Um Amor Pra Recordar
11 Redemoinho
-Eu preciso falar com vocês.
-Vai Pedro, fala se está tudo bem.
-Sim, está tudo bem.A Jubs só está, bem, ela está grávida.
-E quem é o pai?Você?
-Não, é você Thomas.Mas eu quero adotar essa criança só pra ela não ter que conviver com essa arrogancia sua.
-Eu, eu?Eu vou ser pai?
-Exatamente.Mas a Jubs não parece muito feliz com isso.
-Ela não está bem, né?
-Nada bem Lucas.Parece que o mundo dela desabou.Mas dá pra entender.Ela faz faculdade, é jovem.E uma criança agora é super nada a ver.As vezes eu acho que ela pode fazer uma besteira...
-Abortar?Ela tá querendo fazer isso?
-Não sei.Pra ela é uma hipótese.
-Nunca!Ela não vai fazer isso.Não deixo.
-Thomas, espera, volta aqui.
[jubs]
O mundo parecia desabar.Tudo estava dando errado, e o que me dava forças agora era somente o Pedro.Até o Thomas entrar no meu quarto.
-Que história é essa de abortar o nosso filho?Você não vai fazer isso!
-E desde quando você se importa?Esse nosso não existe.Você escolheu assim.
-Você tem todo o direito do mundo em nunca mais falar comigo, mas a partir do momento que você disse que eu sou o pai, eu ganho direitos sobre essa criança.Da mesma forma que você.
-Você se esqueçe de que quem vai ter que parar uma vida pra sofrer, cuidar sou eu, né?Você simplesmente não vai fazer nada.
-Então simplesmente tenha essa criança e dê pra mim.Eu cuido.Ou o que?Você vai cuidar dela junto com o Pedro?Vai dar ela pro Pedro é?
-Como você pode falar isso?Se eu for ter esse filho a única pessoa que vai chegar perto dele sou eu.
Eu já chorava.
-Vai embora Thomas, por favor.Se você tem alguma consideração por essa criança mesmo, vai embora.Por favor.Já tem tanta coisa doendo em mim, tá tudo dando tão errado.Vai embora, por favor.
-Argh!Eu não sei o que to fazendo aqui.Até hoje eu ainda não me acostumei com esse seu jeito de ninguém manda em mim.Tá, olha, me desculpa.Se precisar, de qualquer coisa, conta sempre comigo.Eu sou o mais interessado nisso tudo.É, vou chamar o Pedro aqui.
Ele saiu cabisbaixo, chorando.Era eu que deveria estar triste, mas ele me pareceu pior.Eu devia estar com raiva dele, mas o amava.O ver sofrendo me fez sofrer mais ainda.
-Hey, Thomas!
-Oi...
-Obrigado, é, por chamar o Pedro...
-De nada, pequena.
A diferença em ouvir "minha pequena" como antigamente, e ouvir "pequena" era enorme.E somente minha.E começei a chorar de novo.Até que o Pedro entrou, e me acalmou.
-Ele meche muito com você, né?
-De um jeito que eu não queria que acontecesse.
-É uma pena que estejam separados.Mas, sinceramente?Eu ainda acho que vocês possam ficar juntos...nenhum vive sem o outro.
-Tomara.Olha, acho melhor vocês irem embora.Ta tarde, todo mundo tem ensaio amanhã.
-É incrível!
-O que?
-Você tá ai, chorando, o mundo acabando, você precisando de ajuda, e sempre preocupada com os outros.Cara, você é incrivel.O Thomas é muito burro.
-É?Fala isso pra ele então!
-Ele sabe.Precisa ver o jeito que ele fica se chamando de burro, e chorando por você.
-Brigado pelo apoio Pedro!Af, ele parece uma criança, né?Bebê de tudo.
-Desculpa.Mas olha.A médica disse que é bom ficar alguém com você.Sua mãe tá viajando, então eu fico aqui.Os outros vão embora.
-Ela disse isso?Af.Ela é retardada, vai embora Pedro.Descansa, você não precisa ficar aqui.
-Preciso sim.Para de ser boazinha.Vou ficar e pronto.Vou lá pedir pra eles irem embora e já volto.
E o Pedro saiu.Eu tinha tanto a agradeçer a ele.Ele estava sendo perfeito comigo.Antes de ir embora todo mundo passou no meu quarto, e me deram boa noite.
-Pronto, foram todos embora.
-Você deveria ter ido também.
-Ah, é assim que você me agradeçe?Já vi que a noite vai ser longa!
Ele tentava me animar de todas as formas, e até conseguia.Fazia piada de tudo, e dava risinhos.Ligou a TV que ficava em frente a minha cama, e sentou na poltrona, bem do lado da cama, perto de mim.
-Ah, você é ridículo Pedro.Senta aqui logo.
-Olha, a princesa cedeu parte da cama dela pra mim.Me sinto honrado.
-Af, vem logo coisa chata.
Ele sentou.E eu fiquei apoiada nele.Os seus braços me envolviam.Era bom ficar com ele.Era uma segurança muito grande.Não igual a do Thomas, mas era bom.
-Pedro...
-O que foi?
-Obrigado por tudo.
-Não tem motivo nenhum pra me agradeçer.
-Tem sim.Já falei que você é um lindo?
-Já (risos)
-Já falei que te amo?
-Não.
-Te amo Pedro.
-Aí eu vi vantagem.(risos)Eu também te amo.
-Você está com as mãos na minha barriga.
-Ah, desculpa.
-Não, não tem problema.Mas...não é estranho saber que tem uma criança aqui?
-É meio perturbador, na verdade.
-(risos)Eu acho meio louco.Eu nunca me imaginei grávida.Tipo.Sei lá.Achei que seria mais fácil.
-Você vai ser uma ótima mãe.
-Eu vou tentar.Seria mais fácil se ele estivesse comigo.
-Vai dá tudo certo.Qualquer coisa você tem a mim.E tem também ao Pedro Lucas, e ao Lucas.Você vai ter uma menininha linda!
-Menina?Não.Se for pra ter um filho que pelo menos seja um menino.
-Meu Deus.Tem que ser uma menina pra ser linda igual a mãe.
-Foi desnecessário isso.Tem que ser menino!
-Af, você é uma bobona.
-Af, você é um bobão.
Eu não sabia o que estava acontecendo.E nem sabia o que estava fazendo, mas me desenrosquei dos braços do Pedro, fiquei de joelhos no colchão, o encarando.
Ele segurou meu pescoço, e me deu um beijo.Sim, foi bom.Mas ambos sabíamos que era ridículo, e momentâneo.Foi um beijo necessário, cheio de carência.Ouso dizer que foi um beijo como amigos.
E quando terminamos nem olhamos para o rosto um do outro.Simplesmente abaixei minha cabeça, deitei no teu corpo e adormeci.Acho que Pedro fez o mesmo.
Fale com o autor