Um Amor De Infância
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Tinha chegado à hora de descobrir o quanto ele sabia. Pouco antes do amanhecer, Kagome pulou da cama, lavou o rosto, vestiu-se depressa e foi até o estábulo à procura de Miouga. Encontrou-o consertando um freio em uma bancada de trabalho.
— Bom dia, Miouga — cumprimentou-o, sorrindo.
— Bom dia, Kagome. Dormiu bem? O que a fez acordar tão cedo?
— Dormi muito bem. Tenho o hábito de me levantar ao amanhecer. E você, passou bem à noite? — perguntou ela, lembrando-se da bebedeira de Miouga durante o jantar.
— Pode-se dizer que sim. Mas minha cabeça não pára de latejar.
— Você é o responsável pelo estábulo, Miouga?
— Sim, sou. E meus filhos me ajudam com o serviço.
No dia em que Kagome chegou, Miouga usava a manta dos Taisho, porém, nessa ocasião vestia uma calça de couro e uma camisa marrom.
— Mas você é um Taisho. — Kagome reparou no broche que ele usava no chapéu: um gato parado nas patas traseiras.
— Sim, sou. — Olhou para cima e a estudou por alguns instantes. — Vim para cá com lady Ellen, depois da morte de seu marido.
— Então conhece Inu Yasha desde que era um garoto.
Miouga guardou a adaga e colocou o freio de lado.
— Sente-se aqui, filha. — Miouga indicou um banco.
Kagome obedeceu e esperou que ele também se acomodasse.
— Colum Taisho e eu crescemos juntos. Meu pai era responsável pelo estábulo do pai dele. Quando Colum e Ellen tiveram os meninos… Bem, eles são como meus próprios filhos.
— Imagino.
— E depois de todo o problema, os Davidson nos aceitaram. Desde então, sou o responsável pelo estábulo do clã. E também cuido dos meninos.
Era agora ou nunca. Kagome inclinou-se para frente e o encarou.
— Miouga, quando cheguei aqui, o que o levou a me chamar pelo meu nome completo, Kagome Todd?
Miouga riu.
— Está querendo me dizer que não é Kagome Todd, filha de Rob e Maddy?
Ela quase caiu no banco.
— Conhece meu pai e a minha…
— Sim! Rob e eu costumávamos nos divertir muito juntos antes de ele se casar.
Miouga ficou com o olhar distante e continuou a falar com uma voz suave, como se estivesse contando uma história para uma criança dormir.
— Antes de você nascer, quando os antigos chefes dos clãs Taisho e Grant eram aliados, Rob e eu costumávamos viajar em busca de cavalos para criar. Éramos garotos, mas nos aproveitamos demais à companhia um do outro. Estivemos na Inglaterra, Espanha, França…
— Foi na França que ele conheceu minha mãe!
— Sim, e não havia mulher mais bonita… até agora. — Ele a fitou com aprovação paternal.
— Ah, Miouga, é muita gentileza da sua parte… — Kagome enrubesceu. — Não fui abençoada com a formosura de minha mãe. Ela é pequena e delicada, e eu… Bem… — Deu de ombros.
— Você é uma flor desabrochando, minha querida. Uma beleza, e muitos homens perceberam. — Um sorriso malicioso formou-se no rosto enrugado. — Alguns mais, outros menos…
— Mas, Miouga, como você me conhece? Nós nunca nos vimos.
— Ora, eu costumava vê-la na floresta, brincando com o garoto!
Os olhos de Kagome se arregalaram.
— Era você! Sempre soube que havia alguém nos observando.
— Sim, sempre estive lá. — A expressão dele tornou-se séria. — Acha que o Taisho deixaria seu filho sair sozinho pela floresta sem ninguém para protegê-lo?
— Não, imagino que não. — Kagome nunca pensara no assunto.
— E você, acredita que seu pai nunca notou sua ausência do estábulo dos Grant?
— Sempre me perguntei como ele não descobria e, por isso, me achava muito esperta.
— Mesmo?
— Como você me reconheceu? Eu era uma menina quando encontrei Inu Yasha pela última vez na floresta.
— E quem mais poderia ser? Só havia uma garota que irritava Inu Yasha dessa maneira.
Ela abriu a boca, surpresa com a admissão.
— Precisei olhar apenas uma vez para vocês em cima do cavalo, como um par de gatos selvagens, para saber quem era filha. E seus cabelos negros também não me enganariam. — Miouga tomou-lhe a mão e apertou-a entre as suas. — Sim, eu a conheço, minha jovem.
Kagome se ergueu, caminhando até uma pequenina janela, por onde viu o sol nascendo, como uma bola de fogo ao leste. Em algum lugar sob seu calor, o Castelo Glenmore dormia e, dentro dele, o homem que tinha a chave de seu futuro.
— Não pretende contar a Inu Yasha sobre minha identidade?
— Ele não sabe?
— Não.
Miouga alisou a barba e a observou com seriedade.
— Vai esconder a verdade dele?
— Pretendo revelar os fatos, Miouga, só que não acho que seja o momento oportuno.
— Todos sabem que ele a salvou dos Grant. E está furioso por você não querer lhe dizer o motivo da fuga desesperada.
Kagome sabia, pois se lembrava muito bem da ira de Inu Yasha diante de sua recusa ao explicar-lhe as circunstâncias.
— Pode contar para mim, filha?
— Não, não posso. — Kagome se pôs a andar de um lado para o outro no chão coberto de feno.
— Está bem, não vou pressioná-la, e também não mentirei para o chefe. Se ele me perguntar alguma coisa, vou lhe contar o que sei.
— Por favor, Miouga, permita que eu diga tudo a Inu Yasha. Do meu jeito.
— E seus pais? Não sabem que você está aqui?
— Não. Devem estar morrendo de preocupação. — Kagome se ajoelhou na frente de Miouga. — Pode me ajudar a avisá-los que estou bem?
Ele ficou pensativo por alguns instantes.
— Há um padre que viaja pelo circuito da região montanhosa, entre os antigos clãs que compõem o Chattan. Ele deve vir por aqui amanhã ou depois, em direção a Inverness. Sendo assim, deve passar pelo Castelo Glenmore.
— O padre Ambrose! Eu o conheço!
— Sim, ele mesmo.
— Podemos confiar nele?
— Filha, ele é um padre. — Miouga se levantou de repente e foi até a porta, ela o seguiu. — Mandarei Shippou ao encontro dele. Ambrose dirá a seus pais que você está a salvo conosco.
— Obrigada, Miouga! — Kagome experimentou um grande alívio.
Toda a noite rezava para que seus pais estivessem bem.
Caminharam até o pátio do estábulo, banhados pelos raios solares. Kagome ergueu o rosto em direção ao astro-rei, deliciando-se.
— Filha, será que posso lhe pedir um favor?
— Claro, Miouga, o que quiser.
— Você tem muito talento com os cavalos. Rob a ensinou muito bem. Temos um grupo de percheron para treinar até o final do verão. — Miouga apontou para as baias que ficavam no final do estábulo.
Um pequeno bando de cavalos pastava na grama que crescia ao lado do curral.
— Shippou faz um bom trabalho, porém acho que poderíamos nos aproveitar de suas hábeis mãos. — O homem a olhou como se estivesse estudando suas habilidades. — O que acha?
— Será um grande prazer poder ajudá-los.
E bom demais ter com o que se ocupar enquanto pensava em seu próximo passo.
— Nesse caso, acho melhor você mudar de roupa. Peça para Jamie ou Fergus lhe arrumarem uma calça e uma camisa.
Kagome assentiu. Se ficasse no estábulo, Miouga poderia acompanhar seus passos. Sorriu sozinha. Aquele homem e seu pai eram muito parecidos…
Inu Yasha ajeitou a braçadeira do braço do garoto, verificou a luva de atirar e lhe deu uma tapinha nas costas.
— Vamos lá.
O menino resmungou ao puxar o arco para trás.
— Mais. Isso mesmo. Agora, mire no alvo. — Inu Yasha se afastou para analisar o desempenho do menino. — Atire!
Ele soltou a flecha, que acertou sua marca bem perto do alvo principal.
— Muito bem! Agora tente outra vez, e agora imagine que o centro do alvo é o coração do seu inimigo.
Inu Yasha observou o campo de treinamento. Garotos do clã Davidson treinavam suas habilidades com arco e flecha usando os quatro alvos posicionados de trinta a cinqüenta metros. Então, ele se posicionou em linha com o alvo mais distante.
Bankoutsu chegou quando Inu Yasha puxava o arco.
— O que o traz aqui? — Sorriu para o amigo. — Está preparado para lidar com uma arma de verdade?
— Não, prefiro uma espada. Como estão indo os garotos?
— Muito bem. Mais alguns meses de treino e estarão melhores do que qualquer lutador inglês. — Inu Yasha avaliou o horário pela posição do sol. — Depois do almoço, você pode comandar o treinamento de espada, e talvez de machadinhas?
— Não exagere Inu Yasha.
— É para o próprio bem desses garotos. Todos os membros do clã devem ser muitíssimo habilidosos em todas as armas. Um guerreiro não sabe que tipo de inimigo o espera, muito menos como estará lutando.
— Seu pai outra vez… — comentou Bankoutsu, compreendendo os sentimentos do chefe.
— Sim. — Inu Yasha mergulhou dois dedos, calejados de anos puxando o arco, no pote de gordura preso em seu cinto.
— Não foi culpa sua.
— Eu não estava armado. Poderia ter salvado a vida dele, só que não tinha sequer uma atiradeira.
Mirou o alvo, pensando no rosto de Reynold Grant. A flecha perfurou o ar com um assobio, e acertou em cheio.
— Fui um tolo.
— Você era um menino de doze anos, Inu Yasha. Era pouco provável que sobrevivesse lutando com um guerreiro habilidoso, mesmo que tivesse uma boa arma em mãos.
— Talvez não, mas nós nunca saberemos, não é? — Inu Yasha cerrou os dentes e engoliu em seco, tentando afastar a culpa que o acompanhava havia anos.
— Estou vendo que você treinou os Davidson com todas as armas possíveis. Quais são seus planos, chefe?
Inu Yasha o encarou. Bankoutsu não costumava chamá-lo assim.
— Quando Alistair retornar estaremos prontos. Pretendo passar o próximo inverno no Castelo Findharn.
— Acredita que ele conseguiu convencer os outros a se unir a nós?
— Os Macgillivray, sem dúvida. — Inu Yasha soltou sua flecha, deixando-a voar. Dessa vez, o alvo não foi o centro. — Não sei os MacBain. Precisamos aguardar as novidades de meu tio.
— Está bem. — Bankoutsu ficou sério. — E a jovem?
— Kagome… Sim, entendo o que quer dizer. Se é uma Grant? Não sei. Acredita que ela possa estar mancomunada com eles de alguma maneira?
— É bem provável. Você disse que a moça estava sendo seguida por soldados dos Grant.
— Isso mesmo, mas… Não, Kagome não é uma deles. Estava fugindo deles, e o medo era bastante visível em seu rosto. — Inu Yasha se lembrou dos olhos arregalados e apavorados, quando a viu pela primeira vez, jogada no chão.
— Ela pode ser uma espiã. Não seria a primeira vez que um chefe de clã usa uma mulher para tal finalidade. E você sabe como o sexo oposto consegue ser convincente quando quer, não é, caro chefe?
Inu Yasha desamarrou o porta-flechas das costas e o colocou, junto com o arco, sobre uma pilha de equipamentos.
— Não, Kagome não é uma espiã. — Incomodado com a simples possibilidade, decidiu voltar para casa. — Você cuida dos meninos, Bankoutsu?
— Claro chefe. — Bankoutsu reuniu os garotos com um assobio e ordenou que fossem se lavar para almoçar.
Inu Yasha não tinha o menor apetite. Na realidade, seu estômago o incomodava um pouco.
Seguindo pelo estábulo, avistou Jamie levando o garanhão para o pasto. O cavalo não tinha sela, mas não fazia diferença. Precisava de um tempo sozinho para pensar, longe do burburinho do clã dos Davidson. Momentos depois, Inu Yasha seguia para a floresta.
Ao direcionar o animal na direção das árvores, pensou nas palavras de Bankoutsu. E se ela fosse uma espiã? Não, a hipótese estava fora de cogitação. Um espião dos Grant jamais teria salvado a vida do jovem Conall.
A imagem de Kagome sobre o grande garanhão preto surgiu diante dele, secando-lhe a garganta. O que lhe passara pela cabeça? Como se atrevia a lhe dirigir a palavra com tanta audácia, com tanto ímpeto? Aquele comportamento o irritava ao extremo.
Ah, mas como era bonita…
Quando a encontrara adormecida à beira do rio, o luar iluminando-lhe o rosto com seus raios prateados quis abraçá-la e aninhá-la contra seu peito.
A recordação do corpo leve como uma pena, que carregara até o acampamento e deitara sob sua manta, aguçou todos seus instintos masculinos. Como sentira vontade de beijar e possuir aquela mulher encantadora ali mesmo, à margem das águas correntes… Não sabia explicar o que o impedira. Será que…
Não, não se importava com Kagome. Como poderia nutrir algum tipo de sentimento por uma estranha?
As emoções começaram a rodopiar dentro dele. Como aquela jovem lhe parecia familiar! E como tinham cavalgado à vontade com seus corpos aninhados. Era como se tivessem sido feitos um para o outro.
Um galho acertou-lhe o rosto, e Inu Yasha afastou o animal da árvore que o golpeara. Estivera cavalgando feito um louco! Bem, deixaria de lado naquele assunto. Tinha muito trabalho pela frente, planos a fazer. Organizar uma guerra.
Manter uma promessa.
Colocou a mão na bolsa de pele de texugo que carregava na cintura e tocou a mecha que cabelos que guardava ali. Um laço de amantes, dissera a garota.
Sim, ele manteria a palavra dada. Nada o impediria. A não ser uma jovem teimosa e com a língua afiada. Bonita ou não, Inu Yasha não queria nada dela.
E talvez Bankoutsu tivesse razão. Kagome podia ser uma espiã dos Grant.
Uma hora mais tarde, de volta a Braedün Lodge, Inu Yasha parou seu cavalo e arregalou os olhos diante do que viu.
Kagome cavalgava tranqüila, sem sela, no garanhão que quase tirara a vida de seu irmão Conall na véspera.
Ela conduzia o animal ao redor do círculo de treinamento em um passo suave e constante, com graça e elegância. A beleza dela o desarmou por completo. Era como se o passeio sozinho pela floresta jamais tivesse acontecido.
O garanhão preto respondia sem pestanejar à voz doce e aos sutis comandos. Inu Yasha também começou a sentir as respostas de sua própria anatomia àqueles movimentos.
Kagome vestia uma calça de couro que lhe delineava a curva dos quadris e a cintura fina, e uma camisa de lã que deixava o contorno dos seios perfeitos à mostra. Os cabelos soltos em suas costas pareciam uma cachoeira dourada.
De repente, ela parou o cavalo, de costas para Inu Yasha, e inclinou-se para frente a fim de recompensá-lo pelo bom comportamento. Inu Yasha ficou encantado com a delicadeza de Kagome. E pelo visto não era o único expectador das habilidades da jovem com os eqüinos. Sem mencionar seus outros atributos…
Inu Yasha esporeou o garanhão e foi até a cerca, onde Miroku e Sesshoumaru se divertiam com cada movimento de Kagome. Alguns Davidson também se entretinham com a jovem, encostados na cerca.
Inu Yasha blasfemou, apressando o passo do cavalo na direção do grupo.
— O que vocês estão olhando?! Ninguém tem nada para fazer? Estão sem serviço?!
Um instante depois não havia mais nenhum homem ali. Miroku e Sesshoumaru também se endireitaram e limparam suas mantas, sujas de barro.
— Sesshoumaru, não lhe pedi para fazer o inventário de armas?
— Pediu sim, meu irmão. — Ele lhe lançou um olhar malicioso.
— Então volte a seus afazeres!
— Sim, chefe — respondeu ele, retirando-se com um belo sorriso nos lábios.
O que estava acontecendo ali? Um circo? A atitude de Sesshoumaru foi suficiente para fazer o sangue de Inu Yasha ferver.
— Pretende ficar parado aí, Miroku?
— Chefe, você me pediu para tomar conta dela, não lembra? — Miroku olhava para Kagome, que continuava montada no garanhão preto.
— Sim, mas agora estou lhe dizendo para cuidar de suas outras obrigações. Saia daqui! Eu mesmo vou acompanhar os passos dela durante o restante do dia.
"E todos os dias de agora em diante", decidiu ele, fitando-a de soslaio.
Kaede apareceu no portão.
— Preciso ter uma conversa com você — disse ela, fulminando Miroku com o olhar. — Sobre Sango.
O jovem enrubesceu e deu um passo para trás.
— E não finja que não sabe do que estou falando. — Kaede segurou-o pela camisa e puxou-o na direção da casa.
Kagome soltou uma sonora gargalhada. Foi um som encantador, como o barulho de água corrente.
Sim, era disso que a mente dele precisava. De um bom banho de água fria.
— Posso saber o motivo de tanta diversão? — Inu Yasha quis saber, irritado.
— Miroku. Ele está encantado pela jovem.
— Por quem?
— Por Sango, é claro.
— De jeito nenhum! Miroku é um guerreiro, e seu dever é proteger o clã.
— Disso eu não tenho a menor dúvida, mas qualquer um perceberia que está apaixonado por Sango.
As íris verdes de Kagome brilhavam, fazendo com que as defesas de Inu Yasha baixassem.
— Quanta tolice!
Kagome empinou o queixo. Que mulher impertinente! E adorável… Ela virou o cavalo e o guiou para o estábulo. Antes que conseguisse chegar à entrada, Inu Yasha a alcançou e pegou a rédea do animal.
— Quero falar com você. Agora! — Queria descobrir a verdade sobre ela. — Vamos.
— Como pode perceber, estou cuidando deste cavalo — desafiou-o.
— Cuidando…
Foi então que ele avistou Miouga, apoiado no batente do estábulo, sorrindo feito um idiota.
— Meu São Sebastião!— Inu Yasha empurrou o garanhão preto e puxou Kagome para cima de seu cavalo.
Como de costume, ela lutou um pouco, e depois tentou sentar-se com uma perna de cada lado. Inu Yasha tornou a guiar o animal para o bosque.
Momentos depois, Kagome desistiu de se debater e recostou-se em seu peito, rendendo-se à vontade dele. Já estava mais do que na hora.
Inu Yasha respirou fundo, inalando o delicioso perfume que emanava dos cabelos negros, uma mistura de flores e frutas. Deliciosa…
Deus, como desejava aquela mulher! Kagome era diferente de todas que já tinha conhecido. Era diferente. Especial. Envolvente. Encantadora…
Perfeita.
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