Um Amor De Infância
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Kagome não tinha saída. Por isso, baixou a adaga e se preparou para o que estava por vir. Para seu completo espanto, o guerreiro desembainhou a espada e esperou que outro homem se aproximasse. Kagome quase desmaiou quando o viu.
— Owen!
— Minha jovem, você se machucou? — Owen foi até ela e segurou-lhe os ombros, impedindo-a de cair.
— Achei que estivesse morto, meu amigo.
— Foi um corte bastante profundo, mas não mortal. Depois cuidarei melhor do ferimento.
Kagome estendeu o braço para tocá-lo, temendo acreditar que Owen estava mesmo ali. Os demais guerreiros seguravam as espadas, prontos para atacar.
O que estava atrás de Owen tossiu, fazendo-se notar.
— Jesus! — sussurrou Kagome ao ver quem era. — George Grant.
Ele não se parecia muito com Reynold, a não ser pela estatura. Tinha os ombros mais largos, era mais musculoso e mais jovem. Devia ter a mesma idade de Inu Yasha, e cabelos castanhos e olhos azuis calorosos, diferentes dos de Reynold, frios e distantes.
— Prima… — George lhe ofereceu a mão em um gentil cumprimento.
Kagome o aceitou.
— Você… sabe tudo a meu respeito?
— Sim, minha jovem, eu sei.
— Contei a George que você é filha de John Grant — disse Owen. — Mostre-lhe o pergaminho.
Só então ela percebeu que segurava a adaga de pedras, o que a fez querer soltar a mão de George.
— Não precisa se preocupar, Kagome. A semelhança é bastante visível. Você tem o tom de pele e os olhos de meu tio. — George a estudou em silêncio por alguns instantes. — E uma força que a envolve, como John Grant.
Diante daquela demonstração de confiança, Kagome sé acalmou.
— Veio me ajudar, primo?
— Talvez. Meu exército está nos esperando na estrada da floresta.
Kagome suspirou.
— Quer dizer que não serve Reynold Grant?
— Reynold? Fiz um juramento de lealdade quando seu pai morreu, e o conselho o tornou chefe do clã. Desde então, Reynold quebrou seu juramento de servir e proteger nosso clã. — A expressão dele tornou-se mais séria. — Soube das atrocidades que Reynold andou cometendo, e sinto não ter vindo antes. Minhas terras ficam a quase um dia de viagema oeste do Castelo Glenmore. Só fiquei sabendo de tudo quando Owen veio a minha procura em busca de ajuda. Tiveuma conversa muito séria com os membros do conselho e vi com meus próprios olhos os absurdos praticados por meu A primo. Todos os juramentos de lealdade que ele fez de nada valem. Não, não apoiarei suas crueldades.
O coração de Kagome disparava à medida que olhava paraaquele rosto tenso e bonito. Poderia confiar em George Grant? Não tinha alternativa, porém.
— Você sabe o que é isto, George?
— Sim, eu sei. Onde conseguiu essa arma?
Kagome hesitou, olhando para o buraco que cavara no chão, torcendo para que o primo não a traísse.
— Inu Yasha Taisho me entregou essa adaga há onze anos.
George lhe apertou o pulso com tanta força que Kagome se contorceu de dor.
— Mas…
— Esta arma tem alguma ligação com os assassinatos! — Ela tentava se soltar. — Entretanto, não faço a menor idéia do que possa ser. Inu Yasha me pediu para guardá-la até que pudesse voltar para buscá-la. E foi o que fiz.
Kagome indicou o buraco escavado. George a soltou, enfim.
Owen ajoelhou-se ao lado do orifício e mexeu nos pedaços de madeira podre, os restos da caixa. Kagome observava o guerreiro com atenção, vendo-o examinar o que sobrara do tecido lá dentro.
— É a manta dos Taisho — comentou George, analisando o material. — E pelo visto faz bastante tempo que está debaixo dessa terra.
— Sim. Como eu disse, onze anos.
George segurou a adaga que Kagome lhe entregou, depois de relutar por alguns instantes. Assim que sentiu o peso da arma, ele a mostrou a seus homens. Nenhum deles escondeu o espanto.
— E o que pretende fazer com esta arma, Kagome?
— Preciso entregá-la a Inu Yasha. Agora ele deve estar a caminho do Castelo Findhorn, para se unir ao clã Chattan. Quatrocentos homens do exército de Reynold o aguardam lá. Haverá uma guerra. Inu Yasha quer recuperar o castelo e suas terras, que Reynold ocupou durante todos esses anos.
George a encarou e assentiu,
— Conheço essa rixa familiar.
— Todavia, Inu Yasha não tem soldados bastantes para enfrentar Reynold. Nem mesmo se todos os clãs o apoiarem.
— Os outros clãs, Macgillivray, MacBain e Davidson o apoiarão?
— Eles estarão lá, mas nem todos se comprometeram. — Kagome indicou a adaga de pedras. — Achei que a arma pudesse auxiliar Inu Yasha de alguma forma. Embora, para ser sincera, não veja como uma adaga possa impedir um exército de lutar contra o outro.
George a estudou por um momento.
— Seus sentimentos pelo chefe dos Taisho são bastante fortes.
— Sim, meu primo.
— Seria capaz de ajudá-lo ficando contra seu próprio clã?
— Não! De jeito nenhum! Contudo, gostaria de salvar a vida dele e a de todos os Taisho. E também de vê-lo recuperar o que perdeu. E se isso significar destronar Reynold e aqueles que o ajudaram a perseguir nosso próprio povo, sim.
George se pôs a andar de um lado para o outro, pesando as opções. Seus homens se afastaram, concedendo-lhe mais espaço. Olhou mais uma vez para a adaga. Kagome foi tomada por um súbito desespero. O que faria se ele se recusasse a auxiliá-la?
— Você me ajudará primo? Vai me acompanhar até o Castelo Findhorn para que eu possa entregar a adaga a Inu Yasha Taisho?
George continuava calado e, por um instante, ela achou que tudo estava perdido.
— Pelo visto, essa história é bem mais complicada do que imagino.
George lhe entregou a adaga. Contente, Kagome guardou-a na bainha vazia em sua cintura.
— Mas você me colocará a par de todos os detalhes durante nossa viagem para o Castelo Findhorn.
Kagome piscou, achando não ter compreendido direito.
— Sim, meu primo, vou lhe contar tudo o que sei.
Ele a acompanhou pela floresta até os cavalos.
— Não posso prometer que ajudarei o chefe dos Taisho, mas iremos até o Castelo Findhorn. Aí, decidiremos o que é certo.
— E você me dirá o significado da adaga?
— Sim, Kagome. Você precisa saber. — George inclinou-se para passar sob alguns galhos baixos. — Mais tarde conversaremos. Temos de nos apressar.
Momentos depois estavam montados, prontos para partir.
— Você não usa sela? — George indagou.
— Não.
Ele abriu um lindo sorriso.
— É um pouco estranho para uma mulher, não acha?
— Não para mim, primo. — Lançou-lhe um olhar maroto.
— Acho que há muitas coisas que não sei a seu respeito. Ficarei muito contente em conhecê-la melhor, prima.
— Eu também.
Os dois esporearam os cavalos e seguiram pela estrada da floresta. Pouco depois, Kagome virou para a esquerda em direção ao Castelo Findhorn, como vira Inu Yasha fazer muitas vezes quando eram crianças.
Em instantes, ela avistou um grupo de guerreiros preparado para a batalha.
— São seus, George?
— Sim. Duzentos homens.
À medida que iam subindo pela colina, mais soldados foram aparecendo. Todos os sons naturais da floresta foram encobertos pelo tropel dos cavalos, de pedra batendo contra pedra e dos gritos dos guerreiros se cumprimentando. Nunca Kagome vira tantos homens prontos para lutar. Era assustador, apesar de serem soldados de seu próprio clã.
George ergueu a mão, indicando que parassem. Todos se calaram de imediato e olharam para o líder.
— Guerreiros, esta jovem é minha prima. É Kagome Grant, filha de John Grant, do Castelo Glenmore. Vocês devem servir e protegê-la como fariam comigo. Não permitam que nada lhe aconteça.
Em seguida, George tornou a levantar o braço e todos recomeçaram a cavalgar.
Momentos depois se escutou um grito à frente do grupo:
— Kagome!
Ela reconheceu a voz e, sem pensar, acelerou o passo, deixando todos os guerreiros para trás. George a seguiu, mandando-a parar. Kagome o ignorou ávida por chegar até a pessoa que lhe chamara. E os guerreiros, tão entretidos com o alvoroço, não a detiveram.
Os dois intrusos, no meio dos guerreiros Grant, empunhavam as espadas para o alto.
— Miroku! Drake! — chamou Kagome, querendo se aproximar.
— Não! — George se posicionou entre ela e os homens. — Quem são vocês?
Miroku se endireitou na sela, porém Kagome viu o medo nos olhos dele.
— Sou Miroku, do clã Taisho. E este é Drake, meu parente. Somos responsáveis por proteger essa jovem e viemos buscá-la.
George franziu as sobrancelhas e os olhou com desdém.
— É isso o que vocês chamam de proteção? — Parou ao lado de Destino e desembainhou a adaga. — Eu poderia cortar-lhe o pescoço enquanto vocês ficam aí montados.
Os olhos de Miroku fuzilaram. Cerrou os dentes e apertou a espada com mais força.
— Miroku, não! — gritou Kagome.
Várias espadas dos Grant o impediram de prosseguir.
— Relaxe, homem. — George sorriu. — Esta jovem é minha prima. E agora está sob minha proteção.
Miroku consultou Kagome. Drake ficou boquiaberto.
— É verdade. Este é George Grant, meu primo.
— Eu já escutei falar de você.
— Imagino. — A arrogância de George era inconfundível.
— Agora, saiam daqui antes que eu mude de idéia e decida acabar com a vida de vocês dois.
Miroku não se deixou intimidar.
— Não sem Kagome.
— Miroku, estamos indo para o Castelo Findhorn. Meu primo vai nos ajudar.
— Iremos ao encontro de Inu Yasha Taisho — interveio George. — Temos algo que talvez possa auxiliá-lo. E que talvez evite uma guerra. Vocês conhecem esse lugar? Sabem onde fica o Castelo Findhorn?
— Foi lá que eu nasci — Miroku afirmou.
— Então, leve-nos até lá.
Miroku tentava decidir o que fazer.
— Precisa confiar nele, Miroku — pediu Kagome, demonstrando uma confiança que não sentia.
George guardqu a espada, sem se desviar de Miroku.
— Ele não tem outra escolha, tem?
Relutante, Miroku também guardou sua arma. Drake fez o mesmo, olhando para todos os guerreiros Grant que os rodeavam.
— Vamos, eu conheço um atalho. — E Miroku incitou a montaria.
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