Notas iniciais
Eu sei que demorei pra atualizar mas aqui vão os últimos capítulos da Fic (Sim! Eu consegui terminá-la) espero que gostem, de verdade ♥

Os corpos são barulhentos, vibram e fazem coisas estranhas.

Essa foi a nota mental que Castiel fez logo depois de almoçar. Não era a primeira vez que o anjo havia notado o que parecia ser uma briga entre suas entranhas. Apesar de estranhar sempre que percebia o quanto era humano, observar os rapazes era um meio de ter certeza que tudo aquilo também acontecia a eles.


– Cas? Cas o que está fazendo? Tira o ouvido da minha barriga! Eu me sinto uma mulher grávida, não tem nada pra ouvir aí ô anjudo!


– Parece estar acontecendo uma briga – os olhos azuis se estreitaram.


Cas mantinha uma expressão séria de concentração chamando a atenção de Sam á cena.


– Se eu fosse você não ficaria tão perto do Dean – a risada de Sam fez o anjo se lembrar dos pequenos dentes que Sammy mostrava ao rir quando criança e de todos aqueles momentos em que as duas almas se enchiam de uma luz tão forte e brilhante que deixava até mesmo o anjo protetor cego por alguns segundos.


O ex-anjo não prestou atenção nas palavras de Dean, mas sentiu quando seu corpo correu para longe. Por instantes Castiel se sentiu vazio como se toda a comida tivesse sido desviada para fora do corpo. Apesar de não ser o vazio da fome, era tão física quanto.


– Cas? – a voz de Sam soou cautelosa atrás do anjo – o que aconteceu?


Havia alguém o esmagando. Havia uma mão forte agarrando-lhe pelo pescoço, impedindo-o de falar, impedindo-o de respirar direito. Sua visão ficou turva e ardia como se algum ácido tivesse sido pingado ali. Por mais que piscasse, os olhos sempre voltavam a ficar turvos. Suas bochechas queimaram e molharam. Nos lábios o gosto salgado.


Sam assistiu o anjo caído chorar. As lágrimas rolavam pelas bochechas e caiam sobre a roupa. Os olhos azuis pareciam mais claros agora do que realmente eram, pareciam delicados como cristais. Entre os soluços que cortavam a fala, o anjo desabafou.


– Eu era um guardião, Sam. Eu tinha o poder de ajudar vocês, o poder de curá-los... Eu sinto falta. Eu sinto falta de ver a alma de vocês. Eram as almas mais bonitas, eu podia reconhecê-los somente pelo brilho que elas emanavam. Não há nada mais bonito do que uma alma boa e você e o seu irmão... Sempre foram tão brilhantes, havia tanta luz mesmo quando vocês não acreditavam mais em si mesmos. Eu não consigo mais vê-las eu... – os soluços descompassados ecoaram no cômodo.


Observando de longe Dean descobriu o pior som que já ouvira: o de seu anjo chorando.