Um Amor Complicado.
17 Capítulo 17 - Qual é a saída?
Notas iniciais
Capítulo 17
Acordo com a maior dor nas costas de todos os tempos. Cara, na boa. Eu juro que nunca mais dormirei no sofá novamente.
– Ah, que dor. – resmungo, tentando me sentar e esticar a coluna. Quanto suspiro, sinto cheiro de café.
Olho para a cozinha e lá está ele: observando-me e bebericando o café numa xícara de vidro.
Encaro-o de volta e causo um rubor em seu rosto. Lembro do que aconteceu à noite e, involuntariamente, irrito-me.
Levanto da cadeira e vou até o banheiro para escovar os dentes. Ao sair, olho para a minha cama e vejo-a completamente arrumada, como se ninguém tivesse dormido ali. E é quando vejo, no chão ao lado da cama, meu edredom todo enrolado sobre o tapete.
– Mas o quê... – murmuro, confuso.
Saio do quarto.
– Sanji, você não dormiu na cama? – pergunto, curioso. Ele desvia o olhar. De longe, sinto seu constrangimento.
– Bom dia pra você também, Zoro. – fala. Eu reviro os olhos.
– Bom dia, Ero-Cook. – respondo. – Então? Você dormiu na minha cama ou não?
Sanji termina o café e coloca a xícara sobre a pia.
– Não.
– Por quê? Se não queria dormir na minha cama, podia ter pedido para dormir no sofá. – falo, indo em direção a pia para pegar um pouco de café.
Ao invés de responder, Sanji me abraça por trás.
– Ero-Cook? – pergunto, surpreso. O simples toque de seu corpo com o meu me causa arrepios.
– Eu... Me sinto culpado. Eu sei que não deveria ter dito aquelas coisas. Eu sei que sou um otário. Mas... Eu não pude me controlar. Eu estava irritado, e tudo aquilo saiu sem eu nem ao menos perceber...
– Eu sei. – respondo, tocando suas mãos sobre minha barriga. – Você não é otário. Só... Me fez constatar o óbvio.
– O que quer dizer com isso?
Viro-me de frente para ele.
– Enquanto houver mulheres no mundo, você jamais será meu, Sanji. – falo, acariciando seu rosto. – Enquanto houver mulheres no mundo, você não será de ninguém. É simplesmente impossível.
Beijo seus lábios de leve e saio de seu abraço, me dirigindo para o quarto. Preciso de uma camiseta e uma cueca. Preciso pensar em outras coisas ou vou chorar. Mas que merda. Eu sou o quê? Um tablete de manteiga derretida?
– Então essa é sua resposta? – pergunta Sanji, chegando no quarto segundos depois. – Zoro, você... Está desistindo de mim?
Ele diz isso com tanta tristeza na voz que quase me desarma totalmente.
– Não, Sanji. Eu não conseguiria desistir de você, nem se eu quisesse. – assumo. – Afinal... Eu estou apaixonado por você. E estarei por muito tempo.
Sanji não diz mais nada, só me observa enquanto coloco a cueca e visto o resto da roupa.
Ando em direção a porta do apartamento.
– Onde você vai? – pergunta. Seguro a maçaneta da porta e passo a chave. – Zoro, onde você vai?
Quando estou prestes a sair, ele segura meu braço.
– Zoro, não vá! – pede.
– Me desculpe, Sanji. Eu... Só preciso de um tempo. A gente se vê no clube, ok? Quando sair, deixa a chave com a Nami, no apartamento do lado. – peço. Ele hesita, mas me solta.
Pego as chaves do carro e saio do apartamento. Preciso sair daqui. Preciso sair daqui.
Desço de elevador até o subsolo e pego meu carro, dirigindo em direção à loja.
Quando chego à rua, vejo que a loja está aberta e lembro que é o dia de Tashigi abrir o estabelecimento. Isso me alivia.
Estaciono o carro em frente e desço, com pressa. Quando abro a porta, ela se assusta.
– Ah! Zoro-san! – exclama, me recebendo com um sorriso caloroso. – Bom dia!
Não consigo respondê-la. A sensação ruim em minha garganta é muito forte. E ela percebe isso ao olhar meu rosto.
– O que houve? – pergunta, saindo de trás do balcão. – Aconteceu alguma coisa grave?
– Capitã... Aquele seu ombro amigo viria muito a calhar agora. – falo. – Pode me emprestar?
Ela se surpreende, mas assente. Vejo-a trancar as portas da loja. Em seguida, Tashigi me segura pelo braço e me puxa em direção à escada que leva ao andar de cima da loja, onde há sempre um colchão forrado e uma televisão velha. É mais uma área de descanso.
Então ela se senta sobre o colchão e me faz colocar a cabeça em seu colo.
– Seria rude se eu perguntasse o que aconteceu? – pergunta. Eu sorrio fracamente.
– Não seria rude. – responde. – Mas eu apenas te falaria que o assunto tem a ver com o que eu te contei lá no clube.
– Ah. – solta. – Bom, não precisa me contar então. Só... Faça o que quiser. Se quiser conversar, vamos conversar. Se quiser dormir, pode dormir. E se quiser chorar, fique a vontade.
– Obrigado. – falo, fungando. – Acho que... Gostaria de apenas ficar em silêncio.
Acabo adormecendo em seu colo, depois de molhar suas coxas com minhas lágrimas enquanto ela apenas acariciava meu cabelo de leve. Sem nenhuma pergunta ou questionamento. Só... Silêncio.
Acordo sozinho no colchão, com a TV desligada. Levanto-me e desço para a loja.
– Oi... – falo, vendo Nami mexendo no Excel.
Ela se vira na cadeira e olha em meu rosto.
– Que droga. Eu sabia que você estaria assim. – murmura, tirando os óculos de leitura. – É o Sanji, não é?
– Não é nada. – minto, tentando fugir da conversa.
– Zoro, ele passou lá em casa hoje. E estava com a mesma cara que você. – revela. Eu apenas assinto, sem força para pensar em qualquer coisa. — Ele... Disse que vocês terminaram.
Praticamente viro uma estátua. Depois de segundos, solto uma risada fraca.
– Engraçado. Ele sempre dizia que não tínhamos nada, e agora disse que terminamos... – murmuro, para mim mesmo. – Nami, eu vou ficar de folga hoje. Volto a trabalhar amanhã.
– Você manda, Patrão. – brinca. – Quando a Tashigi-chan voltar do jantar, aviso que você foi embora.
Assinto e saio correndo em direção ao meu carro. Quando entro, tranco tudo e pego meu celular, no bolso. Respiro fundo e escrevo uma mensagem.
“Nós terminamos?”
Segundos depois, recebo sua resposta.
“Sim e não. Não sei. Não sei mais de nada.”
Suspiro e encosto a testa no volante.
Decido ir para casa e fazer o que tem que ser feito.
Tomo um banho e começo a me trocar rapidamente, para logo estar no clube. Ao entrar, Ren me recebe com um aperto de mãos e um sorriso amigável.
– Konbanwa, Zoro-san. – diz ele. Eu sorrio de volta.
– Konbanwa. – respondo. – O Sanji já está aí?
– Sim. Mas antes de você ir atrás dele, preciso que você passe na sala do chefe. Ele está irritado porque ontem você não foi assinar os papéis.
– Puta que pariu. – solto, lembrando-me. – Eu esqueci totalmente.
– Acho bom você correr para lá o mais rápido possível. Se eu ver o Sanji-san, aviso que você chegou. – fala. – Mas não pense que eu vou fazer tudo isso de graça.
– O quê? Quer dinheiro? Então não precisa avisar que eu cheguei. – falo, estranhando. – Cada uma que me aparece.
– Como eu pensei, você é durão. — fala, sorrindo um pouco. — Eu estava só te testando. Pode deixar, eu aviso.
– Não entendi nada, mas obrigado. – respondo, rindo sozinho. Corro em direção às escadas, localizadas ao lado do corredor dos quartos. Subo-as e encontro mais e mais dançarinos e dançarinas, além dos Hosts. Todos me cumprimentam.
Quando subo a outra escada, dou de cara com o Segurança Armário.
– O Chefe quer falar comigo. – aviso. O homem, completamente calado, abre a porta da sala para mim.
– Ah, sim. Eu sei. – ouço, ao entrar. Asami-san está de costas para mim, olhando a cidade por sua parede de vidro. – Só não se esqueça que eu sou muito mais poderoso do que você. Se continuar, pode se dar mal.
Bato na porta e pigarreio, antes de fechá-la. Ele se vira e, com gestos, me pede para esperar.
– Não me interessa. Eu não vou vendê-lo. Meus Hosts não são mercadoria, idiota. – fala, irritado. – Você realmente acha que eu vou deixá-lo ir? Você é meu maior concorrente.
A conversa me deixa desconfortável. Não quero ouvir a conversa do meu chefe com alguém no telefone.
– Não me interessa se ele acabou de chegar. Em um dia, Roronoa fez mais dinheiro do que eu fazia em três meses. Eu não sei como, mas ele conseguiu fazer uma só mulher gastar quatorze mil dólares, além das outras clientes que ele nem precisou levar para o quarto. Está entendendo? Eu nunca vi algo assim. – diz ele. Assusto-me com suas afirmativas.
Eu estou sendo cobiçado? Cara, eu acabei de começar no serviço e já querem me tirar daqui?
– Escuta aqui. Você pode oferecer o dinheiro que quiser, mas ele não vai sair daqui. Passe bem. – termina ele, desligando o celular. Asami-san se vira e suspira, olhando meu rosto.
– Algum problema?
– Você mal chegou e já está sendo concorrido. – responde. – Você fez alguma macumba, por acaso?
– Não sou adepto a nenhum ritual, mas... Digamos que eu já tenha presenciado algo incrível. – falo.
– E o que seria?
– Não, nada. – falo, lembrando-me do dia em que Sanji foi operado.
– Hm... Bom, veio para assinar os documentos de admissão, certo? – pergunta, já mexendo em sua gaveta. Ele tira uma folha de lá e me estende uma caneta.
– É o contrato? – pergunto.
– Sim. Preencha tudo. – manda. Eu suspiro e começo a escrever. – E enquanto você preenche, quero conversar um pouco com você.
Fico em silêncio, apenas escrevendo.
– Como ouviu, você está sendo disputado. – começa, sentando-se na cadeira grande. – E isso é um grande problema.
– Por quê? – pergunto. – Se estou sendo disputado, é porque sou bom. Não é?
– Certamente. Mas isso quer dizer que você vai começar a receber propostas para trabalhar fora daqui, e eu não quero que você saia.
– Ah... – murmuro. – Quanto a isso, não se preocupe. Não vou sair daqui, pelo menos durante o primeiro mês.
– Você não está entendendo. – fala. – Roronoa, o maior concorrente está disposto a me pagar 25 milhões de ienes para te vender.
– Se fosse em dólares, eu entenderia. – disparo. – É uma pena que a moeda do Japão seja tão desvalorizada, não é mesmo?
– É impressão minha ou você está sendo irônico? – pergunta. – O que quer dizer?
– Quero dizer que seria burrice. Afinal, quem te garante que eu não possa fazer esse dinheiro render muito mais trabalhando aqui? – pergunto. Ele sorri perversamente.
– Você é muito atrevido, Roronoa. – fala. – Eu não gosto de você.
– Não se preocupe. – falo, devolvendo o papel. – Não são muitas pessoas que gostam de mim. E eu também não gosto de você.
– Então, temos uma amizade saudável. – responde, ainda sorrindo um pouco. – Vou duplicar seu salário.
– Não entendo sua lógica, mas... Eu aceito com o maior prazer. – falo.
Encaminho-me para a porta.
– A propósito... – diz ele. Eu me viro. – Por que não gosta de mim?
– Não sei. Só não vou com a sua cara. Com licença.
Saio de sua sala, ouvindo sua risada de divertimento. Ah, esse cara me irrita bastante.
Ando pelo corredor, agora mais vazio por conta do horário. Todos já devem estar trabalhando.
Desço as escadas correndo e, quando avisto o salão principal, acelero ainda mais o passo.
É quando vejo aquele familiar cabelo louro. Já indo em direção aos quartos com mais de cinco mulheres, Sanji passa, esbarra em mim, mas não me enxerga. Ele me vê, mas não enxerga. É como se realmente me esquecesse.
– Zoro-san! – ouço. Viro minha cabeça em direção ao grito, e vejo o organizador correndo para o meu encontro. Ele parece espantado.
– O que foi, Sakurazaki? Viu um fantasma? – pergunto. Ele me olha por entre suas lentes de grau grossas.
– Zoro-san, melhor sentar para não cair. – fala.
– Deixa de besteira. O que foi?
– Eu nunca vi isso na minha vida, mas... Você tem 40 mulheres à sua espera, e elas não aceitam mais nenhum acompanhante. – fala, me surpreendendo totalmente.
– Uau. – solto. Penso em várias circunstâncias.
– O mais incrível é que abrimos não tem nem quinze minutos. – fala. Eu assinto.
– Certo. Pode trazer vinte. Vou fazer vinte por hora, hoje. – digo. Ele se assusta.
– Isso é muita coisa, Zoro-san! É impossível dar atenção para todas elas ao mesmo tempo! – exclama. Eu sorrio.
– Não se preocupe. O Ren atende comigo. Ele nunca faz muita coisa, mesmo. – falo. Sakurazaki suspira e massageia suas têmporas.
– Okay, então. Vou buscá-las.
Quando ele sai, procuro Ren.
– Ren! Ren! – chamo. Ele se levanta do bar e corre até mim.
– O que foi? – pergunta, preocupado.
– Eu tenho vinte clientes para atender, durante uma hora. Preciso dividir o peso. Topa? – pergunto. Ele sorri.
– Claro, mas... – começa, inseguro. – E o Sanji-san?
A menção de seu nome em voz alta faz meu peito doer, e sinto a mesma sensação de antes: é como se meu coração fosse partido e amassado ao mesmo tempo.
– Ah, ele tem suas próprias clientes. Inclusive levou quase dez para o quarto, agora há pouco. – falo, tentando não pensar muito nisso. – Então?
– Tudo bem. Vamos fazer dinheiro. – declara, sorrindo.
Horas depois...
Caio na cama, exausto. Descubro-me mais cansado mentalmente do que fisicamente.
Perdi a conta de quantas mulheres Sanji beijou. Perdi a conta de quantas ele levou para o quarto, e também não me lembro mais quantas taças de champagne o vi beber.
Isso é uma sacanagem. Eu comecei a trabalhar ontem, descobri que estou sendo disputado, meu chefe dobrou meu salário, estou tendo sucesso profissional... E sinto como se minha vida fosse um lixo.
Porque no final, nada disso adianta. Se eu não tiver o Ero-Cook comigo para disfrutar e compartilhar as coisas junto a mim, nada disso tem a mínima importância. Se eu não posso sentir seu calor, ver seu sorriso e tocá-lo, nada tem graça. Tudo é seco. Nem a comida tem gosto.
Porque eu o amo. E caso não consiga fazê-lo me amar também, sinto que vou desmoronar totalmente. Como estou observando, isso é bastante possível.
Enquanto houver esperança para nós dois, vou persistir. Enquanto eu sentir pelo menos uma mínima chama acesa, vou perseverar.
Mas não é como se eu pudesse fazer tudo sozinho.
Quando estou começando a pegar no sono, meu celular toca. Irritado por ser interrompido, atendo-o rapidamente.
– Seja lá quem for, isso não é hora de ligar para os outros. – solto.
– Zoro, é o Sanji. – ouço. No mesmo instante, fico mais alerta.
– Ah. O que foi? – pergunto. Percebo que ele não está no clube, pois não ouço nenhum ruído no fundo.
– Eu estou na porta do seu apartamento. – fala. No mesmo momento eu me levanto da cama.
– Hã? Por que está aqui? Eu pensei que você ia para a sua casa depois do trabalho... – falo, procurando as chaves da porta.
– É onde eu deveria estar, mas... Não conseguiria dormir mais uma noite com essa nossa situação estranha. – revela. Eu suspiro.– Eu não estou bêbado.
Isso torna tudo pior.
– Certo. Estou indo abrir a porta.
Desligo o celular e, com a chave em mãos, ando até a porta e abro-a.
– Entre. – peço. Ele entra, ainda com a roupa da rua e um cheiro muito forte de perfume feminino. – Pode se sentar no sofá. Só vou buscar um pouco de café para você.
– Não precisa. Eu estou bem acordado. – fala. Sanji parece irritado.
– Tudo bem. – respondo, sentando-me de frente para ele, no outro sofá. – Então?
Ele suspira.
– Antes de tudo, eu quero dizer que não vim aqui para brigar com você e nem te cobrar nada.
Analiso sua frase. Como assim, me cobrar?
– O que quer dizer? Estou te devendo alguma coisa? – pergunto, confuso.
– Não, mas... – começa. – Eu gostaria de saber o motivo de você não ter ido trabalhar hoje.
Sinto como se meu corpo virasse pedra.
– Quer dizer, eu sei que nossa relação está esquisita, mas isso não é motivo para você faltar no trabalho, ainda mais quando está fazendo tanto sucesso. – continua ele. Eu não consigo nem ao menos mudar minha expressão de surpresa.
Estou petrificado.
– Bom, se você não quiser responder, eu te entendo...
Respiro fundo e engulo seco, focando seu rosto.
– Sanji, eu fui trabalhar hoje. Eu trabalhei junto com o Ren, que me ajudou com o grande volume de clientes. – falo. Ele junta as sobrancelhas, confuso. – Inclusive, você esbarrou em mim quando estava levando várias mulheres para dentro dos quartos. Me pediu até desculpas! Não se lembra disso?
– Zoro, se isso for alguma brincadeira, não tem graça. Você não foi. Eu não te vi, oras. – fala.
– Eu fui. – insisto. – Vi a hora que você quase tirou a roupa de uma mulher na pista de dança, vi quando você pegou-a no colo e a levou para o quarto... Eu estava presente. Você não me enxergou hora nenhuma?
Ele não me responde. Coloco as mãos no rosto e esfrego os olhos.
– Ah, que ótimo. – murmuro, sentindo o molhado na ponta dos dedos. – Este é o meu nível de insignificância.
– Zoro, eu... Me desculpa. – ouço. Sua voz é embargada, quase chorosa.
– Não, está tudo bem. Você não tem culpa de nada disso. Agora você enxerga tudo, sinta-se feliz. – falo, forçando um sorriso. – Mulheres não são maravilhosas?
Sanji se levanta e vem em minha direção, ajoelhando na minha frente. Ele levanta meu rosto e beija meus olhos, um de cada vez.
– Me perdoa, por favor... Eu não sei o que está acontecendo comigo. – murmura, abraçando-me. O cheiro de perfume em sua roupa é tão forte que me deixa enjoado. – Eu não quero esquecer você.
– Você não vai me esquecer, idiota. Só não vai lembrar de mim quando estiver rodeado de mulheres. – falo. – E esse perfume... Ero-Cook, você está fedendo.
Ele sorri minimamente.
– Tudo isso é culpa sua. Se você não tivesse me incentivado a enxergar, provavelmente isso nunca iria acontecer. – diz ele, e eu assinto.
– Eu sei disso. Mas nunca me passou pela cabeça. Eu... Só queria te ver feliz, Ero-Cook. Entenda. Eu estou pouco me fodendo para mim mesmo. – respondo. – E no fim, você realmente ficou muito mais feliz.
– Eu não quero essa felicidade. Se é por isso... Eu prefiro voltar a ser cego.
– Não diga coisas imbecis como essa, Sanji. – falo, irritado com sua frase. – Não se preocupe mais. Você está feliz, e a sua felicidade me alimenta. Viva como quiser viver, não fique preso a mim. Você é e sempre foi um homem livre.
Sanji cora muito e derrama algumas lágrimas. Ele sobe no meu colo e coloca uma perna em cada lado do meu corpo, abraçando-me.
– Não diga essas coisas. Está parecendo uma despedida. – fala. Solto um soluço involuntário e, contrariando todos os meus esforços, começo a chorar em silêncio. – Eu não quero que você fique longe de mim.
– Não vou ficar longe de você. Não enquanto você me quiser por perto. – respondo.
Ficamos abraçados por mais alguns momentos, até que ele adormece sobre mim.
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