Um Amor para Relembrar
2 Capítulo 2
Notas iniciais
-Hum o que esta fazendo vovó?
-Pão. Você quer?
-Não estou sem fome. Na verdade comer a comida da minha avó sempre foi meio indigesto e enganava porque o cheiro enchia a boca de água, mas o sabor, não dava para descer de jeito algum.
-Vou dar uma volta tudo bem?
-Sim vai até a praça, ver pássaros, e sentir o ar sem poluição daqui minha filha, vai te fazer muito bem eu garanto.
-Esta bem, é que eu soube que terá uma festinha na praça, vou ver o que tem de bom.
-Tem muitos adolescentes como você, vai gostar muito eu sei.
-Tudo bem então já vou, até mais tarde.
-Até.
Subindo toda a rua fiquei me perguntando o que minha família acharia de tão bom nesta cidade com tão poucos habitantes morando, enfim fui a tal festividade da cidade.
Cheguei à praça, tinham varias pessoas correndo, pessoas com seus cães e filhos, brincando e comendo pipoca e afins, e me dirigi onde tinha um pequeno palco, com pessoas cantando modas de musicas antigas, fez-me rir já que não andava muito acostumada com aquilo, ouvia musicas da cidade grande, que eu considerava muito mais interessantes que a cantoria na viola que tocavam.
Ao me aproximar me deparei com ele, aquele rapaz do dia anterior, hoje ele estava com um jeans desbotado, tênis, camiseta na cor preta, e o boné daquele dia, senti tudo de novo, porem com sensações diferentes, desta vez, com tudo aquilo me veio o calor, um fervor, meu estomago também começou a embrulhar, revirava, como se eu tivesse comido do tal pão da vovó, achei mesmo que fosse vomitar, mas respirei fundo me sentei na guia abaixei a cabeça, e o ar voltou, então olhei para ele sorria, sempre sorrindo, e cantando aquelas musiquetas no mínimo cafona, eu sorri junto, me senti tola, porque eu ria sozinha, de repente o olhar dele veio de encontro ao meu de relance, de lado, e eu fiquei sem ar de novo, segurei o estomago, usava na época uma roupa nada interessante, estava com uma calça bailarina azul marinho, camiseta preta com uma banda de rock na frente que eu não sabia direito quem eram mas estava na moda então eu usava, e meu tênis novo na época quem tinha adidas era moderno, todo branco e eu me achava com ele, e respondi ao sorriso daquele garoto, ele continuou a olhar, e eu desviei o olhar porque não conseguia fixá-lo, de repente atrás de mim um vento frio, e aquecedor ao mesmo tempo, me fez arrepiar.
-Buh!
Pulei, assustada e olhei para trás.
-Oi.
-Olá como vai?
Eu estou morrendo, entrando em crise adolescente não sei, porque, sinto que vou explodir que tenho frio, calor, palpitação tudo ao mesmo tempo, fico feliz em te ver, não sei por que, também sinto enjôos como minha mãe quando come feijoada, só que eu não jogo tudo para fora, tirando tudo isso estou bem. Bom isso é o que eu queria ter dito ao invés do mesmo apenas respondi...
-Bem e você?
-Me divertindo.
-Hum.
-Vem curtir com a gente?
-Depois talvez.
-Ninguém vai te morder.
-Não achei que fosse, imagina.
-Então vem... Pegou minha mão e sorriu.
E aquilo foi o suficiente para que eu ficasse como estatua, sem me mover, de novo como no outro dia, fiquei gélida, tonta, e ele tinha um cheiro, tremendamente maravilhoso de Quasar e completamente inesquecível, que me deixou meio zonza com vontade de voar nele, e abraçá-lo, e me perguntei do porque eu me sentia assim, que coisa mais tola, que sentimento mais estranho...
-Vamos se mexe!
-Estou me mexendo!
-Você esta fincada no chão.
-Ah claro estou mesmo, vamos.
Ele me apresentou seus irmãos, cada um mais diferente do outro, pensei comigo mesma como uma família poderia ser tão diferente os irmãos, enfim, minha educação não permitia a pergunta claro, mas fiquei ali olhando aquele menino, até então sempre odiei os meninos, e meninas e estava odiando o mundo, de repente perto dele tudo parecia colorida, com cara de algodão doce em cores, eu ria sem razão.
-Vem quero te mostrar meu esconderijo.
-Melhor não nem mesmo avisei meus pais.
-Para com isso Bella, tem medo de histórias de cidade pequena?
-Lógico que não! Até parece! Mentirosa como poderia mentir tanto eu morria de medo meu avô quando morava no sitio e contava cada uma que eu nem mesmo dormia, sei lá onde ele me levaria...
-Vem comigo então.
-Tudo bem.
Chegamos a uma casa velha caindo aos pedaços, me parecia abandonada, fiquei com medo me perguntando do porque estava ali com este desconhecido, ah ta claro porque sou totalmente sem noção do perigo, lógico!
-E ai o que acha do meu esconderijo?
-Diferente?
-Sim, diferente, mas o que acha?
-Não sei eu não considero um esconderijo, mas deve representar algo para você, eu acho.
-Sim venho aqui desde criança, brincávamos muito aqui, riamos muito, e sempre tinha pique esconde.
-Legal.
-Você tem algo assim onde mora?
-Não, lá as coisas são bem mais arejadas. Dei um sorriso tímido.
-Este lugar tem historias incríveis gostaria de te contar um dia, mas hoje não tem como pelo horário.
-Claro, fique a vontade para quando quiser.
-Quando você vai embora?
-Em três dias por quê?
-Você volta?
-Sim por quê?
-Não posso deixar de passar a oportunidade.
-Não entendi.
De repente sem que eu conseguisse continuar com o dialogo, ele tocou meu rosto, eu estremeci, e não reagi, mesmo com todo o medo que sentia, fiquei bem parada, ele me encostou à parede, segurou em meus cabelos, olhou dentro de meus olhos, fixamente aquele mesmo olhar do outro dia, mas desta vez tinha algo diferente, algo que mexeu comigo, que fez meu coração palpitar tão rápido que o fez sorrir, ele deu um sorriso tão largo que me fez ficar perplexa e sem fôlego, e então ele encostou seus lábios nos meus, eu me perguntei o que ele fazia, e pensei que aquilo me deixaria grávida como minha mãe dizia, mas não me importei, deixei ele continuar, e aquele hálito de mentol adentrou meu cérebro, me deixando de pernas bambas, com coração na garganta, com estomago revirando, mas eu queria mais daquilo envolvi meus braços em seu pescoço e o puxei para mim com força como se fosse esmagá-lo, e ele por sua vez apertou minha cintura com força pressionando em meu quadril, senti algo entre nós mas não quis parar com aquilo que me engravidaria segundo mamãe. Quando já estava sem ar, e não conseguia nem respirar ele parou com o beijo e eu custei a abrir os olhos, e ele sorriu.
-Tudo bem?
-Tudo. Estou viva?
-Claro! Sorriu para mim com aquela boca carnuda e aqueles dentes perfeitos.
-Vou ficar grávida ne?
Ele gargalhou, e eu fiquei sem entender.
-Claro que não! Quem disse isso?
-Minha mãe ora, ela não mente.
-Bom digamos que ela omitiu uma informação, não é assim que se engravida Bella, e você deveria saber disso.
-É, mas até hoje não sabia nem o que era um beijo assim.
-Nunca beijou de língua?
-Não.
-Nossa! Ele fez uma cara de surpresa com minha informação.
-Mas agradeço.
-Agradecer?
-Sim pela informação.
-Não a beijei para informá-la, e sim para demonstrar que estou apaixonado por você desde o dia em que a vi brigando com a areia e o vento.
-Apaixonado?
-Isso sentindo todos os tremores e acessos que você esta sentindo sempre que esta a meu lado.
-Como sabe que me sinto assim?
-Simples você demonstra ser totalmente transparente.
-Eu não sei por que fico assim.
-Porque você esta apaixonada por mim.
-Claro que não menino nem tenho idade para estas coisas.
-Façamos assim você ira embora em três dias certo?
-Sim.
-Se nestes três dias você não sentir minha falta, então estará certa, não tem sentimentos por mim, só que se for ao contrario, e sentir minha falta, vira ate minha pessoa e me dará mais um beijo assim combinados?
-Concordo plenamente.
-Ótimo. Então estou indo esperando ansiosamente o resultado de nossa aposta.
-E eu também tendo a total certeza de que está errado.
-Até logo.
-Até nunca mais.
Fale com o autor