Ulquiorra-Sensei
1 Orihime Versus Ulquiorra
Notas iniciais
BOM ANO NOVO !!
Nada melhor do que começar 2016 com uma oneshot deste couple, né?
Pretendo em breve aparecer um pouco mais, se preparem ein!?
Esta oneshot é um presente ao vencedor do segundo prémio do concurso de #HimeBirthday (aniversário da Orihime) da página Coração Ulquihime, na qual sou CDC. Muitos parabéns!
Ele pediu hentai, mas para não entregar muito tarde optei por não fazê-lo... Possivelmente compense noutra fanfic minha ou adiciono um outro capítulo a esta. Ainda não sei bem o que irei fazer. Sugestões aceitam-se, ok? *risos*
Muito obrigada minna a todos os que lêem meus 'textos' :v Arigatoo!
Desfrutem da leitura*
Sombras a abraçavam em seu leito.
Debatia-se com mais fervor, desde que percebera que seu ar começara a escassear. Quando subitamente seus olhos abriram-se.
Novamente, aqueles sonhos a perturbavam. Desde a morte de seu irmão, que sombras a circulavam, a atormentando. Escutava-as rindo da tonalidade de seu cabelo exótico, gargalhavam jocosas acerca de sua solidão. Um alvo fácil que nem prazer dá ao ser capturado.
Contudo, as sombras já não eram tão escuras. Ele as iluminou, ligeiramente.
Ulquiorra Shiffer, seu peculiar professor de karaté.
Orihime estava a entregar-se, cada dia, gradualmente, às facetas anónimas. Mas a ruiva recordou-se de algo que a poderia ajudar, uma lição de sua amiga de longa data, Tatsuki:
A mente e o corpo são um só. Se um estiver débil, perdemos nosso equilíbrio.
Sua amiga excêntrica era uma profissional em artes marciais, especialmente em karaté. Por isso mesmo, entrara num dojo para aprender essa arte, que consistia em dominar os movimentos do corpo. Esperançosa, de vencer os desequilíbrios de sua mente.
E foram, nessas circunstâncias, que ela o conheceu. Ou ele a ela. Isso sempre a baralhava.
Ao início, sentia-se intimidada com a presença do seu sensei. Seu cabelo negro era da mesma cor das sombras que a perfuravam, porém, tinha… seus olhos esmeralda. Um tom vivaz e brilhante. Contrastava com sua pele pálida, semelhante ao mármore.
Como um sol, ele afastara tudo o que a rondava em pesadelos. Apesar de ele estar mais para uma lua, sua influência foi algo da potência solar.
Ofegante, Orihime debruçou-se junto à entrada do dojo, percebendo aliviada que não chegara atrasada para sua aula. Apesar de ser extremamente belo, seu professor tinha péssimo humor, principalmente, no que dizia respeito ao descumprimento das suas regras. E a pior entre todas, para ele, são os atrasos.
- Estranho e rabugento… Mas creio que seja boa pessoa, lá bem no fundo.
- Conversando sozinha, senhora Inoue? Sua avaliação psíquica encontra-se negativa.
Ser pega no flagra era mau. Mas por seu sensei… Era o cúmulo!
Encostado na entrada, perto de suas costas, com os braços cruzados reparou na expressão vazia de qualquer emoção. Como isso era possível? Ele não pode ser um humano normal! Não que ela também o fosse…
Ligeiramente ruborizada sob seu nariz, curvou-se desastrada pela vergonha, numa saudação em respeito.
- Ulquiorra-sensei me perdoe! Não se voltará a repetir! Nunca mais pensarei que o senhor não é engraçado, que é exigente demais, aborrecido e… Ai não!
Por que sua boca nunca ficava fechada? Só disparava inconvenientes, que a deixavam numa situação deveras constrangedora. Sem dúvida, ela tinha um problema. Orihime não conseguia mentir, nem ser falsa, porque ao contrário das restantes pessoas, ela não falava consoante os seus pensamentos, ela expressava-se com o seu coração. Não conseguia gesticular uma única palavra que de facto não a sentisse.
E para sua agravante, ela nunca conseguia ficar calada!
Rapidamente, se curvou, exclamando “me desculpe” diversas vezes. Ao retomar a sua postura, aguardando uma possível repreensão, manteve sempre a cabeça baixa, envergonhada.
- Você é uma mulher estranha.
A ruiva encarou perplexa o seu professor. Deveria sentir-se ofendida? Ele poderia ter sido rude, como sempre o era. Frio. Porém, ele soara suave naquele instante. Sorriu timidamente, como agradecimento.
Em nenhum momento, o Shiffer alterou os contornos de sua feição.
Virou-se para entrar no local de treinamento, acenando com a cabeça para esta o seguir, e prontamente obedeceu a seu pedido silencioso.
- Mas interessante.
O tom róseo borbulhava em suas bochechas rechonchudas. Um elogio directo.
Nunca, mas mesmo nunca, o ouviu atribuir alguma característica positiva a alguém.
- Ulquiorra…Sensei?
- Vamos começar.
- … Sim.
Talvez, inscrever-se no dojo fora a melhor decisão de sua vida. Não só por causa das sombras… Ela estava a sentir algo diferente. Uma coisa crescia em seu peito, sempre que o via. Não se sentia mais sozinha.
Mesmo que só durante as aulas, estava acompanhada.
Ulquiorra posicionara-se no centro da sala de treinamento. Era um local simples e extremamente humilde. O espaço tinha diversas janelas minuciosas, distribuindo a luminosidade necessária, atribuindo inclusive uma certa amenidade ali. E, com o piso forrado de uma madeira suave, para facilitar o movimento dos principiantes.
Orihime odiava essa característica. Ela era bastante desastrada, seus pés, em vez de deslizarem elegantemente, sustentados das suas pernas curvadas, escorregavam. A primeira vez seu nariz teve um desagradável encontro com o chão, e constatou, que este não era tão macio como aparentava.
Como de costume, Ulquiorra iniciou uma sessão de movimentos. Karaté é uma arte de luta, mas havia um toque de beleza especial e diferente. Algo que o torna único. Para se saber karaté, tinha-se de aprender a andar como karaté. Os pés descalços, deslizam pelo solo, uma perna curvada enquanto a outra estendida apoiando o peso de todo o corpo do lutador. O tronco sempre ereto. Os braços firmes e inquebráveis.
Nos seus pensamentos peculiares, Inoue constatou que karaté era uma forma de dançar. Uma valsa agressiva, talvez.
- Repita.
- Ahn?
- É a sua vez.
- Oh! Certo!
Porque sempre fazia figura de idiota perante o seu sensei? Porque tinha de ser tão distraída!? O que será que ele pensava dela…?
Perante o dilema que a ruiva enfrentava em seus pensamentos, tremendo de nervos, acabou por bater seu pé esquerdo no direito, prevendo a primeira queda daquele dia.
Antes de sequer fechar as pálpebras por instinto, ela conseguira recompor-se. Não, fora ele quem o fizera.
Seu professor tinha o peito colado em suas costas, endireitando-as. Enquanto, sua perna estava flexionada contra o joelho da ruiva, não permitindo que esta se desequilibrasse.
- Tente ficar mais atenta, senhorita Inoue.
- Me desculpe. Acho que não sou uma boa aluna.
A tristeza no tom da mulher não lhe passara despercebido. Porém, reconfortar alunas não fazia parte das suas tarefas.
Sentia-se perigosamente intrigado. A personalidade excêntrica da ruiva, o cativava.
Ousado, aproximou-se do pescoço alvo parcialmente descoberto, expirando contra ele. Num quase toque.
- Você está com medo, mulher.
- Como?
A sua voz trémula o atiçava. Ela era uma ameaça, destruía todo o seu autocontrolo.
- Do que você tem medo? O que aparece em seus sonhos?
- Eu… Não estou a compreender…
O corpo tremia sob o seu, era até uma situação que o divertia.
- Você tem medo de si.
- O quê?
- Tem medo de se revelar, de lutar. Você é fraca.
Orihime, incrivelmente, não sentiu vontade de chorar. Seus olhos sequer lacrimejaram. O sentimento que a dominava era outro… Raiva. Ela o faria retirar essas palavras!
Curiosamente, ele nunca se desgrudara do corpo feminino, nem mesmo quando esta movera sua perna livre para lhe dar um golpe certeiro em si.
Discretamente, sorriu. Finalmente, ele viu.
O olhar avelã audaz. Sem medo.
A personalidade da ruiva consistia na timidez, na hesitação e na dependência emocional. No entanto, ele previa que ela possuísse um lado oculto, mais destemido. Só precisava de ser atiçado para este se libertar. E mais uma vez, estava certo. Talvez fosse a primeira vez que acertara algo relacionado à sua única aluna ruiva.
Momentaneamente, ele abaixou suas defesas, permitindo-se sorrir levemente. Contudo, esse escasso instante, fora o suficiente para ela o derrubar, pressionando seu corpo contra o dele.
Apesar de não o demonstrar, fora surpreendido. Esperava que ela prosseguisse com os ataques.
- Eu vou provar-lhe sensei que não tenho medo do que sou, nem… do que sinto.
Louca. Foi o primeiro pensamento que cruzara sua mente quando esta o beijara de supetão, enquanto suas mãos abriram suas vestes, massageando seu tórax.
A surpresa fora rapidamente substituída pelo prazer.
No entanto, não tivera tempo para desfrutar desse sentimento alucinante, uma vez que assim como Inoue iniciou os afetos ousados, da mesma forma os findou. Em segundos, ela se recompôs. Deixando Ulquiorra, no mínimo, frustrado.
- Mulher, o que você pensa que está fazendo?
- O treino por hoje acabou. Foi uma aula muito “interessante”, Ulquiorra-sensei. Nos vemos amanhã.
Com um cintilante sorriso Orihime abandonou o dojo, não tendo a excelente oportunidade, de encarar seu professor sorrir travesso. O desafio estava lançado. Na dança o homem sempre comanda e antecipa os passos da parceira; será que no karaté a mulher teria a chance de levar a sua avante?
Se sim ou se não, pelo menos, as sombras tinham ido embora.
Notas finais
( ... e exercício, por que se não... a balança nos mata do coração )
Beijinhos, Beijinhos
Até breve*
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