Assim que saí de perto dele, eu saquei que era tudo mentira. As coisas são assim com Caleb: quando você vê que ele está sendo legal demais, é tudo falsidade.

E aquele papo de me amar antes de eu sair com Aaron? Mentira. Eu amava Aaron desde a sétima série – e Cal era meu esquecido amigo de infância...

Continuei correndo em minha velocidade sobrenatural até voltar para o Canadá. Meus pais me esperavam na sala – cheguei dois dias depois, estava muito cansada. Perguntaram como foi a viagem para trazer Caleb de volta e eu disse que foi um caso perdido. Subi para meu quarto e me joguei na cama.

Eu falhei. Falhei! Quis salvar o coração de Peg e acabei falhando. E agora? E agora? Cal não voltará mais – pelo menos por enquanto. E Aaron e eu estamos seguros.

Fui tomar um banho relaxante enquanto me culpava por tanta coisa. Depois que me vesti, Aaron me ligou, convidando-me a ir até sua casa ver um problema de geometria – e considerando que o ano letivo acabou, ele queria que eu fosse lá dar uns amassos. É isso aí, lá vou eu!

– Você voltou tão rápido da viagem até sua... Tia, né? O que houve?

– Ela me rejeitou. – sorri, sentando-me na cama e cruzando as pernas. Eu usava um short jeans tão curto que Aaron teria uma boa visão. E meu top preto também ajudava – Então eu voltei pra você. O que me diz?

– Acho que você sabe ser provocante. – ele sorriu, deitando-se do meu lado – E abusa muito da sorte, sabe? Talvez... Não seja só coincidência que meus pais resolveram sair justo hoje, não acha?

– Eu estou gostando desse seu papo! – sorri mais ainda, acariciando seu rosto. Aaron estava tão excitado quanto eu – Então... O que vai ser, bonitão?

Ele se aproximou, fechando os olhos, e me beijou, delicada, mas apaixonadamente. Colocou um dedo no cós do meu short e puxou-me para si com um de seus braços fortes e bronzeados. Passei a mão pelos cabelos castanhos que eu mais amava no mundo e baguncei-os tanto tentando unir nossos corpos que ele soltou um riso abafado.

E para minha decepção, meu celular começou a tocar.

– Vai atender? – perguntou, descendo os lábios por meu pescoço até os ombros – Pode ser importante.

Olhei na tela. Um número desconhecido. Joguei o celular no chão e voltei-me para Aaron, que continuava a acariciar meu corpo.

– Não é ninguém. Onde a gente estava?

Ele deu um sorriso torto e puxou-me para mais perto, encaixando minhas pernas nas suas. Uma corrente elétrica cheia de calor passou por nós e eu fechei meus olhos, segurando-me em seu pescoço, colocando os lábios em sua orelha.

– Acho que tá na hora. O que me diz, bonitão?

– Espere aqui. Vou ver se acho o preservativo.

Ele pulou da cama, beijou-me na testa e foi vasculhar na gaveta do criado-mudo. Meu corpo transbordava de desejo e calor. Eu sabia que havia chegado a hora. Em meio a tantos problemas, não sei como podia me concentrar nesse desejo, nessa paixão, nesse calor – talvez o fato de ter um namorado tão perfeito ajude.

Aaron voltou com o preservativo, rasgando a embalagem com seus dentes, e deitou-se na cama. Voltamos a nossa cena quente e ajudei-o no processo de tirar suas roupas. Ele me ajudou a tirar as minhas e finalmente conseguimos chegar aonde queríamos.

Meu único pensamento naquele momento foi: por favor, que os pais dele não cheguem – e que a merda do celular não toque.

Após termos nosso momento íntimo e especial, nos deitamos embaixo do lençol a ficamos nos fitando, sorrindo um para o outro. Ele afagou meu rosto e beijou-me mais uma vez.

– Você é tão maravilhosa, Tracie.

Tracie... O jeito como ele me chamou me fez lembrar de Caleb, mas tentei esquecer isso e o sentimento de culpa que isso me causava.

E também, acho que a batida na porta da frente ajudou.

– Ai, meu Deus! Meus pais! – ele se levantou rapidamente, se vestindo e jogando minhas roupas para mim – Depressa, se vista! Ai, meu Deus, estamos ferrados!

Comecei a rir.

– O que foi?

– Você tá muito engraçado! – cobri a boca com a mão, abafando o som. Corri para o banheiro em seu quarto e me vesti rapidamente, arrumando o cabelo e lavando o rosto. Voltei para o quarto e peguei Aaron arrumando a cama e sentando-se nela – Certo. E agora? Você quer ir para casa ou ficar aqui e fingir que nada aconteceu?

– Ah, claro! Seus pais vão mesmo acreditar que dois adolescentes repletos de hormônios não fizeram nada. – ri mais uma vez – E se a gente fugir?

– Não pode tá falando sério.

– Eu tô sim! Vamos pegar sua pick-up e ir para o nada! Que tal a floresta?

Só de mencionar a floresta, ele mudou sua expressão – que foi de excitada a apavorada. Tratei de me corrigir, dizendo que era brincadeira, mas isso não adiantou muito. Então me aproximei dele e pedi desculpas.

– Tudo bem. Podemos fugir. – ouvimos os passos deles. Estavam pertos – Agora, o que acha? – ele sorriu.

– Você é genial.

Corremos para a janela e, abrindo-a, pulamos para o fundo da casa dele. Cautelosamente, corremos para a garagem, evitando rir até chegar na pick-up. Tiramos ela da garagem e entramos. Aaron ligou o carro e acelerou, correndo para longe dali.

Aí, sim, começamos a rir.

– Eu te disse! Isso é demais! – gargalhei, abraçando-o – E agora?

– Sugiro que nós corremos até acabar a gasolina, depois vemos o que fazer. – ele sorriu, orgulhoso de si mesmo – Ai, droga! – ele bateu o punho no volante – deixei nossos celulares em cima da cama! Merda!

– Tudo bem, depois nós pegamos. Agora basta fugirmos.

O plano estava quase dando certo, até que a gasolina acabou.

Aaron foi procurar um posto próximo e pediu que eu esperasse. Mas claro que eu não faria isso. Olhei a meu redor, me transformei e corri até a casa dele. Saltei para dentro do quarto, voltei à forma humana e enfiei os celulares no bolso – até agora, ninguém me viu. Pulei a janela de novo e corri com minha velocidade sobrenatural até a pick-up. Aaron ainda não voltara.

E eu já estava ficando preocupada.

Relaxe, Tracy, relaxe. Ele foi só buscar ajuda e já volta. Não aconteceu nada, mas é claro que não! Caleb não está aqui e não vai atacá-lo de novo – não, isso é besteira! Agora você vai ficar calma e... Espera! Que lobo é aquele?

Saí do carro e me aproximei do lobo que me encarava do lado de fora, perto da floresta. Ele olhou para meu colar – que eu recolocara no pescoço desde que o recuperara – e abaixou a cabeça, em sinal de respeito.

– Ordeno que volte à sua forma humana.

Ele obedeceu. Para minha surpresa, era uma garota ruiva de corpo esbelto e olhos verdes. Ao me ver, ela fez uma reverência e disse:

– Perdão por interrompê-la, alfa. Mas temos um pequeno problema.

– Fale. – murmurei, verificando se ninguém nos via. Confere.

– Graham Watson está violando uma de nossas regras.

Reconheci o nome do pai de Caleb e estremeci. Ele era um lobo forte e poderoso e me dava calafrios – apesar de gostar de mim como uma filha.

– Qual delas?

– Ele está caçando nos territórios proibidos. Parece que está em busca de algo valioso. Mas infelizmente não sabemos o que é.

Eu sei, pensei. Ele está atrás do filho.

– Acho que sei o que é. Caleb Watson, o filho dele. Ele certamente já sumiu do mapa de novo, mas acho que pode ajudar. Se o encontrarem, me avise?

– Certo, alfa. Desculpe-me. Até mais.

Ela uivou baixinho e se transformou novamente, correndo para dentro da floresta.

Tá legal, o que foi isso?

– Oi, gata. Voltei o mais rápido que pude. Assim que ouvi o uivo, corri para cá. Boas notícias: achei um posto. Mas teremos que empurrar até lá.

E assim fizemos: empurramos a pick-up até o posto (não sei quantos quilômetros andei, mas fiquei muito cansada) e Aaron encheu o tanque. Depois, tivemos que voltar para a casa dele.

– Ah, e eu achei os celulares! – exclamei, tirando-os do bolso – Estavam no porta-luvas.

– Ah, não me lembro disso. Mas obrigado! – ele me beijou de leve nos lábios – Agora vamos para casa.

Aaron guardou a pick-up na garagem quando chegamos e eu voltei para a casa correndo. Quando ele não observava mais, resolvi me transformar e sair por aí para não pensar tanto nas coisas.

Primeiro: eu falhara em salvar o sofrimento de Peggy.

Segundo: o pai de Caleb fora numa missão inútil de trazer o filho de volta.

Terceiro: EU E AARON TIVEMOS NOSSA PRIMEIRA VEZ E FOI INCRÍVEL! – primeiro ponto positivo da história.

Quarto: preciso me virar com Peg agora.

Aí ouvi um barulho estranho e me virei. De trás das sombras, saiu um lobo negro gigantesco e me saudou com a cabeça.

Alfa.

Olá... Pessoa desconhecida.

Sou eu, alfa. Graham.

Ah, tá! Eu nunca vi o senhor assim.

Alfa – ele nunca me chamava de Tracy, só de alfa. Isso às vezes irrita –, preciso de sua ajuda. Cal sumiu.

Eu sei. – sentei-me, de modo a ficar de frente para ele – eu fui procurá-lo, mas ele não me ouviu e...

Não está entendendo. Ele simplesmente desapareceu. Não sinto a presença dele.

Não era possível. Caleb tinha morrido?

Não sabia se ficava alegre ou triste na hora, mas sei que saí correndo e voltei para casa – era hora do jantar.