Um Caminho Diferente para a Vingança
13 Instinto materno
Notas iniciais
Quando o casal real entrou na sala do trono, dez de seus doze conselheiros já estavam posicionados na mesa do grande salão. Eles eram basicamente administradores das doze províncias que dividiam o reino de fairytalle e eram convocados sempre que algo de errado acontecia no reino. Os dez que ali estavam eram das províncias menos distantes e por isso chegaram rapidamente, ainda na madrugada. Todos especulavam sobre o que deveria ser feito para enfrentar os gigantes e que consequências isso traria para o reino. Alguns se espantaram e torceram o nariz quando viram que a rainha acompanhava o rei, outros, porém não se surpreenderam. O casal se acomodou em seus respectivos tronos
–Michael – o rei disse com voz tensa – quais são as notícias?
–Bem – começou o valete – As notícias dão conta de que ontem por volta do crepúsculo, a área de conflito que divide os três grandes reinos foi tomada pelos gigantes... – Michael tinha uma expressão de tensão e pavor no rosto
–Assim, do nada? – todos os olhos se voltaram para a rainha, que tomara a palavra sem tê-la pedido. Aquilo indignava um parte do conselho. Como ela podia ser tão insolente? Regina porem ignorou os olhares – O acordo de paz havia sido assinado para proteger a região de um possível ataque. Onde estava a guarda?
–Ai que está majestade... Não houve ataque sangrento! Aparentemente as tropas se entregaram sem resistência!
–Isso é um ultraje! – um conselheiro de cabeça grisalha gritou – Fomos traídos meu rei! As tropas de George estavam sob vigília ontem! Isso tem que ser respondido à altura! – Ele deu um tapa na mesa
–Controle-se Severo! – Leopold o replicou – Temos de entender o que esta se...
–Com minhas desculpas meu rei, mas já não devíamos sequer ter acordado...
–E o que você preferia Severo? – A voz irritada de Regina ecoou pelo salão – Entrar numa guerra e ferir inocentes? Acha mesmo que isso nos ajudaria?
Regina o encarou nos olhos. Severo a achava extremamente petulante a arrogante, apesar de não poder negar que todas as sugestões de Regina que haviam sido acatadas surtiram efeito extremamente positivo
–Perdão minha rainha – ele procurou controlar o tom. Gritar com Regina, ainda mais no estado dela, despertaria ainda mais a ira do rei – Mas creio que seria preciso se impor neste caso
–Concordo plenamente Severo – ela respondeu cortando uma fala de Leopold – Mas existem outras formas de se impor sem enviar o exército
–E o que minha rainha sugere? – havia ironia na voz dele
Regina percebeu a intenção dele e respondeu sem deixar de encará-lo nos olhos
–Sugiro ouvir de Michael os detalhes da tomada da região. Michael como foi o ataque?
Severo soltou uma expressão de ódio enquanto os olhos de todos se voltaram para o valete real. Michael, agora mais calmo, retomou a palavra
–As tropas de George tomaram a guarda no crepúsculo, tal qual manda o acordo entre os três grandes reinos. Ocorreu que, logo após sair do forte, um dos guardas de Midas notou uma movimentação estranha no local. Ao voltar para conferir percebeu que o portão havia sido aberto e um grupo de dez gigantes entrou sem ser impedido no forte. Ele então saiu correndo para avisar aos demais. É o que se sabe
Um grande silencio tomou conta da sala. Todos procuravam entender o que havia ocorrido. Até que um barulho ecoou na entrada da sala e duas figuras adentraram o salão
–Desculpem o atraso – um deles disse retirando um capuz preto – Mas tivemos que passar pela zona de conflito
–E qual as novidades Eric? – Leopold perguntou
O homem se aproximou da mesa e tomou seu lugar
–Não há conflito aparente – ele respondeu – pelo menos não nas proporções que imaginávamos
–Como assim? – outro conselheiro perguntou
–Aparentemente houve um ataque... Algumas baixas é verdade, mas se querem minha opinião, algo de estranho ocorre...
–Seja mais claro Eric! – gritou outro conselheiro
–Assim que soube da tomada do forte, George mandou cinco regimentos de mil soldados para a região. Mas ao se aproximarem, todos passavam para o lado inimigo... Era como...
–Magia – Regina completou – Isso explica porque não houve sangue. O exército foi enfeitiçado
Regina conhecia muito bem magia. Passara a vida lutando contra o ímpeto de sua mãe em ensinar-lhe. Os olhares se voltaram para a rainha. Regina encarou o grupo com olhar serio
–Agora é que não podemos mesmo atacar
–E esperar que nos ataquem? – Leopold falou finalmente. Sai voz era perocupada – Desculpe Regina mas...
–Não se enfrenta magia com força Leopold! – ela o encarou e ele entendeu o que ela queria dizer
–Concordo com a rainha – o homem que entrara com Eric falou. A maioria parecia não tê-lo notado – Usar a força bruta seria um tiro no pé
–E o que sugere Alvo?
O homem de cabeça grisalha respondeu
–Usar magia contra magia
–Está sugerindo...?
–Exaro Severo. Se há magia envolvida, precisamos jogar com as armas deles
–Mas os únicos que nos ajudariam seriam as ...
–Talvez as fadas não estejam autorizadas a usar esse tipo de magia, Severo – Alvo respondeu – Temos que procurar algum detentor de magia negra
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Ela estava exausta. A discussão sobre aceitar ou não ajuda de magos havia sido longa e cansativa, mas por fim chegaram a um acordo. Procurariam magos dispostos a ajudar o mais rápido possível. Regina e Leopold, porém, sabiam muito bem a quem recorrer
–Escrevendo para ela? – Leo a fez despertar da carta que redigia
–Você sabe que é o mais confiável...
Ele arfou
–Regina você sabe muito bem o que eu penso sobre magia... –ele tinha desprezo na voz
–Mas sabia que minha mãe era uma bruxa... E mesmo assim casou comigo – ela agora o encarava ainda sentada na escrivaninha
–Gina eu já te disse que...
–Não tem nada a ver comigo, eu sei. Mas da forma que você fala...
–Regina não é a melhor hora pra discutirmos isso. Terminou a carta?
Ela se voltou para a mesa e após mais alguns instantes estendeu um envelope para ele. Ele apanhou e chamou Michael, instruindo-o a enviar a carta no cavalo mais rápido até a fazenda de seus sogros. Quando Michael saiu Regina já estava deitada na cama acariciando seu ventre. Ele a olhou com ternura, ela parecia exausta
–Daqui a pouco vai amanhecer – ele disse com voz terna se aproximando para abraçá-la de conchinha – Tente descansar um pouco – Ele pousou a mão sobre o ventre dela e ela se aconchegou mais nele, como quem procura abrigo
–Antes eu não tinha medo de praticamente nada – ela disse se aconchegando no braço dele – Cavalgava, caçava... Mas agora... – Ela protegeu ainda mais o bebê que gerava – Tenho tanto medo... Tanto medo que cheguem aqui...
–Eu sei – ele respondeu – também passei a me sentir assim quando Snow nasceu, e mais ainda depois de Arthur... Agora confesso que estou em pânico de o ataque chegar aqui
–Minha mãe vai saber lidar com isso – ela detestou admitir – sei que vai
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O sol mau tinha raiado quando galopes se aproximaram da imponente fazenda de Cora e Henry. Um criado foi receber o arauto, mas este insistiu que a carta fosse entregue nas mãos da mãe da rainha. Cora recebeu Abrindo imediatamente
–O que ouve Cora? – Henry estava tenso – É algo com as crianças?
Cora porem refletia as palavras da filha. Ah Regina sempre desdenhara da sua magia, sempre a criticara e agora pedia socorro a ela. E ela não podia negar. Não só por Regina, mas por seus netos e principalmente pelo prestigio que havia adquirido após sua filha se tornar rainha. Ela pensou mais um pouco e por fim falou
–Os gigantes declararam guerra – o criado e Henry arfaram de medo – Regina precisa de mim no palácio
Ela já estava saindo quando Henry falou
–Eu vou com...
–Não – ela disse em um tom que ele desconhecia. Ela parecia realmente preocupada – Você fica.. Enviarei Snow e Arthur par ficarem com você... E com um pouco de sorte a turrona da nossa filha também
–Mas você acha que aqui eles ficarão mais seguros?
–Cuidarei para que a segurança seja total... Não vou arrisca-los Henry
Ele olhou enquanto ela subia rapidamente para arrumar suas coisas. Ela nunca se referia à Regina com aquele zelo e preocupação... Ele nunca entendera, é verdade. Mas sentiu um alento de que o instinto materno dela tivesse aflorado. Depois de poucos minutos ela desceu com uma pequena mala de mão. Qualquer um acharia que ela não estava levando nada, mas era Cora...
–Sei que você é contra uso de magia, mas temos que ser práticos. Enviarei as crianças por um portal o mais rápido possível e nos comunicaremos pela lareira
Henry assentiu
–Boa sorte
–Vou precisar
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