Um Anjo Em Minha Vida - Concluída
18 Revelação
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
— O quê? — Sentou no chão e eu fiz o mesmo, estendi as mãos sobre as suas mostrando as palmas avermelhadas. — Dói muito? — Deslizou os dedos suavemente, olhando intrigado para as minhas mãos.
— Só está ardendo. — Puxei as mãos e comecei a soprá-las, tentando amenizar a queimação. — Foram as suas cicatrizes que causaram isso, não foi? — Perguntei.
— Não sei... — Balançou a cabeça e levantou depressa.
— Onde você vai? — Levantei ainda atordoada.
— Tenho que ir. Não se aproxime! — Sua voz soou rude, havia algo diferente em seu olhar.
— Você vai embora? Para onde? — O ignorei e me aproximei, eu não estava com medo, apenas estava confusa.
— Fica longe de mim! — Fechou os punhos, me olhando com raiva.
— Por quê? — Não recuei, parei diante dele, olhando-o nos olhos.
— Vou acabar machucando você de novo. — Disse em voz baixa num tom sombrio. Seus olhos estavam mais claros, oscilando entre castanhos e dourados.
— Sei que não teve a intenção... — Me aproximei sem medo, tentei tocar em seu rosto.
Ele foi rápido, detendo o meu gesto, segurando meus pulsos.
— Te avisei. — Apertou meus pulsos, arfei e gemi de dor.
— Vai me matar? — Minha voz saiu num sussurro.
— Eu devia, mas não vou... — Afrouxou o aperto.
— Você é um criminoso, não é? Fala a verdade! — Exigi.
— Eu vou te soltar agora, e vou embora, se você vier atrás de mim, serei obrigado a te machucar. — Percebi que ele não estava brincando.
Os olhos dele ficaram completamente negros.
— Você é um Demônio... — Senti um calafrio percorrer o meu corpo, estremeci.
— Basicamente isto... — Me soltou. — Sou um Anjo caído. — Revelou.
— Como? — Recuei, aquilo não podia ser verdade. Ele estava mais para um Demônio.
Anjos caídos não eram Demônios?
— Minhas asas foram arrancadas. — Se virou, a cicatriz em forma de 'V' era bem grande.
Duas linhas perfeitas formando um 'V'
— Meu Deus... — Recuei, pondo as mãos na boca.
— Deus está lá cima. E Lúcifer está aqui embaixo. E tem Anjos e Demônios vagando pela Terra. — Se virou, seus olhos haviam voltado para a antiga tonalidade.
— Você... Você não pode ser real. — Minhas costas se chocaram contra o espelho.
Olhei para as palmas das minhas mãos, não estavam mais avermelhadas, mas ainda ardiam um pouco.
— Eu não queria te machucar. — Se abaixou recolhendo as roupas. — Eu nem deveria ter te tocado... Mas você me encontrou, cuidou de mim, e eu não fui franco sobre a minha verdadeira origem, tive que fingir não lembrar das coisas, você acreditou em mim e foi inevitável... — Vestiu a calça de moletom sem pressa.
— Você se aproveitou de mim... Mentiu. Me manipulou. Me usou. — Me encolhi, tentando cobrir minha nudez com as mãos.
— Não me aproveitei. Nunca te forcei a nada. — Colocou a camiseta. — Você quis se deitar comigo. Eu também quis. E sabe por quê? Porque assim como você, eu também sinto desejos carnais. — Disse me encarando.
— Mas não é pecado? — Perguntei me deixando escorregar e cair sentada, abracei meus joelhos.
— Sim, é pecado. Todos pecam, até mesmo os Anjos. — Respondeu.
— E agora você vai embora? Não precisa ser assim! — Levantei sentindo vontade de chorar.
— Se eu ficar aqui, vou acabar te matando! — Falou alterado.
— Eu não vou relevar o seu segredo. Pode confiar em mim. — Comecei a recolher minhas roupas.
— Eu sei. Ninguém acreditaria mesmo. — Passou as mãos pelo cabelo.
— Eu gosto de você. Posso lidar com tudo isso. Não vá embora. — Falei terminando de me vestir.
— Eu realmente preciso ir. — Disse dando um passo para trás.
— Vai atrás da Crystal? Ela existe mesmo ou fazia parte do seu fingimento? — Indaguei.
— Ainda duvida? A Crystal existe! Eu preciso encontrá-la. — Afirmou.
— Você só me usou... — Eu estava magoada.
— Aconteceu... Não posso ficar com você. Eu deveria te matar! — Doeu ouvir aquilo.
— Vai em frente. Eu não vou implorar por minha vida! — Esbravejei com raiva.
— Era o que eu tinha que fazer. Matar você num ritual de possessão, mas eu não vou fazer isso... — Disse com firmeza.
— Por quê? Desistiu, é isso? — Me aproximei o bastante, ficando cara à cara.
— Eu devia, mas não vou... Te devo isso como agradecimento. Estou te poupando. — Recuou.
— Você não gosta de mim, mas tem pena, não é? — Segurei o choro.
— Não tenho pena... Só estou te poupando porque não sou um monstro, eu tenho compaixão. — Respondeu antes de ir embora me deixando sozinha ali no estúdio de dança.
Tudo havia acabado entre nós. Eu sabia o que ele era. E ele amava outra, preferiu ir embora. Nem ao menos se despediu. As lágrimas vieram com tudo.
O achei ferido naquele beco, o levei para casa e cuidei dele. Lhe dei um teto, comida e cuidei dele com carinho... Confiei nele, me entreguei e ele não foi franco comigo como deveria ter sido desde o começo... Eu estava me sentindo usada. Enganada. Iludida. E acima de tudo, eu estava apaixonada e ele havia deixado bem claro que não sentia o mesmo.
Ele se fez de ingênuo e inocente. Fingiu o tempo todo. Era um mentiroso.
— Anjo caído... — Sussurrei, parecia tão surreal, mas até que fazia sentido.
Ele era um Anjo caído. Um Anjo que entrou na minha vida.
[...]
P.O.V Do Jonas
— Ainda estamos sendo perseguidos? — Perguntou ainda chorando.
— Não, consegui despistá-los. Confia em mim, ok? Vou te manter segura. — Prometi.
— Eu confio. — Ela estava assustada, sua voz saiu um pouco vacilante. — Para onde está me levando? — Perguntou.
— Não posso te levar para onde estou morando, é pequeno e temporário, estou dividindo um Loft com meu melhor amigo. — Eu não podia dar muitos detalhes.
— Então, me leva para a casa da Jay. — Pediu.
— Você acha que é seguro ficar lá? — Indaguei.
— Por quê não? Sua irmã não mora sozinha, ela tem namorado e ele está morando com ela. — Contou.
— O quê? A Jay tem namorado? Me fale sobre ele. — Fiquei curioso.
— É moreno, alto, tem uns 20 anos, e ele é um cara legal e faz a sua irmã feliz, é isso que importa. — Notei que ela estava omitindo algo.
— Só isso? O quê mais? O que ele faz da vida? É daqui mesmo? A Jade conhece a família dele? — Questionei, intrigado.
— Ah, na verdade, se eu te falasse como ele surgiu na vida dela, você não acreditaria... — Riu, logo percebi seu nervosismo.
— Já não estou gostando dessa história mal contada. — Murmurei.
— Sério, não se preocupe, ele é um fofo, um amor de pessoa e a sua irmã está tão apaixonada. — Alegou.
— Só acredito vendo. — Acelerei.
— Você vai me deixar perto da casa e depois vai embora, né? — Finalmente ela havia parado de chorar.
— Não. Eu quero ver a minha irmã, quero que ela saiba que estou vivo. — Tomei a decisão.
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