Um último Fio de Esperança
2 Capítulo 2 - Chuva
Notas iniciais
Nesse capítulo tem uma parte narrada pelo Cebola, e tem um trecho da música Hey, do Mitchel Musso. O link do videoclipe em HQ no youtube é
http://www.youtube.com/watch?v=oH3skU9C4T8
E eu recomendo ouvir, o toque dela é bom. E não, a letra não tem nada haver com a história Q.
Boa leitura
Cebola
Meus pais e minha irmã estavam de malas prontas para ir para Santa Catarina. E por que eu não ia? Semana de provas, bah! Mas seria legal ficar na casa da minha tia Júlia, minha tia favorita. O único problema é que ela morava do outro lado da cidade.
– Vai ficar tudo bem? – minha mãe. Preocupação em excesso.
– Vai mãe. Não se preocupe.
– Então, tudo bem. Já que você diz...
– Mãe, o papai está só te esperando. Disse que se você demorar demais, vamos perder o vôo. – de onde essa pirralha apareceu?
– Tudo bem, já vai amorzinho. – minha mãe me deu um beijo na testa – Até. Coma direitinho.
– Ok mãe. – Afe.
– Tchau mãe, tchau pai. Tchau Maria.
– Tchau filho!
Vi o carro sumir na rua. Arrumei minhas coisas no quarto de visitas da minha tia, peguei meu mp4 e me joguei na cama.
I\'m counting the days since i began to live without you
Eu estou contando os dias desde que eu comecei a viver sem você
I\'m covered in rain but it feels just like it\'s the sun
Eu estou abrigado na chuva mas sinto como está o sol
– Nem acredito! Quinze dias sem ninguém pegando no meu pé! É bom demais pra ser verdade! – eu estava delirando. Lá fora, eu ouvi uma chuva. Forte. E me lembrei que tinha combinado de assistir um DVD na casa da Mônica.
Levantei e fui falar com a tia.
And it don\'t get me down, don\'t come around
E não me coloque pra baixo, não volte
You\'re better off leaving town
Você está melhor deixando a cidade
I\'m fine here alone now without you
Eu estou me divertindo, mas tudo agora sem você
– Tia, tem como o tio me levar na casa da minha amiga? – amiga. Há há.
– Seu tio saiu.
– Polcalia! – peguei meu celular e liguei pra Mô. Não tocou duas vezes.
– Oi Cê! Já escolhi o DVD e fiz a pipoca. Você vem né?
– Claro. Só liguei pra avisar que vou demorar um pouco, por causa da chuva. E estou na casa da minha tia, é longe. Uma meia hora e estou aí. – não podia dizer que não e deixar ela na expectativa. Eu disse que iria e não queria apanhar.
– Ok! Estou te esperando!
– Tchau.
– Tchau!
Desliguei. Peguei uma capa e saí na chuva mesmo.
Mal comecei a andar, encontrei com o Cascão. Estranho, o que ele estava fazendo por aqui?
– Cascão?
– E aí, careca!
– O que você ta fazendo aqui? – isso era bem curioso.
– Eu fico sabendo que você vai ficar na casa da sua tia, venho te fazer o favor de trazer um videogame e é assim que me agradece? – ele apontou a bolsa nas costas, dentro de um plástico para não molhar.
– Bom, eu estou indo pra casa da Mônica. Então, você vai ter que voltar.
– Eu saí na chuva pra nada. – ele começou a me acompanhar pelo caminho.
***
Carmem
Tudo desmoronou sobre mim de repente, quando tudo parecia estar tão bem. Mais milhões de perguntas. E se eu não gostasse desse pai? O que aconteceu com o Cornélio? Porque minha mãe morreu? Porque ela?
A chuva lá fora tinha um som aconchegante. E eu precisava pensar. Mas não conseguiria ali, onde as lembranças da minha mãe eram tão fortes. Uma idéia louca me ocorreu. Saí do quarto.
– Naná, vou sair.
– Querida, está chovendo.
– Eu sei – disse, enquanto pegava meu sapato e saía pela porta.
– Você vai pegar um resfriado! – ouvi Naná gritar lá dentro.
– Pouco me importa – disse para mim mesma.
Fui andando, caminhando sem rumo. Já estava meio escuro e andar na rua sozinha não era uma das melhores idéias do mundo. Mas eu não me importei.
A chuva caía sobre mim gelada, mas aconchegante. Eu fiquei com frio, ainda usava a mesma roupa que eu usei para sair com as meninas. Eu sentia a água percorrendo o meu cabelo, e logo ele estava totalmente molhado e com os cachos desfeitos. Se alguém me visse, provavelmente não me reconheceria.
Já fazia uns vinte minutos desde que eu saí de casa. Eu não sabia onde estava e nem o que pensar sobre tudo o que tinha acontecido.
Quando me dei conta, estava em uma rua escura e não fazia a mínima idéia de como voltar ou de como cheguei ali. Estava muito escuro. Eu comecei a ficar com um pouco de medo. Então, ouvi uns assovios.
– Onde a gatinha pensa que vai assim... – um sujeito que eu não conseguia ver o rosto disse
– Toda molhada, no meio da noite... – uma segunda pessoa
– É perigoso andar por aqui à noite, sabia? – o primeiro disse.
Desesperada, vi uma terceira pessoa chegando. Eram três. Eu não tinha a mínima chance. Os dois primeiros se aproximavam de mim devagar.
– Não toquem em mim. – eu disse
– Calma loirinha... Ninguém vai te fazer mal – o segundo disse, e deu uma gargalhada. Ele segurou o meu braço.
– NÃO ME TOQUEM! – eu gritei. A terceira pessoa pareceu meio assustada com a cena que via. Estranho. Eles não eram cúmplices?
Atrás da terceira, tinha outra pessoa, que não parecia gostar nada da chuva. Eu estava definitivamente ferrada. Esses outros dois também começaram a se aproximar.
– Carmem? – um deles perguntou. De onde ele me conhecia? Eu reconheci a voz. Mas não conseguia distinguir a quem ela pertencia.
– Quem são esses, Carmem? – o outro também me conhecia, e eu reconheci a voz também. Não sabia quem era, mas eles podiam me ajudar.
– Eu não sei quem eles são! Me ajudem! – eu disse. Os dois primeiros – os desconhecidos – se olharam meio assustados.
O segundo garoto que eu reconheci deu um soco no cara que estava me segurando pelo braço, e o primeiro acenou para eu correr. Enquanto eu corria, reconheci o que acenou pra mim. Quando eu estava chegando perto, me virei para trás e vi o segundo garoto enquanto ele socava o outro homem que tinha segundas intenções. Assim que eu cheguei perto, o primeiro segurou meus ombros.
– Vai com ela pra casa da sua tia cara! Eu tô indo já! – o segundo garoto gritou
– Tô indo! – o primeiro soltou meus ombros e puxou uma das minhas mãos – Vamos sair logo daqui – ele disse pra mim, enquanto corria pela rua, me puxando. No caminho, torci o pé. Minha sorte realmente é ótima. Ele passou uma das mãos pela minha cintura, apoiando a maior parte do meu peso, e virou uma esquina, parando na terceira casa, esperando o outro, que já estava virando a esquina também. Quando ele chegou, entramos na casa e, no claro, pude ver o rosto dos dois garotos que tinham me salvado.
Notas finais
Bom, pode ter ficado meio clichê, mas...
Espero que tenham gostado
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