Um Amor De Natal

3 Percabeth - Como Annabeth investigou o Natal


Notas iniciais
Oi, gente. Feliz natal! Lembrando que já estamos na metade desta short fic. Neste capítulo, temos a participação especial de uma personagem que vai aparecer novamente mais para frente, tendo um capítulo especialmente para o seu ship. Espero que vocês gostem e boa leitura!

— Hm, o que você acha que a sua mãe irá gostar de ganhar? — Annabeth Chase perguntou ao namorado.

Eles já haviam comprado a maioria dos presentes de Natal, mas ainda faltavam alguns. E Percy não era a melhor pessoa para dar opiniões, então a maior parte do trabalho estava ficando para Annabeth. Só que os presentes eram para a família dele também, ele tinha que ajudar!

— Querido? — ela o chamou. Percy estava digitando atentamente no seu celular e parecia não estar prestando atenção nenhuma na namorada. — Percy?

Nada.

— Perseu Jackson! — ela exclamou.

— Hã?! — Percy olhou para ela, confuso. — Desculpa, o que você disse?

Ela revirou os olhos.

— Será que dá para você largar essa droga de celular um pouco e prestar atenção em mim?

— Desculpe — ele guardou o celular, um pouco relutante, no bolso.

— Com quem você estava falando?

— Ah… Com um cara do meu trabalho. Ele estava em dúvida sobre algo e eu estava explicando. Só isso.

Mentiroso. Percy estava definitivamente escondendo algo.

Eles moravam juntos há 2 anos, desde que se graduaram na faculdade, mas já namoravam há 4. Annabeth o conhecia muito bem, ela sempre sabia quando ele estava mentindo.

Nos últimos dias, ele estava sempre chegando tarde em casa e inventava desculpas esfarrapadas para isso. Vivia colado no celular e nunca deixava que ela visse com quem ele estava conversando. Parecia sempre nervoso como se escondesse um grande segredo. E, pelo jeito, estava mesmo. Annabeth só não sabia ainda o que era, mas iria descobrir.

— Vamos sexta à noite comprar os presentes que faltam. Acho bom você não se atrasar, hein?

— Fique tranquila, Annie, eu irei chegar na hora certa! — ele garantiu.

***

Percy estava atrasado. 35 minutos!

Annabeth sabia que as chances dele não cumprir isso eram grandes, pois ele sempre se atrasava, não importava o compromisso que fosse. Mas, mesmo assim, resolveu dar um voto de confiança a ele. Afinal, Percy poderia ter ficado preso no trabalho, pegado trânsito, ou encontrado algum conhecido no caminho e perdeu a hora…

Ela pegou o celular e ligou para Percy, mas caiu direto na caixa postal.

Pelos deuses! Ele poderia, pelo menos, ter ligado e dito que iria se atrasar! Por que raios ele tem um celular se não usa quando precisa? Ele simplesmente deixou Annabeth ali plantada, esperando por ele na frente do shopping com aquele frio.

Então ela resolveu ligar para Grover, o melhor amigo de Percy. Na realidade, foi ele quem apresentou os dois na época em que eram calouros na faculdade. Se eles estavam juntos hoje, com certeza era graças a ele.

Grover atendeu no segundo toque e, depois de tentar vender uma árvore de natal a Annabeth, ela teve a resposta que tanto queria sobre Percy.

Ela pensou em entrar e comprar os presentes que faltavam, mas mudou de ideia. Percy odiava fazer compras, então ela não queria que ele se safasse disso assim tão facilmente. Ainda faltavam alguns dias para o Natal, eles poderiam voltar outra hora. Sim, esse seria o castigo dele por ser atrasar.

Annabeth esperou mais uns 10 minutos, mas nenhum sinal dele. Como ela estava sentindo muito frio e ficando com fome, resolveu ir para casa.

Ao chegar ao apartamento, tomou um banho quentinho e foi preparar algo para comer na cozinha. Quando estava quase terminando o seu sanduíche, escutou a porta da frente sendo aberta.

— Annie? — Percy a chamou.

— Cozinha! — ela respondeu.

— Oi, amor. — Ele passou os braços em volta da sua cintura e deu um beijo na bochecha dela. — Hm, parece delicioso.

Annabeth se soltou dele devagar, com a desculpa que precisava pegar algo no armário. Estava tentando manter sua expressão neutra para não denunciar como queria estrangulá-lo.

— Onde você estava? — perguntou casualmente.

— Eu? Ah… Eu fui ver o Grover. — Ele coçou a nuca. — Acabei perdendo a hora. Passei na frente do shopping depois e você não estava mais lá.

“É claro que eu não estaria”, pensou Annabeth. “Eu te esperei por 45 minutos e foi muito”.

Percy estava mentindo novamente. Grover estava trabalhando quando ela o ligou mais cedo e ele deixou escapar que não falava com o amigo há dois dias.

— Ah, entendo. — Annabeth trincou os dentes. — Mas você deveria, pelo menos, ter me avisado que iria se atrasar.

— Desculpe, minha bateria deve ter acabado e eu não percebi.

Hm.

— Então você comprou o que faltava sem mim? — Havia uma pontinha de esperança em sua voz.

Annabeth reprimiu um sorrisinho diabólico.

— Claro que não. Afinal, são os seus parentes. Você precisa estar junto para escolher os melhores presentes. Não é? — Ela olhou para ele em desafio.

Percy engoliu em seco.

— Claro, você está certa. Vamos marcar outro dia, eu não vou me atrasar de novo. Eu prometo!

— Assim espero.

— Você poderia aproveitar e fazer um sanduíche para mim também, por favor? — Percy pediu, seus olhos verdes enormes o encaravam como um cachorrinho fofo pedindo por comida.

— Claro... — ela queria recusar, mas não conseguia dizer não quando ele pedia assim.

— Valeu, Annie! Já disse que você é a melhor namorada do mundo inteirinho? — ele mandou um beijo para ela no ar e se dirigiu à saída da cozinha. — Vou tomar uma ducha, já volto.

— Ok. — Ela forçou um sorriso. Esperou até ouvir a porta do banheiro se fechar e soltou um suspiro longo. — Vou descobrir o que você está escondendo, Cabeça de Alga.

Annabeth bateu com a faca com tanta força na tábua de madeira, que ela ficou enfiada lá.

***

Annabeth chegou em casa se sentindo exausta. Achou que, depois de formada, estaria trabalhando no emprego dos seus sonhos, mas a realidade era outra: ela era apenas uma secretária de uma empresa de Arquitetura. Com um chefe chato e arrogante que achava que as maiores qualidades de Annabeth eram ser pontual e fazer um bom café na máquina. Bem, pelo menos estava trabalhando na área que gostava, e ela tinha esperança que pudesse ser contratada efetivamente depois que o seu período de experiência terminasse.

O apartamento estava todo escuro, o que era estranho. Os dois saíam do trabalho praticamente no mesmo horário, mas a empresa de Arquitetura ficava do outro lado da cidade e Annabeth precisava pegar um metrô e andar mais um pouco até chegar em casa. Percy sempre chegava antes do que ela, pois o Aquário onde ele trabalhava era bem mais perto, e ele podia ir até a pé, se quisesse.

Ela largou sua bolsa no sofá e sentiu seu estômago roncar. A empresa sempre ficava uma loucura no final do ano. Annie acabou ficando tão atarefada o dia inteiro que mal teve tempo para parar e comer tranquilamente. Se continuasse nesse ritmo, iria perder alguns quilos até o final do ano.

Ela estava indo em direção à cozinha, quando algo chamou a sua atenção e parou na metade do caminho. A porta do quarto deles estava entreaberta, uma luz fraca vinha de lá. Imaginou que Percy deveria ter esquecido o abajur ligado, de novo, ao sair pela manhã. Annabeth estava prestes a colocar a mão na maçaneta quando ouviu a voz de Percy lá dentro:

—...Sim, está tudo dando certo.

Ela espiou pela fresta da porta e viu que ele estava falando ao telefone com alguém, de costas para ela, em frente à janela do quarto.

Ah, a garota? Ela é muito paciente e atenciosa comigo. Não sei o que seria de mim sem ela.

Garota? De quem ele estava falando? Com certeza não era de Annabeth.

Quando?! Desculpe, não posso. Combinei de me encontrar com ela na frente da Ogígia’s amanhã, depois do trabalho. — Percy fez uma pausa, ouvindo algo do outro lado da linha. — Ok, a gente se fala depois então. Tchau, mano.

Percy desligou e se virou, sorrindo. Ela se afastou rapidamente, antes que fosse pega espionando e foi para a cozinha.

Annabeth não podia acreditar no que acabara de ouvir. Percy iria se encontrar com outra garota? Ele estava a traindo? E, pior, Tyson sabia de tudo e ainda estava apoiando o irmão nisso? Sua vontade era entrar naquele quarto de supetão, revelando que sabia de tudo, mas se controlou. Se Percy estava mesmo sendo infiel, ela queria ver isso com os seus próprios olhos. Iria o seguir amanhã e descobrir como essa tal garota era.

E aí depois ela poderia matá-lo.

***

Annabeth estava se sentindo como uma espiã: estava usando o seu boné dos Yankees, óculos escuros, um casaco preto e um livro na mão enquanto andava de um lado para outro dentro da livraria, aguardando Percy aparecer. Do local onde ela estava, conseguia ter uma boa vista da fachada da Ogígia’s, que ficava do outro lado da rua. Ela sabia que estava em um lugar seguro, pois Percy nunca nem sequer olhava para dentro de uma livraria. Checou novamente o horário no celular. Segundos os seus cálculos, ele chegaria a qualquer momento.

Ela teve receio de não conseguir chegar antes dele. Teve que contar uma desculpa bem elaborada para que o seu chefe a deixasse sair mais cedo, fora o trânsito que pegou durante o caminho de volta. Felizmente, as coisas pareciam estar conspirando a seu favor naquele dia. Talvez os céus também quisessem que ela resolvesse esse mistério envolvendo o seu namorado.

Percy finalmente apareceu no seu campo de visão. Ele estava do outro lado da rua, indo em direção à Ogígia’s com dois cafés em mãos. Ele parou em frente à loja e espiou pela janela de vidro, fazendo sinal com a cabeça para alguém lá dentro. Se afastou do vidro, olhou em volta, como se pudesse ver alguém conhecido. Então uma garota saiu de dentro da loja e foi até ao seu encontro na calçada: ela tinha o cabelo cor de caramelo, longo e usava uma trança sobre um dos ombros, vestia uma blusa branca, blazer azul-marinho por cima e uma saia da mesma cor até a altura dos joelhos, um lenço vermelho amarrado no pescoço e salto-alto fino preto. Parecia que ela tinha saído de dentro de um comercial com aeromoças chiques e elegantes. Mesmo de longe, Annabeth sabia que a garota era bonita.

Percy entregou um dos cafés para ela, que sorriu em agradecimento. Os dois trocaram algumas palavras, que Annabeth não conseguiu entender, se despediram com um abraço rápido e meio desajeitado. Percy acenou e foi embora pela mesma direção que tinha vindo. A garota acenou de volta e tomou um gole do seu café antes de voltar para dentro da loja.

Annabeth esperou alguns minutos e então saiu da livraria. Mesmo que tudo levasse a crer que Percy estava mesmo a traindo, ela ainda não estava 100% certa disso. Ela o conhecia há anos, sabia como ele era uma pessoa boa, sempre gentil e muito leal. Fazer algo assim não era do feitio dele. Por isso que ela queria tirar essa história a limpo. E seria agora.

Ela tirou o boné e os óculos escuros, enfiando-os de qualquer jeito dentro da bolsa, e ajeitou o cabelo e a roupa no reflexo de uma vitrine para se certificar que estava apresentável. Ela entrou na Ogígia’s, e só então percebeu que se tratava de uma joalheria. Havia duas funcionárias do outro lado do balcão, conversando entre si. Annabeth pousou os seus olhos nas peças que estavam expostas dentro do balcão de vidro.

— Oi. Posso te ajudar? — perguntou uma das garotas, se aproximando dela.

Annabeth olhou para cima, dando de cara com a garota que estava com Percy minutos antes. Ela tinha a pele clara como leite, os lábios carnudos envoltos em um batom nude e os olhos bem delineados. A garota era ainda mais bonita de perto, principalmente quando sorria.

De repente, toda a coragem que Annabeth estava sentindo, até poucos segundos atrás, havia sumido. No lugar, ela sentia medo e insegurança. Como ela podia competir com aquela garota? Ela não tinha nem chance!

— Moça? Está tudo bem? — a garota perguntou, olhando atentamente para ela como se estivesse preocupada.

“Certo, Annabeth, você pode fazer isso!”, ela pensou. “Apenas aja naturalmente”.

— Hm, sim… Eu só me distraí olhando para as peças. São tão lindas! — ela não estava exagerando, realmente eram. Porém Annabeth precisaria de vários meses de salário para conseguir comprar qualquer coisa daquela loja.

— Sim, realmente são lindas. Você está procurando algo em particular? Brincos, colares…?

Annabeth olhou em volta, tentando achar algo que pudesse usar como desculpa, mas o seu olhar acabou recaindo na pulseira dourada com flores entalhadas que a garota usava no pulso.

— Nossa, que bonita... Você ainda tem alguma assim no mostruário?

— Ah… — a garota olhou para a pulseira com orgulho. Foi então que Annabeth percebeu que havia um pequeno crachá metalizado no seu uniforme que estava escrito “Calipso”. — Não é um modelo da loja, eu ganhei do meu namorado.

— Hm, seu namorado?

Será que… Ela estava falando de Percy?

— Sim! Não é linda?

Annabeth assentiu.

— Oh, aquele cara que estava com você um pouco mais cedo? — perguntou. Calipso franziu o cenho, parecendo confusa. — Quero dizer, eu dei uma passada na livraria antes de vir aqui e, quando estava entrando, vi você conversando com um rapaz de cabelo preto e olhos claros aqui na frente da loja.

— Ah… Ele. — Calipso riu.

Annabeth estava começando a se sentir nervosa com toda essa situação, sem saber direito como pensar. Afinal, por que Calipso estava rindo?

— Você parece muito curiosa sobre o assunto... — a outra funcionária se aproximou do balcão também. Ela tinha o cabelo preto amarrado em um coque elegante e feições orientais, era muito bonita também. Seu crachá dizia que seu nome era “Drew”.

Por que essa garota estava se metendo? A conversa dela era com Calipso!

— Hm, eu só achei que os dois formavam um belo casal. — Annabeth desconversou, torcendo mentalmente para que elas não descobrissem as suas reais intenções sobre o assunto.

— Céus, não! Nós não somos um casal! — Calipso balançou as mãos em frente ao corpo, como se aquela ideia fosse um absurdo. — Ele é bonito, claro, mas…

Muito bonito. Praticamente um deus grego. — Drew corrigiu.

Annabeth olhou torto para Drew, mas a garota não percebeu.

—...Mas ele é muito bem comprometido. — Calipso prosseguiu. — E eu também sou.

— Ugh, nem me fale! Todos os melhores caras são comprometidos, porque alguma vadia sortuda já conseguiu fisgá-los antes. — Drew bufou.

— Cruzes, Drew, você fala como se os homens fossem algum tipo de mercadoria! — Calipso revirou os olhos.

— E eles não são exatamente isso? — Drew sorriu.

Annabeth definitivamente não gostava do jeito que essa tal de Drew falava sobre o assunto. Parecia que estava louca para encontrar um cara bonito e com dinheiro para bancá-la.

Calipso olhou para a colega, mas não disse nada. Virou-se para Annabeth e continuou:

— Enfim, ele era só um cliente da loja. Veio aqui atrás de um anel para a namorada.

— Mas era tão, tão indeciso que nos fez mostrar praticamente a loja toda e não conseguiu se decidir em nada! — Drew disse.

Um anel?

— Ah, sério? — Annabeth disse casualmente.

— Sim. E incomodou Calipso por mensagens durante dias, pedindo que ela avisasse sempre que aparecesse um modelo novo que ele poderia gostar. — Drew revirou os olhos. — O que ele tem de gato, tem de impertinente.

— Não foi um incômodo — Calipso deixou claro —, faz parte do meu trabalho ajudar os clientes com as suas dúvidas.

— Ainda bem que eu estava no meu horário de almoço no primeiro dia que o cara apareceu aqui. Caso contrário, eu teria me estressado com toda essa indecisão dele. — Drew olhou para as próprias unhas muito bem feitas.

— Bem, mas ele finalmente escolheu um anel e tudo terminou bem. — Calipso lembrou a colega. — E é isso que importa.

— Ah, ele veio buscar hoje então? — Annabeth perguntou. Ela sabia que Percy nem havia entrado na loja e Calipso também não entregou nada a ele, mas não queria levantar suspeitas que estava espionando eles de propósito o tempo todo.

— Não, ainda está na loja para fazer o ajuste de tamanho e a gravação. Ele veio aqui hoje apenas para pedir desculpas por ter demorado tanto para escolher o anel e me deu um café em agradecimento, disse que eu fui muito gentil e paciente com ele.

— Ah, entendo… Ele parece ser um cara muito legal. — Annabeth comentou.

Calipso sorriu.

— Sim, ele parece mesmo. Os caras que costumam vir aqui sempre trazem as namoradas junto, deixam as garotas escolherem o presente que quiserem e nem sequer opinam. Mas ele estava fazendo tudo sozinho, queria surpreendê-la.

— Falando nisso, qual era mesmo o nome da garota? — Drew perguntou. — Ele falou várias vezes, mas não consigo lembrar agora. Hm... Annelise? Annabell?

Annabeth. — Calipso corrigiu.

— Isso! Annabeth! Sabia que era um nome estranho. — Drew fez uma careta.

Annabeth estava pronta para xingar Drew, alegando que o seu nome não era estranho. Pelo contrário, ela sempre gostou muito dele exatamente por não ser comum.

Mas então Calipso continuou:

— Ele disse que vai propor no Natal. — Ela suspirou, com um ar sonhador no rosto. — Não é romântico?

Propor? No Natal?

Annabeth assentiu, atônita. Ela estava chocada demais com a notícia para conseguir dizer frases complexas no momento.

Ela sentiu vontade de chorar de tão emocionada que estava, mas teve que se controlar para não descobrirem nada. Agradeceu mentalmente por não ter dito o seu nome para as garotas. Caso contrário, elas iriam descobrir na mesma hora que ela era a namorada de Percy e não teriam contado tudo a ela.

— Desculpe, ficamos falando sobre um cliente e perdemos a noção do tempo. O que você queria olhar mesmo? — Calipso perguntou.

— Ahn, acho melhor eu ir. Lembrei que preciso passar em um lugar antes de ir para casa. Eu… Eu passo aqui outra hora. Tchau! — ela acenou e saiu apressada da loja sem nem esperar uma resposta das garotas.

Annabeth mal podia conter o sorriso que estava no seu rosto. Percy não estava a traindo! Pelo contrário. Ele havia ido naquela joalheria para comprar um anel a ela. E Calipso era apenas a funcionária que o atendeu. Todo esse tempo que ele pareceu estranho, as mensagens de texto escondidas, a conversa com Tyson no telefone, as mentiras… Tudo fazia sentido agora.

Ele iria propor Annabeth em casamento no Natal. Depois de 4 anos de namoro, eles finalmente eles iriam oficializar a relação deles!

***

Foi difícil para Annabeth fingir que não sabia de nada.

Ela queria pular em Percy e o encher de beijos de tão feliz que estava, mas sabia como ele estava se empenhando para fazer uma surpresa e não queria estragar tudo. Ela precisava ensaiar a sua melhor cara de surpresa para o momento do pedido oficial para que Percy não desconfiasse que ela já sabia.

Annabeth pensou em dispensar Percy da tarefa de comprar os presentes que faltavam, porque ela estava se sentindo mal em ter desconfiado dele. Mas ele mesmo se prontificou em ir e até conseguiu chegar na hora marcada. Agora que as coisas na joalheria estavam praticamente finalizadas, ele parecia ser o mesmo Percy de sempre — um pouco lerdo, claro, mas não aquele que ficava mentindo e escondendo as coisas dela.

Na véspera de Natal, eles viajaram para Manhattan. Se dependesse dos dois, eles teriam ido antes porque não teria tanto movimento na estrada, mas devido ao trabalho deles, não conseguiram. Foram de carro, porque não era muito longe, apenas 1 hora e meia de estrada. Sem falar que Percy detestava aviões, ele nunca nem havia andado em um, pois tinha medo do troço despencar lá de cima. Annabeth entendia o seu lado, afinal, foi assim que seus avós maternos morreram.

Este ano, eles passariam o Natal com os Jacksons; o Ano Novo, com os Chase. Para ser sincera, Annabeth preferia os feriados que passava com a família de Percy. Ela se dava muito bem com Sally, a mãe de Percy, que sempre foi muito gentil com ela, além de cozinhar maravilhosamente bem. Paul, o novo marido de Sally, era muito legal também, apesar de ser um pouco certinho demais. Havia Tyson, que sempre passava as datas festivas com eles e que, mesmo não sendo um Jackson legítimo, via Sally como uma segunda mãe. E Ella, a esposa de Tyson, que tinha uma memória incrível e que Annabeth adorava conversar sobre livros.

Já Poseidon, o pai de Percy, vivia no mar. Ele era capitão de um cruzeiro, então dificilmente estava em Nova York nos feriados importantes, mas sempre ligava e mandava presentes via correios. Este ano, ele estava passando pela Ásia.

O pai de Annabeth, Frederick, gostava muito de Percy, mas Atena, sua mãe, não era a maior fã dele; ela sempre disse que a filha merecia um rapaz melhor. O clima sempre acabava ficando estranho nos encontros entre eles, pois sua mãe não perdia a oportunidade de implicar com Percy de algum jeito. Annabeth ficou pensando como a mãe reagiria ao descobrir sobre o casamento, provavelmente não ficaria muito feliz. Mas quer saber? Ela não ligava! Não moldaria a sua vida segundo os gostos da mãe. A única coisa que importava era a sua felicidade.

Eles chegaram à casa de Sally de madrugada — porque acabaram pegando muito mais trânsito do que imaginavam — e só caíram na cama de tão cansados que estavam. Na manhã de Natal, Sally já estava preparando tudo para a ceia de mais tarde. Annabeth se ofereceu para ajudá-la com o que faltava, mas ela disse que não precisava, pois já tinha adiantado muita coisa no dia anterior e que só a ajuda de Ella na cozinha já era o suficiente. Mas pediu que ela fosse ao mercado comprar algumas coisas que haviam faltado.

Quando ela saiu da casa, avistou Tyson e Percy no jardim. Eles tinham ficado encarregados de tirar a neve, mas estavam fazendo guerra de bola de neve em vez disso.

— Vocês deveriam estar limpando, não fazendo mais bagunça. — ela disse a eles.

— Ah! Qual é, cunhadinha. Não seja tão ranzinza. Afinal, é Natal. — Tyson riu e jogou uma bola de neve na direção dela, mas ela desviou facilmente.

— Eu não sou ranzinza, vocês que são infantis demais. A propósito, sua mira é péssima, Ty.

— Aonde você vai, Annie? — Percy perguntou.

— Ao mercado. Sua mãe pediu para eu comprar algumas coisas que faltaram.

— Ah... — ele assentiu. — É muita coisa? Quer que eu vá junto?

— Você está se oferecendo? Está com febre por acaso? — Annabeth estranhou. Percy odiava fazer compras, ela apenas se incomodava quando inventava de levá-lo junto, porque ele não tinha paciência.

— Sim, é a febre da preguiça. Ele está querendo se livrar da tarefa de limpar a entrada. — Tyson passou a mão toda suja de neve na cabeça de Percy. — Você é bem espertinho quando quer, hein?

Percy passou a mão no cabelo, tirando a neve.

— Eu?! Claro que não! — Percy se fez de inocente. — Eu só não quero que a Annie fique cansada trazendo tantas compras.

— Aham, sei — Tyson murmurou.

— Você vem ou não? — ela acenou e começou a andar.

— Sim, me espere! Tchau, Grandão! — Percy acenou para o irmão, todo feliz de ter se livrado da tarefa, e saiu correndo para alcançar Annabeth que já estava quase na calçada. — Ei. Quero tudo bem limpinho quando eu voltar!

— Você me paga! — Tyson exclamou e jogou uma bola de neve na direção do irmão, mas ele já estava muito longe.

O mercado estava lotado, parecia que todo mundo havia deixado para fazer as compras da ceia na última hora. Felizmente, a lista que Sally havia dado era pequena e eles conseguiram achar tudo rapidamente. O problema mesmo foi a fila que estava nos caixas. Não demorou muito para que Percy ficasse impaciente, ele batia o pé, espiava a fila ao lado e olhava para o relógio em um ciclo sem fim.

— O tempo não vai passar mais rápido assim. — Annabeth deu uma risadinha, se divertindo com a situação.

— Ahn? — ele demorou um pouco para entender sobre o que ela estava se referindo. — Ah. É que eu não imaginei que iria demorar tanto assim.

— O movimento sempre é grande no final do ano. Aposto que você está pensando que tirar a neve não teria sido assim tão ruim, não é?

Ele deu um sorrisinho forçado, admitindo.

Levou mais uns 10 minutos até finalmente chegar a vez deles. Como era pouca coisa, eles rapidamente pagaram e saíram do mercado. Percy nem parecia mais aquele cara impaciente de poucos minutos atrás. Eles estavam no meio do caminho quando o celular de Annabeth tocou, ela o pegou com certa dificuldade no bolso do casaco. Nem olhou o visor, apenas atendeu.

— Alô?

Annie. — Era a voz de Ella. — Onde vocês estão?

— Oi, Ella. Já estamos voltando. Tinha muita gente no mercado.

Oh, eu deveria ter imaginado isso…

— O que foi? Faltou comprar algo? — Annabeth perguntou, torcendo para que não fosse isso.

Não, não. — Ella a tranquilizou. — É que a sra. Jackson pediu para vocês darem uma passadinha no estúdio. Ela se esqueceu de pegar a filmadora.

Na época em que eles ainda estavam na faculdade, Sally havia alugado um estúdio e fazia esculturas nas horas vagas. Seu trabalho principal era em uma editora de livros, onde ela conheceu Paul, seu segundo marido e padrasto de Percy.

— A gente pode usar o celular, não precisa da filmadora. — Annabeth disse. Ela não queria ir ao estúdio agora, ficava na direção oposta.

Pois é, foi o que eu falei. Mas você sabe como ela é.

— Sei. — Annabeth suspirou e parou de andar. Percy franziu o cenho e olhou para ela sem entender o que estava acontecendo. Ela fez sinal para ele esperar. — Ok, vamos passar lá então.

Muito obrigada, Ann... — Ella se interrompeu, Annabeth ouviu uma voz masculina ao fundo. — Preciso desligar, Tyson está me chamando. Tchau!

— Ok. Até depois. — Annabeth desligou e guardou o celular, se sentindo frustrada.

— Onde temos que passar agora? Por favor, não me diga que é no mercado de novo! — Percy arregalou os olhos.

— Não, no estúdio da sua mãe. Ela esqueceu a filmadora lá.

— Mas fica para o outro lado…

— É, eu sei. Vamos logo.

Annabeth achou estranho tudo isso. Sally não costumava ser uma pessoa esquecida, pelo contrário. E por que ela queria tanto essa filmadora agora? Eles poderiam muito bem usar o celular, como qualquer pessoa normal do século XXI faria. De repente, a cabeça de Annabeth começou a trabalhar. E se tudo isso fosse apenas uma desculpa? Eles chegariam ao estúdio e estaria tudo enfeitado com flores e velas, e então Percy faria o pedido lá... Claro, era isso!

Até então, Annabeth havia imaginado que Percy faria o pedido durante a ceia, na frente da família toda. Mas se fosse apenas os dois seria muito mais romântico. Ela se sentiu empolgada e curiosa ao mesmo tempo. Acelerou o passo para chegarem logo lá.

A porta não tinha chave, apenas um sistema eletrônico com senha.

— Qual é a senha? — Percy perguntou a ela.

— O quê?! Como assim você não sabe?

— Eu não! Eu pensei que a Ella tinha te dito!

Isso fazia parte do plano ou ele estava tão nervoso que esqueceu a maldita senha?

— Tente o seu aniversário. — Annabeth sugeriu.

Percy digitou “1808”. Errado.

— Será que é o seu aniversário? — Percy perguntou.

— Por que seria o meu? Você que é filho dela!

Percy digitou o aniversário dela mesmo assim. Errado, claro.

— Bote o seu ao contrário — ela sugeriu.

— Como assim?

Annabeth estava começando a se sentir frustrada. Ela só queria entrar logo e ver a surpresa!

— Você é muito lerdo mesmo — ela bufou e o empurrou para o lado. Digitou “0818” e a porta destravou.

— Uau! Você é tão inteligente! — Percy bateu palmas, parecendo deslumbrado.

Ela revirou os olhos e empurrou a porta, sentindo o seu coração acelerado.

E então… Nada. O estúdio estava do mesmo jeito que ela se lembrava.

Ela ficou parada na porta, boquiaberta, sem entender o que estava acontecendo. Percy passou pelo seu lado e entrou.

Então a filmadora não era um pretexto para eles irem lá? Sally realmente a queria tanto assim? Annabeth não estava entendendo mais nada!

— Encontrei! — Percy levantou a filmadora no ar como se fosse um troféu. — Vamos, já está quase na hora do almoço.

Annabeth não saiu do lugar.

— Annie? Ei! — ele estalou os dedos na frente do seu rosto, tentando chamar a sua atenção. Ela balançou a cabeça, voltando aos seus sentidos.

— Hm?! Oi — ela murmurou. — Desculpe, o que você tinha dito mesmo?

— Para irmos embora. Por que você está parada aí igual uma das estátuas da minha mãe? — ele riu.

— Então era só isso? Viemos aqui para pegar a filmadora e nada mais? — ela perguntou, ainda com uma pontinha de esperança.

— Hm… Eu acho que sim?! — ele coçou a cabeça, parecendo confuso. — Ella te disse mais alguma coisa?

— Não, não. Vamos então. — Annabeth saiu na frente, se sentindo uma idiota por ter se iludido com essa ideia.

Percy teve que correr para alcançá-la.

— Que cara é essa? Você parece chateada.

Annabeth teve que se controlar para não soltar um palavrão ali no meio da rua.

Não. — Ela mentiu. — Só estou cansada, vamos logo para casa almoçar.

Eles andaram alguns minutos sem falar nada.

— Annie, sabe quando foi que eu realmente percebi que gostava de você? — Percy quebrou o silêncio.

Ela não estava com cabeça para tentar adivinhar isso agora.

— Eu não faço ideia.

— Naquela festa que fomos quando ainda éramos calouros... — ele confessou.

Annabeth se recordava muito bem daquela festa. Foi a primeira que ela foi em uma depois de entrar na faculdade, pois sempre preferia ficar em casa estudando. Grover insistiu tanto, dizendo que seria legal e que ela precisava sair um pouco de casa, que ela decidiu ir já que era final do ano.

— Nós nos sentimos perdidos no começo, pois a maioria dos alunos eram mais velhos e a gente não conhecia quase ninguém. Então você encontrou um garoto que era veterano em Arquitetura e começou a conversar animadamente com ele sobre algum assunto. Você até se esqueceu da minha presença ali. — Percy riu, mas ainda parecia um pouco ressentido com o ocorrido de anos atrás. — Eu saí e sentei em um banco que tinha do outro lado da rua, onde o barulho não era tão alto. Não sei como, mas eu acabei dormindo ali mesmo. E acordei um tempo depois com você me cutucando. Você perguntou onde eu tinha me metido, que ficou me procurando por um tempão, eu me lembro de sentir raiva porque foi você quem tinha me deixado de lado para falar com aquele veterano metido. — Ele bufou.

— Você ficou com ciúmes? — ela não pôde evitar um sorriso ao ouvir isso.

— Por que eu teria ciúmes daquele cara sem graça? Eu era muito mais legal e bonito do que ele!

“Ele com certeza ficou com ciúmes”, pensou Annabeth.

— Prossiga.

— Enfim, você me trouxe um drink e falou “Você disse que gostava de coisas azuis”. Aquilo me tocou, porque eu só tinha mencionado isso uma vez e você ainda lembrava. Eu pensei em te convidar para dançar, mas não sabia se você aceitaria, então tomei um gole do drink para criar coragem, lembro que era uma bebida muito forte, mas mesmo assim não consegui falar porque tinha certeza que você diria “não”.

Percy estava errado. Ela definitivamente teria dito “sim”.

Annabeth riu ao ouvir isso, a preocupação de minutos atrás já havia sumido.

— O que foi? Por que você está rindo? — Percy perguntou confuso.

— Porque você é um Cabeça de Alga mesmo!

Ei! — ele reclamou.

— Percy, eu já gostava de você naquela época, mas você era tão lerdo que nem percebeu isso. Por que você acha que eu te dei aquele drink azul?

— Hm, porque você se sentiu mal em me abandonar? — ele supôs.

— Não, porque eu gostava de você! Além disso, eu conversei com o veterano por menos de 5 minutos. Quando percebi que você não estava mais por perto, eu dei tchau a ele e fui atrás de você. Te procurei por quase uma hora e, quando estava quase desistindo, te vi no outro lado da rua. Então eu fui até lá e… Hm, te acordei.

O que Annabeth não contou foi que demorou algum tempo para finalmente acordá-lo. Pois ela ficou o observando dormir, sentindo seu coração acelerar ainda mais por aquele garoto idiota.

— Como eu imaginar isso? Você até debochou de mim dizendo que eu babava enquanto dormia!

— Você estava babando mesmo. E murmurando coisas sem sentido. — Ela riu, lembrando-se da cena. — Mas eu ainda te achei fofo.

— Fofo? Por que vocês garotas gostam de falar isso? — ele fez uma careta.

— Oh, desculpe, isso fere a sua masculinidade frágil? — ela debochou.

Percy lhe lançou um olhar que deveria ter sido ameaçador, mas que só o deixou ainda mais fofo.

— Enfim, como eu estava dizendo… Eu não te convidei para dançar e me arrependi disso. Eu não sei se, em algum momento, teria tido coragem em me confessar a você.

— Se eu tivesse esperado você tomar uma iniciativa estaria solteira até agora. Ou teria desistido de você e arrumado outro cara.

Annabeth se lembrou do primeiro beijo deles — que só aconteceu por causa dela. Ela não aguentava mais esperar a lerdeza de Percy que, mesmo depois de tanto sinais da parte dela, não tomava a iniciativa. Então ela simplesmente tascou um beijo nele. Até hoje ela não sabia como criou coragem para ser tão atrevida naquele momento.

— Que bom que você é mais corajosa do que eu. Eu tinha medo de ser rejeitado, de você querer ser só minha amiga.

— Você é mesmo muito lerdo. Até o Grover sabia que eu gostava de você naquela época!

— Grover? Ele nunca me disse nada!

— É claro que não, eu o ameacei. Quer dizer… Eu estava só brincando, eu não iria realmente bater nele ou algo do tipo se tivesse te contado, mas você sabe como ele é medroso.

— Muito — Percy riu, concordando.

Eles andaram mais alguns passos sem falar nada.

— Por que você tocou nesse assunto de 5 anos atrás agora? Você se lembrou disso por ser Natal?

Percy negou.

— É que eu me sinto muito grato por você ter dado o primeiro passo naquela época, poderíamos não estar juntos hoje se não fosse por isso. — Ele fez uma pausa. — Mas eu não sou mais aquele garoto medroso que tinha medo de ser rejeitado, eu realmente evolui nessa parte. Então é por isso que agora chegou o momento de eu tomar a iniciativa.

De repente, Percy soltou as sacolas de compras no chão e se ajoelhou na neve, tirando em seguida uma caixinha de veludo azul do bolso.

Algumas pessoas olharam para eles ao passar, sem entender o que estava acontecendo ali.

Mas Annabeth entendeu. E então ela começou a chorar.

— O que foi? Você está se sentindo mal? — Percy fez menção em se levantar.

— Estou bem! — ela garantiu, passando a mão no rosto para limpar as lágrimas, a voz um pouco embargada. — Não se levante!

— Sério? Você não parece bem... — Percy franziu o cenho, como se não tivesse certeza se deveria continuar ou não.

— Sim. Ande logo com isso! — ela exclamou, tentando parecer brava, mas queria mesmo era beijá-lo.

— Hm, ok então… — ele fez uma pausa e então coçou a nuca, desapontado. — Droga, eu esqueci o que tinha ensaiado.

Annabeth não conseguiu se controlar e começou a rir. Riu tanto que a sua barriga chegou a doer. Percy era tão lerdo, tão atrapalhado. É claro que algo assim iria acabar acontecendo!

— Você não está ajudando, sabia? — ele franziu o cenho.

— Desculpe — ela inspirou e expirou o ar devagar, tentando se recompor.

Eles ficaram alguns segundos em silêncio. Então quando Annabeth achou que ele finalmente iria fazer o pedido, ele deixou escapar:

— Oh, acho que não sinto mais as minhas pernas.

Annabeth se segurou para não rir de novo. Ele havia ficado esse tempo todo ajoelhado na neve, é claro que estaria sentindo suas pernas dormentes devido ao frio!

— Então se levante.

— Mas aí não vai ficar tão romântico como deveria...

— Tudo bem, a sua saúde é mais importante. — Annabeth o ajudou a se levantar e então segurou o rosto de Percy entre suas mãos, lhe dando um beijo demorado. Em seguida disse: — Eu aceito.

Ei! — Percy protestou. — Mas eu ainda nem falei o que eu queria! Como você sabe o que é, hein?

“Porque a garota da joalheria me contou”, pensou Annabeth. Mas o que ela realmente disse foi:

— Você se ajoelhou e deve estar com um anel nesta caixinha. O que mais seria, Percy?

— É, pensando por esse lado… Você está certa.

— Eu sempre estou.

— Verdade.

— Então coloque logo esse anel no meu dedo!

— Está bem! Está bem! — ele se atrapalhou um pouco tentando tirar o anel da caixinha. Então endireitou o corpo e limpou a garganta. — Annabeth, Annie, minha Sabidinha… Você quer se casar comigo?

Ela havia sonhado com esse momento várias vezes desde que soube sobre o pedido. Mesmo assim, foi totalmente diferente do que ela havia pensado: foi muito melhor. Uma lágrima caiu dos seus olhos.

— Sim! Sim! — ela tirou a luva rapidamente e ofereceu a mão direita a ele. Percy colocou o anel no seu dedo anelar.

Ela olhou para a mão, maravilhada. Era um anel solitário prata com uma pedrinha azul. Nada extravagante como as outras joias da joalheria. Mas era lindo, do estilo que ela mesma teria escolhido se tivesse ido junto.

— Você gostou? — Percy olhou para ela com expectativa.

— Eu amei, é muito lindo!

— Que bom — ele colocou a mão no peito, parecendo aliviado. — Eu demorei muito para escolhê-lo.

“Eu sei”, Annabeth pensou. “Você deve ter enlouquecido a coitada da Calipso”.

Ela o puxou pelo casaco e o beijou com intensidade, não ligando para as pessoas que passavam e olhavam torto para eles. Mas eles foram interrompidos por um barulho: o estômago de Percy roncando.

Annabeth riu.

— Vamos para casa comer.

Eles pegaram as compras que estavam no chão e continuam o seu caminho. Ela queria segurar a mão de Percy, mas ficava complicado por causa das sacolas, então ela se contentou em andar bem pertinho dele.

— Ah, não! — Percy pareceu lembrar-se de algo. — Minha mãe vai me matar!

— O que foi?

— Eu havia combinado com ela que faria o pedido durante a ceia. Mamãe estava tão animada para isso…

De repente, Annabeth entendeu tudo.

— Oh, foi por isso que ela queria tanto a filmadora? — ela supôs e Percy assentiu. — Tudo bem, a gente não conta para ela o que acabou de acontecer. Então você pode fazer o pedido de novo à noite.

— Você quer que eu proponha de novo? Uma vez já foi complicado!

— Então trate de lembrar-se o que você tinha ensaiado! — rebateu.

— Ok, mas você vai ter que me devolver o anel agora…

— Não… — ela deu um passo para o lado, se afastando de Percy.

— Annie, por favor, eles vão descobrir que eu pedi antes da hora se você não me devolver!

— Eu não tenho culpa se você não cumpre suas promessas e fez o pedido antes! — ela mostrou a língua para ele.

— Eu estava ansioso, ok? Nem sei como consegui esconder isso de você por tanto tempo!

— Nem eu. — Ela deu uma risadinha. — Espera, se você não estava pretendendo pedir agora, então por que estava com o anel no bolso?

— Ah, apenas por garantia. Fiquei com medo de deixar na mala e você acabar encontrando, então ando sempre com ele no bolso desde que busquei na loja.

Fazia sentido. Annabeth sempre acabava mexendo nas coisas de Percy porque ele era muito desorganizado e nunca sabia onde tinha colocado tal coisa. Sempre sobrava para ela ajudar a procurar.

Quando eles dobraram a esquina, entrando na rua onde ficava a casa dos Jacksons, Percy disse:

— Ok, me devolva agora.

— Posso ficar com o anel só mais um pouquinho? A casa é na metade da rua ainda!

— Ele será seu pelo resto da vida! Me devolva logo. — Percy tentou pegar, mas ela foi mais rápida e desviou. — Annie…

— Seu chato! — Ela revirou os olhos, tirou o anel do dedo e ficou olhando para ele. — Vejo você em breve, ok? Sentirei sua falta.

— Eu não acredito que você está falando com um anel — ele bufou.

— Como se você não falasse com seus bonequinhos de super-herói.

— São figuras de ação! — ele corrigiu. — É totalmente diferente.

— Não é, não.

— Ok, ok. Me dê logo.

Pegue. — Annabeth entregou a ele rapidamente antes que mudasse de ideia.

Percy guardou o anel de novo na caixinha e colocou no bolso. Annabeth fez biquinho, chateada por ter se sido separada do seu precioso anel.

— Você é tão fofa quando está emburrada, ugh. — Percy beliscou a bochecha dela.

— Ei! — ela fez cara feia para ele.

Percy riu e deu um beijo nela.

— Vamos, minha futura esposa. — Ele ofereceu o braço a ela, já que não podia dar a mão por causa das compras.

Esposa. Ouvir essa palavra fez o coração de Annabeth se derreter.

Eles eram praticamente casados, afinal, moravam juntos há 2 anos. A rotina deles era igual de qualquer outro casal, a única diferença era que eles nunca tinham oficializado.

Mas, em breve, eles fariam isso. E Annabeth não seria mais a srta. Chase, ela seria a sra. Jackson. Seria a esposa de Percy. E esse era o melhor presente de Natal que Annabeth poderia receber!

— Vamos, meu futuro marido. — Ela deu um sorriso enorme e engatou o seu braço livre ao dele.

Notas finais
E aí, o que acharam? Deixem-me saber nos comentários! Ah, fantasminhas, podem aparecer... Eu juro que não mordo rs. Ok, por hoje é só isso mesmo. Até o próximo õ/ Xoxo, Mari.