Um Amor Em Alto Mar
1 Capítulo 1 - Á caminho da América
Naquele dia a cidade havia parado para ver a saída do grande navio em que muitos iriam embarcar.
–Não sei o porquê de tanta euforia! – eu disse a Alice – Não parece maior do que o Mauritânia!
–Você pode ser glacê sobre qualquer coisa, Harry, mas não sobre o Titanic! – ela me disse – Tem mais 32 metros que o Mauritânia. É bem mais. –ela disse. – Seu filho é bem difícil de ser impressionado! — –ela disse a minha mãe que acabara de sair do carro.
–Então esse é o navio que não naufraga?! – minha mãe disse.
–Ele não afunda, nem Deus conseguiria afundar esse navio! – ela disse me pareceu um pouco demais, mas esse é o jeito da bela Alice.
E nós nos colocamos a entrar naquele enorme navio. Muitas boas vindas a primeira classe.
Era o navio dos sonhos, para todos os outros, para mim, era um navio de escravos, me levando acorrentado de volta a América. Por fora, eu era o garoto que todo garoto bem educado deveria ser, por dentro, eu estava gritando.
Violet POV:
Estávamos todos á mesa, concentrados. Ninguém gostaria de perder a partida, ainda mais num momento como aquele.
Aqueles dois imundos se comunicavam em outra língua, para que nem eu, e nem a Jéssica pudéssemos entender.
–Violet, sua idiota! Aposte tudo oque tem! – ela me disse.
–Quando não se tem nada, não se perde nada! – eu disse enquanto soltava a fumaça de meu cigarro.
Peguei mais uma carta no baralho, olhava para o rosto dos outros participantes, rostos tensos, talvez essa fosse a minha hora.
–É hora da verdade! – eu disse. – A vida de alguém esta para mudar. Jéssica? – disse para ela mostrar as cartas.
Ela colocou as cartas na mesa. Nada.
–Olaph? – disse a outro participante.
Ele colocou as cartas sobre a mesa, nada.
–Sven? – outro participante.
Ele colocou as cartas sobre a mesa.
–Hm, dois pares! – eu disse com cara de decepcionada. – Eu sinto muito Jéssica!
–Que sente! HORA, VÁ SE DANAR! VOCÊ GASTOU TODO NOSSO DINHEIRO! – ela me disse.
–Lamento que não vá ver o traste daquele seu namorado por muito tempo! PORQUE VAMOS PARA A AMERICA! – eu disse colocando minhas cartas sobre a mesa e comemorando.
Eu e a Jéssica fazíamos a festa e os outros participantes ficavam com cara de frustrados enquanto eu e ela pulávamos de alegria.
–MEU DEUS! – Ela gritou. – Graças!
Íamos para a América!
Enquanto os dois caras se machucavam eu e ela ainda comemorávamos.
–Pessoal, nós vamos para a América! – ela gritou.
–Não amiga! – um dos caras do local disse. – O Titanic é que vai para a América, dentro de 5 minutos! – ele disse apontando para o relógio.
–Nossa Jéssica! – eu disse, e pegamos nossas coisas e saímos correndo desesperadas para conseguir pegar o Navio antes que ele partisse.
Esbarramos em muita gente na rua, mas não tínhamos outra escolha, e aliás, nós íamos para a América!
–Nós somos duas ricaças! – eu gritava enquanto corríamos.
–Como eu disse, eu vou para a América ser uma milionária! – ela disse quando trombamos com um cavalo no meio da rua e quase caímos. Aqueles vestidos e sapatos de salto, ás vezes não nos ajudavam, nenhum pouco.
–Vamos! Achei que fosse mais veloz! – eu disse.
Eu esbarrei em um policial, mas nem me importei em pedir desculpas, pois, as portas já estavam quase se fechando.
–ESPERA! NÓS ESTAMOS COM AS PASSAGENS! – eu gritava esperando que me deixassem entrar, Jéssica estava bem atrás de mim. – Somos passageiros! – eu disse parando na frente da entrada.
Entreguei as passagens.
–Passaram pela fila de inspeção? – ele perguntou.
–Mas é claro! – disse como se fosse impossível de burlar as regras. – E além disso, nós não temos piolhos! Somos americanas! As duas!
–Esta bem, podem entrar. – ele disse e nem esperamos para ouvir se havia algo mais, fomos correndo direto para o luxuoso e enorme navio. Fomos direto ao deque, acenar as pessoas que ficavam olhando e esperando o navio partir.
–Somos as filhas da mãe de mais sorte do mundo! Sabia disso?– eu dizia.
Quando chegamos, nos penduramos num dos lados e começamos a acenar aquelas pessoas e dizer “adeus!”
–Conhece alguém? – ela me perguntou.
–Claro que não! – eu respondi. – Mas não interessa! – eu continuei o fazendo.
E o navio começou finalmente a andar.
Depois fomos procurar os nossos quartos da terceira classe, quarto 60. Esbarrei em algumas pessoas, já que sou desastrada, mas estava feliz demais para me importar.
–Ah, é aqui! – eu disse quando encontrei o quarto.
Abri a porta e me coloquei a cumprimentar dois rapazes que iam dividir o quarto conosco.
–Oi, como vai? Sou a Violet! Prazer em conhecê-los. – dizia enquanto colocava meus dois sacos com minhas poucas roupas em uma dos beliches. O de baixo, já que a Jéssica já havia subido com sua sacola.
–Quem disse que fica com o beliche de cima? – disse lhe fazendo cocegas.
–Where’s Sven? – um dos caras disse.
Harry POV:
–Esse é o seu convés de passeio particular, quer mais alguma coisa? – um dos mordomos do navio perguntou, enquanto mostrava a ultima coisa que me interessava naquele navio.
Mas mandei-o sair.
Depois fui ver minha bela Alice arrumando o quarto onde ficaria. Ela estava escolhendo pinturas e decorando como se fosse passar a vida inteira naquele navio.
–Oque é isso? Não me venha com essas pinturas a dedo de novo! É um desperdício de dinheiro.
Ela estava toda vislumbrada com seus novos quadros.
–A diferença entre o seu gosto em arte e o meu é que eu tenho gosto! – ela disse enquanto admirava uma das pinturas. – São fascinantes! É como estar num sonho! Há verdade, mas não há lógica!
–Qual é o nome do artista? – uma das camareiras ou empregadas disse.
–Ah, alguma coisa Picasso! – ela respondeu.
–Alguma coisa Picasso? Não vai ter sucesso! Não vai, acredite. – eu presumi.
Fiquei sabendo pela boca de uma das camareiras que Margaret Brown havia embarcado. O marido dela tinha encontrado ouro do oeste, e ela era oque minha mãe chamava de “nova rica”.
Violet POV:
Na tarde seguinte, estávamos navegando ao oeste da costa da Irlanda. Nada havia adiante de nós, a não ser o oceano. Fui com a Jéssica até o deque panorâmico, e nos penduramos no ultimo ponto do navio para vê-lo se movimentar, para ver a água e toda a beleza que o mar trazia consigo.
Depois de alguns segundos olhando o mar, avistamos golfinhos nadando, muitos golfinhos. Era a coisa mais linda de se ver. Eles pulavam alegres, e em grupos. Era magnifico ver isso. Havia muitos golfinhos, e brincavam como se apostassem corrida com o navio. Ter o vento batendo em minha cara e meus cabelos esvoaçando, era como um sonho, que me levaria á uma nova vida.
Eu subi na grade que havia para que não caísse e gritei, como se fosse a pessoa mais livre do mundo.
–Eu posso até ver a estatua da liberdade! – disse a Jéssica. – muito pequena, é claro! – e nós rimos.
–EU SOU A DONA DO MUNDO! – eu gritei enquanto esticava meus braços, a sensação era incrível. E depois fiquei sentindo o vento na minha cara.
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