Um Acidente No Tempo

17 Capítulo 17 - Oclumência


Notas iniciais
Depois da muito longa ausencia, eu voltei com mais um capitulo. Tenho coisinhas bonitinhas para falar com vocês, mas vou deixa-las nas Notas Finais! Muito obrigada a todas as encantadoras leitoras que comentaram no capitulo passado. Espero que gostem muito do capitulo! Boa Leitura

Lily aguardou até Severo abandonar o seu quarto. Tinha decidido aceitar o anel. Não tinha a certeza se essa seria a posição mais correta, mas depois de ouvir aquela história não conseguia recusar. Ela se lembrava bem da senhora Eileen, ela não tinha sido muito agradável inicialmente, mas com o passar do tempo lhe começara a sorrir docemente, apesar de parecer extremamente frágil e doente. Era uma mulher que parecia permanentemente prestes a se partir aos bocados.

Regressou para a cama e descalçou os sapatos. As coisas naquele tempo eram um pouco mais complicadas do que ela pensara. Ela não existia naquela realidade, no entanto, era como se tivesse recebido uma segunda oportunidade para existir, para modificar algo que não lhe deveria pertencer, e por vezes se sentia como se não estivesse a fazer a coisa certa. Sentia que não correspondia às expectativas que existiam à sua volta, queria ser uma boa mãe para Harry, mas não conseguia se adaptar a Tiago, sabia que deveria ensinar e proteger os alunos, no entanto pouco poder tinha lá dentro e os seus conhecimentos apesar de tudo, a nível de poções estavam ligeiramente restringidos e sentia que Severus precisava muito mais dela do que aquilo que ela conseguia dar.

Enquanto se perdia nesses pensamentos e rodava o anel de Severus no seu dedo anular, uma pancada na porta soou novamente. Sem muita vontade abriu a porta. Mas isso mudou quando viu o jovem de olhos verdes.

– Papai pediu para a chamar. O almoço está pronto.

Lily não pode deixar de sorrir, não podia deixar de se sentir feliz por o seu filho ter se tornado um homem muito gentil. Ele tinha nascido órfão, sem nenhum amor e carinho da sua parte e, mesmo assim, se tornou alguém genuinamente bom, sem rancores ou um feitio ruim. Nunca a tinha conhecido verdadeiramente, mas mesmo assim conseguia ser, no fundo, muito parecido com ela.

– Muito obrigado.– Perguntou a ruiva, colocando o braço em volta dos ombros do filho. — Recebeu algo dos seus amigos?

O garoto começou a descrever a extensa quantidade de prendas. Tinha recebido um caderno que gritava “Faça isso hoje ou mais tarde você pagará!”, que deduzira ser um anotador de deveres, pela parte da Hermione; um conjunto de livros, que lhe agradaram muito, intitulados “Práticas de Mágica Defensiva e o seu Uso Contra as Artes das Trevas” do seu padrinho e de Lupin; Hagrid tinha enviado uma carteira peluda marrom, que infelizmente possuía presas que impediam tanto Harry como outros ladrões de retirar o conteúdo; um modelo de uma Firebolt de Tonks; Ronald lhe dera uma caixa enorme de Feijõezinhos de Todos os Sabores que trouxeram recordações ruins a Lily; o senhor e a senhora Weasley a suéter de malha usual e algumas empadas de carne; e, por fim, Dobby lhe enviara uma pintura horrível que aparentava ter sido feita pelo próprio elfo e que muito provavelmente era o Harry, apesar das semelhanças nulas.

Lily acenava com a cabeça e ria em alguns momentos, especialmente da expressão do filho ao descrever a pintura, era evidente, que apesar de Harry sentir dramaticamente a falta dos pais, os Weasley eram a sua família e que quando eles tivessem que partir novamente, o filho não ficaria sozinho. Ele teria sempre alguém para cuidar dele e a aquecer o seu coração.

Quando se aproximaram da sala de jantar era possível ouvir queixumes e várias risadas. Pareciam estar a passar um bom bocado, de tal forma, que ambos se apressaram a entrar e a ocupar os seus respectivos lugares. Remo e Tiago riam compulsivamente.

– Eu nem acredito que você está a sugerir isso. – Disse Sirius, o mais velho, enquanto encarava os outros marotos com uma expressão de absoluto choque.

Lily olhou para eles com curiosidade.

– Cara, qual é o mal?

– Você tem noção da idade que eu tenho?

O maroto ficou pensativo por alguns momentos, antes de afirmar:

– Não faço a menor ideia. Mas você está velho e essas coisas acontecem…

– Eu tenho trinta e seis anos, seu idiota! Oh meu Merlin, já me tinha esquecido do quão babaca você consegue ser!

– Isso é ser velho. – Reafirmou Tiago, com uma expressão falsamente séria e preocupada.

– Que raio de conversa é essa? – Se intrometeu Lily, com a testa ligeiramente enrugada.

Os marotos se entreolharam sem saber muito o que dizer, mas antes que Tiago pudesse se pronunciar em sua defesa, Remo se adiantou.

– Você não quer saber.

Mas Lily não parecia satisfeita com essa justificação.

– O seu futuro marido, – Começou a versão mais velha de Sirius. – apesar de ainda hoje eu não saber como isso aconteceu, está a colocar em causa… bem, as minhas competências.

– Competências?

– Você é tão inocente, meu amor… — Disse Tiago enquanto tentava acariciar o rosto de Lily.

– Não me toque! – Ela retirou a mão de Tiago da sua cara, com uma expressão capaz de assustar qualquer Grifinório. – Você não estão a falar de… Bem, você-sabe-o-quê…?

Tiago e Remo começaram a rir novamente.

– Exato. – Murmurou Remo enquanto tentava controlar o riso.

– Porque é que estão a ter esta conversa à mesa e, especialmente, à frente dos garotos!?

O rosto de Lily estava ligeiramente corado, embora a sua enorme irritação, o que fazia os dois marotos rirem ainda mais. Quem parecia não estar a gostar nada da brincadeira, além dos Sirius mais velho, era o mais novo. Ele encarava o prato de forma silenciosa e desanimada.

– Que se passa? – Perguntou Lily, enquanto revirava os olhos para os outros.

– Eu não quero ficar impotente.

Essa afirmação fez o Sirius mais velho ficar ainda mais zangado e agarrar os ombros do Sirius mais novo e o abanar.

– Você não ficar impotente! Cara, não acredite em nada que este veado diz!

– Hum… — Murmurou George relativamente alto, chamando a atenção de todos. O maroto largou os ombros da sua versão mais recente. – Bem, professores, me desculpem estar a intrometer, mas…

– O que fazem aqui? – Completou Fred, sem hesitação.

Por um momento todos permaneceram calados e quietos, sem saber muito bem por onde começar. Enquanto os gêmeos aguardavam por uma resposta, Lily retirou a sua varinha.

– Você não vai apagar a memória deles, pois não? – Perguntou Tiago, segurando o braço da ruiva.

Os dois gêmeos se entreolharam assustados.

– Claro que não. – George suspirou de alívio. – Vou lhes revelar a nossa verdadeira identidade.

Todos na mesa pareciam curiosos enquanto Lily baloiçava a sua varinha em redor do seu corpo e do corpo dos dois marotos, sem pronunciar uma única palavra. Pequenos fios alaranjados se enlaçavam em seu redor, modificando lentamente o formato e estrutura dos seus rostos. Quando todos os fios desapareceram, os três jovens apresentavam a sua aparência inicial.

– Apenas vai durar alguns minutos. Dumbledore me ensinou à algum tempo. – Esclareceu Lily, baixando a sua varinha e encarando os rostos das pessoas em seu redor.

Havia um particularmente surpreendido.

– Lily e James Potter! – Exclamou Tonks, com a mão a cobrir a boca. – Não é possível!

– Potter?! – Desta vez foram os gêmeos. – Como assim Potter?

– Mas… Esses não são os nomes dos pais do Harry?

– George, o professor Ponter é igualzinho ao Harry!

– Mais importante que isso tudo… — Realçou Fred. – HARRY POTTER, PORQUE É QUE VOCÊ NÃO NOS CONTOU QUE OS SEUS PAIS ERAM TÃO LEGAIS?!

Ninguém conseguiu evitar soltar umas risadas devido a esse comentário. Eles pareciam também particularmente ofendidos por parecer que apenas eles e a Tonks desconheciam a verdadeira identidade dos melhores professores de Hogwarts. O resto do almoço correu naturalmente, surgiram as perguntas naturais de como era possível eles estarem de volta, visto que tinham morrido hà tantos anos, entre outras. Todos pareciam ter esquecido por alguns momentos a ausência de Percy e desfrutavam de uma refeição agradável e cheia de animação.

**********************+.+**********************

Os dias tinham decorrido com naturalidade, depois daquele almoço todos tinham ido visitar o senhor Weasley, que parecia estar melhor, ao hospital. Harry não podia estar mais feliz, alternava as suas férias com ficar na casa alugada pelos pais e a casa de Sirius, e pela primeira vez passava um Natal com tanto a sua família do coração como a sua família verdadeira. Era momentos felizes até a chegada de Severo Snape a Grimmauld Place no último dia.

Harry e Lily conversavam animadamente sobre o momento em que Hermione quase se tinha transformado num gato devido a um problema com a Polissuco. Depois de soltar algumas risadas, Lily não podia de deixar de realçar a habilidade da garota. Era muito invulgar alguém tão novo conseguir executar uma poção dessas com sucesso.

– Mas vocês conseguiram o que queriam?

– Nem por isso. – Confessou Harry, despenteando ligeiramente os cabelos.

Antes de Lily comentar alguma coisa, Molly surgiu com um sorriso constrangido.

– Desculpem estar a interromper, mas o Professor Snape queria dar uma palavrinha ao Harry.

– O Snape? – Harry fez uma cara de desgosto, que não durou muito tempo, pois a ruiva tratou logo de dar uma pancadinha na sua cabeça. – Não me olhe assim. Você sabe bem que eu nunca vou gostar dele.

– Ele está na cozinha, querido.

O garoto bufou irritado, mas pegou na mão da mãe para se dirigirem para a cozinha. Ele não desejava minimamente se encontrar com Snape, mas sabia que ele não faria nada de mal se a sua mãe estivesse por perto. A ruiva entrelaçou os dedos com os do garoto e abriram a porta da cozinha. Lá dentro os esperava não apenas um Snape, mas também um Sirius. Eles estavam sentados na longa mesa de jantar, olhando para os lados opostos e com uma carta aberta na frente de Sirius. Tanto um como o outro ficaram surpreendidos quando viram a ruiva entrar de mãos dadas com Harry.

– Sirius? O que você faz aqui? – Perguntou Lily com um olhar confuso que alternava entre os dois homens.

– Estou aqui para proteger os interesses do meu afilhado como um bom padrinho. – Era possível ver o sorriso de sarcasmo no rosto de Snape ao ouvir tais palavras. – Você tem algum problema com isso, Ranhoso?

– Sirius! – Exclamou Lily. – Bem, eu estou a aqui e com certeza que consigo proteger os interesses do Harry.

– Lily não me leve a mal, mas eu quero falar com o Potter a sós.

Snape não estava a espera do olhar de irritação que Lily lhe lançou.

– Eu sou mãe dele. Tenho todo o direito a ouvir o que você lhe quer dizer. Em relação a você Black, desapareça daqui!

– Mas…

– Saia já daqui. – E assim o fez Sirius, quase com a cauda entre as pernas abandonou a sala.

Tanto Harry como Lily se sentaram na mesa de jantar, com os olhos postos em Severo e as mãos ainda entrelaçadas.

– Bem, o director me enviou para cá para lhe dizer que ele deseja que você estude Oclumancia nesse semestre.

– Estudar o quê? – Perguntou Harry, com uma expressão confusa.

O lábio de Snape se afinou, o que fez com que Lily pousasse a mão nos cabelos de Harry e lhe desse um sorriso doce enquanto respondia.

– Oclumancia, meu querido. É uma arte que permite proteger a sua mente de invasores.

– E porque é que eu tenho que estudar isso? – Essa pergunta se dirigia a Severo.

– Porque o diretor acha que é uma boa ideia — Disse Severo calmamente. — Você terá aulas uma vez por semana mas não dirá a ninguém que estará fazendo, muito menos a Dolores Umbridge. Entendeu?

– Claro. Mas quem será o meu professor?

Snape levantou a sobrancelha.

– Eu. – Harry engoliu a seco e olhou para a mãe em busca de apoio.

– Eu posso o ensinar. – Afirmou Lily, causando um sorriso no rosto de Harry.

– Você está a duvidar das minhas capacidades, Lily Evans? – Lily abanou a cabeça. – Não esperava isso de você.

A garota suspirou.

– Nada disso, Sev. Apenas o meu filho não parece muito satisfeito com a situação.

– Acho que o seu filho pode compreender que eu também não estou nada satisfeito, nem que implorei por este trabalho. O diretor decidiu e assim será.

– Posso pelo menos estar presente? – Pediu a ruiva, desistindo da batalha.

– Pode. – Ele se levantou e soltou um sorriso triste. – Estarei esperando os dois às seis horas na segunda a noite. Em minha sala. Se alguém perguntar onde vão, respondam que é uma aula extra de poções.

– Ninguém acreditaria isso. – Murmurou Lily revirando os olhos.

– Qual quer pessoa que o tenha visto numa aula acreditaria.

– Severo! – Reclamou Lily. – Não diga isso do meu filho!

Ele soltou uma curta gargalhada e olhou nos olhos da ruiva.

– Adeus, Lily. Adeus, Potter. – E com essas palavras abandonou a cozinha.

**********************+.+**********************

Eles voltariam a Hogwarts usando o Nôitibus Andante no dia seguinte, escoltados mais uma vez por Lupin, Tonks e os três viajantes no tempo. Lupin e Tonks estavam a tomar o café da manhã, conversando em sussurros, quando os restantes desceram na manhã seguinte. A conversa entre os dois rapidamente terminou quando Harry abriu a porta.

Após um corrido café da manhã todos vestiram suas jaquetas e cachecóis para se proteger no frio daquela manhã cinzenta de Janeiro. Ninguém queria partir, pois, afinal tinha sido um Natal maravilhoso, a despedida entre Tiago e Sirius fora particularmente dolorosa, assim como aquela entre Harry e o padrinho.

– Vamos, então. — Disse Sirius dando um tapinha nos ombros de Harry, sorrindo, e antes que Harry pudesse dizer qualquer coisa estavam indo para o andar de cima, parando em frente a porta principal, que era cheia de trancas, cercado pelos Weasley.

– Adeus Harry, tome cuidado. — Disse a Sra. Weasley, o abraçando.

– Nos vemos, Harry, e fique de olho nas cobras pro mim. – Pediu o Sr. Weasley, sacudindo as mãos.

– Certo... — Disse Harry distraidamente, enquanto se abraçava à mãe que parecia tremer ligeiramente de frio.

Ao dar o último olhar para o padrinho, viu este lhe sorrir tristemente.

– Tome cuidado, Harry. Cuide de seus pais.

Harry lhe sorriu tristemente de volta. No momento seguinte, ele sentiu o ar frio do inverno, com Tonks, naquele dia disfarçada com uma alta bruxa de cabelos grisalhos e vestida de tweed, o mandando seguir em frente. A porta do número doze fechou por trás deles. Seguiram Lupin pelos degraus da entrada. Assim que chegou a calçada Harry olhou para trás. O número doze estava encolhendo até não mais ser visto. Um instante depois já havia desaparecido.

– Vamos, o quanto mais rapidamente entrarmos no ônibus melhor. — Disse Tonks. Lupin rapidamente esticou seu braço direito.

BANG.

Um ônibus violentamente roxo e de três andares apareceu do nada na frente deles, quase batendo nos postes de luz mais próximos, os quais pularam para trás para sair do seu caminho.

– Bem vindos ao...

– Sim, sim, nos sabemos, obrigado. — Disse Tonks impaciente. — Entrem, entrem.

Ela empurrou Harry com força em direção aos degraus, passando pelo condutor, que olhava surpreso para ele enquanto passava.

– Er... É o Arry!

– Se você gritar o nome dele vou lançar contra você maldição de esquecimento. — Tonks murmurou ameaçadoramente, agora gritando com Gina e Hermione.

– Eu sempre quis andar nesse troço — Disse Rony com alegria, juntando-se a Harry já a bordo e olhando em redor.

– Eu também. – Exclamou Tiago também, colocando o braço em redor dos ombros de Sirius. – Você já experimentou, cara?

– Sim, e não foi nada agradável.

O Nôitibus estava cheio de um grupo de cadeiras que não combinavam, estando agrupadas de forma desorganizada ao redor das janelas. Algumas dessas cadeiras pareceram ter caído quando o Nôitibus parou abruptamente em frente ao Grimmauld Place, alguns bruxos e bruxas ainda estavam aos seus lugares, reclamando, e os sacos de compra de alguém estavam espalhados ao longo do ônibus: uma mistura nada agradável de ovos de rã, baratas e doces de creme esparramados por todo o chão.

– Parece que teremos que nos dividir. — Disse Tonks rapidamente, olhando ao redor procurando por cadeiras vazias. — Jorge, Fred e Gina vocês devem se sentar nas cadeiras lá do fundo... Remo pode ficar com vocês. Vocês também Ponter e Blane

Ela, Harry, Rony, Hermione e Lily foram para o andar mais alto onde havia duas cadeiras vazias na frente e três nos fundos. Stanislau Shunpike, o condutor, seguiu Harry e Rony para o fundo. As cabeças se viravam à medida que Harry passava e quando se sentou viu todas as cabeças virarem para frente novamente.

Enquanto Harry e Rony entregavam a Lalau onze sicles cada um o Nôitibus ligou os motores novamente, balançando ameaçadoramente. Fez um barulho estrondoso por perto de Grimmauld Place então, com outro enorme BANG, foram arremessados para trás; a cadeira de Rony caiu e Píchi, que estava em seu colo, fugiu da gaiola voando para todos os lados em direção à frente do ônibus, onde voou para os ombros de Hermione. Harry, que se segurou em um suporte de velas para não cair, olhou para fora da janela agora estavam passando pelo que parecia ser uma rodovia.

– Por volta de Birminghan — disse Lalau feliz, respondendo a pergunta não feita de Harry enquanto Rony tentava se levantar do chão. — Você continua bem, Arry? Eu vi seu nome no jornal várias vezes durante o verão, nunca eram coisas legais. Eu disse ao Ernie: "ele não parecia ser um maluco quando nos conhecemos mas acho que aparece alguma hora, não é mesmo?".

Ele entregou os bilhetes e continuou a olhar com interesse para Harry. Lalau não ligava para o quanto uma pessoa era louca se eram famosos o suficiente para estar no jornal. O Nôitibus Andante balançou alarmante, ultrapassando uma fileira de carros. Olhando para a frente do ônibus, Harry viu Hermione tampando os olhos com as mãos, Píchi balançando alegremente em seu ombro.

Enquanto isso, Tiago se segurava com toda a sua força a Remo e a Sirius. Parecia estar prestes a vomitar para cima de algum deles, apenas relaxando quando surgiu um novo BANG.

– Cara, você tinha razão, isto é horrível.

– Eu avisei. – Murmurou Sirius, pousando a mão no ombro do amigo.

– Mas, aproveitando que isto parou, eu queria falar com você Remo….

BANG

O transporte iniciou novamente a viagem, não permitindo o maroto continuar o seu discurso. As cadeiras escorregaram para trás novamente quando o Nôitibus saltou da rodovia de Briminghan para uma quieta estradinha no campo. Os arbustos que beiravam a estrada saíam do caminho enquanto passavam. Dali eles foram para uma estrada principal de uma grande cidade.

BANG

– Bem, você e aquela Tonks. Você gosta dela, hein?

O rosto de Remo ficou vermelho.

– Não é nada do que você esta a pensar. Não existe nada entre nós.

– Mas você gostaria… — Novamente a frase é travada por início do movimento, mas ainda era possível ouvir um “Não seja um idiota” soltada da parte de um dado maroto.

Alguns minutos depois o Nôitibus Andante fez um alto barulho enquanto parava em frente a um bar, que se encolhia na tentativa de evitar a colisão. Eles podiam ouvir Lalau guiando a azarada Madame Marsh para fora do ônibus e os murmúrios de alívio dos outros passageiros do segundo andar. O ônibus seguiu ganhando velocidade até... BANG.

Estavam girando por Hogsmeade, coberta de neve. Eles viram de relance o Hog's Head, lá fora na rua, a placa de cabeça de porco balançava pelo vento do inverno. Grandes quantidades de neve acertaram o vidro da frente do ônibus. Por fim, giraram e pararam em frente aos portões de Hogwarts.

Lupin e Tonks ajudaram os restantes a sair do ônibus com suas bagagens, subiram novamente e disseram adeus.

– Vocês estarão seguros dentro dos terrenos. — Disse Tonks olhando cuidadosamente para todos os lados da estrada. — Tenham um bom semestre, ok? – Olhou agora para os marotos e ruiva. – Vocês tenham cuidado, o Ministério está de olho em vocês. Particularmente em vocês os dois.

– Cuidem-se. — Disse Lupin, apertando as mãos de todos até chegar a Tiago. – Não diga parvoíces e tenham cuidado. Vocês não podem dar nas vistas. Tenha cuidado e cuide de seu filho, ele merece.

– Eu sei, Aluado. – Os dois partilharam um último abraço. — Então, nos vemos depois.

Os nove caminharam com muita dificuldade pela escorregadia estrada que levava ao castelo. Os garotos e Gina se aglomeraram mais a frente, enquanto discutiam animadamente sobre quadribol e sobre como seriam os jogos dali para a frente com todas as proibições impostas por Umbridge, por outro lado, Hermione e Lily se tinham deixado ficar para trás para puderem conversar sem restrições.

– Professora, eu tenho andado a matutar sobre uma coisa. – Começou Hermione, sem saber muito bem por onde começar. A ruiva acenou com a cabeça. – Bem, Umbridge se tem esforçado imenso para tentar destruir a A.D, e eu receio que a qualquer momento ela encontre o papel com os membros. Sabe, eu tenho ele bem guardado, mas nunca se sabe. Eu não tenho receio por nós alunos, afinal ela não pode nos expulsar, mas aos professores pode.

– Quer que a gente saia da A.D?

– Se não saíssem todos, pelo menos a professora. Por isso é que estou a falar consigo. Os professores Ponter e Blane não irão durar muito tempo, ou pelo menos eu acredito nisso, se não forem expulsos por isso, serão por outra coisa qualquer. Mas a Professora será muito mais difícil ser expulsa, porque além de não fazer nada de errado é extremamente competente, — O rosto de Lily ficou vermelho e soltou um pequeno “Obrigada”. – De nada, professora. Mas onde eu queria chegar era que se calhar era melhor não estar mais envolvida nisto. Acho que o Harry não iria aguentar se você fosse embora novamente.

– Sim, eu compreendo. Mas como irá retirar o meu nome do tal papel, Miss Granger?

– Eu tenho um feitiço para o eliminar. Não se preocupe.

Eles estavam praticamente junto do portão quando chamaram as outras duas garotas para entraram todos juntos.

**********************+.+**********************

O dia seguinte fora particularmente agitado para Lily Evans. Todas as pausas que encontrava das aulas de Poções, se dirigia para a Seção Restrita da biblioteca em busca de livros que pudesse ajudar Harry com as novas aulas de Oclumência. Ela deseja estar o mais preparada possível para ajudar o seu filho a dominar o mais rapidamente possível a complicada técnica. Durante uma das suas idas para a biblioteca encontrou Neville.

– Professora Evanne… — Começou ele timidamente. – Precisava de falar consigo.

Lily lhe abriu um sorriso amável e o acompanhou até a biblioteca.

– O que precisa, então, Sr. Longbotton?

– Lhe queria agradecer. – O rosto de Lily se mostrou confuso. – Por ter visitado a minha mãe… Ela parecia mais alegre depois de a professora ter partido…

– Oh, Sr. Longbotton… — Ela pousou a mão no cabelo do garoto. – Não precisa de agradecer. Sua mãe era alguém muito precioso para mim. Você tem que ter muita força, entendeu? E nunca se envergonhe de seus pais, eles eram maravilhosos.

– Obrigado, professora.

Com uma pequena troca de olhares, o garoto partiu, deixando a ruiva entretida com os seus pergaminhos e livros de magia negra.

**********************+.+**********************

Quando o anoitecer se aproximava e a escola iniciava o seu mergulho na escuridão, Harry e Lily caminhavam silenciosamente pelos corredores. O garoto temera o dia inteiro aquele momento, mesmo sabendo que teria a sua mãe a seu lado e que Snape tendia a ser mais moderado na presença da mesma, no entanto, preferia muito mais conversar descontraidamente com os seus pais à luz da lareira de um dos seus aposentos do que caminhar naquela direção. Por outro lado, Lily não parecia temer minimamente, tinha passado o tempo todo mergulhada no meio dos pergaminhos, de modo a relembrar os pequenos detalhes que poderia se ter esquecido nos últimos meses.

Eles pararam junto à porta e a ruiva deu duas curtas batidas na mesma. Por vontade de Harry eles entrariam logo, pois quanto mais cedo começasse, mas cedo acabaria, no entanto, a ruiva aguardou até a porta ser aberta por um Snape relativamente bem-humorado. Não trazia um sorriso no rosto, nem nada remotamente parecido, mas havia que calor invulgar no seu olhar. Deu passagem para os outros dois entrarem e fechou a porta atrás deles.

A sala continuava sombria, com as prateleiras cheias de vidros que continham pedaços de animais e plantas suspensos em várias poções coloridas. No canto estava o armário cheio de ingredientes e perto deste, estava uma mesa onde estavam gravados runas e símbolos que eram banhados pela luz de uma vela. Harry reconheceu logo: era a penseira de Dumbledore.

Lily se encostou serenamente a uma das prateleiras, enquanto Snape se dirigiu à luz e apontou silenciosamente para a cadeira oposta à sua mesa. O garoto olhou para a mãe, e depois de ver a confirmação silenciosa da mesma, se sentou.

Os olhos de Snape se tornavam mais frios enquanto explicava.

– Bem, Potter, você sabe por que está aqui. – Começou ele. — O diretor me pediu para ensinar você Oclumancia. Eu só espero que você seja mais adepto a isso do que a Poções.

Lily tossiu perante a afirmação, levando os dois homens a olhar para ela.

– Sem insultos, Sev.

– Vou tentar. – Murmurou ele, suspirando e voltando a olhar para o garoto. — Bem, Oclumancia. Como eu já havia lhe dito, esse tipo de magia sela a mente contra invasão mágica e influencia.

– E por que Dumbledore acha que eu preciso disso? — Perguntou Harry, olhando em direção os olhos de Snape.

– Tenho certeza que até mesmo você já teria entendido... – Ele olha para Lily. – É um pouco difícil quando ele solta questões destas. – A garota não parecia conformada. – Bem, como eu estava a explicar, o Lord das Trevas é muito talentoso com a Legilimancia.

– O que é isso?

– Potter, esta pode não ser uma classe normal e Lily pode estar aqui presente, mas eu ainda sou seu professor e você me chamará de “senhor” ou “professor”. Legilimancia é a habilidade de retirar memória e sentimentos da mente de alguém.

– Também tenho que tratar a minha mãe por “senhora”?

– Isso cabe a ela decidir.

Lily revirou os olhos quando os dois olharam para ela.

– Claro que não, querido.

O garoto sorriu perante a resposta e se voltou para Severo.

– Mas isso… Isso significa que ele pode ler mentes?

– Apenas trouxas dizem "leitura de mente". A mente não é um livro para ser aberto e lido de acordo com a vontade, para se passar o tempo. Pensamentos não estão marcados no interior do crânio, para ser lido por todos os invasores. A mente é complexa e repleta de camadas, Potter, ou pelo menos, a maioria. É verdade, no entanto, que aqueles que dominam a Legilimancia podem, sob certas circunstâncias, invadir a mente de suas vítimas e interpretar o que encontraram corretamente. O Lord das Trevas, por exemplo, quase sempre sabe quando uma pessoa esta mentindo para ele. Somente os mais habilidosos em Oclumancia podem fechar seus sentimentos e memórias que podem contradizer a mentira, e então, enganá-lo por completo em sua presença sem que ele desconfie.

Não importava o que Snape tenha dito, Legilimancia soou para Harry como leitura de mente e ele não gostaram disso.

– Então ele poderia saber o que estamos pensando agora? Senhor?

– O Lord das Trevas está a uma considerável distância e os terrenos de Hogwarts estão protegidos por antigos feitiços e encantamentos para assegurar a proteção física e mental dos alunos daqueles que querem prejudicá-los. — Disse Snape. — Tempo e espaço são importantes na magia, Potter. Contato visual geralmente é importante para a Legilimancia.

– Então por que eu tenho que aprender Oclumancia?

Snape olhou Harry, passando um dedo magro pela boca.

– As regras de sempre não parecem se aplicar a você, Potter. A maldição que falhou ao tentar te matar parece ter criado algum tipo de ligação entre você e o Lord das Trevas. As evidências sugerem que em momentos, quando sua mente está relaxada e vulnerável, quando você está dormindo, por exemplo, compartilha os pensamentos e emoções com o Lord das Trevas. O diretor acha que isso é inadmissível continuar. Ele quer que eu lhe ensine como fechar sua mente para o Lord das Trevas.

O coração de Harry voltou a bater fortemente. Continuava sem entender.

– Mas por que Dumbledore quer que isto pare? — Perguntou abruptamente — Eu não gosto muito mas tem sido útil, não tem? Digo... Eu vi a cobra atacar o Sr. Weasley, se não fosse por isso Dumbledore não estaria apto a salvá-lo, estaria? Senhor?

Snape encarou Harry por alguns momentos, ainda passando o dedo pela boca. Quando voltou a falar o fez devagar e deliberadamente, como se estivesse medindo suas palavras.

– Parecia que o Lord das Trevas não sabia dessa ligação entre vocês até muito recentemente. Até agora parece que você está experimentando suas emoções e dividindo seus pensamentos sem que ele tivesse conhecimento disso. No entanto, a visão que você teve antes do Natal...

– Aquela com a cobra atacando o Sr. Weasley?

– Não me interrompa, Potter — Disse Snape, suspirando em derrota e sem olhar para a ruiva. — Como eu estava dizendo, a visão que você teve antes no Natal representou uma poderosa invasão nos pensamentos do Lord das Trevas...

– Eu vi pelo ponto de vista da cobra, e não de Voldemort!

– Eu acho que acabei de falar para não me interromper, Potter! – Respondeu ele, começando a ficar levemente irritado.

Mas Harry não ligou se Snape estava zangado, pelo menos estava conseguindo as informações que queria, inclinou-se para frente na cadeira, chegando perto da beirada, sem se dar conta disso, tenso como se estivesse se preparando para voar.

– Não diga o nome do Lord das Trevas! — Disse Snape quase gritando.

Lily se aproximou de ambos e colocou levemente as mãos em cima dos ombros de Harry. O seu rosto estava estranhamente sereno.

– Vamos acalmar os ânimos. Harry, meu querido, eu sei que você não se importa em dizer o nome de Você-Sabe-Quem, mas isso está claramente a incomodar o Severo, por isso tente não fazer.

Enquanto a ruiva falava, Severo esfregava discretamente o braço esquerdo, algo que não lhe passou despercebido. Os seus olhos se tornaram mais rígidos e não acrescentou mais nada. Harry também tinha reparado.

– Desculpe, mamãe. Eu apenas queria…

– Parece que você visitou a mente da cobra pois era lá que o Lord da Trevas estava naquele exato instante. — Disse Snape se recompondo. — Ele estava possuindo a cobra naquele momento, por isso você sonhou estar dentro dela também.

– E Vol... Er... Ele percebeu que eu estava lá?

– Aparentemente sim — Disse ele friamente.

– Como você sabe? — Perguntou Harry rapidamente. — Isso é só um palpite de Dumbledore ou...

– O importante é que o Lord das Trevas agora sabe que você tem consciência de seus pensamentos e emoções. E ele também deduziu que pode fazer o caminho inverso, isso quer dizer que ele pode acessar seus sentimentos e pensamentos também.

– E ele tentará fazer com que eu faça coisas também, senhor? — Perguntou Harry

– Ele pode. — Disse Severo e fria e despreocupadamente. — O que nos traz de volta à Oclumancia.

Snape tirou a varinha do bolso das vestes e Harry ficou mais tenso em sua cadeira, mas o professor simplesmente levantou sua varinha até a altura das têmporas e posicionou a ponta na raiz oleosa de seu cabelo. Quando puxou uma substância prateada saiu de sua cabeça, grudada a ponta da varinha, depois se soltou da cabeça de Snape, caindo graciosamente na penseira, onde se mexia um líquido ou um gás branco-prateado. O rosto de Lily se manteve inexpressivo, ela sabia perfeitamente o que ele estava a fazer, apenas se interrogava sobre que memórias estaria ele a esconder. Ela sorriu ligeiramente quando percebeu que Harry a observava em busca de respostas.

Por mais duas vezes ele repetiu a ação.

Harry suspirou percebendo que não obteria explicações de nenhum dos lados. Enquanto isso, Severo pegou na penseira e a colocou em uma prateleira para fora do caminho, voltando em seguida a encarar Harry com a varinha em mãos.

– Lily, por favor, se afaste do Potter. Enquanto você, — Snape apontou a varinha para Harry. — fique de pé e pegue sua varinha!

A ruiva se afastou do garoto, apoiando o corpo numa das paredes. Enquanto Harry se levantava, ele se sentia cada vez mais nervoso. A distância da sua mãe fazia o sentia desconfortável e menos seguro. Ele olhou para Snape atrás da mesa.

– Você pode usar sua varinha na tentativa de me desarmar ou defender a si próprio de qualquer… — Começou Snape, no entanto fora interrompida com uma intervenção de Lily.

– Mas, Severo, não acha…

– Lily, por favor, não me interrompa. Eu sei o que estou a fazer. – Ele desvia o olhar novamente para o garoto. – Pode defender a si próprio de qualquer forma que possa pensar.

– E o que você fará? — Perguntou Harry, observando a varinha de Snape de maneira apreensiva.

– Estou prestes a invadir sua mente. — Disse Snape calmamente. — Vamos ver o quanto você pode resistir. Fiquei sabendo que mostrou habilidade ao resistir a Maldição Imperius. Você descobrirá que poderes similares serão necessários para isto... Prepare-se agora! Legilimens!

Snape atacou antes que Harry estivesse preparado, antes que pudesse começar a reunir forças para resistir. A sala desapareceu em frente aos seus olhos, imagens atrás de imagens passavam por sua mente como um filme tão vívido que o cegou para tudo o que estava à sua volta.

Tinha cinco anos, vendo Duda andar em sua nova bicicleta e seu coração queimava de inveja... Tinha nove anos, e o buldogue chamado Estripador o perseguia enquanto os Dursley riam lá embaixo... Estava sentado debaixo do Chapéu Seletor, pedindo-o para não o colocar na Sonserina... Hermione estava deitada na ala hospitalar com seu rosto coberto de pelos negros de gato... Uma centena de dementadores estavam indo em sua direção às margens do lago... Cho estava se aproximando cada vez mais de seu rosto por debaixo do enfeite de Natal...

– Não. — Disse a voz dentro da cabeça de Harry, enquanto a imagem do rosto de Cho se aproximando do dele. — Você não verá isso, você não verá isso! É particular!

Ele sentiu uma dor aguda no joelho. A sala de Snape tinha voltado ao seu campo de visão e percebeu que havia caído no chão, um de seus joelhos havia colidido com uma das pernas da mesa de Snape. A sua mãe estava ajoelhada ao seu lado, com uma expressão extremamente preocupada. Ambos olharam para Severo, este havia baixado a varinha e estava esfregando seus punhos. Havia uma expressão muito enfurecida em seu rosto que se expirou quando olhou para Lily.

– Você me deixou ir muito longe. Você perdeu o controlo.

– Você viu tudo o que eu vi? — Harry perguntou receoso. Enquanto isso, a ruiva pousou a mão no seu ombro.

– Alguns flashes. De quem pertencia o cachorro?

– Minha tia Guida — Murmurou Harry.

– Bem, para uma primeira tentativa foi não tão ruim quanto poderia ter sido. — Disse Snape levantando mais uma vez sua varinha. – Você me deve deter eventualmente, apesar de você ter desperdiçado tempo e energia gritando. Você deve se manter concentrado. Repele-me com a mente e você não precisará apelar para a varinha.

– Estou tentando. — Disse Harry com raiva. — Mas você não me diz como!

– Calma… — Interviu Lily, acariciando o cabelo do garoto. – Sev, ele têm razão. – Os olhos dele se estreitaram. – Me deixe tentar.

– Lily, nós não temos tempo para facilitar as coisas…

– Eu tenho noção disso. – Ela suspirou. – Mas ele nunca experimentou isto antes e esta a perturbá-lo. – Depois de mais um suspiro, ela olhou para Harry. – Você tem alguma coisa que a mamãe não possa ver?

O garoto pareceu pensar por alguns momentos até negar com a cabeça.

– Vamos levantar então. – Ela deu a mão a Harry e ambos se levantaram. – Olhe nos meus olhos. Existem vários tipos de Oclumancia, com graus de eficácia distintos. O que o Severo está a tentar que utilize o mais eficaz, mas ao mesmo tempo é o mais difícil de dominar, porque em última consequência permite alterar as tuas memórias e assim mentir. No entanto, existem formas mais simples de proteger a sua mente.

Harry acenou com a cabeça em compreensão.

– Imagine a sua mente como um conjunto de esferas, com esferas mais pequenas dentro das maiores. Quando alguém tenta invadir a sua mente, ela vão partindo esferas, acedendo progressivamente a memorias mais profundas até alcançar o inconsciente. Como tal, a primeira camada representa os seus pensamentos atuais, se você estiver completamente concentrado em algo, essa barreira será mais difícil de quebrar e por isso a mais fácil de proteger. Sentimentos normalmente são barreiras muito fracas, experimente se concentrar em algo solido e robusto, como uma parede.

O garoto voltou a acenar com a cabeça, enquanto Severo permanecia silencioso e com a boca numa linha estreita. Lily olhou para ele.

– Eu sei o que você está a pensar, mas é necessário começar pelo mais simples, senão ele ficará totalmente desmotivado.

– O tempo, Lily. Não existe muito tempo para perder com essas coisas. O Lorde das Trevas conseguiria facilmente ultrapassar uma barreira dessas.

– Acredito que sim, mas um bloqueio mais físico continua a ser melhor que bloqueio nenhum. – Murmurou ela, antes de se voltar para Harry. – Sem usar a sua varinha tente me bloquear. Não se esqueça da parede. – Ele acenou com a cabeça. — Legilimens!

Harry se esforçou ao máximo por manter a mente focada numa parede. Imaginava que ela era feita de belos tijolos, perfeitamente alinhados, e que se prolongavam infinitamente para os lados, mas isso era muito complicado quando sentia ao mesmo tempo picadas na cabeça. Era extremamente difícil ignorar a dor e se concentrar na parede.

Lentamente, ela começa a se esmoronar, até ser apenas pó. A sua cabeça doía tanto. Antes de conseguir construir mentalmente outra barreira, uma sombra se infiltra na sua mente. Era impossível controlar a avalanche de memórias que surgiam enquanto todas as suas defesas se esmoronavam, o momento em que Duda pontapeava a sua porta debaixo das escadas, enquanto ele se escondia aterrorizado debaixo da cama; quando ninguém aceitava brincar com ele porque Duda ameaçara todo os outros garotos; quando sua tia Petúnia puxava as suas orelhas porque ele tinha deixado um par de meias sujas no banheiro, apesar delas pertencerem a Duda; quando falara pela primeira vez com Ronald e ouvir falar sobre as casas pela primeira vez; quando Cedric morrera à sua frente. Ele não queria que a mãe visse aquilo.

Com todas as suas forças tentou expulsar a pequena sombra que vasculhava impiedosamente, forçando uma explosão na sua própria cabeça. Quando ele abriu os olhos, encontrou a sua mãe contra a mesa de Snape, como se tivesse sido empurrada, a ofegar e com lágrimas a escorrer pelos olhos. Ao lado dela, se encontrava Severo com a mão sobre o ombro dela, enquanto lançava um olhar acusatória a Harry.

– Mamãe, — Murmurou ele, quase sem voz, enquanto se aproximava. – você está bem? Que se passa?

Ela limpou rapidamente os olhos ao manto e tentou sorrir. Mas o sorriso não lhe chegava aos olhos.

– Está tudo bem. Acho que preciso de descansar um pouco. – Lily tentou sorrir novamente.

– Você tem a certeza?

– Sim, Harry. Vá descansar que eu fico bem.

Ele pareceu concordar, ainda que pouco confiante. Antes de sair olhou para Severo.

– Volte na quarta-feira no mesmo horário. Além disso, você deve esvaziar sua mente de todas as emoções todas as noites antes de dormir; mantenha-a vazia e calma, entendeu?

– Sim. Boa noite. — Respondeu Harry antes de sair.

Depois do garoto sair, Severo obrigou a ruiva a olha-lo nos olhos.

– O que é que se passa? O que é que você viu?

– A família da minha irmã. Eles fizeram coisas horríveis a ele. – Severo suspirou e a abraçou.

LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Notas finais
Eu normalmente não peço para lerem as notas finais, mas desta vez estou a pedir porque irei lançar um concurso para todas as minhas maravilhosas leitoras. Em Setembro eu irei para o primeiro ano da faculdade (aqui em portugal os anos letivos começam em Setembro, porque quando vocês estão no Inverno, aqui é Verão, como tal as nossas férias grandes são em Julho e Agosto), como tal irei lançar um concurso para vocês tentarem adivinhar que area/curso eu irei seguir. As regras do concurso são: Podem dizer até duas areas de formação e apenas aceito respostas até dia 31 de Agosto. Todas as vencedoras serão contactadas por mensagem privada em Setembro, e o prémio a atribuir será uma carta enviada de portugal e personalizada para cada leitora (eu sei que não é nada de especial, mas eu em parte gostava que pelo menos parte de vocês guardasse algo meu, mesmo que seja um pedacinho de papel.). O que me leva a um assunto muito importante, as vencedoras terão que fornecer a sua morada quando eu as contactar. Isto é um assunto delicado, e eu respeito se vocês não quiserem partilhar essa informação. Para aquelas que fornecerem, eu apontarei a morada num papel e irei imediatamente apagar a mensagem. Se não desejam fornecer a morada, bem podem sempre tentar adivinhar por diversão, mas deixem escrito que não pretendem participar. Eu respeito essa decisão. PRONTOS, É ISSO, MAS NÃO VÃO EMBORA AINDA, TENHO MAIS UMA COISINHA BONITINHA PARA CONTAR. Vocês todas sabem da comemoração dos 10 anos de Nyah, bem, eu como só um atraso de vida apenas descobri isso mais tarde, de qualquer maneira eu consegui chegar a tempo de participar num deles. Eu participei no de Maio, isto é, criei um one-shot original de uma relação entre duas mulheres. Ele sucede em Lisboa, está escrito em portugues do Brasil, e é muito leve. Se puderem dar uma olhada e deixar la a vossa opiniao, eu ficaria eternamente grata. Aqui está o Link: https://fanfiction.com.br/historia/620061/Double_Betrayal/ Não se esqueça no final disto tudo de comentar! u.u devo estar de volta em breve! Beijinhos do tamanho do universo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.