Tinha me esquecido de como era sentir os lábios dela nos meus. Fazia tanto tempo – parecia uma eternidade –, mas era melhor do que eu lembrava. Seus lábios eram macios e convidativos, eles se moldaram nos meus, como se fossem feitos para eles, como eu sempre quis acreditar.

Mas eu sempre estive errado.

Só que eu não conseguia parar de beijá-la. Era terrivelmente errado, mas eu não conseguia me controlar.

Então pensei em Aaron, pensei em quando quase o matei, visualizei o rosto de Tracy e empurrei-a para longe, ofegante.

– Escuta... Você precisa parar com isso. – falei, limpando meus lábios com as costas da mão.

– Eu? Foi você quem me beijou.

– E você precisava retribuir?

– Não queria magoar seus sentimentos.

– Meus sentimentos, é? – gargalhei, sarcástico. – Então agora você liga para eles? Pensei que só se importasse com seu querido namorado humano!

Ela me deu uma bofetada no rosto, cortando meu lábio. O choque do tapa fez com que eu parasse de dizer bobagens – que eu queria muito dizer.

– Me desculpe. Eu não queria...

– Tudo bem. Eu não devia ter te batido.

– E eu devia ter calado a boca e não ter te beijado.

– Então eu... Eu acho que já vou.

– Espera. – segurei seu braço, olhando para ela. – Duas coisas.

– Diga.

– Sobre ler mentes: acontece quando duas pessoas se amam profundamente e estão conectadas, de corpo e alma. Tipo, quando elas pertencem uma à outra.

– Certo. O que significa?

– Bem, elas têm que ter relações sexuais e...

– Já entendi, obrigada. E a segunda?

– A segunda coisa... – suspirei, tomando coragem para dizer a verdade que eu segurara por tanto tempo. – É que eu amo seu jeito de sorrir. Eu amo como você mexe no cabelo quando tá nervosa. Eu amo sua risada, mesmo sendo tão ridícula. Eu amo quando você diz meu nome, mas sei que nós dois não somos... a metade um do outro.

– Cal, eu...

– Não, não precisa dizer nada. Eu só quero que saiba. Saiba que eu estarei aqui para sempre que precisar. Eu nunca te abandonarei. Mesmo quando fui um idiota tentando matar Aaron eu só fiz aquilo porque te amava. Porque te amo.

Ela fez um som tipo esses que você faz segundos antes de chorar, ao descobrir algo que sempre quisera ouvir, mas não acredita, e me beijou. Foi rápido e molhado (ela realmente começou a chorar), mas eu senti que foi verdadeiro. Então ela foi embora.

Dei um murro na parede quando ela bateu a porta. Seu burro! Gritei mentalmente comigo, como se fosse adiantar. Vá atrás dela e diga que foi brincadeira!

Mas não adiantaria. O estrago já estava feito.

O amor é perigoso. Não se iluda.

Meu pai dissera isso uma vez. Nunca pensei que doeria tanto.