Estar em um mesmo ambiente que ela e seu – idiota – namorado era um pouco constrangedor, porque eu sempre ficava olhando para o lado e via os dois rindo, fazendo gracinha um com o outro, enfim , coisas que namorados fazem quando saem juntos. Mas eu também queria me divertir e não ficaria ali sendo torturado. Ah, não mesmo!
Peguei a mão de Peggy, me inclinei olhando em seus olhos – iludidos – e a beijei de forma totalmente romântica.
Ela ficou toda emocionada, com os olhos ainda mais brilhosos, como a luz do sol e abriu um sorriso mais largo do que já estava.
– Ninguém nunca me tratou de forma tão gentil como você, obrigada por me dar toda esta atenção – disse pegando minha mão.
– Que isso, eu sou cavalheiro com quem merece e você... – desviei os olhos e vi que Tracy nem ligava para essa cena ridícula.
Fiquei com raiva de mim, fiquei com raiva desta situação ridícula e apenas pedi licença para Peggy e fui para o banheiro.
Me olhei no espelho, furioso, fiquei com vontade de me transformar, mas mantive calma, não poderia estragar tudo. Não agora.
Respirei e inspirei umas duas vezes até conseguir ficar mais calmo. Agora volte e aja normalmente, pensei enquanto saia do banheiro.
Voltei para a mesa e percebi que Tracy me espiava pelo canto de seus olhos. Com este gesto, senti meu coração disparar de imediato.
– O que houve? – Peggy perguntou com os olho esbugalhados.
Não sei por que eu a chamei para sair comigo. Ela não me atraía, ela não era compatível comigo, nada nela me chamava atenção, acho que fiz isso só porque ela é a garota mais bonita do colégio, para os outros rapazes. Mas para mim, Tracy – infelizmente – ganha de todas. Droga!
– Ahn, não foi nada. Não se preocupe. – eu disse forçando um sorriso – que tal sairmos um pouco? – sugeri.
Eu queria sair dali o mais rápido possível, não queria sentir raiva, não queria estragar tudo. Eu estava me sentindo fracassado, incapaz de provocar.
– Mas nós nem pedimos nada, não acha chato? – perguntou.

– Não importa, eu só quero sair daqui, ta legal? – falei um pouco nervoso e ela percebeu isso.
– Por favor, Caleb, me conte o que esta acontecendo – insistiu novamente – eu não estou entendendo você – disse olhando em meus olhos, embora eu não estivesse olhando para ela.
– Não é da sua conta. Até logo! – eu disse me levantando e saindo do restaurante.
Seu idiota! Fracassado! Inútil! Burro! Você é um completo idiota. Pra que então você foi lá com aquela intrometida? Para não fazer nada? Idiota mesmo! , pensei nervoso, andando pela rua movimentada. Entrei em uma rua um pouco vazia e soquei a parede, fazendo um buraco no formato de minha mão. Fiquei parado ali, de cabeça para a parede, pensando na besteira que eu acabara de cometer. Eu deixei a pobre da Peggy sozinha no restaurante, por causa da Tracy que me deixara nervoso, sendo que ela não tem nada a ver com a minha historia com Tracy.
Respirei e voltei para o restaurante. Olhei pela janela e ela ainda estava lá. Chorando.
– Posso? – perguntei ao chegar a mesa.
Ela apenas assentiu, enxugando as lagrimas que caiam uniformemente de seus olhos.
Eu olhei para o lado e Tracy ainda estava com o seu namorado, observando-nos. Eu fiquei com raiva de Tracy, pois era ela quem estava causando tudo isso. Se ela estivesse comigo, eu não estaria nervoso, eu não precisaria de fazer toda essa merda de ter que sair com uma garota e acabar machucando-a.
Me virei para olhar para Peggy e ela por sua vez, mantinha a cabeça ainda baixa.
– Peg – chamei-a, tentando concertar minha burrada – eu seu que eu te machuquei agora, mas eu vim aqui concertar isso – eu me levantei um pouco, e puxei o queixo dela para cima, forçando-a a olhar para mim – por favor, me perdoa. Podemos continuar nosso encontro como se nada tivesse acontecido? – perguntei me sentindo culpado.
Ela mordeu os labios inferiores e abaixou os olhos.
– Posso te contar uma coisa, Cal? – perguntou desta vez olhando dentro de meus olhos.
Eu assenti.

– Sabe, eu sempre tive uma queda por você – e riu um pouco tímida – e agora que você me chamou para sair,eu fui totalmente desapontada – ela ficou séria – primeiro você “grita” comigo falando “tá legal?” de forma totalmente grossa, segundo você sai e me deixa aqui sozinha. Que impressão você acha que tenho de você agora? – perguntou olhando para mim, formando lagrimas nos seus olhos.
Eu fiquei sem reação. Ela estava certa, eu havia desapontado ela, por ter descontado toda a minha raiva nela, sendo que ela não tinha nada a ver.
– Desculpe, eu não...
– Não – ela me interrompeu – não se preocupe, já está perdoado – ela sorriu – eu só queria desabafar e falar tudo que veio em minha mente quando você me deixou aqui sozinha, plantada feito uma planta qualquer – ela abaixou a cabeça e depois olhou em minha direção, porém era para além de mim.
– Eu sei. Você não é qualquer planta – eu ri – você é minha amiga, Peggy e eu fico muito grato por você ter feito esta ótima companhia para mim, embora eu tenha sido um péssimo companheiro à você – ela riu e eu também ri.
Era diferente sair com gente normal, elas eram menos bravas e mais compreensivas, mais sensíveis e menos agressivas. Quem sabe Peggy ocupa o lugar de Tracy em meu coração?
Desviei meus olhos em direção à Tracy e – infelizmente – todo aquele sentimento que eu sinto por ela voltou a tona. Droga!
Não adianta. Quando ama, ama. Não adianta tentar fingir que gosta de outra.
– Que isso, você foi... Razoável – ela riu – mas você pode tentar se superar – e arqueou a sobrancelha.
– É, quem sabe nós não saímos juntos outra vez – sugeri sorrindo.
– Combinado, – ela respondeu animada. – Mas da próxima vez você vai ter que me surpreender – e sorriu pegando sua bolsa e colocando ao lado de seu ombro e se levantando – Até mais, Caleb – disse indo embora, me deixando sozinho.
Eu entrelacei meus dedos colocando debaixo de meu queixo e vendo Peggy ir embora pelo vidro do restaurante.
Tudo estava tão estranho.

Por um momento fiquei pensando na conversa que eu tive com meu pai. E ele tinha razão. Eu devia parar de atormentar Tracy, porque ela amava Aaron, e me odiava. E não adiantava lutar por este amor, eu só ia machucá-la e eu só ia assustar Aaron, porque eu sei que ele tem certo desconforto em ficar perto de mim, aliás eu fui o responsável por atacá-lo.
Eu olhei para aquele casal que sorria constantemente um para o outro e conversavam alguma coisa sobre eles e Tracy nem se importava com a minha presença ali, mesmo sozinho.
Eu não estava cem por cento decidido, mas eu tomaria alguma decisão em relação a Tracy, quem sabe se eu me afastar um pouco dela ela sente minha falta e vem atrás de mim?
Me levantei e sai do restaurante, sentindo que Tracy e seu namorado olhava para mim.