Um Anjo Entre Nós
4 Capítulo 4
Castiel passou uma semana sem poder acompanhar os garotos (o que na terra contaria como anos) e foi durante a manhã de quarta-feira que os irmãos mais velhos se reuniram novamente e Castiel chamado á sala. Com a mão na maçaneta o anjo foi surpreendido por Balthazar que surgiu a sua frente.
- Antes de receber a sua ordem, quero que venha comigo – os dedos do anjo tocaram a testa de Castiel que se viu no meio de um quarto desconhecido.
- Mas o que..
- Sh. Apenas assista, é importante.
O anjo viu duas crianças entrarem no quarto. O primeiro deles Castiel não reconheceu sendo preciso o segundo para o esclarecimento.
- Sammy você precisa ficar aqui enquanto eu vou buscar o jantar
- Por que eu não posso ir com você?
- Porque eu quero que fique aqui – Dean suspirou – Eu não demoro
Castiel viu Dean esconder uma arma por debaixo da jaqueta e sair a passos apressados até a lanchonete próxima onde comprou dois sanduíches. Balthazar não precisou direcionar os olhos ao amigo para saber que o mesmo assistia tudo com atenção máxima.
- Dean se tornou exatamente o que eu previa – os olhos azuis angelicais estavam carregados por algo que Balthazar interpretou como orgulho, o mesmo olhar que Deus manteve logo após a criação dos humanos – Sempre soube que ele cuidaria bem do irmão
- Sammy? – Dean chamou colocando os lanches na mesa. Houve um minuto de silêncio e o mais velho direcionou os passos até o quarto encontrando o menor sentado na cama, olhos baixos.
- O que aconteceu, Sammy?
- Por que não voltamos para casa? Por que o papai não está aqui? Por que você tem uma arma embaixo do travesseiro?
O anjo viu Dean suspirar cansado e se sentar ao lado do irmão. Ele percebeu o quanto Sam era inocente e o quanto de responsabilidade o irmão mais velho tinha agora.
- Eu prometo que um dia você vai entender, confia em mim? – o menor concordou com a cabeça. – É temporário, um dia vamos voltar pra casa agora vamos comer hum?
Dean levantou e andou até a mesa, pegou um dos sanduíches e hesitou por instantes, sentia que algo estava perto mas por alguma razão não sentiu necessidade de pegar a arma. Balthazar assistiu quando Castiel se aproximou de Dean e tocou-lhe o ombro cuidadosamente. Uma sensação de paz inundou o pequeno garoto que sorriu em meio á caótica vida que levava.
Um click na porta foi ouvido. A maçaneta girou e Dean apertou a mão contra a arma que mantinha escondida. Os olhos azuis do anjo foram direcionados pela primeira vez para longe dos meninos – fitando a porta que se abria lentamente. John entrou no quarto arrancando um suspiro de alívio do garoto mais velho que afrouxou as mãos do revolver.
- Pai! – Sammy exclamou sorridente
Dean tinha o mesmo sorriso no rosto e o anjo viu como a alma ainda infantil se iluminou com a chegada do pai. Pousando os olhos serenos no garoto, o anjo também percebeu o quanto Dean ansiava pela volta de John e o quanto tinha vontade de ouvir do pai as mesmas palavras que a minutos oferecia ao pequeno Sammy.
É temporário, um dia vamos voltar pra casa
Os braços de John seguraram o pequeno corpo de Sammy num abraço. O mais novo Winchester suspirou contra a camisa suja do pai enquanto o mais velho mexia as mãos de modo nervoso ansiando pelo mesmo contato carinhoso. Sammy foi posto de volta ao chão e logo voltou a se entreter com o canal de desenhos. As mãos calejadas de John encontraram os cabelos rebeldes de Dean num afago, os cantos dos lábios se moveram para cima num sorriso carregado de sentimentos.
O menino de olhos verdes estava imerso na sensação boa de ter o pai de volta, sã e salvo e uma pequena esperança de ouvir aquelas simples palavras resurgiu. Não durou muito e foi puxado de volta para a realidade pela rotineira pergunta.
- E você, cuidou bem do Sammy?
Castiel teria continuado a assistir, mas Balthazar tinha pouco tempo e muita história para mostrar.
- Ok, hora de adiantarmos o nosso passeio – e assim o anjo zapeou para acontecimentos posteriores.
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