Um Anjo Entre Nós
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Conviver com os humanos não era fácil e Castiel logo se deu conta disso. Dean, Sam e Bobby eram criaturas incríveis e completamente diferentes dos anjos. Ás vezes Castiel se esquecia das necessidades básicas (dormir e comer, por exemplo) e aparecia em momentos inoportunos. Era preciso que Dean o alertasse.
‘Eu sou humano, Cass!’ ele resmungava.
E o anjo desaparecia, ficando parado num lugar qualquer por horas esperando que os humanos estivessem descansados para as conversas e a presença do anjo.
Dean também reclamava sobre algo do tipo ‘Espaço pessoal’. Na maioria das vezes Cas se via perto demais de seu protegido, não que o incomodasse, pelo contrário, gostava de estar perto do caçador. Uma vez Castiel se aproximou o bastante para sentir a colônia que o outro usava. O anjo não se lembrava de ver o protegido colocar perfume, mas seu cheiro era agradável, humano. Outra vez, quando cobrou respeito do caçador, pode notar o quão bonitos eram os olhos verdes olhados de perto.
“Quanto mais tempo ficar entre os humanos, mais rápido vai acabar se tornando um”
Castiel se lembra bem dessas palavras, foram ditas por Uriel. Havia repugnância no tom e o anjo não conseguia concordar que os humanos eram criaturas ruins ou indignas.
Aos olhos azuis, aquele velho bêbado e os dois jovens caçadores eram as criaturas mais fascinantes que seu pai já criara. Teimosos, errantes, imperfeitos.
Castiel se lembra bem de quando encontrou Ana, o anjo que havia escolhido a humanidade e se lembra de quando falhou pela primeira vez e foi salvo pelo protegido. Depois do ocorrido Castiel foi chamado aos céus e Uriel se tornou vigilante do anjo, que havia despertado dúvidas dos superiores.
Depois de resgatar Dean do inferno, Castiel desejou com toda a fé que o humano nunca mais tivesse lembranças do horrendo lugar, mas a primeira ordem ao comando de Uriel fora cruel e quase uma afronta ao anjo protetor. Dean precisava por em prática tudo que aprendera durante a estadia no inferno.
– Nós entendemos o quanto isso é difícil..
– E nós – Uriel lançou o olhar duro ao protetor – não ligamos
Castiel queria argumentar e Dean pareceu entender seus olhos agoniados.
– Eu quero falar com Cas, sozinho.
O protegido se aproximou, havia confusão em seus olhos e a busca pela verdade.
– O que está acontecendo, Cas? Desde quando Uriel controla você?
O anjo sentiu uma onda de energia percorrer por todo o seu corpo. Dean se aproximou, os olhos verdes fixados nos azuis.
– Meus superiores começaram a questionar minhas simpatias
– Suas simpatias?
– Eu estava chegando muito perto dos humanos na minha tarefa – houve uma pausa e os azuis encontraram os olhos verdes novamente – você – os olhos verdes se desviaram – eles acham que eu comecei a expressar emoções. Isso é a porta para dúvidas, pode prejudicar meus julgamentos.
Castiel desviou do humano, os olhos azuis encaravam o vazio a frente enquanto o anjo ainda sentia os verdes fixos em si. Dean se moveu e passou os olhos intensos pelos azuis, capturando a atenção do anjo por breves instantes até o contato visual ser quebrado novamente.
– Diga ao Uriel ou quem quer que seja.. Que você não quer que eu faça isso
– Querer? Não. – os olhos azuis piscaram mais lentamente que o normal – Mas me disseram que precisamos
Os olhos do caçador estavam fixos na sala onde Alastair era mantido preso. O ar do ambiente parecia mais denso que o de costume.
– Você me pede para abrir a porta e passar por ela.. E não vai gostar de quem sair
Castiel ainda mantinha os olhos fixos no vazio ouvindo seu protegido tentar lhe convencer de algo que ele não tinha controle. Se tudo dependesse da vontade do anjo, o caçador nunca teria que se lembrar das aulas que teve.
– Embora isso não importe.. Eu daria qualquer coisa– o anjo repensou na frase e não encontrou motivos para repreendê-la – para não obriga-lo a fazer isso.
O caçador fechou os olhos por longos instantes e buscou o carrinho de instrumentos.
Castiel se sentiu sujo por ver seu protegido passar pela porta e pela primeira vez amaldiçoou uma ordem em silêncio.
Aquilo não era realmente justo ou ele estava perdendo a cabeça como os outros anjos comentavam?
O guardião sentiu os olhos vigilantes de Uriel e soube que aquela era o início de sua queda.
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