O guardião se misturou aos seus protegidos, já não era mais Castiel, o anjo havia se tornado Cas, o amigo e toda essa proximidade lhe custou o paraíso. Castiel fora ensinado a ser um soldado e um bom filho. Desobedecer, questionar e rebelar-se não estava no destino do anjo. Sua rebelião tinha um nome, sobrenome e rosto.

Dean Winchester.

Os olhos verdes, o rosto de traços finos demais para um caçador.


O apocalipse estava próximo e o anjo como um bom soldado manteve o protocolo. Tudo estaria bem se não encarasse novamente os olhos humanos porque Castiel sabia que não conseguiria recusar ajuda. Naquela noite o maior rival não foi Zachariah nem mesmo o destino de toda a humanidade. A maior luta Castiel travou consigo mesmo, todos os seus princípios, suas dúvidas e emoções – sim, porque ele conseguia se importar e sentir coisas que somente os humanos pareciam entender.

- Se eu fizer isso, nós todos vamos ser caçados e mortos


- Se existe uma coisa por qual vale a pena morrer, é essa.


E sim Castiel morreria por Dean, quantas vezes fossem necessárias.

Os anjos estavam certos, Castiel estava em plena queda livre.

- Eu estou te pedindo, só me leve até o Sammy


Era um pedido simples, um pedido que Castiel poderia realizar mesmo com tantas complicações e ele não resistiu – bem como sabia que não resistiria. Castiel não soube lidar com a decepção que causou negando ao humano o encontro com o irmão, negando a única esperança da humanidade, negando a salvação de famílias inteiras, negando aos heróis uma chance de luta.

Nós podemos lutar, Cas. Quando não concordamos com algo, nós encontramos uma saída.


E assim o anjo assumiu para si mesmo que não cumpriria mais ordens das quais não concordava. No instante em que deslizou a lâmina afiada no braço e desenhou na parede com o próprio sangue soube que por aquela alma tão determinada valeria a pena morrer.

- Castiel! O que você está fazendo? – a voz irritada soou atrás

Se o anjo tivesse mais tempo naquele instante, teria respondido:

“Estou caindo”

Foi por Dean que o anjo voou até o inferno, se rebelou, abriu mão dos irmãos e do paraíso tudo isso porque ele simplesmente não conseguiria viver sabendo que seu protegido morreria carregando mágoa do anjo que deveria protegê-lo. Valia a pena todo o risco, valia a pena ser caçado por todo o céu se em troca ele conseguisse fazer feliz o menino dos olhos verdes.

A verdade era que Castiel já estava perdido, desde o momento em que pôs as mãos em Dean no inferno. O toque havia selado as almas. Não havia céu nem ordens que fariam Castiel desistir de seu protegido.