Um Beijo Ao Azul Escuro
6 Dando um passeio pelo jardim do mal
Notas iniciais
Só percebi que havíamos chegado em Vegas quando escutei o silvo extasiante do vento ser trocado pelo barulho irritante dos carros. Respirei fundo acordando daquele passeio mágico. A moto era grande demais para fazer zig-zag entre as fileiras de automóveis nos poucos sinais das ruas principais, era uma viagem lenta a um destino que eu desconhecia
Aparentemente eu tinha perdido a noção de tudo, a palavra desconhecer estava ficando cada vez mais frequente em meus pensamentos, eu os desconhecia, eu me desconhecia, eu desconhecia o sentido das coisas a minha volta, eu desconhecia as curvas turvas que eu havia tomado e me levaram aquele caos que lotava minha vida de forma estrondosamente escandalosa.
Felizmente, durante aqueles instantes isso não importou, a única coisa que carreguei foi o peso da felicidade em meus lábios, que os curvavam em um sorriso difícil de ser apagado ou diminuído, eu estava livre daquilo tudo naquele momento.
Lion era diferente do que eu esperava, não totalmente, um tipo de grosso cortês pelo sarcasmo pertinente e contínuo, ele tinha uma forma própria de agir, de comandar a situação de ser determinado, deitada em suas costas largas e quentes senti que estava quase entregue, se me perguntasse se poderíamos ir ao México assim, eu diria, “Inferno, claro que sim!”
As placas neons, apagadas pela luz do dia, passavam a nossa frente me lembrando o que me esperava a noite, não naquela pelo menos, mas as que se seguiriam quando o sol desaparecesse e as trevas voltassem a tingir o céu.
As coisas estavam passando vagarosamente àquela tarde.
–Você não sabe meu nome. – Eu sussurrei ao seu ouvido, sem tentar competir com o barulho a nossa volta, como um lampejo mágico em minhas memórias, eu não havia me apresentado.
–E não quero saber... – Ele disse no mesmo tom de voz, sua grossa e cortante voz que poderia ultrapassar qualquer barreira de som pela rispidez cortante.
–Não mesmo?
Ele apenas sacudiu a cabeça.
–Se você não tiver nome, será apenas um rosto em minhas lembranças
–O cachorro grande tem medo de ser domado?
A moto deu um sobressalto que minha bunda desgrudou do acento me fazendo agarrar a ele com ainda mais força, ele havia subido na calçada àtipicamente deserta do começo da tarde, enquanto ele acelerava sua cabeça inclinou para meu lado em uma fração de segundo, com o cabelo quase todo lhe cobrindo a face, mas eu vi, naquele efêmero momento um sorriso em seus lábios grossos, um sorriso cansado, um olhar vazio e triste, algo que eu nunca esperei encontrar nele, eu vi que a palavra não era “domado”, era “abandonado”.
In a land of Gods and Monsters
Na terra de Deuses e Monstros
I was an Angel
Eu era um anjo
Living in the garden of Evil
Vivendo no jardim do mal
Screwed up, scared
Estragada, assutada
You got that medicine I need
Você tem a cura que eu preciso
Fame, liquor, love,
Fama, licor, amor
Give it to me slowly
Me dê lentamente
Put your hands on my waist
Coloque suas mãos em minha cintura
Do it softly
Faça isso suavemente
Me and God, we don’t get along
Eu e Deus não nos damos bem
Fuck yeah, give it to me
Porra, me dê
This is Heaven
Esse é o paraíso
What I truly want
Que eu realmente quero
It's innocence lost
Inocência está perdida
In a land of Gods and Monsters
Na terra dos Deuses e Monstros
I was an Angel
Eu era um anjo
Lookin' to get fucked hard
Procurando para ser duramente fodida
Gods and Monsters – Lana Del Rey
Em uma situação normal eu deveria me importa em estar violando pelo menos treze artigos do código de transito de Nevada, mas eu só me preocupava em segurar forte ao redor dele Lion enquanto o via dirigir enfurecidamente sobre a calçada.
Eu deveria ter me tocando como ele magistralmente tinha o conhecimento necessário pra fazer tal imprudência sem atropelar ninguém, mas só pensava nos anos de loucura que ele vivera para ter coragem, ou insanidade, suficiente para isso. Andamos mais alguns quarteirões em uma velocidade com o dobro da permitida, para finalmente chegar na porta de um prédio velho.
Ainda deserto, ele entrou com tudo sobre o portão de ferro ao lado dele, o que apareceu ser uma garagem a céu aberto, ele parou embaixo da única sombra em todo o quadrado de terra e cascalho, um grande e seco tambor* com folhar ascendentes a amarelo.
Ele se mexeu e parou, respirou fundo, exalou e riu.
–Querida, — ele falou baixo, colocando sua palma sobre minha mão, percebi naquele momento que tremia, aquela tinha sido a experiência mais emocionante da minha vida. – vamos.
Ele tirou minhas mãos da sua cintura, e desceu da moto, voltou a tomá-las, mas desistiu, envolveu minha cintura e me ergueu de cima, finalmente voltei a tomar controle do meu corpo, saindo de lá com sua ajuda.
Demos as mãos como por instinto, um contato inacreditável que era impossível de ser quebrando, que tinha necessidade de uma proximidade sem igual e constante, a necessidade de pele com pele para ter certeza que era real.
O prédio era uma hospedaria antiga, um tanto quanto rústica, no tempo de auge garanto que era um tipo de bordel bem frequentado com um amplo salão de dança nos fundos. Mas não íamos para os fundos, íamos para cima. Eu tinha certeza que íamos para o primeiro quarto vago que encontrarmos, e sabe por que eu sabia? Porque eu queria que fosse assim, e se eu queria, eu garantia que Lion também desejava o mesmo.
Ele acenou com a cabeça para a mulher atrás do balcão, que assentiu de volta.
Ele me levou ao primeiro andar, ao primeiro quarto, e quando ele abriu a porta, em um convite silencioso para entrar, tive certeza que não haveria volta.
Ele me encarou enquanto eu olhava para dentro do quarto, queria ter certeza que não iria fugir? Não sei, mas os vidrais brilhavam diferentes sem a má iluminação da espelunca, eles eram ainda mais deslumbrantes.
Dei o primeiro passo para dentro, e finalmente ele entrou atrás de mim, fechando a porta em um baque. Eu olhei para cama a minha frente, uma cômoda velha com uma TV LCD em cima e uma porta ao lado que deveria ser o banheiro, o ar condicionado ligado deixando o quarto em um gelo completo que arrepiou meus pêlos, eles estariam arrepiados de todo jeito, era injustiça só culpar o frio. Escutei atrás de mim o som da jaqueta caindo, e outra coisa a mais, as botas foram jogadas para longe e ele tocou novamente minha cintura, inclinou-se beijando meu ombro. Não tinha dúvidas, eu o queria!
Seus dedos correram por minha cintura, até minha barriga, levantando com as pontas minha regata branca, ao tempo que ele a levantava, beijava na curva do pescoço. Arrancou-me a blusa fora em um puxão e me jogou na cama, estava em cima de mim, pele com pele, jeans sobre jeans.
Escutei o barulho da fivela do cinto desprendendo a calça, e uma mão sua apoiada em minhas costas, descendo, infiltrando-se sob o sutiã rendado de algodão branco, brindo-o, deixei que ele corresse em meus braços, e aquela mesma mão tomou posse de um dos seios, aquele toque quente e forte era realmente estimulante, talvez até grosso, mas verdadeiramente instigante.
A calça caiu no chão, pesada como imaginei que seria, finalmente sua outra mão volta ao meu corpo, parecia que todo toque não era suficiente para estabelecer o contato, ela escorregou por minhas costas até a calça jeans de cós baixo, arrastando-a para minhas pernas, infiltrei a mão embaixo de mim, abrindo os botões e descendo o zíper, que escorregou-a pernas a baixo, um bônus foi a calcinha rendada ter escorregado junto, todas as minhas peças íntimas tinham por natureza serem sem graças, um padrão constante branco ou preto em algodão ou boxe, foi uma espécie de alívio ele não ter sido obrigado a arrancar aquela de renda branca que usava.
O que aconteceu foi sem precedentes, rápido, animalesco, suas mãos ao mesmo tempo subiam e desciam, fixando-se em meus quadris, e quando dei por mim estava gritando um gemido alto e ele ia e vinha dentro de mim em estocadas rápida, fortes e intimidadoras de tão precisas, agarrava-se em minha cintura e fazia seu trabalho com ferocidade, prendi meus dedos na borda cama me agarrando aos lençóis, outras longas e duras estacas que me faziam perder o ar, ficar sem expressão enquanto acontecia rápido.
Ele virou meus quadris com força, frente a frente, olho no olhou, sua boca procurando a minha desesperadamente, me agarrei a seu pescoço com minhas pernas só tendo força de se entrelaçarem ao redor de sua cintura, totalmente receptivas a tudo que ele ainda me daria.
Nossas línguas se digladiavam, nossos quadris de chocavam, nossos corpos em um ritmo sem igual, a palavra selvagem me parece uma ótima descrição, algum tipo de sintonia diferente nos envolvia, o sexo estava fluindo mais fácil que o próprio suor, o gosto da sua boca insistindo em me fazer pensar que era o mais doce que já havia provado.
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