Um Amor Inesperado

6 Capítulo 5: Revelação Inesperada


A turma esperava pela segunda aula começar.

Enquanto alguns alunos esperavam fora da sala, outros iam para a biblioteca estudar, ou mantinham-se em frente à biblioteca, num grande corredor, sentados e conversando.

Natasha estava no corredor, pouco em frente à Anne.

Elas não gostavam de ficar na biblioteca porque não viam o professor passar, e sempre chegavam atrasada na aula.

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As duas faziam os exercícios propostos na matéria anterior, em total silêncio, quando Liah, amiga de infância de Anne,

se aproxima aborrecida.

- Anne, por que você não retorna mais minhas ligações?


- Tenho andado muito ocupada. Desculpa

, disse despreocupada

Natasha que, até então, estava virada para o caderno totalmente concentrada, se interessou.

Afinal, Anne não estava afastada apenas dela. Se afastou de Liah também.

Sentiu um ponto de alívio ao saber disso.

Curiosa com a conversa, olha para trás, a ponto de ouvir a resposta de Liah, que falava baixo para as outras pessoas não ouvirem, mas nem se preocupou com o fato de Natasha estar lhe encarando e bem perto a ponto de estar ouvindo suas palavras.

- Ah, pensei que você andava muito ocupada andando com essa aí. Sabia que todo mundo está comentando que vocês estão juntas?

E ouvi dizer que alguém ouviu você dizendo que está apaixonada por ela.

Anne ficou parada, parecia chocada com os comentários da amiga, mas Natasha pôde perceber uma tranqüilidade em seu olhar ao ouvir aquelas coisas, como se não lhe incomodassem tanto, ou como se não fossem novidade. Natasha não entendia, essa reação não lhe parecia comum, Anne sempre foi muito \"pavio curto\", para se calar assim.

- ... Mas eu te conheço, portanto sei que é tudo mentira. Mas as outras pessoas não te conhecem, Anne, por isso acho melhor você se afastar dela por um tempo, para não ficar mal falada.

E, realmente, como Natasha havia imaginado, Anne começou a se revoltar com as palavras de Liah, na parte em que é aconselhada a se afastar de Natasha. Anne a encarou com desprezo, seus olhos já evidenciavam a mudança no seu estado de espírito.

Rezou para que a outra tivesse terminado de falar, pois sabia que não aguentaria ouvir mais nada naquele momento.

Mas a outra, displiscentemente, continuou falando.

- Você já imaginou o que Caleb vai pensar? Se bem que os homens gostam dessas coisas... Acham isso inspirador, sexy...

Anne respirou fundo, abaixou os olhos, como se quisesse se controlar.

Natasha se preocupou. Nunca tinha visto a amiga tão irritada.

Liah observou o silêncio de Anne, e o rosto pálido de Natasha que a encarava perplexa.

Resolveu se calar, e voltar para a sua carteira.

Quando já estava passando por Natasha, porém, uma mão lhe puxou.

Anne começou a falar exaltadamente, e os poucos presentes à sua volta, puderam escutar:

- Sabe de uma coisa, Liah! Eu não me importo com o que estão pensando. Eu sei da minha vida, e acho que os relacionamentos devem ser construídos por amor e não por uma imposição. Além do mais, a vida é minha, eu sei quem devo amar ou não. E ninguém tem nada a ver com isso!

Natasha nunca tinha sido defendida, e ao mesmo tempo, nunca tinha observado um enfrentamento de uma forma tão corajosa.

Ela já estava tão acostumada com os comentários maldosos, que nem se incomodava mais.

Mas sua amiga não, estava muito irritada pelo que acabava de escutar.


Ela sempre odiou preconceito, e Natasha imaginou que fosse ter uma reação daquela.

No entanto, Anne parecia estar dizendo algo além do esperado.

- Vocês passam tanto tempo falando da vida dos outros, enquanto que é vocês que estão precisando de um amor de verdade, para amolecer esses corações de pedra. Eu já tenho muita coisa para pensar, já estou confusa o suficiente! Não preciso de ninguém me dizendo o que fazer! Me deixem em paz.

Em suas palavras, Anne deu a entender que estava apaixonada por Natasha, ou pelo menos muito confusa.

Isso deixou a loira perplexa, calada, pensativa, surpresa, e confusa.

No fundo sabia disso desde o início, mas tinha se acostumado tanto com a idéia de amar a amiga platonicamente,

que esqueceu de suas desconfianças totalmente.

Anne também se calou, constrangida, ao observar o rosto de espanto da sua amiga de infância, que saíu imediatamente do local.

Sentiu-se envergonhada, por ter falado demais.

\"Agora ela já sabe que eu a amo. O que será que ela vai pensar? \",

pensou ruborizada, e levemente arrependida.

***********

Habitualmente as duas iam sempre juntas para casa, já que coincidentemente elas moram na mesma rua.

Diante do afastamento de Anne, elas permaneciam todo o caminho em silêncio.

Às vezes Natasha tentava melhorar o clima, mas desistia ao perceber que a amiga não queria papo.

Nesse dia, no entanto, elas literalmente fugiram uma da outra, saindo sozinhas, e fazendo caminhos diferentes do normal,

para não correr o risco de encontrar ninguém conhecido.

\"Graças a Deus hoje é sexta...\"

, pensou Anne, imaginando que não seriam obrigadas a encarar toda a escola, que provavelmente a essa altura já sabem de tudo, inclusive Natasha.