Ulqui-chan Season 1

3 Perdido no Desconhecido


Capitulo 2 – Perdido no Desconhecido

Uma semana havia passado rapidamente. Grimmjow havia recebido ordens de ir a Karakura para guiar um ataque de Hollows contra o Shinigami Substituto, pelo que estava a preparar-se para partir quando ouviu uns pequenos passinhos a correr na sua direção.

― Jow, Jow, b'inca comigo ― pedia o pequeno com olhinhos brilhantes, que derreteriam até o mais frio e cruel dos corações. Espera, já o tinha feito: Aizen era a prova viva.

― Agora não posso, morceguito, tenho de ir ao Mundo Real cumprir com uma missão que o bastardo do Aizen me ordenou.

― Papá Ai não é um basta’do… O que é um basta’do?

― É… é… Não importa, tenho de ir; quando voltar brinco contigo, agora tenho de ir antes que Aizen comece a reclamar por estar a demorar tanto a cumprir a missão.

― Mas, Jow… ― começou a dizer o pequeno enquanto via o maior a entrar numa garganta.

Com decisão, o bebé seguiu a pantera sem que esta se apercebesse.

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Grimmjow estava a organizar os Hollows e Arrancares que participariam nesse ataque, quando sentiu um aperto de umas pequenas mãos numa das suas pernas.

― Jow, onde estamos?

― Seu… seu fedelho! ― gritou o maior, causando pequenos soluços no bebé enquanto este tentava conter as lágrimas ― O que é que pensas que estás a fazer? Devias ter ficado no palácio, este não é sítio para crianças brin…

Antes de que pudesse terminar de falar, Grimmjow apercebeu-se de que o morceguito havia desaparecido durante o seu raspanete. Só então se deu conta de que tinha estado a gritar com o pequeno ao ponto de fazê-lo chorar. Era um completo idiota, tendo feito chorar uma criança tão alegre como era o Quarto.

Desde que o vira pela primeira vez que quisera ver alguma emoção naquele rosto inexpressivo, motivo pelo qual o desafiava o tempo todo. Agora que este tinha regressado à infância, ria o tempo todo ― para felicidade de todos os habitantes de Las Noches ― e ele acabara de destruir a alegria do pequeno.

oOo

Ulqui-chan corria pela rua sem se aperceber por onde ia. Assim, bateu contra uma menina que ia a caminhar na sua direção.

Karin olhou para o pequeno que chorava desconsoladamente. Talvez estivesse perdido, pensou a menina. Mas analisando bem, o bebé desprendia uma aura muito parecida ao seu irmão quando estava em modo Shinigami. Seria acaso uma alma? Mas não se parecia em nada aos espíritos dos mortos que estava habituada a ver.

Enquanto isso, o pequeno estava caído no chão a soluçar e, quando olhou em volta, notou que não sabia onde estava e que Grimmjow não estava em lado nenhum.

― Pronto, pronto! ― exclamou Karin levantando a criança e acariciando-lhe a cabeça ― Está tudo bem! Como é que te chamas, pequenino?

― Ulqui-chan ― respondeu, limpando as lágrimas dos olhos.

― Bem, Ulqui-chan, onde estão os teus pais?

― Papá Ai está em casa.

― Então, com quem estavas antes de te perderes?

― Jow… estava com Jow. Eu que'ia b'inca’, mas Jow disse que tinha que fazer o que papá Ai mandou e g'itou-me.

― Está bem! Vou ajudar-te a procurá-lo. Como é que ele é?

― Jow? Jow parece um gato azul ― respondeu o bebé para completa confusão da menina que, ao constatar que não ia conseguir nada que fizesse lógica, decidiu levar o pequeno para sua casa e pedir ajuda ao seu irmão.

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Karin abriu a porta de casa e abraçou o pequeno para fugir do ataque do seu pai.

― Karin ― Choramingou o homem. ―, porque não dás um abraço ao teu pai?

Karin colocou o menino atrás dela para que Isshin não o visse, mas já foi tarde. Isshin ajoelhou-se e deu um abraço de urso ao pequeno que quase o deixou sem ar, sendo salvo por Ichigo que havia acabado de chegar a casa depois de um dia de aulas.

― Estás bem, pequeno?

O bebé assentiu e aproximou-se a Karin timidamente, agarrando a sua camisola com mãos frouxas.

Ichigo olhou fixamente para o pequeno pensando que o seu rosto lhe era familiar, mas sem conseguir descobrir de onde ou o porquê.

Um pequeno ruído surgiu do estômago do bebé, deixando-o envergonhado, e Isshin, completamente bobo, logo se pôs a falar de coisas estúpidas como que tinha de ir fazer a comida para o seu novo filho enquanto quase voava até à cozinha.

― Onde encontraste essa alma, Karin?

― Veio a correr na minha direção e batemos um no outro. Queria ajudá-lo a encontrar a pessoa com a qual estava, mas tudo o que dizia não fazia sentido algum, pelo que queria a tua ajuda, Ichi-ni. ― A menina apercebeu-se subitamente de algo. ― Ichi-ni, porque é que o nosso pai foi capaz de vê-lo se é uma alma?

Ichigo confuso agachou-se até ficar à altura do rostinho do menino. Sem conseguir pensar em nenhuma teoria, decidiu voltar ao que importava, ajudar o menino a encontrar a família.

― Como te chamas?

― Ulqui-chan ― respondeu, escondendo-se atrás de Karin, só deixando ver os seus inocentes olhinhos verdes que pareciam tão familiares para Ichigo.

― Como é a pessoa com a qual estavas?

― Jow é um gato g’ande azul que o papá Ai diz que é um basta’do pe’ve’tido ― respondeu para constrangimento dos maiores.

― Jow é um gato?

― Sim, Jow é muito alto e quando está a gritar com o papá saem-lhe umas orelhas e uma cauda.

Os maiores desistiram de tentar encontrar alguma lógica nas palavras do bebé.

oOo

Rukia estava atónita com a atitude dos Hollows e dos Arrancares nesse dia. Estes haviam surgido do nada e atacado algumas almas, para de repente virarem costas e começarem a vagabundear pela cidade. Alguns gritavam coisas sem nexo como “Pequeno príncipe, onde é que estás?” ou “Vamos, bebé, não tens que ter medo!”

Ainda quando tentava lutar com eles, era completamente ignorada como se não estivesse ali ou nem sequer existisse.

Foi nesse momento que viu o Sexto Espada passar a correr com cara de pânico, algo que pensava ser impossível. Decidiu segui-lo e deu com uma cena ainda mais surreal.

― O que é que eu vou fazer? ― perguntava-se a pantera ― Aizen vai matar-me.

― Claro que não te vai matar. ― Consolou um dos Arrancares.

― Sim, só vai torturar-te… e estripar-te… e alimentar-te com as tuas próprias entranhas ― disse outro como se estivesse a falar de um tema banal, como o tempo.

― Pois, não é como se tivesses perdido o filho de Aizen-sama… Oh, espera! Sim, perdeste. Estás completamente fodido – concluiu um dos Arrancares sem se importar com o impacto que as suas palavras poderiam ter sobre o Espada.

Enquanto estes regressavam a Las Noches, Rukia não pôde deixar de pensar no que tinha escutado.

“Aizen tem um filho?! Um filho que está perdido no Mundo Real? Esta poderia ser a oportunidade que tínhamos estado à espera”, pensou a Shinigami.

― Preciso reportar a situação a Seireitei! ― concluiu a morena.

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No Salão do Trono encontravam-se Aizen, Gin recém acordado do coma, Tousen, os Arrancares que haviam sido enviados na missão e Grimmjow, quase desfalecido.

― Deixa ver se eu entendi… Foste a Karakura cumprir com a missão, mas não a cumpriste; em vez disso perdeste o meu bebé no Mundo Real, depois de lhe ter gritado ao ponto de fazê-lo chorar ― disse Aizen dando um pontapé nas costelas da pantera. ― Foi isso? Compreendi bem?

― Si… sim ― respondeu Grimmjow tossindo sangue.

Todos os presentes estavam preparados para assistir ao golpe final sobre a ferida pantera, quando ficaram chocados com a reação do seu Rei: Aizen tinha-se colocado em posição fetal, abraçando os joelhos enquanto murmurava o nome do seu bebé, uma e outra vez.

Passado o choque, Tousen e Gin ajudaram Aizen a levantar-se. Este último puxava os próprios cabelos quase ao ponto de arrancá-los e lamentava-se pelo seu menino só, perdido e abandonado num mundo desconhecido. Este último pensamento fê-lo retomar a compostura e pôr-se a ordenar a torto e a direito.

― Tousen! Quero que organizes uma equipa de busca e partam imediatamente para Karakura. E não regressem até me terem algo para me dizer sobre Ulqui-chan.

Tousen saiu, levando consigo os Arrancares necessários para iniciar a busca pelo Príncipe perdido.

― Gin, quero que toda a maldita criatura que viva em Las Noches esteja lá fora, à procura do meu bebé.

― Sim, Aizen ― respondeu o outro, preparando-se para sair.

― Gin! ― chamou Aizen, baixando a cabeça derrotado e fazendo Gin parar e prestar-lhe atenção de novo ― Traz-me o meu bebé, por favor.

Gin admirou-se ao escutar tais palavras sair da boca do grande Sousuke Aizen. Aizen nunca pedia nada, apenas tomava o que queria.

― Sim, Aizen. Não se preocupe, definitivamente vamos encontrá-lo.