Capítulo 4 – Regresso a Casa

― Há algo que ainda não consigo assimilar ― disse Matsumoto.

― O quê? ― perguntou Ichigo enquanto tentava organizar a confusão em que resultara o seu dormitório.

― Como é que Aizen pode ser o pai de um bebé tão fofo?

― Concordo, era adorável ― respondeu Rukia, iniciando a tão temida conversa de mulheres. ― Viste aqueles olhinhos?

― Aquelas bochechinhas, davam até vontade de lhe encher a cara de beijos. Ah! Quero um assim…

― E eu! ― disse Rukia, lançando um olhar insinuante a Renji.

― Não, não e não. Kuchiki-Taicho iria matar-me.

― Vá lá, Renren! ― disse a menor abraçando-o carinhosamente.

― Já chega! Todos para a rua agora mesmo ― gritou Ichigo.

Quando todos haviam saído, Ichigo não pôde deixar de pensar que o bebé lhe recordava alguém que não era Aizen. Após pensar uns longos minutos, lembrou-se que não havia visto o Quarto Espada recentemente.

― Cabelo negro, olhos verdes e chama-se Ulqui-chan? Ulquiorra…? Não pode ser. Estou a delirar… mas era um bebé muito fofo… “como Ulquiorra”… Mas o que é que eu estou a pensar?!

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Já em Las Noches, Halibel separou-se de Aizen um pouco corada para que este pudesse pegar no menino e matar saudades.

― Meu bebé, estive tão preocupado. Nunca mais me faças isto. Pensei que ia morrer.

― Mas foi dive’tido, papá Ai. Quando é que posso ir visitar o Ichi-ni? ― perguntou o inocente infante, que havia adotado a mania das gémeas Kurosaki de tratar o irmão pelo diminutivo carinhoso.

Aizen sentiu uma fúria nascer desde o âmago do seu coração e prontamente enviou um esquadrão para acabar com o pervertido Shinigami Substituto, que havia tentando roubar a atenção do seu bebé para si mesmo.

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Tempos depois, surgiu o rumor de que o Shinigami Substituto já não era substituto, tendo falecido num infortunado “acidente” e era agora um residente permanente em Soul Society graças a uma visita surpresa de um certo grupo de Espadas.

A relação entre Aizen e Halibel havia-se tornado muito mais próxima graças ao seu bebé. Logo correu aos sete ventos a existência de um possível romance, mas apenas eles e Ulqui-chan saberiam dizer se era verdade.

Grimmjow finalmente recuperou-se da monumental tareia, que Aizen lhe dera e voltara às suas atividades voyeuristas de espiar o pequeno e levar porrada de uns pais altamente protetores. Já era de conhecimento geral que a cada três ou quatro dias, o gato era enviado sem falta para enfermaria. Já fosse por obra de um papá sobre-protetor e ciumento ou de uma mamã extremamente preocupada com o bem-estar do seu rebento.

Gin havia aprendido a lição desde que fora presenteado com um belíssimo e esplêndido coma, passando a focar a sua atenção na perseguição a um certo Capitão da Soul Society, com cabelos como a neve, que já não o podia ver nem pintado de ouro. O Capitão sentia o seu recém adquirido tique nervoso surgir, sentido a sobrancelha tremer levemente e as gotas de suor escorrerem pelo seu pálido rosto ao mero som da sua voz ou à menção do seu nome. Como tal, havia começado a procurar escudos que o protegessem do seu mais recente stalker, sendo os seus preferidos o seu bom amigo, o Capitão Kyōraku e o Capitão Kuchiki. O primeiro protegia-o até do ar que respirava, sempre preocupado de que a sua saúde piorasse, mas esse era um pequeno preço que tinha de pagar para conseguir que este afastasse a mosca Ichimaru que o rondava ultimamente. O segundo era perfeito para manter Gin fora do seu raio de visão, pois nem mesmo este era tolo o suficiente para tentar ir contra o nobre. Gin não podia deixar de sentir que estava a ser ignorado e recusado pelo seu novo amorzinho.

Szayel foi libertado sob custódia de Nnoitra com o propósito de encontrar uma cura para Ulquiorra, pelo que agora tinha-se juntado às suas aterrorizadas Fracción, oprimidas por um Quinto Espada impaciente. Szayel pegou cuidadosamente num tubo de ensaio, cheio até quase transbordar de uma infusão, que era a sua terceira tentativa de desenvolver um antídoto para o Quarto Espada. Quando sentiu uma mão gélida tocar o seu ombro, resultando num vergonhoso pulo com a consequente queda do tubo de ensaio no chão, agora estilhaçado em diminutos fragmentos de brilhante e translucido cristal. O líquido evaporou em questão de segundos deixando uma pequena cratera no solo, onde antes estivera o “inofensivo” material químico, que ele afirmava ser a cura para o mal do qual Ulquiorra padecia.

― Nnoitra, seu desgraçado. ― As mãos de Szayel tremiam numa tentativa vã de não lhe bater até à inconsciência ou com um bocadinho de sorte deixar de ser uma existência em estado sólido e passar a ser uma existência em estado líquido.

― Devias agradecer-me. Poupei-te de uma morte segura! ― afirmou Nnoitra em sua defesa.

O cientista respirou fundo e ordenou às Fracción que limpassem o desastre que ele amorosamente denominava laboratório.

Após alguns dias de dolorosa preparação e cuidadosa investigação, Syazel respirou fundo e adicionou o último ingrediente à fórmula que devolveria o Quarto Espada à normalidade e acabaria por fim com a sua rotina de tortura às mãos do seu detestável carcereiro. Não esquecendo de antes observar atentamente os seus arredores e espreitar para o corredor, para não sofrer uma desagradável surpresa. Não fosse Nnoitra estragar o seu grande momento pela enésima vez.

Um leve vapor de aroma adocicado foi a deixa de que havia finalmente obtido sucesso no seu encargo. Szayel fez uma hilariante dança da vitória, enquanto entoava desafinadamente: ― “Sou o maior! Ahã ahã! Sou genial!”

― Posso concluir por essa vergonhosa demonstração de falta de pudor que encontraste a cura? ― Aizen entrou no laboratório, seguido por Halibel com o pequeno a dormitar no seu colo.

Por um momento o oxigénio deixou de fluir e a sua garganta fechou-se, não conseguindo respirar corretamente, fazendo que o seu cérebro fosse invadido por uma sensação enevoada. Quando finalmente foi capaz de pensar e respirar corretamente, Szayel expôs a sua descoberta com as devidas explicações.

― Está pronta, Aizen-sama! Até tomei a liberdade de melhorar o sabor. ― O peito do cientista inchou de orgulho.

― Quando é que Ulqui-chan a pode tomar? ― Os olhos de Halibel brilhavam pelas lágrimas. ― Não vai doer?

― Só deve beber a cura antes de dormir e quando acordar o Quarto Espada terá regressado.

― Aizen-sama, podemos fazê-lo amanhã? Quero passar mais umas horas com Ulqui-chan. ― As lágrimas marcavam as maçãs do rosto de Halibel.

― Não há problema, eu também desejo despedir-me do meu bebé.