Um Bonito Amor
4 *Decepção amorosa*
Notas iniciais
Eu não sabia definir o que estava sentindo, pois de hora em hora olhava para Raquel e Raul e a todo momento era um sentimento.
Eles riam, falavam com uns convidados e eu não conseguia desgrudar o olhar deles era como um imã. Queria muito entender porque diabos minha irmã estava fazendo isso, que droga! Ela sabia, ficou sabendo que eu nutria um sentimento por ele, não escolhi sabe? Bati o olho e ja era amor, deve ter sido coisa de Amor à primeira vista e toda essa ladainha.
Não sei explicar porque o quero, porque o desejo só sei que preciso. Sinto cada batida do meu coração falhar quando ele sorrir, cada extensão do meu corpo responder quando ele por uma onda de milagre me olha...
(Suspiro)
Desde que o vi, me sinto assim alucinada por ele, juro que ja tentei arrancar isso de mim mas ele me atrai demais e eu não sei o que fazer além de tê-lo somente em meus sonhos... Nunca tive namoradinhos, até porque não sentia nada por ninguém, o meu amigo da vila que havia me dado a Pichula se dizia apaixonado por mim, mas eu não me interessava e pedia para ele desencanar, eu era uma meninona e não me via namorando alguém. O único cara que dei um selinho nem sequer fora um beijo esse foi Raimundo, que por muito azar me atormenta hoje com essa idéia de ser meu "namorado ".
Foi coisa rápida, eu me submetia a mais um joguinho de minha maninha do qual sai perdendo e o castigo era dar um beijo em alguém e eu sem pensar dei um selinho em Raimundo — Preciso esquecer disso e principalmente Raimundo.
Então, amor mesmo estou sentindo pelo Raul, ou não, nem sei. A verdade é como eu disse, não sei explicar pois é a primeira vez que esse sentimento brota em mim e justamente pela pessoa errada, sim, porque este nem sequer me olha, mal acena para mim. Que tipo de amor é esse? É o que tento descobrir...
A festa rendia, e depois de tanto pousar para fotos, fazer bastante cena para os convidados, finalmente sentei-me e queria tirar aqueles benditos sapatos que pareciam esmagar meus pés. Estava eu em um canto — acho que em uma das mesas — afastada da balada que acontecia em um outro lado do jardim — ja disse que essa casa é enorme? — Eu ouvia um som estrondoso, muitas batidas, que graças a Deus chegavam abafadas em meus ouvidos pois não suportaria ter que ouvir, sendo que minha cabeça começava uma dor latejante bastante incômoda.
Então tirei os sapatos, sentindo o alívio, foi então que Lilian se aproximou e balbuciava alguma coisa, eu não compreendia muito bem pois estava entrentida com uma massagem que eu realizava nos meus pés.
— Hum? O que você disse? — Perguntei finalmente querendo saber o que ela tentava me dizer.
— Ai amiga, eu falava do Raul.. — Disse ela, puxando uma cadeira sentando ao meu lado.
— E o que tem ele? — A Indaguei, nesse momento eu estava mais interessada em massagear meus pés.
— Como o que tem ele? Gilda, ele está com sua irmã. — Falava e fazia uns gestos como se não acreditasse que eu estivesse não preocupada com isso.
— E daí? É o "príncipe " dela.. — A disse com deboche fazendo o gesto das aspas.
— Eu acho que estão juntos. — Ela comentou se encostando na cadeira olhando ao longe as luzes que brilhavam numa tenda feita justamente para a realização da balada.
— Quê? Não.. Ele é muito mais velho, Raquel não se interessaria por ele..
— Mas você não achou ele tão velho quando resolveu se apaixonar por ele.. — Me disse e eu senti o desdém em sua fala, onde ela queria chegar com isso?
— Primeiro que eu não resolvi... — Rebati deixando a massagem de lado para olhá-la melhor. — aconteceu, algo que eu não controlei. E segundo ele não é tão velho está na casa dos 30... — A expliquei me ajeitando na cadeira para olhar na mesma direção que ela.
— Hum, quem te entende amiga, é velho ou não é? Ah é velho para sua irmã mas para você não, acho que entendi.. — Disse,-me, eu franzi as sombrancelhas e dei uma leve batida em seu ombro, ela riu de canto.
Talvez falava tudo isso para me irritar e se ela soubesse o quanto eu ainda estava irritada com Raquel... Primeiro por combinar algo sem me consultar, depois por está com Raul, e ainda não entendo porque ele aceitou fazer parzinho com ela nessa festa.
Sempre ouvi dizer, Rogério mesmo me havia dito quando eu o perguntava por ele como quem não quer nada, que Raul De La Peña é um homem sério e jamais se envolveria em aventuras com garotas mais novas, pois ele gostava era de mulher feita, da idade dele para frente, entao, ao pensar nisso eu me vejo martelando meu cérebro com isso buscando alguma resposta, de o porquê ele tava com Raquel, ah, logo com ela da qual ele devia saber que era prepotente, orgulhosa, presunçosa, mimada, sarcástica... Ah quanta coisa e claro infantil também, e se Raul realmente fosse sério não se envolveria com minha irmã...
— Êpa, mas o que é aquilo? — Saio de meus pensamentos quando Lilian quebra o silêncio, fazendo tal pergunta que creio que fora mais para si, porque eu não entendia do que se tratava e ela estreitava os olhos na intenção de enxergar melhor. Tentei fazer o mesmo e olhei na direção em que ela olhava.
— Do que está falando LiLi?
— Eita Jesus, amiga não olha... — Ela foi dizendo e já me cobria os olhos. Me debatia contra sua mão que tentava cobrir minha visão.
— Pára Lili, o que foi? — Pergunto e ela tira sua mão.
— Olhe só, Raquel dando um maior beijo em seu... Naaao.. — Ela nem parecia acreditar e eu deveria olhar para tal cena que ela via, mas as caras e bocas que minha querida Lili fazia me temiam a olhar. — Em seu Raul..
— RAUL??!! — Digo alto e me levantei, olhando para a tenda.
Era um beijo de perder o fôlego, parecia que Raquel tinha muita vontade ou parecia que nunca havia beijado.. Oh meu Deus, aquilo foi uma língua? E porque Raul a puxou pela cintura correspondendo a droga do beijo? Eu não posso acreditar, e nem aceitar, tanto não aceito que quando dou por mim uma lágrima cai pelo meu rosto, e duas, três, quatro...
— Ai amiga não chora, vem cá, vamos subir para seu quarto. Chega de emoções por hoje. — Lilian saiu me levando pela mão, enquanto eu não fazia nenhuma expressão, somente as lágrimas caiam e eu nem sabia porque chorava.
Será pelo coração machucado?
Que droga é essa de amor que não nos deixa livre para amar quem quisermos?
Que nos faz sofrer com amor não correspondido?
Que faz com que essa coisa desnecessária chamada amor platônico venha a existir e só você tem que sentir e o outro não?
Ela estava beijando o homem que eu gostava e que ela sabia que eu gostava. Ah querida gêmea vamos ter uma conversa e eu quero entender o porque desse circo todo....
—>Manhã seguinte <-
Tive uma dificuldade imensa em acordar, minha cabeça ainda doía, até parece que coloquei álcool na minha boca, pois me sentia tonta. Então flashs da noite anterior me veio à mente e lembrei daquele beijo. Me lembro com tanta raiva, mais ainda porque eu sabia que Raquel estava me provocando. Porque ele não me olha, não me toca e não me beija como faz com Raquel? O que ela tem que eu não tenho?
Talvez atitude, eu jamais o beijaria daquela forma, e se eu espero que ele o faça vou cansar de tanto esperar...
Estava acordada, mas quando ouço a maçaneta da porta de meu quarto girar eu rapidamente fecho os olhos me cobrindo ainda mais com o Edredom.
— Eu sei que você está acordada maninha.
Mereço Raquel me perturbando a essas horas da manhã, eu estava com muita raiva dela, sério, como ela taca a língua no homem que eu gosto?
Eu queria levantar e lhe dizer poucas e boas, mas eu não conseguia olhá-la, então não fiz nenhum movimento esperando que ela saisse convecendo-se de que eu realmente dormia. Mas ai ela ficou e puxou o Edredom.
— Levanta, você está fingindo!
Calma Gilda, calminha isso que ela quer não caía em seu jogo. Buscava me convencer.
— Levanta!!! — E saiu puxando as cortinas fazendo com que os raios de sol invadissem o quarto. Eu nesse momento pulei da cama e a empurrei.
— Me deixa!!! Já não basta o seu showzinho ontem? Saia daqui, não quero conversa com você! — Gritei bem em sua cara lavada, que me olhava com a sombracelha arqueada.
— Nossa, está bravinha querida? Calminha. — Dizia com seu jeito arrogante sentando-se no pufe . Respirei fundo.
— Eu quero que saia já. — Ela não saiu e continuou me fitando. — O que você quer? Me provocar? Muito bem, você conseguiu M-A-N-I-N-H-A, quer que eu solte fogos por você finalmente ter conseguido me alterar? — A dizia com desdém. — Aquilo tudo foi ridículo, saiba você, primeiro por combinar com Raimundo em ser meu "príncipe " que patético, e ainda sem meu consentimento, acha que pode decidir tudo por mim? ACHA? POIS NÃO! E o que foi aquilo em Raul ter aceitado ser seu príncipe, foi RIDÍCULO, e aquele beijo? DESNECESSÁRIO, você é desnecessária querida irmã... Agora saia daqui!!!
Eu nem me reconhecia pois desabafava e esbravejava, mas Raquel me tirou do sério, ainda mais quando ela me olhou com aquele olhar arrogante que me dá uma vontade tão grande de voar em seus cabelos oxigenados.
— Isso tudo é ciúmes querida? — E ria sarcasticamente.
— Saia daqui. — Pedi mais calma, mas respirando fundo.
— É, é ciúmes sim. — Respondeu à propria pergunta. Levantou-se ficando de frente a frente comigo. — Eu só vim te dar uma notícia, na verdade é uma realidade para que você saia desse mundo fantasia em que vive pensando em meu Namorado...
— Do que está falando? — Franzi o cenho, de fato não entendia muito bem ao que ela se referia.
— Sim maninha, aceite. Raul De La Peña agora é meu namorado.
Eu engoli seco com o que disse, então era certo estavam juntos, eu acho que quero pular da janela de meu quarto.
— C-como é isso?
— Ai querida olhe para mim e olhe para você. — E me olhou com repugnância. — Apesar de sermos idênticas, temos muitos diferenciais. EU sou muito melhor que você, acha mesmo que Raul olharia para uma fulaninha que cresceu em uma vila e que apesar de morar em uma mansão tem espírito de pobre?
Eu realmente achava que um dia ele me notaria, mas talvez ele seja um preconceituoso e quem sabe não quisesse nada com uma menina de uma vila, não duvido nada que Raquel o disse barbáries de mim posso imaginar e talvez por isso ele jamais me olhou nos olhos. Eu quero respondê-la como se deve, pois quem sabe Raul nem é assim só precisaria de uma oportunidade de me aproximar dele para conhecê-lo, mas Raquel com seu veneno passou na minha frente destruindo minha fantasia, eu quero voar no pescoço dela mas parece que o peso de suas palavras cravaram meus pés no chão me firmando ali olhando para o nada.
— Foi o que pensei. — Ela ja ia saindo do quarto, enquanto eu continuava estática ali de costas para ela. — Ah, e minha noite fora maravilhosa, depois da festa então, eu e Raul humm tudo de bom...bye, bye.! — E saiu.
Eles transaram? EU NÃO ACREDITO! E como se esse pensamento fosse um impulso eu me movi rápido e fechei a porta com força a trancando desta vez, e fui deslizando de costas na porta deixando as lágrimas cairem.
Eu não deveria me sentir assim, mas eu me sentia humilhada, me sentia incapaz de fazer um homem do porte de Raul se apaixonar por mim, eu estava fracassada. Puxei meus joelhos e os abracei buscando o reconforto, pousei minha cabeça em meus joelhos e chorei, chorei minha primeira decepção amorosa.. E ele nem sabe que estou sofrendo por ele..
Lástima!
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