Dois dias depois de autorizar os questionamentos do anjo, Dean estava à beira do arrependimento. Cas parecia mais uma criança de cinco anos com os infinitos “Por quê?”.

- Por que quando os humanos discordam de algo eles dizem “Pode tirar o cavalinho da chuva?” Vocês mantém algum tipo de cavalo ao ar livre?

Bobby repreendeu uma risada e Dean o encarou de volta.

- Nem adianta olhar pra mim, Dean. O anjo é seu — E assim o mais velho voltou à atenção ao Uísque.

Sam assistiu o irmão se perder na explicação e a confusão nos olhos do anjo aumentar.

- Eu não entendo Dean.

- É porque você escolhe as coisas mais simples pra perguntar e as mais difíceis de responder.

- Mas se as perguntas são simples... Por que as respostas são tão difíceis?

- Tá vendo? Respostas difíceis, Cas...

A mania que Castiel tinha de levar as frases ‘ao pé da letra’ rendia algumas boas risadas aos caçadores, como o dia em que os humanos estavam caçando em Ohio.

- Cas.. Nós precisamos da sua ajuda aqui embaix..

- Olá Dean.

O caçador se virou encontrando o anjo carregado de.. cocos?

- What the hell..

- Oh, desculpe. – Castiel colocou os cocos que carregava na mesa do hotel – Eu estava catando coquinhos quando me chamaram. Em que posso ajudar?

- Você estava o que?

- Eu estava á procura de vocês, não consegui localizá-los então perguntei a uma senhora na rua se tinha visto dois jovens e ela me mandou catar coquinhos e bom.. acho que funcionou, não é?

Um grande silêncio se instalou no cômodo. Dean foi o primeiro a gargalhar sendo seguido pelo irmão que ainda se via na dúvida entre rir ou explicar ao anjo.

- Eu não entendo... O que é tão engraçado?

Houve também o dia em que Dean quase bateu o carro por dois hábitos de Castiel: Aparecer repentinamente e não entender as expressões humanas. Num segundo o banco traseiro estava vazio e no instante seguinte Castiel o encarava sereno.

- Olá Dean.

O caçador se sobressaltou levando o carro para a pista oposta.

- FILHO DA PUTA!

O anjo se inclinou ficando entre os irmãos.

- Hey Cas – Sam sorriu se acomodando no banco.

- Eu tenho algumas novidades sobre...

- Wow, antes de começar a falar eu preciso tirar a água do joelho – Dean diminuiu a velocidade do carro até parar totalmente no acostamento. Castiel franziu a testa, a cabeça inclinada levemente para a direita.

- Seus joelhos estão secos, Dean.

O caçador encarou os olhos azuis pelo retrovisor.

- Acho que é melhor mantermos o “Joelho” nessa expressão porque se formos colocar a verdadeira parte do corpo que precisa se aliviar...

- Eu posso ajudá-lo se algo estiver errado – os azuis piscaram naturalmente.

- Oh Deus, Não!

O caçador abriu a porta rapidamente e procurou um canto na estrada para se aliviar. Dean manteve o rosto á frente, pois podia sentir os olhos azuis curiosos do anjo o observando de longe.