Notas iniciais

Nesse capítulo tem uma parte narrada pelo Cebola, e tem um trecho da música Hey, do Mitchel Musso. O link do videoclipe em HQ no youtube é

http://www.youtube.com/watch?v=oH3skU9C4T8

E eu recomendo ouvir, o toque dela é bom. E não, a letra não tem nada haver com a história Q.

Boa leitura

Cebola

Meus pais e minha irmã estavam de malas prontas para ir para Santa Catarina. E por que eu não ia? Semana de provas, bah! Mas seria legal ficar na casa da minha tia Júlia, minha tia favorita. O único problema é que ela morava do outro lado da cidade.

– Vai ficar tudo bem? – minha mãe. Preocupação em excesso.

– Vai mãe. Não se preocupe.

– Então, tudo bem. Já que você diz...

– Mãe, o papai está só te esperando. Disse que se você demorar demais, vamos perder o vôo. – de onde essa pirralha apareceu?

– Tudo bem, já vai amorzinho. – minha mãe me deu um beijo na testa – Até. Coma direitinho.

– Ok mãe. – Afe.

– Tchau mãe, tchau pai. Tchau Maria.

– Tchau filho!

Vi o carro sumir na rua. Arrumei minhas coisas no quarto de visitas da minha tia, peguei meu mp4 e me joguei na cama.

I\'m counting the days since i began to live without you

Eu estou contando os dias desde que eu comecei a viver sem você

I\'m covered in rain but it feels just like it\'s the sun

Eu estou abrigado na chuva mas sinto como está o sol

– Nem acredito! Quinze dias sem ninguém pegando no meu pé! É bom demais pra ser verdade! – eu estava delirando. Lá fora, eu ouvi uma chuva. Forte. E me lembrei que tinha combinado de assistir um DVD na casa da Mônica.

Levantei e fui falar com a tia.

And it don\'t get me down, don\'t come around

E não me coloque pra baixo, não volte

You\'re better off leaving town

Você está melhor deixando a cidade

I\'m fine here alone now without you

Eu estou me divertindo, mas tudo agora sem você

– Tia, tem como o tio me levar na casa da minha amiga? – amiga. Há há.

– Seu tio saiu.

– Polcalia! – peguei meu celular e liguei pra Mô. Não tocou duas vezes.

– Oi Cê! Já escolhi o DVD e fiz a pipoca. Você vem né?

– Claro. Só liguei pra avisar que vou demorar um pouco, por causa da chuva. E estou na casa da minha tia, é longe. Uma meia hora e estou aí. – não podia dizer que não e deixar ela na expectativa. Eu disse que iria e não queria apanhar.

– Ok! Estou te esperando!

– Tchau.

– Tchau!

Desliguei. Peguei uma capa e saí na chuva mesmo.

Mal comecei a andar, encontrei com o Cascão. Estranho, o que ele estava fazendo por aqui?

– Cascão?

– E aí, careca!

– O que você ta fazendo aqui? – isso era bem curioso.

– Eu fico sabendo que você vai ficar na casa da sua tia, venho te fazer o favor de trazer um videogame e é assim que me agradece? – ele apontou a bolsa nas costas, dentro de um plástico para não molhar.

– Bom, eu estou indo pra casa da Mônica. Então, você vai ter que voltar.

– Eu saí na chuva pra nada. – ele começou a me acompanhar pelo caminho.

***

Carmem

Tudo desmoronou sobre mim de repente, quando tudo parecia estar tão bem. Mais milhões de perguntas. E se eu não gostasse desse pai? O que aconteceu com o Cornélio? Porque minha mãe morreu? Porque ela?

A chuva lá fora tinha um som aconchegante. E eu precisava pensar. Mas não conseguiria ali, onde as lembranças da minha mãe eram tão fortes. Uma idéia louca me ocorreu. Saí do quarto.

– Naná, vou sair.

– Querida, está chovendo.

– Eu sei – disse, enquanto pegava meu sapato e saía pela porta.

– Você vai pegar um resfriado! – ouvi Naná gritar lá dentro.

– Pouco me importa – disse para mim mesma.

Fui andando, caminhando sem rumo. Já estava meio escuro e andar na rua sozinha não era uma das melhores idéias do mundo. Mas eu não me importei.

A chuva caía sobre mim gelada, mas aconchegante. Eu fiquei com frio, ainda usava a mesma roupa que eu usei para sair com as meninas. Eu sentia a água percorrendo o meu cabelo, e logo ele estava totalmente molhado e com os cachos desfeitos. Se alguém me visse, provavelmente não me reconheceria.

Já fazia uns vinte minutos desde que eu saí de casa. Eu não sabia onde estava e nem o que pensar sobre tudo o que tinha acontecido.

Quando me dei conta, estava em uma rua escura e não fazia a mínima idéia de como voltar ou de como cheguei ali. Estava muito escuro. Eu comecei a ficar com um pouco de medo. Então, ouvi uns assovios.

– Onde a gatinha pensa que vai assim... – um sujeito que eu não conseguia ver o rosto disse

– Toda molhada, no meio da noite... – uma segunda pessoa

– É perigoso andar por aqui à noite, sabia? – o primeiro disse.

Desesperada, vi uma terceira pessoa chegando. Eram três. Eu não tinha a mínima chance. Os dois primeiros se aproximavam de mim devagar.

– Não toquem em mim. – eu disse

– Calma loirinha... Ninguém vai te fazer mal – o segundo disse, e deu uma gargalhada. Ele segurou o meu braço.

– NÃO ME TOQUEM! – eu gritei. A terceira pessoa pareceu meio assustada com a cena que via. Estranho. Eles não eram cúmplices?

Atrás da terceira, tinha outra pessoa, que não parecia gostar nada da chuva. Eu estava definitivamente ferrada. Esses outros dois também começaram a se aproximar.

– Carmem? – um deles perguntou. De onde ele me conhecia? Eu reconheci a voz. Mas não conseguia distinguir a quem ela pertencia.

– Quem são esses, Carmem? – o outro também me conhecia, e eu reconheci a voz também. Não sabia quem era, mas eles podiam me ajudar.

– Eu não sei quem eles são! Me ajudem! – eu disse. Os dois primeiros – os desconhecidos – se olharam meio assustados.

O segundo garoto que eu reconheci deu um soco no cara que estava me segurando pelo braço, e o primeiro acenou para eu correr. Enquanto eu corria, reconheci o que acenou pra mim. Quando eu estava chegando perto, me virei para trás e vi o segundo garoto enquanto ele socava o outro homem que tinha segundas intenções. Assim que eu cheguei perto, o primeiro segurou meus ombros.

– Vai com ela pra casa da sua tia cara! Eu tô indo já! – o segundo garoto gritou

– Tô indo! – o primeiro soltou meus ombros e puxou uma das minhas mãos – Vamos sair logo daqui – ele disse pra mim, enquanto corria pela rua, me puxando. No caminho, torci o pé. Minha sorte realmente é ótima. Ele passou uma das mãos pela minha cintura, apoiando a maior parte do meu peso, e virou uma esquina, parando na terceira casa, esperando o outro, que já estava virando a esquina também. Quando ele chegou, entramos na casa e, no claro, pude ver o rosto dos dois garotos que tinham me salvado.

Notas finais

Bom, pode ter ficado meio clichê, mas...

Espero que tenham gostado