Um
2 02
Notas iniciais
Quando Kadoka e Izaya saíram, Shinra continuou sua pequena... troca de ideias com Shizuo.
– Você se importa.
– Não, eu não me importo.
– Então estaria tudo bem se alguém além de você matasse o Izaya? E se ele estivesse em completa desvantagem? Se o seu “inimigo”, que você mesmo não conseguiu matar, fosse morto por uma pessoa além de você, o “homem mais forte de Ikebukuro”, você não se importaria?
– Tsc. – franziu o cenho, irritado com a simples hipótese. Sim, ele se importaria. E muito. Se Izaya fosse morrer, tinha que ser pelas suas mãos. Se, não, quando.
– Pense nele como uma criança qualquer, não como o Izaya. O que não vai ser muito difícil, já que a personalidade dele mudou completamente... Apenas tenha em mente que, quando ele voltar ao normal, ele vai se lembrar de tudo o que aconteceu.
Depois de um longo silêncio, Shizuo suspirou, jogando o cigarro no chão e pisando-o em seguida para apagá-lo. Shinra já ia reclamar, mas perdeu completamente a vontade quando ouviu a frase seguinte.
– Eu acho que não tenho escolha. – o loiro disse com um tom derrotado, fazendo Shinra sorrir.
– Eu não planejava receber um “não” como resposta. – disse com um sorriso macabro que fez Shizuo ficar feliz por ter aceitado logo, ele podia ser forte, um monstro, mas Shinra era médico e no momento ele parecia estar bem disposto a utilizar todos os métodos possíveis para fazê-lo aceitar, e por aquele sorriso Shizuo sabia que esses métodos não seriam nada amigáveis. E para completar o momento veio o grito animado de Erika, coisa que não podia faltar.
A sala seguiu em silêncio até a volta de Kadoka e Izaya.
– E então?
– Ele vai ficar com o Shizuo.
X
Todos os convidados já tinham ido embora, os que restaram foram apenas Celty e Shinra, os moradores daquela casa, e Shizuo e Izaya. O motivo? A roupa de Izaya, que até então ninguém tinha reparado. Ela havia permanecido do tamanho normal e agora não cabia mais no pequeno Izaya. Depois de muito pensar Shinra pegou uma antiga camisa sua que ele não teve coragem de jogar fora – uma azul que estampava o símbolo do superman — e deu para o menor, e Celty materializou com a sua sombra um short preto. O problema foram os sapatos. Não acharam nada que fosse do número de Izaya e o único que deu um pouco certo era quase duas vezes maior que o pé dele, mas Shizuo se importa com isso? Não, por isso mesmo que o menor estava agora usando aquele sapato que saía de seu pé toda vez que ele tentava andar.
– Vamos repetir as regras mais uma vez – começou Shinra. – Nada de atirar sofás, postes, placas, aparelhos eletrônicos ou objetos pontiagudos, espere, melhor ainda! Nunca atire nada nele! Lembre-se que antes dele ser o Izaya ele é uma criança!
– Hum – foi a resposta de Shizuo, mas Shinra sabia bem que aquilo significava um “vou tentar, mas não garanto nada”, e isso era o melhor que ele podia conseguir de Shizuo. Celty os acompanhou até a porta e quando já estava do lado de fora o loiro resolveu confirmar algo que estava o incomodando. – Você sabia que isso ia acontecer, não sabia? Por isso você estava bem inquieta.
– “Bem... eu sabia que o Shinra ia pedir para que o Izaya testasse algo, mas eu nunca pensei que ele fosse aceitar!” – digitou rapidamente em seu PDA.
– Você podia tê-lo impedido. Agora por causa disso eu tenho que tomar conta dessa pulga! – jogar a culpa em Celty era uma ótima forma de aliviar a sua irritação no momento. Como não recebeu resposta suspirou e seguiu em direção ao seu apartamento sendo seguido por Izaya, que tentava acompanha-lo da forma que podia, correndo um pouco e tropeçando por causa dos sapatos.
– Hei... Heiwajima-san! – Shizuo ouviu o chamado de Izaya, mas por que responder se era bem mais fácil ignora-lo? – Heiwajima-san! Heiwajima-san!
Claro que Izaya percebeu que estava sendo ignorado, e não ficou nem um pouco feliz com isso. Ninguém podia ignorar Orihara Izaya. Correu o máximo que pôde e quando alcançou o loiro grudou-se na perna esquerda dele, o menor tinha a intenção de fazê-lo parar, entretanto não foi isso que aconteceu. Shizuo sentiu apenas um pequeno acréscimo de peso e nem se preocupou em olhar o que era, apenas continuou seguindo seu caminho. O que Izaya achou disso? Primeiro que Shizuo era um homem muito forte, já que seu pai não conseguia andar direito quando ele se agarrava a ele e Shizuo o fazia normalmente; depois começou a achar aquilo muito divertido, ele nem precisava andar, apenas se agarrar a Shizuo. Era muito legal, e agora ele tinha seu próprio meio de transporte – não que o meio de transporte em questão saiba disso. Começou a rir baixinho, tentando se controlar ao máximo para não chamar a atenção do mais velho.
Shizuo parou quando chegou a porta de seu apartamento e só então percebeu a agitação do menor e o local em que ele estava. Estreitou os olhos e sacudiu a perna tentando fazê-lo soltá-la, mas o resultado que o loiro queria não foi obtido, isso fez apenas com que Izaya risse alto, soltando uma gargalhada gostosa e divertida. Shizuo sentiu-se contagiado por ela e quando percebeu já estava com um meio sorriso no rosto e sacudia a perna não mais na intenção de fazê-lo soltá-la e sim de diverti-lo com isso. Desde o momento em que Shizuo conheceu Izaya o moreno sempre foi perigoso e agora se mostrava perigoso também como criança, mesmo que não fosse da mesma forma que antes.
Quando o menino finalmente se cansou e soltou Shizuo, ele estava sorrindo de forma meiga, suas bochechas estavam coradas e os olhinhos dele transmitiam afeição. “Parabéns, Shizuo, você conseguiu fazer com que a pulga goste de você, meus parabéns!” o maior pensou de forma irônica enquanto suspirava.
– Heiwajima-san é mesmo como um super-herói! – disse alegremente e estirou os bracinhos na direção de Shizuo, pedindo colo, coisa que logicamente Shizuo recusou e dirigiu toda a sua atenção para a porta que ele finalmente havia aberto. Izaya inflou as bochechas e entrou antes mesmo de Shizuo no apartamento.
O local era pequeno, o loiro não fazia questão de ter muito luxo, apenas o essencial estava bom. A pequena salinha onde estavam agora possuía apenas um sofá, uma mesinha de centro e uma televisão. O restante do apartamento era constituído por uma cozinha, um banheiro e um quarto. Izaya estava sentado no sofá, braços cruzados, bochechas infladas e um ar de criança emburrada. Shizuo resolveu simplesmente ignorá-lo, fechou a porta e seguiu em direção ao quarto, aquele pirralho que se virasse sozinho. O seu dia tinha começado tão bem... como havia terminado daquela forma? Tudo culpa de Shinra. E de Celty também. E de Izaya. Principalmente de Izaya. Quando tudo voltasse ao normal Shizuo teria que lembrar-se de dar-lhe uma surra grande. E de mata-lo, claro. Não demorou muito para que ele pegasse no sono.
X
O homem mais forte de Ikebukuro tinha acordado cedo naquela manhã. Por algum motivo ele quase não tinha conseguido dormir direito na noite anterior. Levantou-se e seguiu em direção da cozinha. Encheu um copo de leite e seguiu até a sala, parou quando percebeu que Izaya dormia no sofá. Ele sustentava uma expressão calma e vez ou outra murmurava algo em seu sono. Shizuo sorriu. Ele assim nem parecia que era um informante cínico e filho da puta. Mas seu sorriso durou poucos segundos, parou de sorrir quando ouviu o barulho de algo pingando. Seriam goteiras? Não, não, ele já tinha dado um jeito nelas. Então, o que estava pingando? Olhou novamente para Izaya e...
– MAS QUE PORRA É ESSA?!
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