Por Ichimoku Ren

Nem sei por que voltei lá, sei que haveria todo o interrogatório por parte do pessoal. Estava cansado, só espero que a porta dela não esteja trancada. Me preparei para escutar alguns sons vindo lá de dentro, encostei-me à porta e esta se abriu rapidamente, ela estava com um roupão e os cabelos molhados, parecia ter acabado de sair do banho, ela sorriu e disse enquanto enxugava o cabelo:

— Estava com saudades. Como foi o seu dia?

— Estranho, e o seu?

— Entediante. Retirando a parte que nos conhecemos, é claro.

— Aquele cara estranho voltou aqui?!

— Não hoje, ele costuma vir toda semana em dias alternados. Bem ou mal, é parte do meu sustento. Eu fiquei sozinha até você voltar.

Continuei a observá-la, ela parecia meio confusa... Acho que já sei!

— Você quer saber se aquela foi minha primeira vez? Fui tão ruim assim?!

— Não é isso, pareceu muito cauteloso, então...

— E isso é ruim?!

— Claro que não. Foi... maravilhoso!

Sei que os seres humanos são considerados seres fracos por suas emoções, porém, acho que desta vez essa coisa que eu tô sentindo enfraquece ao mesmo tempo em que... Não pude continuar, ela estava abrindo o seu roupão, seu corpo (só agora que consegui prestar mais atenção nos detalhes) tinha muitos sinais que, assim que ela deixou beijei levemente poucos deles enquanto ela acariciava-me na nuca e, eu estava, literalmente, de joelhos por aquela mulher. Na cama, deixei-a sem fôlego enquanto ela apertava-me pelas minhas costas como que implorando por mais mesmo sem fôlego, beijei-a diversas vezes nesses momentos e tive certeza, de que dessa vez, ser humano valia a pena. Suados e exaustos, estávamos deitados um de frente pro outro, ela enlaçou-me com suas pernas e eu beijei diversas vezes seu pescoço. Ela me fez uma pergunta que eu já esperava há algum tempo...

— Quem é você?!

Um velho pervertido em um corpo jovem e saudável?! A espada na pedra?! Como não respondi nada ela disse:

— Não precisa dizer, acho que já sei...

— Se sabe me diga, quero saber o que você acha...

— Você é... meu. Só meu.

Beijei-a novamente e dormimos, enlaçados e felizes. Será que algum dia isso iria ter que acabar?

Por Ichimoku Ren

Acordei cedo. Ainda não estava aparecendo o sol no céu. Vi que Sara continuava dormindo, talvez tão profundamente e inocentemente que jamais dormira antes, levantei-me da cama e ela perguntou, um tanto sonolenta:

— Aonde você vai? Já vai me deixar sozinha?

— Preciso tomar um banho antes de ir para o trabalho.

Atualmente eu trabalhava apenas varrendo um mercadinho durante meio-período, o que não fazia grande diferença, já que eu gostava de ter tempo para conversar com minha “família” por assim dizer. Ela sorriu e disse:

— Tudo bem, só não se esqueça de me chamar antes de sair, também preciso me arrumar.

— Vai sair?

— Não, vou “trabalhar”.

— Ah, claro.

Entrei no banheiro e deixei que a fumaça da água quente enchesse o ambiente, que, cá entre nós, estava meio gelado nesses dias. Relaxei e terminei de me lavar. Trocar de roupa não era problema para mim, porém, não tinha como fazer isso, não estando tão perto de uma humana. Saí do banheiro e disse:

— Bom, acho que vou dar uma passada em casa antes de ir ao trabalho. Nos vemos à noite?

— Sim. Guardarei o resto do dia somente para você. Mas, responda-me o que eu perguntei ontem antes de...

— Sobre o que era mesmo?

— Se eu era sua primeira garota...

— Pode-se dizer que sim.

— Pode-se dizer?! O que você quer dizer com isso?

— Não acreditaria se eu dissesse. Até mais tarde.

Dei um selinho nela, que ela quis aprofundar mais, porém, eu afastei-me dela antes e disse:

— Deixe isso para depois, preciso ir agora.

— Certo.

Saí dali depressa, esperando não voltar para terminar o que comecei tão cedo. Voltando à rotina depois de me arrumar direito em casa (havia escolhido ema casa abandonada, próxima a um bosque, ninguém iria me perturbar em um lugar que provavelmente ninguém deveria estar, pergunto-me se os outros também tiveram idéias parecidas. Deixando os pensamentos pra lá, caminhei lentamente até o mercadinho, onde trabalhava apenas varrendo o chão algumas vezes e repondo algumas mercadorias quando necessário, era tão fácil modificar minha data de nascimento já que não estava relativamente vivo fazia bastante tempo, sempre adaptando por nunca envelhecer. A Srta. Kimura (significado em japonês: povoado com árvores) e dona da loja me cumprimentou quando cheguei, dei um aceno com uma de minhas mãos e peguei a vassoura, era hora do trabalho, precisava parar de pensar na noite anterior ou minha cabeça iria explodir, quem sabe eu poderia espioná-la em minha folga? Talvez, quem sabe. Que droga, mal começou o dia e eu já quero que termine!

Depois de 8 horas entediantes de trabalho...

Estava caminhando para a casa dela, era um pouco longe do trabalho então, acho que depois me desculparei por faltar a reunião diária mas, preciso falar com ela, não tive muito tempo para espioná-la, a única coisa que poderia fazer era esperar que nada errado houvesse acontecido e que aquele homem estranho não houvesse voltado. Acho que estava sendo otimista demais...

Ao chegar lá, percebi que a porta não estava trancada, estava apenas encostada, eu entrei e a vi coberta apenas com um lençol velho, seu corpo estava nu e seu rosto inchado, sinal de que ele havia voltado e que havia saído há pouco tempo, virei-me para segui-lo, e ela, como que percebendo o que eu pretendia fazer, segurou minha mão e disse com a voz um tanto fraca:

— Não me deixe, fique comigo agora...

— Mas, não posso deixá-lo sair daqui sem pagar pelo que fez.

— Ele me pagou antecipadamente só que depois perdeu o controle.

— Mais um motivo para eu ir.

— Não lute por mim, de nada iria adiantar... Fique comigo...

— Tudo bem, apenas tome um banho antes.

— Certo, quer vir junto?

— Não precisa, tive um dia cheio...

— Relaxe um pouco então, eu já volto.

Fiquei sentado na cama dela, percebi que o pequeno computador estava ligado, porém com um protetor de tela de peixes nadando, mexi no mouse e o que apareceu foi uma página da internet que não pôde ser aberta, vi qual era o site que ela tentava acessar e percebi que não deveria ter comentado nada sobre o Linha Direta Inferno, ela tentara acessar a página muitas vezes, sorte que não sabia nada sobre as regras de acesso, precisava conversar com ela sobre isso depois, voltei a esperá-la na cama, tirei meus sapatos e respirei fundo, por sorte o protetor de tela voltou a ficar ativo antes que ela saísse do banheiro. Apenas a imagem dela com os cabelos molhados e a pele úmida já era estonteante e ele poderia acabar esquecendo o que deveria conversar com ela depois, deixou que ela se sentasse sobre ele e movesse lentamente o corpo antes que ele quisesse se livrar de suas roupas, porém, antes de perder totalmente o controle, ele pegou-a pelos ombros e disse:

— Espere um pouco, precisamos conversar...

— Poderemos conversar depois, agora, me faça esquecer o que houve hoje.

— Não quero que esqueça. Quero saber, tenho esse direito!

— E se eu não quiser contar? Vai me obrigar como?

— Não posso te obrigar a nada, só não quero que faça qualquer besteira e, por favor, PARE DE SE MEXER EM CIMA DE MIM!

Precisei segurá-la quieta em sua cintura, ela já estava quase me tirando o fôlego, vi que ela se levantou e foi trancar a porta, caminhou até o computador e desligou-o, virou-se para mim e perguntou:

— Andou bisbilhotando o meu computador enquanto eu estava no banho?

— Não fiz nada, só estou preocupado com você.

— Não preciso de preocupações, preciso de sossego.

— Promete me contar tudo depois?

— Preciso contar?

— Eu irei saber de qualquer jeito se você não me contar.

— Você veio aqui para brigar comigo?!

— Eu não estou brigando. Só quero saber...

— Vai saber tudo depois, já agora...

O assunto foi esquecido durante duas horas de amor e carícias que permaneceram no quarto durante todo o tempo depois onde dormiram exaustos e imersos em sonhos estranhos.

Notas finais
Por favor, comentem!!! Bom, só uma notinha adicional, eu quis relacionar o sobrenome da chefe do Ren com o local onde ele mora, por isso coloquei o significado. Façam essa ficwriter feliz^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.