Notas iniciais
Eu demorei ? ç-ç
deeesculpa mimi

Ele estava atrasado. Sim, podia sentir que chegaria tarde demais.

Inu Yasha afastou o pensamento e puxou as rédeas de seu cavalo suado assim que saiu da floresta. Havia quase dois dias que cavalgavam, e a exaustão começava a ficar evidente nos rostos e corpos de seus homens.

Quarenta de seus melhores guerreiros, Davidson e Taisho, deram água para seus animais no riacho à beira do pequeno vale. Plantas selvagens, arbustos e flores do campo enfeitavam a paisagem, perfumando a atmosfera com um inconfundível aroma de verão.

Era o dia do solstício e, a julgar por seu conhecimento, faltavam algumas horas para alcançarem o Castelo Glenmore.

Inu Yasha blasfemou em silêncio. Se Reynold tivesse encostado um único dedo em Kagome, ele não teria a menor piedade em presenteá-lo com uma morte terrível e dolorosa.

Tinham sido forçados a seguir por uma rota tortuosa pela enorme propriedade do clã Grant para evitar os sentinelas e as centenas de soldados que patrulhavam a fronteira sudeste. O desvio lhes custara horas, porém, não existia outra maneira.

Inu Yasha sabia que precisava agir furtivamente se quisesse ter Kagome de volta, uma vez que não possuía homens suficientes para cercar o castelo do inimigo. Estreitou os olhos para o sol a fim de julgar o horário. Quase meio-dia.

Bankoutsu ajoelhou-se à beira do riacho e examinou as inúmeras pegadas de cavalos, profundas, e as de homens, que marcavam a terra macia.

— Quantos?

— Centenas, chefe.

— Faz muito tempo que passaram por aqui?

— Um ou dois dias. — Bankoutsu analisava a terra úmida na ponta dos dedos.

— Quer dizer que já devem ter chegado no Castelo Findhorn — disse.

Os lábios de Bankoutsu se curvaram em um sorriso.

— Pode ser, mas eles não sabem que já são aguardados.

— Vamos torcer para que esse seja o caso. Alistair saiu com seus guerreiros dois dias atrás. Com certeza chegará primeiro.

— Sim, mas será que Sesshoumaru conseguirá convencer os Macgillivray e MacBain a se unirem a nós?

— Eles virão, mas não se pode precisar com quantos homens — respondeu.

— Não sabe ainda se poderemos contar com o apoio deles, chefe.

Inu Yasha sabia que seu companheiro de tantos anos tinha razão. Entretanto, agora não tinha como voltar atrás.

O clã Chattan. Os quatro clãs juntos. Seria a primeira vez, desde o assassinato de seu pai, que todos se reuniriam.

— Cristo! — murmurou ele, voltando-se para montar seu cavalo.

Escutou-se um grito.

Ao sentar-se na sela, Inu Yasha ajeitou o arco em suas costas antes de guiar seu cavalo até o grupo de guerreiros.

— Olhe Inu Yasha! — Bankoutsu apontava para um guerreiro que vinha de longe.

Inu Yasha olhou para o horizonte, para onde seu amigo tinha apontado. Era um cavaleiro solitário vindo em disparada.

— Kagome! — E seguiu para ela.

De repente, um grupo de cavaleiros apareceu de trás das árvores, do outro lado da ravina, perseguindo-a.

— Vamos! — chamou Inu Yasha. — Depressa!

Com movimentos rápidos e hábeis, os soldados montaram seus animais e saíram atrás do chefe.

O trote dos cavalos eram como trovões, bem como o coração de Inu Yasha disparado no peito.

Um brilho de metal o assustou, e Inu Yasha viu um pequeno guerreiro surgir em meio ao grupo de homens que a perseguia. O sujeito vinha em disparada, segurando a espada para o alto. O pânico quase o desesperou, à medida que a distância entre ambos diminuía.

O sangue de Inu Yasha ferveu em suas veias, e todos os músculos de seu rosto e pescoço latejavam. Seu grito de fúria e angústia ecoou mais alto do que o tropel de cavalos e os gritos de batalha de seus homens.

Destino tropeçou, recuperou-se em seguida e, de repente, o homem que a perseguia alcançou-a. Os dois continuaram em disparada para o centro da ravina. Kagome fugia, apavorada.

Inu Yasha sabia que não a alcançaria a tempo.

Seus homens desembainharam as espadas e outras armas, porém era tarde demais.

Inu Yasha ergueu as rédeas de seu cavalo, puxando-o para cima. O animal empinou assustado com o movimento repentino, quase o jogando no chão. Com o olhar fixo no homem de Grant, ele ficou em pé nos estribos e enfiou uma flecha no arco.

Agindo por instinto, seus cavaleiros se afastaram deixando-lhe espaço para atirar.

Destino vinha em disparada, trazendo o amor de sua vida.

Perkins levantou a espada.

Inu Yasha puxou o arco e mirou. A vida de Kagome corria perigo. Decidido, soltou a flecha.

Em um piscar de olhos, Perkins soltou a espada e caiu no chão, com a flecha de Inu Yasha cravada em seu peito.

Inu Yasha soltou o arco e sentou-se na sela, tremendo de alívio. Por Deus, quase acertara Kagome! Sentiu as lágrimas de emoção, mas enxugou-as antes que lhe escorressem. Então, seguiu até Kagome, sem baixar os olhos.

Os dois cavalos quase colidiram. Kagome jogou-se nos braços dele e, em uma tentativa desesperada de abraço, os dois caíram no solo. Inu Yasha a puxou para cima de si e aninhou-a em seus braços.

Kagome engoliu um soluço angustiado. O próprio Inu Yasha experimentou seu autocontrole diminuir. Apertou-a com força, tentando transmitir-lhe um pouco de confiança, deliciando-se com o calor dos cabelos negros.

Os dois se ajoelharam juntos em meio a arbustos e flores selvagens, sem se importar com a batalha que acontecia poucos metros adiante. Inu Yasha cobriu-lhe as faces com beijos ardentes, breves, enquanto a apalpava, procurando por algum ferimento.

Kagome estava radiante, desmentindo as suspeitas e dúvidas que quase haviam lhe consumido a alma. Como pudera questionar o amor daquela moça valente? Respirando fundo, tornou a abraçá-la. Não queria que aquele momento terminasse nunca.

De repente, deu-se conta do alvoroço à sua volta. Destino empinou assim que a batalha se aproximou deles. Espadas tilintavam, e o odor de sangue contrastava com o delicioso perfume das flores de verão.

Inu Yasha puxou Kagome para cima, pegou as rédeas de Destino e apertou-as na mão dela.

— Vá para trás das árvores! Agora! — E Inu Yasha colocou-a em cima do cavalo.

— Mas…

— Vá! — Deu uma tapa no lombo do animal e ficou parado até que ela sumisse no bosque. Depois montou seu cavalo, desembainhou sua espada e ingressou na refrega.

— Estão todos mortos?

— Sim, meu amor.

— Eram membros do meu clã, Inu Yasha.

— Eu sei Kagome, mas se tivessem tido a oportunidade, nenhum deles hesitaria em matá-la. E foi o que quase aconteceu.

Inu Yasha a ninava em seus braços, sussurrando palavras de amor e conforto contra seus cabelos, alisando-lhe as costas, acalmando-a, envolvendo-a com seu calor.

— Eu… precisava avisá-lo, Inu Yasha.

— Ah, minha jovem corajosa…

— Reynold enviou quatrocentos homens para o Castelo Findhorn. É uma emboscada. Ele pretende…

Inu Yasha pressionou-lhe um dedo contra os lábios macios, silenciando-a.

— Calma, minha Kagome. Está tudo bem. — Beijou-lhe a testa. — Sei quais são os planos de Reynold Grant e já vi todas as armadilhas que ele nos preparou. Não se preocupe mais.

— Então…

— Sim. Alistair foi com cem homens para o Castelo Findhorn há dois dias. E Sesshoumaru saiu em busca de ajuda dos Macgillivray e MacBain.

—Macgillivray? A aliança! Então… você se casou com ela.

— Eu casado? Com quem?

— Com Elizabeth Macgillivray.

Inu Yasha soltou uma sonora risada.

— Não, amor. Eu mandei que Sesshoumaru a levasse de volta para casa.

Uma grande alegria tomou conta de Kagome. Ainda assim, ela tentou se conter.

— Ela deve ter ficado muito desapontada.

— Para ser sincero, acho que não. — Inu Yasha inclinou-se para beijá-la.

De repente, ela se afastou.

— Inu Yasha, preciso lhe contar algo. Reynold e eu…

— Aquele maldito a violentou?

— Não, ele não encostou um dedo em mim. Você veio por minha causa?

— Achou que eu não viria?

Bankoutsu apareceu por entre as árvores e parou ao lado deles com um sorriso satisfeito em seu rosto barbado. Assentiu, e Inu Yasha virou seu cavalo para a trilha na floresta.

— Vamos, meu amor. Não é seguro ficarmos aqui.

— Inu Yasha, eu não contei nada para Reynold. Queria que você pensasse que sim, mas…

— Acalme-se, Kagome. Sei que você não falou nada.

— Eu jamais…

Ele a silenciou com mais um beijo.

— Mais tarde conversamos sobre esse assunto. Não se preocupe. Dentro em breve teremos muito tempo para nós.

Inu Yasha pegou as rédeas, e Kagome se ajeitou na frente de seu amado.

Miroku veio logo atrás e segurou as rédeas de Destino, que se mostrava bastante satisfeito depois do longo descanso.

— É um belo animal.

— Está falando de Destino?

— Sim, Destino. — Inu Yasha a envolveu em seus braços, enquanto o garanhão seguia pela floresta.

Pouco depois do escurecer, eles pararam perto do chalé de um lavrador, localizado no meio da mata que dividia as terras dos clãs Grant e Taisho. Não havia ninguém ali, mas a julgar pela limpeza e pelo estoque de comida perto da lareira, Kagome supôs que os donos do casebre não deviam estar muito longe.

— Mora alguém aqui — disse ela, ajoelhando-se na frente da lareira para acender o fogo.

— Sim, um de meus homens vive nesta casa com a esposa. — Inu Yasha fechou a porta atrás dele. — É bem provável que tenha ido até o Castelo Findhorn unir-se a Alistair e aos demais guerreiros. Estamos a salvo aqui, pelo menos por esta noite.

Ela olhou pela pequena janela. Os homens de Inu Yasha organizavam um acampamento ao redor do chalé. Kagome sorriu, observando que Miroku já acendera o fogo e assava alguns coelhos.

Contente com a segurança que Inu Yasha lhe proporcionava, soltou a cortina, e as chamas iluminaram todo o chalé.

Inu Yasha tirava suas botas cheias de barro, sentado em um canto da sala. Tirou o broche com o emblema que lhe prendia a manta dos Taisho e puxou o tecido até a cintura.

— Venha aqui, minha linda,

Kagome caminhou até Inu Yasha, entregando-se aos braços fortes. Então ele a apertou, afagando-lhe os cabelos. Ah, como era bom estar tão perto de Kagome…

— Por que não me contou a verdade? Foi um verdadeiro milagre você não ter sido morta. E eu jamais me perdoaria se…

— Eu te amo, Inu Yasha. Sempre te amei, meu amor.

— Também te amo demais. — Emocionado, ele a levou até a cama.

Horas depois, enrolada na manta escocesa de Inu Yasha, Kagome se levantou e colocou mais um pedaço de lenha na lareira. A madeira pegou fogo imediatamente, e a chama suave banhava o chalé com uma luz fraca.

— Inu Yasha, preciso lhe contar algo.

— O que é meu amor? Mais segredos?

— Eu não sou quem você pensa que sou.

— Ah, é sim, minha bela Kagome. E agora que consegui enxergar, nunca mais vou olhar para seu rosto sem me lembrar daquela menina descabelada por quem me apaixonei. E que hoje amo tanto.

— Não é a isso que me refiro. Estou falando que… Inu Yasha, os Todd não são meus verdadeiros pais.

Pronto! Falara. Agora não havia mais como voltar atrás.

Kagome pegou o vestido de lã do chão. Inu Yasha a observava, com uma expressão ilegível, tirar os pergaminhos do bolso e entregar-lhe os documentos.

Ele pegou os dois, porém não os desenrolou, o que a surpreendeu.

— Inu Yasha, minha mãe não era a ama de uma dama da sociedade, mas sim Beatrix Higurashi.

A expressão de Inu Yasha não mudou e, por um instante, Kagome se perguntou se ele a escutara. Ou não conhecia nada da nobreza francesa. O que haveria de mais? Ela mesma não conhecia muito sobre o assunto.

— Eu sei Kagome.

— Sabe?!

— Sim. Meu tio Alistair me contou, pouco antes de eu ir para o Castelo Glenmore.

— Mas como Alistair… — As palavras morreram em seus lábios quando ela se lembrou do dia em que Kikyo Davidson estivera em seu quarto. Seus instintos não a tinham enganado. A mulher a conhecia.

— O padre lhe contou quando voltavam para Braedün Lodge.

— Padre Ambrose! E como ele descobriu?

— No dia em que foi levar notícias suas aos Todd, Ambrose escutou uma conversa dos dois sobre sua ligação com os Higurashi.

— E não revelou nada enquanto esteve em Braedün Lodge. Por quê? O padre não deve lealdade a mim, nem aos meus.

— Sim, mas deve muito a Alistair. E meu tio sabe ser um homem bastante persuasivo quando necessário. Ele pediu que Ambrose mantivesse sigilo até decidir o que fazer.

— E se eu não tivesse ido embora, o que você teria feito? O que faria se tivesse descoberto a verdade antes?

Inu Yasha sorriu.

— Não sei. Agora não faz mais diferença, meu amor.

Sim, fazia. Kagome ficou gelada de repente.

— Você sabia que eu era filha de Beatrix Higurashi antes de ir atrás de mim.

— Sabia. Qual o problema? — Inu Yasha quis abraçá-la, porém Kagome deu um passo para trás. — Você tem aliados poderosos, caso queira se unir a eles.

— O que está querendo dizer?

Inu Yasha olhou para o fogo crepitando.

— O rei John, claro. Da Inglaterra.

— Não estou entendendo aonde você quer chegar, Inu Yasha.

— Kagome, a esposa dele, a jovem noiva com quem se casou três anos atrás. Isabella.

Em vez de esclarecer o mal-entendido, Inu Yasha parecia estar dificultando cada vez mais as coisas. Kagome não sabia nada sobre a realeza da Inglaterra.

— Isabella Higurashi, irmã mais nova de sua mãe. Ou seja, sua tia.

— Mas a mãe que me criou Madeleine Todd, não me contou nada.

— Acho que ela nem sabe. A jovem nasceu depois da morte de Beatrix.

De repente, Kagome sentiu uma tontura.

— Essa Isabella deve ter quase minha idade, não?

— Imagino que sim.

— E você sabia de tudo isso antes de vir a meu encontro. Antes de mandar Elizabeth Macgillivray embora. Entendo. É por isso que quer se casar comigo. Nossa união significaria uma grande aliança. Não apenas com a França, mas também com a Inglaterra.

Atônita, Kagome virou-se para a lareira e apoiou as mãos na parede em busca de apoio. As lágrimas ardiam em seus olhos, e ela não se atreveu a encarar Inu Yasha.

— Meu Deus, o que você significaria para nosso rei William se lhe trouxesse um troféu desses?

— Kagome!

— Não me toque! — Ela tentou se soltar, mas Inu Yasha a segurou com firmeza.

Na briga, a manta caiu dos ombros dela, deixando-a nua. As lágrimas inundavam-lhe o rosto.

— Acha mesmo que estou preocupado com uma possível aliança com a França ou com a Inglaterra?!

— E não? Não pensa em tal aliança?

— E você? — Inu Yasha a soltou e respirou fundo, entre os dentes cerrados. — Não percebe que poderia escolher como marido os homens mais poderosos da Inglaterra e da França?

Kagome demorou um pouco para compreender o significado daquilo.

— Não. Só existe lugar para um homem em minha vida. E ele não é francês, e muito menos inglês.

Os dois deram-se as mãos.

— E nosso casamento lhe traria tudo com o que ele sempre sonhou: terras, riquezas e uma noiva importante. — Pelo menos ela podia realizar esse sonho. Uma pequena compensação para o que ainda tinha a lhe dizer.

Inu Yasha ajoelhou-se para pegar os documentos que tinham caído durante a discussão.

— Não quero uma noiva importante.

— Não?

— Não. Eu amo a filha do responsável pelo estábulo dos Grant. E é com ela que pretendo me casar. Com nenhuma outra.

Kagome sabia que não podia mais haver segredos entre ambos.

— Inu Yasha, ainda não terminei. Leia esse pergaminho, por favor.

Ele analisou o documento manuscrito por John Grant. Seus olhos se arregalaram na hora. Kagome o observou pelo que pareceu uma eternidade, com o coração disparado no peito.

Então, aos poucos, a expressão de Inu Yasha pareceu se transformar em pedra.

Notas finais
Vooooooooooltei *-*
gostaram ? çç