Um Amor De Infância
3 Capítulo 2
Essa era a recompensa por caçar. Inu Yasha puxou as rédeas, diminuindo o trote. Conseguiram despistar os cavaleiros, mas ele não sabia como. O terreno era irregular e cheio de pedras, e seu cavalo já estava bastante cansado quando a perseguição começou.
A jovem desmaiara, decerto devido ao choque e cansaço. Antes, porém, fizera com que o garanhão saísse em disparada.
Inu Yasha nunca vira nada parecido. Assim que alcançaram o alto da colina, ela inclinou-se para frente na sela, abraçando o pescoço do garanhão. Era como se tivesse sussurrado algo para o animal. Ele respondeu de imediato, acelerando o trote e deixando os Grant para trás.
Segurando-a pela cintura, Inu Yasha apoiou as pernas da jovem em sua coxa. A cabeça dela recostou-se para trás, espalhando os cabelos negros ao longo do peito dele. Os lábios carnudos estavam entreabertos.
— Santo Deus! — Inu Yasha teve de lutar contra a urgência de beijá-la.
Diversos sentimentos inexplicáveis se agitavam dentro de seu ser: proteção, espanto, desejo. Tratou de afastá-los. Quem tinha tempo para esse tipo de tolice?
Inu Yasha guiou a montaria até um pequeno riacho e desmontou com cuidado, carregando-a no colo. Então, deitou-a na grama à beira da água. Estariam a salvo ali, pelo menos por enquanto.
Aproveitou o momento para estudar o delicado rosto da jovem.
Ah, como era adorável… Encantadora! Inu Yasha não costumava passar muito tempo na companhia de mulheres. Mantivera-se muito ocupado preparando-se para o dia em que limparia o nome de seu, pai. E esse dia não tardaria a chegar.
Com um pedaço de tecido cortado de sua manta, limpou o sangue e o barro das faces dela, hesitando por um instante antes de ir até os ombros. Ao reparar no subir e descer dos seios com a suave respiração engoliu em seco.
Algumas folhas secas se prenderam nas mechas negras. Ao tirá-las daquele ninho negro, Inu Yasha experimentou a sensação mais estranha que já tivera. Não, era impossível. Tinha plena certeza de que nunca a vira antes. Um homem não se esqueceria de um rosto tão lindo.
Examinando o fino tecido do vestido amarelo, tentou imaginar como seria a família da jovem, a que clã pertenceria. Era uma dama, não havia a menor dúvida. Não existia nenhum tipo de marca no cavalo que pudesse lhe dar alguma pista. Na realidade, a jovem cavalgava sem sela e sem estribos. E o mais impressionante era o fato de ter deixado os cavaleiros dos Grant para trás.
Agindo por impulso, Inu Yasha pegou-lhe a mão direita e passou o polegar pela extensão da palma. Era áspera e tinha alguns calos. Estranho… Uma dama com as mãos de uma criada? Bem, não fazia a menor diferença. Dentro em breve teria as respostas que buscava.
— Acorde, jovem — murmurou, esfregando as mãos frias entre as suas.
Ela sentia-se gelada. Ou melhor, todo seu corpo estava gelado, menos as mãos. Ah, que sonho terrível… Respirando fundo, Kagome abriu os olhos.
— Meu Jesus!
Um grande guerreiro ajoelhou-se a sua frente, uma forma sombria contra o sol poente.
— Não! — Ela tentou se soltar, temendo o pior.
— Calma, calma, minha menina… — disse ele, segurando suas mãos.
Ela sentiu um calor agradável se espalhando por suas veias. Um pouco mais relaxada, devolveu-lhe o cantil.
Inu Yasha estava sentado ao lado dela, e, pela primeira vez, Kagome percebeu que ele tinha um belo físico: ombros largos, pernas longas e musculosas. Imaginou como seriam o tórax e os braços musculosos escondidos pela manta e pela malha de lã.
— E então, posso saber o que levou um batalhão de Grant a persegui-la?
Os olhares deles se encontraram.
— Não fiz nada! E estava me saindo muito bem.
— Sim, eu sei. Mais um momento e eles a teriam capturado.
— Se meu cavalo não tivesse tropeçado, teria me livrado deles com a maior facilidade.
Inu Yasha colocou a mão no queixo e afagou a barba de dois dias.
— Seu cavalo? Então você é uma Grant?
— Não, não sou! — A questão a irritou, e o instinto a levou a esconder a verdade dele. Pelo menos por ora. — Se eu fosse uma Grant, por que estaria fugindo de meus companheiros?
— Então estava mesmo fugindo?
— Sim… Não! Eu não disse isso.
Inu Yasha chegou mais perto, aproximando os rostos deles. Era como se estivesse lendo a alma de Kagome.
— Será que posso saber o que você estava fazendo?
— Eu… Eu… Espere um instante! Quem é você?
No momento em que terminou de proferir aquelas palavras, Kagome soube.
Ele usava uma manta escocesa em tons de verde e vermelho. Quando os últimos raios de sol iluminaram o broche do clã, ela reconheceu o emblema: um gato selvagem postado nas patas traseiras, pronto para o ataque
O guerreiro não falou seu nome. Não fazia diferença. Seu rosto, aqueles olhos… Kagome o reconheceria em qualquer lugar. Estava diante de Inu Yasha Taisho, seu amor de infância.
Fale com o autor