Um Amor Complicado.
18 Capítulo 18 - Não há saída.
Notas iniciais
Capítulo 18
Levanto da minha cama, descansado. O celular no criado-mudo toca sem parar, informando-me o horário do alarme: 2:00pm. Suspiro e alongo a coluna, levantando os braços e respirando fundo. Abaixo-os novamente e relaxo os ombros.
Com o alarme já desativado, ando até o banheiro e faço minha higiene pessoal. Após lavar o rosto, olho-me no espelho.
Surpreendo-me com a cara até agradável que me olha de volta. Nos últimos dias, a única coisa que pude ver foram olheiras, olhos pesados e ombros tensos. Venho me sentindo um completo lixo desde que Sanji me pediu perdão por não me enxergar quando está com mulheres.
Afinal, a culpa de nada disso é dele.
“Vamos, Roronoa. Você é um homem ou um saco de batatas, porra? Cadê esse orgulho de espadachim?”
Essas foram as doces palavras que meu treinador e conselheiro Mihawk me disse, depois de me ver desabar todos os dias, mesmo durante os treinos.
Flashback on*
– Roronoa, você está ficando mole. Segure-se! – grita, quando fraquejo ao levantar um haltere de meia tonelada. – Vamos! Mais velocidade!
Aceito seus gritos, sem força alguma para respondê-lo. Abaixo os pesos mais uma vez, e sem conseguir segurar a sensação do nó em minha garganta, começo a chorar de raiva.
– Isso! Mais força! Mais velocidade! – diz ele, vendo-me chorar. – Desconte tudo no seu treino! Vamos!
– ESTOU DESCONTANDO! – grito, usando toda a força de meus pulmões. – MERDA!
– Zoro, pare. – pede. Interrompo-me no mesmo instante. Mihawk nunca me chama pelo primeiro nome.
– O que foi? – pergunto, limpando minhas lágrimas. Ele põe as mãos nos meus ombros e me encara de frente.
– Você é a porcaria do melhor espadachim do mundo, idiota. – fala, rude como sempre. – E sabendo como é você, sei que não ficaria assim por qualquer coisa. É a pessoa mais orgulhosa que conheço.
– Sim. – respondo.
– Me diz... Você foi chutado? – pergunta. Eu nego.
– Não. Eu... Nós dois ainda estamos juntos. Mas eu sei que a qualquer momento ele pode chegar e realmente acabar tudo. Só estou sofrendo por antecedência. – falo, arrancando-lhe uma risada baixa.
– Certo... Você disse “ele”?
– Disse. Kuro Ashi no Sanji. – falo. Mihawk não parece surpreso. Só suspira.
– Eu sabia. – responde, soltando meus ombros. – Bom, se você sabe que pode acabar a qualquer momento, porque não aproveita? Ao invés de chorar, goze desses dias finais.
– Goze? É sério que você usou essa palavra? – pergunto, quase rindo.
– Cale a boca. Na minha época todo mundo usava esse vocabulário. – responde.
– Na sua época? Você é vinte anos mais velho que eu, senão menos. Não fale como se você tivesse nascido no milênio passado.
– Enfim, você entendeu. Agora que está melhor, não descanse. Vamos, continue levantando o peso. Parou por quê?
Sorrio inconscientemente. Mihawk tem razão.
Flashback off*
Depois que refleti sobre suas palavras, não sabia muito bem o que pensar.
Faz uma semana desde a última vez que me encontrei com Sanji, aqui em casa. Naquela madrugada, ele dormiu sentado no meu colo, depois da pior conversa que já tivemos. Quando ele acordou no dia seguinte, me pediu um tempo.
E estou esperando a sete dias exatos.
Mas não vou mais. Nunca fui muito paciente, mesmo.
Saio do banheiro e coloco uma camiseta preta, uma bermuda e meu par de chinelos. Enfio meu celular no bolso, pego a chave do carro e corro para fora do apartamento.
Já chegando na loja, surpreendo-me com a presença de alguém que não via há um tempo.
– Robin! – exclamo, ao ver sua inconfundível silhueta.
– Konnichiwa, Zoro-san. – responde, sorrindo.
– Nami-san, eu preciso de um paninho novo! – ouço. Segundos depois, Tashigi aparece na porta do estoque. – Ah, Zoro-san. Como vai?
– Estou bem, obrigado. – respondo. – Você está polindo espadas?
– Ah, sim. Estou polindo a Kashu. – diz ela, arrumando alguns fios de cabelo que escapam do prendedor. – Espero que não se importe.
– Claro que não. Eu até pediria para você polir as minhas, se eu não tivesse as deixado em casa.
Seus olhos brilham no mesmo instante.
– Sério!? Até mesmo a Sandai Kitetsu!? – pergunta.
– Menos esta. – falo. Ela se desanima um pouco. – Eu já te expliquei. Ela é amaldiçoada.
– Eu sei. – responde, fazendo um biquinho. – Mesmo assim, eu queria.
– Está parecendo uma criança, Capitã. – brinco. – Prefere polir a Kitetsu ou continuar viva?
– Não vou tocar nela, pode ficar tranquilo. – fala, pegando o pano da mão da Nami.
Ela some depois das escadas.
– O que aconteceu, Zoro? Está mais animado ou é impressão minha? – pergunta Nami.
– Depois do que você viu de mim nesses dias, qualquer sorriso seria a maior animação, Nami. – falo, andando até ficar atrás do balcão. – Deixe-me ver algumas katanas no Google.
– Não. Você vai atender aqueles quatro clientes que estão vindo ali. – fala, apontando para fora da loja.
– Certo. Mas primeiro... Robin, o que está fazendo aqui? – pergunto.
Ela e Nami se entreolham.
– Bom, a Nami-chan me ligou e disse que você estava mal e que não aguentava mais te ver chorando, então eu vim aqui para substitui-la. – fala. Olho para Nami, irritado.
– Sua mentirosa. Você me viu chorando uma única vez. – falo. Ela ri.
– É, eu sei que dei uma exagerada. Mas... Quem não gostaria do colo da Robin, não é mesmo? – pergunta ela, piscando para mim.
Apenas suspiro.
– Não precisa se preocupar comigo, Robin. A Nami é maluca. – falo. Nami me dá um cascudo. – Ai! Doeu, Mercenária Peituda!
– Do que você me chamou, Cabeça de Brócolis!?
– É Marimo! MA-RI-MO! – respondo. Ela me olha. No mesmo momento, arrependo-me de ter soltado tais palavras. – Quer dizer... Ah, foda-se. Vou atender os clientes.
Merda. Não acredito que acabei assimilando o “Marimo” como meu apelido oficial. Que droga.
Meu celular treme dentro do bolso e eu o atendo, concentrado no computador da loja.
– Alô?
– É o Sanji. – ouço. O som de sua voz me paralisa.
– Ah, oi. – falo, incapaz e pensar em qualquer outra resposta.
– Será que você pode vir aqui em casa hoje? De preferência, rápido. – fala. Hesito em responde-lo. Estranho.
– Okay, eu passo aí. O que houve? – pergunto.
– Nada. Eu te conto quando chegar aqui. – responde.
– Está bem. Espere uns quarenta minutos.
Desligo a chamada e enfio o celular no bolso, já me levantando da cadeira.
Ainda acho isso muito esquisito. Quer dizer, ele não fala comigo desde a semana passada. Por qual motivo me ligaria do nada, pedindo-me para ir encontra-lo?
No meio do caminho para a saída da loja, paro.
Será que ele quer uma reconciliação?
Imediatamente, um sorriso cobre meu rosto. É isso. Só pode ser.
– Nami, vou sair! – grito. Ela desce do estoque, junto com Robin.
– Vai demorar? – pergunta.
– Sim. Vou para a casa do Sanji e de lá vou para o clube. – falo. – Então, até amanhã.
– Hm... Estou sentindo um cheirinho de roupa lavada. Se é que me entende. – fala, e eu sorrio com sua piada idiota.
– Talvez. Tchau! – exclamo saindo da loja. Ela me acena e, mais uma vez no dia, corro até meu carro.
A ansiedade toma conta de mim, meu coração acelera e meu corpo gela. Quando me sento no banco do motorista e fecho a porta, tenho que suspirar várias vezes para normalizar minha respiração.
Mesmo sabendo que pode não ser nada que estou pensando, uma ponta de esperança e felicidade insiste em permanecer acesa. E eu a aceito.
Quando chego ao prédio dele, chamo o porteiro. O homem me olha e sorri.
– Será que você pode me anunciar para o Sanji? – pergunto.
– Não, ele pediu para deixa-lo subir direto. Pode ficar a vontade. – fala. Surpreso, agradeço-o e dirijo-me para o elevador.
Aperto o botão do último andar e espero. Chego a me olhar no espelho para ver se tinha algo errado com meu rosto.
Pare com isso, Zoro. Você está parecendo uma adolescente apaixonada.
O elevador se abre e eu saio para o corredor, lembrando-me da localização do seu apartamento.
Aperto a campainha duas vezes e espero alguns segundos.
Nada.
Aperto a campainha novamente e bato na porta.
Nada.
Suspirando, ponho a mão na maçaneta e ela abaixa, abrindo a porta.
Está aberta? O Sanji nunca deixa a porta destrancada. Ele... Queria que eu entrasse direto?
Entro no apartamento e fecho a porta atrás de mim.
– Sanji! – grito, mas não ouço sua resposta.
Começo a andar pelo apartamento e chego na sala de jantar. Sobre a mesa grande, vejo seu notebook aberto e logado em seu Facebook.
Passo direto pela mesa, silenciosamente. Estou começando a realmente desconfiar. O que está acontecendo?
Quando chego ao corredor dos quartos, ouço sons. E quando adentro a este corredor, tenho certeza de apenas uma coisa: os sons são gemidos, e vêm do quarto dele.
De longe, consigo identificar sua voz. Mas não é a voz que normalmente eu ouço quando ele está comigo. E misturada com ela, os gemidos prazerosos de uma mulher. No mesmo instante, meu estômago começa a arder.
Nem eu mesmo consigo definir a sensação.
Abro a porta do quarto e vejo as costas da mulher, movimentando-se sobre Sanji com força e bem rápido, os dois bem suados e ofegantes.
Simplesmente cruzo os braços e dou alguns passos para frente, para ficar ao lado da cama.
Já me preparo para ver os olhos turvos de Sanji e aquela expressão que ele faz quando está hipnotizado.
Mas não. Não a encontro em lugar algum, e no momento em que percebo isso, sinto uma dor terrível no meio do peito. É como se meu esterno tivesse se quebrado e perfurado meu coração. Como se também minhas costelas tivessem se partido e perfurado meus pulmões. Não consigo respirar.
– Sanji. – murmuro. No momento em que me vê, ele olha para a mulher e, tranquilamente, passa a mão em seu rosto e se senta.
– Podemos parar só por um instante, Mika-chan? – pergunta. A mulher o olha e concorda, saindo de cima dele e se deitando na cama.
Sanji respira fundo e alcança uma toalha ao lado da cama, enrolando seu quadril.
Olhando e refletindo sobre a situação, não consigo pensar em uma saída. Sanji está fazendo sexo com uma mulher, fora do trabalho e completamente consciente.
– Olá, Zoro. Que bom que veio. – fala. Imediatamente detecto o tom irônico em sua voz.
Aquilo ativa uma raiva dentro de mim que não sinto há anos.
– Você me chamou aqui para isso, Ero-Cook? – pergunto. – Para eu testemunhar como você é comedor de puta?
– Não xingue a Mika-chan, Marimo. – fala ele, irritado.
– Eu não estou xingando ela. A Mika é garota de programa, eu sei disso. Você não sabia? – pergunto. – Eu era cliente dela, conheço até o cheiro do perfume. Pode perguntar. Ela não te contou?
– Isso é verdade, Mika-chan? – pergunta ele. Mika me encara e o olha, corando em seguida.
– É verdade, sim. – fala. – Mas eu deixei de me prostituir por sua causa, Sanji-kun! Desde a primeira vez que eu te encontrei lá no clube, eu...
– Ah, está explicado. Vocês se conheceram no clube. – falo. – Bom, espero que vocês sejam felizes, então.
Dou as costas e saio do quarto, querendo sair dali o mais rápido possível. Ouço os passos de Sanji atrás de mim.
– Você não vai me perguntar nada!? – pergunta. Paro meu percurso e me viro para trás.
– Certo, eu tenho uma pergunta. Quando você decidiu fazer sexo com ela por vontade própria e fora do trabalho, alguma vez pensou em como eu poderia me sentir caso descobrisse? – pergunto. Ele se irrita.
– Não se faça de vítima, Zoro! Depois de tudo o que você fez, não tente fazer com que eu me sinta culpado! – acusa ele. Franzo o cenho.
– Do que você está falando? – pergunto. Ele anda até seu notebook e dá play em um vídeo.
Com o vídeo em tela cheia, consigo vê-lo de longe.
Nele, vejo um casal bonito dançando uma valsa lenta, com passos quase profissionais. Algo romântico, íntimo e relaxado. Mas no meio da música o casal para, e os dois ficam só abraçados.
– Como você me explica isso? – pergunta Sanji.
– Explicar o quê?
– Veja mais de perto.
Ando até a mesa e, de perto, vejo que sou eu e Tashigi dançando, quando ela foi ao clube. A pessoa que filmou conseguiu registrar tudo: o momento em que paramos de dançar, quando eu comecei a chorar e ela me amparou. Segundos depois, seus beijos em minhas pálpebras.
Na descrição do vídeo, algo muito romântico, mas totalmente errôneo e até mentiroso.
“Esse vídeo foi gravado em um clube famoso do Japão, e mostra um casal dançando após o homem pedir a mão da moça em casamento. Os dois se entregam a música, e no final, choram de emoção e felicidade. Hoje em dia, é difícil encontrar algo deste tipo. Os dois são um exemplo de amor mútuo. Parabéns, casal.”
E mais embaixo, o número de visualizações: em dois dias de postagem, quase 500 mil visualizações.
Suspiro e dou um tapa em minha própria testa.
– Vai me dizer que não é você!? – grita. Levanto-me da cadeira e o olho.
– Sou eu. Mas isso não é motivo para...
– Não é motivo!? Você mentiu para mim! Disse que estava apaixonado, que estaria ao meu lado o quanto eu quisesse! – grita, com raiva. – E desde o começo, omitiu que tinha uma namorada! Como você teve coragem de sequer tocar em mim!? Você é o pior tipo de homem, Zoro. O que mais eu vou descobrir? Que você tem um casal de filhos!?
– Ero-Cook.
– Como eu pude acreditar? Todo aquele tempo! Você até foi atrás de mim na Alemanha, para deixar sua noiva sozinha aqui! – grita. Sua voz é carregada de escárnio, nojo e ironia. – Por que não me contou, Zoro? Queria jogar na minha cara depois? Quis brincar comigo, porque eu era cego? Ou queria me manipular para depois me comer e me deixar?
Não tenho resposta. É sério que ele acredita que eu fiz tudo isso? Não quero ouvir essas palavras.
– Por que se era isso que queria, conseguiu. Meus parabéns. Você enfiou seu pau nojento em mim, me beijou e me fez dependente de você. Eu tive a ingenuidade de começar a gostar de você, e para quê? Para encontrar esse vídeo revelando tudo o que você é de verdade. Mentiroso, adúltero e irresponsável.
Contraindo o maxilar com força, sinto meus dentes rangerem. Dou um passo para frente, fecho meu punho direito e soco seu rosto com a maior força que consigo no momento. Sanji cai no chão, atordoado.
Sinto algo quente em meu rosto, e sei que não é sangue. São lágrimas de raiva, dor e tristeza. Lágrimas que doem.
Tomara que tenha quebrado pelo menos uns cinco dentes, filho de uma puta.
– Eu sinceramente nunca pensei que você pudesse pensar isso de mim. – falo. Sinto meus lábios secos e rachados. – Não devo mais nenhuma satisfação a você, mas vou falar mesmo assim.
Ouço os passos de Mika e ela aparece em minha visão.
– Mas antes... Você. Saia daqui. Agora. – mando. Vejo que ela já está completamente vestida.
– Você não é o dono da casa, Zoro. Eu só vou sair quando o Sanji-kun mandar.
– Sanji, ou você manda essa mulher para fora agora, ou eu arrasto-a pelos cabelos até a portaria. Duvida? – pergunto. Ele se levanta.
– Mika-chan, é melhor ir embora. Eu te ligo amanhã. – promete ele.
Ela assente e vem em minha direção, já que estou a poucos metros da porta. Mika passa por mim lentamente, provocando-me abertamente. Por pouco não soco seu rosto também.
– Zoro, você não manda em nada aqui...
– Cale a boca. Agora, você vai ouvir. – falo, imponente e num tom bem mais alto que o dele. Sanji se cala imediatamente. – Como eu já disse, não devo satisfação nenhuma a você. Mas para não deixar nenhum mal entendido e você assimilar realmente o que aconteceu, vou contar tudo direitinho.
Respiro fundo.
– Ao contrário do que você pensou, eu não tenho uma namorada, e também não estou noivo de ninguém. Eu jamais seria capaz de trair alguém por quem estou apaixonado, ainda mais com um compromisso deste porte. Pode não parecer, mas eu dou valor ao matrimônio e acredito no amor entre duas pessoas.
“Eu fui atrás de você na Alemanha porque desde dias antes disso, eu já gostava de você. Fiquei tão preocupado que a Nami saiu por aí desesperada atrás de um voo direto para lá. Como ela não conseguiu, tive que ir de trem da Inglaterra até Munique. Passei quase um dia dentro de um metrô, por sua causa. Lembra aquela água quente em que eu esquentei seu macarrão, quando você estava há horas sem comer? Eu não tive permissão para pegá-la. Eu roubei de dentro da cozinha.
“Também não saio por aí enfiando meu “pau nojento” em pessoas que eu não gosto. Em nenhum momento eu te “comi”. Nós dois fizemos tudo em comum acordo. E não venha me falar que foram só transas secas, porque eu sei que tinha sentimento. Eu sentia isso vindo de você. Sentimento esse que você exclui quando está com mulheres, não é? Não se lembra nem que eu existo, Ero-Cook.
“E até agora, só tem uma coisa que eu não entendi. Você me viu dançando com a minha funcionária e também amiga Tashigi dentro do clube em que nós dois trabalhamos, mas não pensou em nenhum momento que era pelo trabalho? Não é sempre a sua desculpa? Não é você que sempre disse que fazia as coisas pelo trabalho, e não por si mesmo? Me diz, Sanji. Qual é a sua desculpa? O que eu vi naquela cama não foi pelo seu emprego. Foi para se vingar de mim, por um motivo nulo.
“Por que você não me perguntou sobre isso antes? Eu não entendo! Desde quando você confia tão pouco em mim para ter acreditado em um boato tão ridículo?”
Quando termino e recupero minha respiração, não consigo frear minhas lágrimas. A dor e decepção por causa da traição me deixam horrivelmente fraco. Começo a ter náuseas e até uma ânsia de vômito.
– Da última vez que nós nos vimos, eu te disse que não precisava pedir perdão por nada, que a culpa de tudo aquilo era minha. E anda continuo achando isso. – continuo. Então, tomo coragem e olho no fundo de seus olhos. – Mas... Traição é imperdoável. Por mais que você diga que nós nunca firmamos um compromisso... Eu sei que nós tínhamos algo importante.
– Zoro, eu...
– Shh. – peço. – Por favor. Não quero ouvir sua voz. Se você quer mulheres, é isso que você terá daqui para frente. Por favor, me esqueça.
– Está desistindo de mim? – pergunta, com a mesma voz chorosa e repetindo a mesma pergunta de vários dias atrás.
Mais uma vez, olho no fundo de seus olhos.
– Me desculpe. Eu não posso mais. – falo, virando-me de costas. – Quer dizer, olha o estado em que eu estou.
Suspiro e abro a porta do apartamento.
– Sim, estou desistindo de você e do seu amor. – declaro. – Agora você pode se considerar um homem realmente livre.
Quando dou o primeiro passo para fora, vejo Mika encostada na parede, à minha frente.
– E eu só vou dar um último aviso. – falo, limpando meu rosto das lágrimas. – Mika tentou me enganar umas três vezes, dizendo que estava grávida. Ela só quer o seu dinheiro.
– É mentira, Sanji-kun! – diz ela.
Quando dou por mim, já estou com as mãos por volta de seu pescoço.
– Eu te conheço, sua puta. – falo, ameaçador. – Ao contrário dele, não ligo se você é mulher. Quer experimentar?
Ela se debate, balançando as pernas para todo lado.
Zoro, você vai matá-la.
Solto seu pescoço e ela cai no chão, tossindo.
– Saia daqui. Pelas escadas. – mando. Ela me olha com medo e sai correndo em direção à saída de emergência.
No mesmo instante, aperto o botão do elevador e ele se abre. Quando as portas estão se fechando, vejo a porta do apartamento ainda escancarada e chego a ficar preocupado.
Infelizmente, nada disso mais diz respeito a mim.
Acho que não tem mais ânimo em mim nem para respirar, quanto mais para viver. Neste momento, o que eu mais quero é dormir. Para sempre.
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