era assim que ela se sentira um dia... Ela havia tido uma conversa exatamente assim com Cora
–Enxugue as lágrimas Regina! – Cora disse entrando em seu quarto. Elas partiriam logo para o castelo
Regina não conseguia olhar a mãe
–Não é você que perdeu tudo o que tem pra satisfazer os interesses alheios
–Não seja egoísta!
Regina virou-se para encará-la
–Egoísta? – ela deu uma risada irônica – Não venha me falar de egoísmo mãe! Você está me obrigando a isso por ganância! – ela estava gritando – Por puro despeito frustrado!
O tapa acertou o rosto delicado dela em cheio. Regina apenas a encarou com os olhos em lágrimas
–Um dia você vai me entender! – Cora disse antes de sair
Ainda abraçada a Snow, Regina voltou ao tempo presente. Ela acariciou a cabeça da menina
–Eu sei que parece uma escuridão sem luz minha querida – Regina disse com voz doce. Snow se levantou para encará-la – Mas eu tenho fé que um dia você ainda vai ver que isso acabou levando para a sua felicidade
Snow franziu o cenho. Regina segurou as duas mãos dela
–Falo por experiência própria
Snow apenas a olhou nos olhos. Nada mais precisava ser falado. O olhar de Snow pedia perdão. O olhar de Regina perdoava. Estava no passado. Mas no coração de Snow ela sentia que aquele seu ato dera uma consequencia. Se ela não tivesse contado a Cora sobre Regina e Daniel, talvez hoje ela ainda seria a herdeira de seu pai e não teria de se casar com James. A culpa do que lhe acontecia não era de ninguém além dela mesma. Mas por mais que estivesse sofrendo, pensava, ela não mudaria nada
Snow reprimiu uma lágrima
–Não da pra saber se meu futuro será como o seu – Snow falou Honestamente. Regina fez que ia falar, mas Snow à deteve – Mas por enquanto acho melhor abraçar o que eu tenho hoje – Regina sorriu – E isso inclui você, papai, Arthur e esse neném aqui – ela acariciou o ventre de Regina que sorria
Não importava o passado. Não importava o futuro. Ela amaria o presente feliz que tinha
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Regina entrou no quarto ainda emocionada com a conversa silenciosa com Snow. Mesmo que tivessem falado pouquíssimo, muitas coisas foram ditas. Ela se sentia em paz. Em paz consigo, em paz com seu passado. Cora a tinha colocado ali, mas ela conseguiu construir uma família, uma felicidade. Ainda sim algo lhe faltava... Algo que ela sabia que não sentia por seu marido. Algo que só Daniel lhe despertara. E isso a culpava... Leopold a amava, ela sabia disso. Mas por mais que gostasse, que sentisse carinho, admiração pelo marido, pai e estadista que ele era, não conseguia amá-lo como homem. E essa incapacidade lha doía profundamente.
Ela acariciou seu ventre ainda sem vestígios da nova gravidez. Aliás, quem a olhava não acreditava que já era mãe. Se mantinha linda como sempre e, segundo o apetite de seu marido, mais gostosa do que nunca. Apesar de não ter planejado engravidar de novo, ela não ficou surpresa de ter concebido, não com a frequência em que ele a possuía.
Ela se assustou quando ele a abraçou por trás interrompendo seus pensamentos
–Léo! – ela se sobressaltou no susto mas sem se desvencilhar do abraço e dos beijos em sua nuca
–Posso saber onde minha rainha estava? – ele disse entre beijos
Ela se virou e jogou os braços no pescoço dele
–Na nossa vida...
Ele acariciou o ventre dela e sorriu maliciosamente, um sorriso que ela conhecia muito bem
–Que foi? – ela olhou sentindo a malicia nele
Ele riu
–Fiz outro filho nesse corpo lindo – ele disse olhando pra ela ainda rindo
Eles se encararam por um instante. Então Leopold a virou rapidamente deixando-a de costas para ele a encoxou se precionando contra ela
–Léo! Ahh!!! – ela podia sentir a excitação dele – Eu to grávida! – ela se derreteu nos braços dele
–Isso me excita mais ainda – ele disse envolvendo-a nele
Ela se entregou sem exitar. Ele foi feroz como sempre, e carinhos como nunca
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Batidas fortes ecoaram na porta do quarto do casal. Regina estava aninhada nos braços do marido e estremeceu ao acordar de sustos
–Mas o que é isso? – Leopold se levantou rapidamente indo em direção à porta – Cubra-se Gina!
Ela obedeceu. Ainda estava nua e sentindo a umidade do sêmen dentro dela. Se enrolou num lençol e sentou-se na cama. Michael entrou sem muita cerimônia
–Michael é bom ser importante! – o rei estava bravo
Michael virou-se para o rei, ficando de costas para Regina
–Meu rei – ele estava ofegante – noticias urgentes
O valete estendeu um pergaminho. Leopold notou o selo de George nele. Abriu com pressa e leu. Ao chegar à metade estava pálido
–Léo! – Regina falava com ele da cama – Léo o que...
O rei olhou primeiro para Michael e depois para a esposa. Ele analisou-a com um expressão de quem planeja algo e parou o olhar no ventre dela. Ela instintivamente levou as duas mãos à barriga. Ela olhou para ele com uma expressão interrogativa e de censura ao mesmo tempo. Ela sabia que qualquer que fosse a notícia, ele iria querer poupá-la. Já ele sabia que seria em pior esconder algo dela
–Léo... – ela disse em tom de censura
–Os gigantes entraram em guerra – ele disse cético
Regina fez uma expressão incrédula
–Como é que é? Mas e o acordo? – o pânico tomou conta dela
–Michael reúna o conselho de guerra o quanto antes. Leve todos para a sala de conferência
Michael fez uma reverencia e saiu rápido. Regina finalmente se levantou e foi até o marido pegando o papel antes que ele pudesse pensar em qualquer coisa. Ela leu e arfou levando uma mão novamente a barriga, num gesto talvez de proteção
–Fique com as crianças – ele disse seriamente
–De jeito nenhum!
–Regina!
–Você não vai enfrentar esse conselho sozinho!
–Você está grávida!
–Mas não doente nem sentindo nada! Não vou ficar aqui nem vou acordar as crianças. Vamos nos vestir
Ele ficou contrariado, mas a seguiu para o closet. Sabia que seria inútil discutir com ela
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Ela olhou pela janela do negro castelo. Finalmente sua vingança estava a caminho. O cheiro de queimado que exalava no ar era como um analgésico para ela
–A paisagem está bonita? – Morgana se aproximou e ela se virou
–Pra você também eu creio
Morgana foi até a janela onde a outra estava antes a admirou o cenário de guerra
–Nunca quis a morte de inocentes... – Morgana disse melancólica
–Está fraquejando Morgana? Uma feiticeira não fraqueja...
–Mas um ser humano sim – ela virou para encarar a outra novamente
A mulher riu secamente
–Você vai descobrir que ser humana não é o melhor caminho... George não foi humano com você...
–George está tendo o que merece vendo seu castelinho ruir! E não falo só por mim...
–De fato... O número de aldeões que aceitaram nos apoiar me impressiona...
–Qualquer um ficaria do nosso lado sendo ameaçado por bolas de fogo
–Um povo leal morreria por seu soberano Morgana... Não é o caso de seu mari...
–EX-MARIDO
–Como queira
Morgana arfou e a encarou
–Eu tenho um motivo para me virar contra George... Mas você ainda não me disse o que ganha com tudo isso
A mulher encarou Morgana
–Já lhe disse que isso não é da sua conta. Agora vá conferir os gigantes
De mau humor Morgana saiu, deixando-a só. Quando a porta se fechou uma risada irritante ecoou
–Já de volta Rumple?
O senhor das trevas sorriu irônico
–Pelo visto o plano vai de vento em polpa...
Ela sorriu
–Você não faz ideia...
Mais uma risada
–Até quando você acha que vai enrolar a mala da Morgana? Ela é esperta...
–Mas não tão poderosa quanto eu! – ela o encarou olho no olho
–Isso é um fato... Ela é só uma iniciante, mas não a subestime
–Você não é o mais indicado para falar sobre subestimar Darck One... – ela disse indo para uma poltrona num canto do salão
–Agora é você que está me subestimando – ele disse numa risada – Você vai descobrir que a raiva as vezes pode cegar dear
–O que voc... – quando ela se virou para encará-lo ele já tinha sumido
Ela arfou
–Saindo pela tangente como sempre – Ela disse a si mesma
Ela voltou para a varanda e encarou o cenário de guerra
–Vai demorar um pouco... – ela exalava ódio e melancolia na voz. Ela reprimiu uma lágrima que teimava em querer descer – Mas sua hora vai chegar Cora... E vou te atingir onde mais lhe dói. Me aguarde mamãe...
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