Uchiha and Haruno
15 Sou de Humanas!
Notas iniciais
Sou de Humanas!
人間
–- Sakura você... -- Sayuri deteve-se a soleira da porta vendo a mais nova jogar algumas roupas dentro de uma mala. Era noite e Sakura estava bem vestida, com um sobretudo preto e botas de cano longo -- Onde vai?
–- Não é obvio? -- Encarou a mãe que mantinha-se silenciosa -- Embora!
–- Sua mudança ocorre em três dias e vamos...
–- Embora para Portugal! -- Completou calando a mãe completamente -- Tenho uma casa e meios de voltar a viver lá.
–- Sakura, filha... -- Tentou falar, mas foi bruscamente cortada
–- Minha paciência tem limite mãe -- Jogou uma peça com brusquidão na mala e voltou-se a mãe -- Me casar contra a vontade, okay, posso conviver com isso... Agora morar junto? Você enlouqueceu?
–- É para seu próprio bem Sakura!
–- Meu bem? -- Passou a mão nos cabelos -- Se esta tão preocupada com o meu bem, saia da frente e me deixe partir.
–- Você não sairá dessa casa Haruno Sakura -- Exaltou-se a mais velha
–- Até quando acha que eu direi amém mãe? -- Gritou vendo os olhos arregalados da matriarca -- Não vou baixar a cabeça para suas loucuras, me nego a dizer sim a tudo!
–- Sakura... Musume -- Aproximou-se -- Quero seu bem, apenas isso. Estou fazendo isso por ser sua mãe e te amar mais que a mim mesma.
–- Pareço feliz para você? -- Grunhiu -- Me deixe ir embora...
–- Meu coração não aguentaria te dizer adeus novamente -- Murmurou
–- Então esqueça isso de casa, e deixe-me continuar aqui, Okaasan...
–- Não voltarei atras disso Sakura, é minha palavra final. -- Limpou algumas lagrimas que saltavam de seus olhos -- Gomen
–- Imaginei! -- Deixou a mala aberta em cima da cama e alcançou a bolsa com o celular, carteira e chaves do carro, atravessou a porta como um furacão, deixando a mãe para trás, não queria saber para onde ia, só queria, momentaneamente, sair dali.
–- Sakura, volte aqui! -- Descia as escadas atrás da filha
–- Me deixe em paz! -- Correu até a garagem de onde arrancou com o carro
Os amigos estavam voltando do passeio com os cães dentro do condomínio quando viram o carro de Sakura passando acelerado e Sayuri surgindo na porta da garagem.
–- Sayuri-sama? -- Hinata entregou a coleira do filhote ao noivo e correu em direção a mulher que chorava, Sasuke a acompanhou -- O que aconteceu?
–- Sakura quer voltar para a Europa -- Limpou os olhos claros
–- Para onde ela foi? -- Sasuke deu um largo passo alcançando Sayuri
–- Não sei, deixou a mala de roupas aberta em cima da cama e pegou apenas os documentos -- Escondeu o rosto mas mãos
–- Vou ligar para Tsunade -- Ino manifestou-se -- Talvez o passaporte de Sakura esteja com ela e... Sasuke, onde você vai? -- Gritou vendo o moreno correr
–- Vou atrás dela!
***
–- Inferno -- Sakura revirava a bolsa, o passaporte não estava com ela e o único documento na carteira, era sua habilitação.
Não que pretendesse embarcar nesse momento em um avião, mas seus planos longínquos haviam sido frustrados graças a falta de documentos, demoraria dois meses no mínimo para a emissão de um passaporte novo, e até lá, já estaria praticamente casada.
Há anos não baixava a cabeça para ordens de ninguém, quando voltou, viu-se submetida as ordens da família, mas isso duraria apenas até sua paciência acabar.
E havia acabado!
Sentia-se péssima por responder e gritar com a mãe, mas sentia-se pior ainda por se ver obrigada a fazer uma coisa que não queria.
Suspirou profundamente imaginando onde se enfiaria essa noite, pois não desejava voltar para casa, mas nenhuma casa noturna no trajeto a havia agradado.
Depois de alguns minutos silenciosos, onde suas únicas companheiras eram as estrelas e os pernilongos, lembrou-se de um lugar que talvez ainda existisse, e poderia passar a noite.
Dirigiu por quase 1h para alcançar o local desejado, era uma propriedade privada a leste de Tokyo, que quando criança havia descoberto junto com os amigos durante uma exploração em uma excursão escolar.
Na infância, todos sabiam que aquele era seu local favorito.
Havia um casarão de senhores de época, prováveis fazendeiros ricos o suficiente para terem propriedades parecidas espalhadas por todo o Japão.
Ninguém a encontraria ali, porque apostava que já haviam esquecido o caminho, afinal, até ela tinha se perdido duas ou três vezes no trajeto.
Atravessou os portões aparentemente fechados, mas que mantinham-se sempre abertos e estacionou o carro em frente a porta, para que não precisasse cruzar todo o matagal do jardim.
A porta rangeu e quando viu a escuridão dentro da mansão arrependeu-se de ter ido parar ali. Voltou ao carro, acendeu os faróis manobrou o veículo para a entrada, e finalmente, entrou na sala da mansão que agora estava iluminada, notou que mantinha a mesma beleza de sua infância.
Era incrível como o material utilizado na construção era bom, pois nada aparentava ter tantos anos sem uso.
Desprendeu os lençóis como fazia junto as amigas na infância, viu a densa poeira caindo ao chão, espirrou como de praxe e em seguida o sofá de coloração negra e seu formato imenso em L tomou conta da sala.
O tapete persa também estava empoeirado, percebeu quando jogou-se sobre o sofá deitando confortavelmente. Fazia tantos anos que não pisava ali, e mesmo sabendo ser invasão de domicílio agora, não parecia totalmente errado.
Não subiu as escadas ou explorou a cozinha como fazia, apenas deixou-se deitar e apagar no momento seguinte, embalada pelos grilos que chiavam e o aroma inebriante de dama da noite.
Não soube precisar quanto tempo havia dormido quando acordou, mas quase jogou-se do sofá quando viu com os olhos ainda embaçados uma figura forte sentada a seus pés.
Antes que o chutasse por reflexo, foi segurada pelas pernas, os olhos esforçavam-se para focar a imagem, mas na falta deles, o punho lhe serviu muito bem quando o vulto puxou um de seus braços.
–- Que merda Sakura! -- Ouviu o homem cair do sofá e chiar pela dor do soco desferido em sua mandíbula, arregalou os olhos por ver Sasuke com um dos joelhos caídos no chão e a outra perna flexionada.
–- Sasuke? -- Arrumou-se no sofá e encarou os cabelos negros que agora podiam ser distinguidos -- O que faz aqui?
–- Procurei você pela capital inteira -- Murmurou apoiando-se e sentando em seguida, uma das mãos ainda alisava o queixo machucado
–- E por que diabos esta me procurando?
–- Você saiu de casa deixando sua mãe desesperada, o que eu poderia fazer?
–- Ela te ligou? -- Levantou-se bruscamente
–- Lie! Estávamos passando na frente da sua casa quando saiu -- Resmungou -- Estava tão desvairada que nem nos viu não é? -- Viu os olhos verdes concordando -- Irritante!
–- Já me achou, agora suma! -- Balançou a mão em direção a porta.
–- Você não vai me expulsar de um lugar que invadiu -- Rosnou
–- Como me achou aqui? -- Perguntou
–- Lembro bem o quanto você gostava desse lugar, onde mais poderia se meter? -- Grunhiu -- Alias...
–- Não interessa também -- Concluiu voltando a sentar -- Avise minha mãe que quero meu passaporte de volta.
–- Não sou coruja de recados Sakura -- Encarava os olhos verdes brilhantes na escuridão -- Vamos logo, vou te levar embora.
–- Me nego a dar qualquer passo para fora sem meu passaporte -- Resmungou -- E depois que o tiver, meu único passo será rumo ao aeroporto. -- Provocou
–- Vamos começar com isso novamente?
–- Isso nunca terminou Sasuke! -- Murmurou nervosa -- Mas vou colocar um ponto final antes que piore.
–- Temos um acordo!
–- Tínhamos um acordo -- Levantou-se para encara-lo -- Ele morre aqui.
–- Inferno! -- Bagunçou os cabelos dando as costas a mulher -- O que quer que eu faça? Implore para que se case comigo?
–- A única coisa que quero de você Sasuke, é distância! -- Murmurou visivelmente magoada, o que não passou despercebido pelo moreno -- Não quero te ver, nem te ouvir, e se eu pudesse, gostaria de não saber nem da sua existência, por que isso só me faz mal.
–- Do que você esta falando agora? -- Exaltou-se -- Nunca te fiz nada... A não ser que... Esta referindo-se a nossas pequena brigas? Éramos crianças Sakura... Jovens demais e...
–- Você era jovem demais Sasuke, eu já sabia muito bem muitas coisas!
–- Que tipo de coisas? -- Sua voz mais alta
–- Tipo sentimentos, os meus sentimentos que foram e são pisados por todos vocês até hoje! -- Gritou -- Eu tenho sentimentos, esta bem Sasuke?
–- E quanto aos meus sentimentos Sakura? -- Gritou pela primeira vez assustando-a, mas não a vendo baixar a cabeça -- Você acha que eles estão como? Pare de pensar apenas em você!
–- Na maior parte do tempo você não se importa Sasuke. Como eu poderia adivinhar o que se passa com você? -- Deu as costas a ele -- Vá embora de uma vez.
–- Por que me odeia tanto? -- Sussurrou depois de breves minutos silenciosos, os olhos verdes cintilaram pela pergunta -- Fiz muitas coisas erradas, eu sei... Mas o que te fez me odiar?
–- Não te odeio Sasuke -- Limpou as lagrimas que teimavam em cair -- Nunca te odiei, é mais complexo que isso.
–- Então explique? -- Sentiu o moreno aproximando-se e o vento gelado lhe atingindo, abraçou o próprio corpo
–- Tenho medo do que pode acontecer daqui para frente e já falei isso diversas vezes -- Respondeu, por mais que quisesse gritar que o amava, por isso tinha medo de sofrer, preferiu repetir o padrão de resposta.
–- Sakura... -- Aproximou-se e involuntariamente rodeou os braços pelo pequeno corpo de Sakura que prendeu a respiração por segundos, sentiu o queixo do moreno apoiar-se em sua cabeça -- Não me odeie, nem tenha medo, já lhe disso isso. Estamos nisso tudo juntos -- Sussurrou -- Vamos seguir conforme o plano e espere apenas um pouco, para que eu descubra o que sinto.
–- O que sente? -- Perguntou surpreendida -- Em relação a que?
–- Em relação a você! -- Calou-a e calou-se
–- Sasuke...
–- Vamos apenas... voltar para casa?
–- Lie -- Suspirou -- Não quero concordar com todas as loucuras de minha mãe. -- Sentiu Sasuke afastar-se para no segundo seguinte ser virada em sua direção. Os olhos tão negros brilhavam graças a pouca luz da noite
–- Diga sim a esse ultimo capricho, quando você estiver fora, ela pouco poderá influir em sua vida.
–- Você aceitou essa maluquice por isso? -- Surpreendeu-se
–- Hi! -- Sorriu brevemente -- Do mesmo modo que elas não dão ponto sem nó, eu não faria o mesmo.
–- Você é tão canalha quanto pensei que fosse Sasuke -- Sorriu batendo levemente em seu ombro e afastando-se -- Mas achei genial!
***
–- Sakura -- Tsunade e Sayuri levantaram quando a mulher cruzou as portas pela manha com Sasuke atrás
–- Estou subindo -- Respondeu antes que mãe e tia pudessem aproximar-se e sumiu pelas escadarias.
–- Onde ela estava Sasuke? -- O moreno deu de ombros não querendo dizer onde a havia encontrado.
–- Conversei com ela, vamos visitar a casa hoje e ver o que precisaremos comprar para a mudança.
–- Ela aceitou? -- Sayuri perguntou curiosa
–- Sakura nunca aceitará imposições, o que ela precisa são bons argumentos -- Reverenciou as mulheres e foi embora.
Depois de todos os amigos e familiares avisados de sua volta, Sakura obrigou Tsunade a devolver-lhe o passaporte, e a loira que não era conivente com parte das loucuras aprontadas pela matriarca Haruno devolveu-lhe de bom grado.
Não passava das 11h quando a mulher desceu arrumada para esperar o noivo na porta de casa, com a péssima sensação que tudo estava acontecendo rápido demais.
***
–- Sasuke querido, já vai? -- Mikoto esgueirou-se da cozinha para ver o filho sair apressado e muito bem arrumado -- Itachi -- Chamou o mais velho que com um pulo, deixou de comer os amendoins da mesa de centro -- Seu irmão esta indo com Sakura até a casa?
–- Hi! Parecem que combinaram de ir até lá e depois a alguma loja ver o que precisam comprar -- Deu de ombros voltando a mastigar os amendoins -- Mas não sei ao certo!
–- Sugoi! -- Sorriu -- Hey, musuko -- Chamou -- O que você acha dessa relação deles em?
–- Na verdade não sei muito bem o que acontece entre eles Okaasan -- Murmurou prestando atenção nos olhos negros maternos -- Mas tenho minhas desconfianças sobre Sasuke, aquele moleque anda guardando algo para ele mesmo.
–- E você faz ideia do que seja? -- Perguntou esperançosa
–- Talvez, mas pretendo descobrir ainda -- Sorriu subindo as escadas -- Descobriu muito bem descoberto.
***
–- Esta atrasado -- Resmungou quando entrou no carro de Sasuke
–- Hm -- Murmurou -- Estou com dor nas costas graças aquele maldito sofá e por sua culpa.
–- Não te obriguei a dormir lá! -- Encarou-o
–- Como se eu fosse deixar você e sua rebeldia sozinhas, não era um lugar seguro Sakura.
–- Então culpe sua velhice pela dor nas costas, não o sofá -- Finalizou sorrindo de canto vendo o desagrado no rosto do noivo
–- Cadê o endereço? -- Estendeu a mão em sua direção
–- Aqui -- Balançou o papel em mãos
Morariam no mesmo condomínio de luxo das famílias e dos amigos e como integrava um dos maiores lotes de Tokyo o condomínio havia sido construído com casas imensas e ruas com nomes próprios.
Seguiram de carro os menos de 10 minutos percorridos e pararam em frente ao número 117 da Rua Tomoe.
Era uma casa imensa como as demais, com um belo jardim, elegantes vitrais e uma magnífica porta branca com pássaros talhados. O telhado claro contrastava com a casa pintada de branca com singelos detalhes prateados, tudo muito neutro e elegante.
Sakura retirou as chaves da bolsa e destrancou a porta, admirando seu interior. Paredes de vidro permitia que fosse visto o lado externo da casa, as escadas assim como toda a arquitetura era moderna com mesclas de formas geométricas. Janelas arredondadas, piscina cristalina, coqueiros, futons...
–- Para que comprar algo assim? -- Murmurou pasma pela riqueza em detalhes e amplitude do local -- Nem minha casa em Portugal é assim, e olha que eu acho uma mansão de luxo. Alias, achava...
–- Sugoi! -- Murmurou abrindo a porta de vidro e encarando a área da piscina. -- Olha o tamanho disso! -- Sakura sorriu ao ver os olhos brilhantes de Sasuke, pela primeira vez aos olhos dela, ele parecia inocente e doce.
Subiram as escadas dando de cara com banheiro, biblioteca, escritório e quartos... quatro quartos e uma imensa suite, todavia como supunham, todos os cômodos estavam vazios.
Desceram e seguiram para a área da piscina, sentaram nas espreguiçadeiras que eram a única mobília disponível
–- Não podemos vender e comprar algo menor?
–- E fazer essa desfeita a nossas mães para que transformem nossa vida em um inferno? -- Sasuke completou enquanto ajeitava-se para deitar -- Deixe do modo que esta, alias, será um rentável bem de família.
–- Mobiliar isso sairá uma fortuna -- Grunhiu -- Terão que ser móveis planejados e aposto que meus cartões de credito não possuem limite para tudo -- O encarou -- Nem os seus!
–- Podemos pensar nisso depois não é? -- Encarou a noiva com apenas um olho -- O casamento esta longe
–- Precisa ser logo, pois as montagens costumam ser demoradas e temos três dias para vazar de nossas casas, você por acaso quer passar semanas dormindo em espreguiçadeiras? -- Respondeu vendo-o concordar -- Mas não sei se nossos pais emprestarão dinheiro para colocarmos móveis nisso tudo.
–- Claro que vão, porque não iriam? -- Respondeu levantando-se com um sorriso convencido nos lábios
***
–- Como assim não vão? -- Sasuke perguntou contrariado -- Vocês nos jogaram para fora, agora tem que ajudar nas despesas
–- E vamos -- Raiden sorriu -- Não deixaremos que morram se fome, bem alimentados serão, agora os cartões...
–- Otousan -- Sakura chamou -- Só tenho três cartões, e dois deles são internacionais, não dá pra parcelar os móveis
–- Raiden, não seja mesquinho -- Jiraya chamou -- Sakura ainda esta se estabelecendo financeiramente, de uma ajuda de custo
–- Esta bem! -- Convenceu-se retirando da própria carteira dois cartões -- Me dê os seus internacionais -- Sakura relutou, mas sem muitas opções, entregou -- Fique com esses, são especiais e com o limite necessário para que mobíliem alguns cômodos.
–- Hi! -- Assentiu
–- Aqui Sasuke -- Fugaku entregou um cartão ao filho -- Para não dizer que não ouve colaboração minha.
–- Qual o limite? -- Encarou o cartão negro
–- O suficiente moleque! Não se esqueça Sasuke, que o rico aqui sou eu, não você!
–- Arigato por não me deixar esquecer Otousan -- Sorriu irônico -- Vamos Sakura
–- Vamos aonde? -- Perguntou já andando e guardando os cartões na bolsa
–- Ao banco, estou com algumas dúvidas.
***
–- Só isso? -- Sakura encarava o gerente
–- Não é uma boa quantia senhorita? -- O homem parecia impressionado
–- Sasuke, eu tinha o dobro disso em cada internacional -- O moreno não parecia satisfeito -- Definitivamente, não da para mobiliar a casa toda -- Choramingou -- Meu pai esta ficando tão maluco quanto minha mãe.
–- Como se meu pai tivesse sido mais generoso -- Grunhiu levantando-se
–- Arigato -- Sakura levantou-se da mesa do gerente agradecendo e voltando-se a Sasuke concluiu -- Temos que ver o que faremos agora.
***
–- Discutindo finanças em uma Starbucks -- Sasuke suspirou -- Essas são as maravilhas do casamento ou é só uma amostra grátis do inferno?
–- Cale a boca e me ajude aqui -- Resmungou -- Meu único cartão esta com mais da metade do limite comprometido...
–- Os meus também -- Apontou uma das faturas -- Esse esta completamente inútil, comprei o carro nele
–- O carro? -- Encarou o moreno perplexa
–- É um cartão corporativo -- Deu de ombros
–- E o outro?
–- Para necessidades básicas!
–- 70mil na Apple são necessidades básicas Sasuke?
–- Claro! Não posso ficar sem um bom computador -- Sorriu -- Mas vamos realmente ficar opinando nas dividas uns dos outros?
–- Quer saber? Eu sou de humanas -- Escorregou as faturas para a frente de Sasuke -- Você que é o economista aqui, faça as contas!
–- Pronto! -- Falou depois de algum tempo de cabeça baixa e em silencio
–- E aí?
–- Aí que tá obvio que os ricos são nossos pais -- Suspirou -- Se cada cômodo custar aproximadamente 100mil que é a estimativa baixa, poderemos mobiliar apenas 4 deles com o que temos em mãos agora.
–- Sala de estar e de jantar, cozinha e um quarto? -- Enumerou --Só isso? E o banheiro... E o outro quarto? Faça alguma coisa! Não quero gastar 400mil em uma casa Sasuke.
–- Olha Sakura, sou economista não santo milagreiro, mas o que podemos fazer é isso, mobiliamos os principais e a cada parcela paga o limite libera e podemos ir comprando o resto aos poucos. -- Suspirou -- Para ficar mais barato do que isso, só se construímos nossos próprios móveis, mas não sou marceneiro.
–- Fora isso ainda terá as contas da casa como luz, telefone, água, supermercado -- Enumerou -- Tenho o dinheiro que sobrou de um apartamento que vendi, e você? -- O encarou
–- Vendi um dos carros e o dinheiro esta quase integral -- Assentiu -- Nunca morei sozinho, não imaginei que fossemos gastar tanto...
–- Fora toda a cerimônia do casamento, roupas, flores... Que bom que nossos pais vão arcar com tudo!
–- Hm -- Rosnou tomando o que havia sobrado do café -- Como sobreviveu sozinha tanto tempo?
–- Sempre consegui boas ofertas e eles vieram mobiliados, não gastei uma única moeda com móveis -- Sorriu mexendo com o canudo no frappe -- Eu ganhava muito como advogada, então arcava com todos os meus luxos muito bem, até que veio a crise e tudo desmoronou, vendi um carro apenas para pagar dívidas e pouco antes de vir, vendi um apartamento para pagar mais dívidas e ter dinheiro para voltar pro Japão -- Suspirou -- Foram meses muito difíceis, mas no fim deu certo. Não me sobrou muito, mas vai dar para nos manter até a cerimônia, depois nossos pais começaram a nos ajudar não é?
–- Talvez, mas não podemos contar com o ovo dessas galinhas -- Suspirou -- Há muito tempo Itachi e eu estamos gastando apenas o que ganhamos na empresa, segundo meu pai, temos que saber lidar com o pouco para administrar futuramente o muito -- Resmungou.
–- Não é pouco quando você gasta sozinho e mora com os pais, torna-se pouco quando você vive sozinho e gasta acompanhado -- Sorriu
–- Bom, vamos então? -- Levantou-se -- Esta ficando tarde, amanha você vai passar na empresa?
–- Amanha não, estou por conta de Tsunade e do escritório -- Suspirou pegando a bolsa -- Ainda tenho essa despesa, por isso acho bom começar a procurar bons casos -- Sorriu
–- Se continuarmos assim, vamos decretar falência antes de nossos pais.
–- Cale essa boca Sasuke -- Sorriu e seguiram juntos até o carro
***
–- E então, como foram as compras? -- Raiden perguntou assim que Sakura cruzou sozinha as portas
–- Não há compras -- Semicerrou os olhos -- Otousan, desde quando você regula dinheiro para sua única filha?
–- Desde o dia que ela desembarcou no Japão com uma fatura mais alta do que dois carros que tenho na garagem -- Sorriu -- Você se casará Sakura, então Fugaku e eu concordamos que devemos ajudá-los, mas também colaborar com a consciência econômica de ambos, pois Sasuke é muito bom para as finanças da empresa, já na vida pessoal...
–- Entendi!
–- E você também não é aquelas coisas não?
–- Otousan -- Sorriu subindo as escadas -- Sou de humanas! Boa noite
–- Boa noite -- Acenou para a filha e a viu sumir pelo andar superior. Em sua concepção, ambos aprenderiam muito com esse casamento.
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