Uchiha and Haruno
7 Súbito Interesse
Notas iniciais
Súbito Interesse
突然の関心
–- Viagem? – Estranhou a menina – Mas por que isso de repente?
–- Em comemoração a sua volta querida, nada mais agradável do que ir até a casa de campo – Sakura ainda encarava a mãe de forma suspeita – Por Kami Sakura, é apenas um passeio, reunir a família, os amigos, aproveitar o calor e pegar uma piscina. Não fique com essa cara e arrume já a mala. – Finalizou saindo porta a fora.
–- Pegar uma piscina? – Semicerrou os olhos – Desde quando ela usa esse linguajar adolescente? – Levantou-se da cama, afinal, se sua mãe havia dito que viajariam, eles COM CERTEZA viajariam.
***
–- Viajar? – O moreno suspirou – Para onde?
–- Fomos convidados pela Sayuri-sama para ir a casa de campo dos Haruno – Itachi completou e viu Sasuke resmungar
–- E eu preciso ir? – Perguntou o obvio
–- Claro! – Itachi levantou-se da cadeira do computador – Todos vamos e nossos amigos também, então levante essa bunda da cama e vá arrumar as malas, antes que a mamãe te enfie dentro de uma e te leve no porta-malas – Concluiu atravessando a porta rumo ao próprio quarto.
–- Okay – Bateu sobre as próprias coxas e levantou-se, afinal, não seria ruim comer, dormir e passar horas na piscina ao invés de ficar preso em um escritório.
***
–- Mãe, sabia que eu tinha muita coisa para colocar em ordem? – Sakura resmungou no banco de trás do carro.
–- Filha, sabia que estamos indo passear e se você falar de serviço mais uma vez eu te jogo pela janela? – Sakura calou-se e recostou-se ao banco – Boa menina!
Pegou o smartphone e mandou mensagem para Ino, torcendo para que aquele ainda fosse o número, em menos de 2min recebeu a resposta.
Ino
“Diga testuda”
Sakura
“Ignorando o adjetivo para o bem de nós duas. Onde você está?”
Ino
“No carro com Tenten, Temari e Hinata. Estamos indo para sua casa de campo, esqueceu?”
Sakura
“E como eu poderia com minha mãe me lembrando de cinco em cinco minutos? Quem mais estará lá?”
Ino
“Obviamente nossos noivos, provavelmente seus tios e claro, a família Uchiha inteira, o que inclui Sasuke, seu adorável melhor amigo”
Sakura
“Nos vemos no campo”
A ultima coisa que Ino deveria fazer era lembrar Sakura da existência de Sasuke, principalmente quando uma leve dor de cabeça a incomodava. Mesmo que há uma semana eles vivessem em paz, passar três dias sob o mesmo teto a assustava, eles se matariam antes de domingo acabar.
Foram necessárias 4hrs de viagem para que enfim o carro parasse e ela descesse resmungando, arrumar as roupas que já estava desalinhadas, estralar as costas que ardiam e ouvir a estridente voz de sua adorável tia.
–- Chegamos há 1hr atrás – Apontou para si mesma e para todos os amigos que estava encostados ou dentro dos carros.
–- Jiraya, converse com seu irmão – Sayuri passou ao lado de Raiden dando-lhe uma bolsada – Fale para ele nunca mais tomar um atalho.
–- Nos perdemos duas vezes – Grunhiu Sakura pegando a bolsa dentro do carro e saindo equilibrando-se em cima do salto alto para andar sobre aqueles paralelepípedos.
–- Culpa do GPS, não minha – Resmungou Raiden abrindo o porta malas – Ele disse “Vire a esquerda em 300 metros” – Tentou imitar a voz feminina do GPS fazendo assim todos os mais jovens rirem – Eu virei 50 metros antes, porque calculei um pouco errado e bom, deu no que deu.
–- Irmão, compre um mapa – Jiraya falou sorrindo ajudando a levar as malas para dentro agora que Sayuri já abria a porta – Pelo menos ele não fala.
***
–- Sakura? – Hinata escorou-se ao batente da porta a abrindo levemente – Sakura? – Chamou novamente para em seguida dar de cara com a rosada secando os cabelos com uma toalha média, branca e felpuda.
–- Olá Hina – Sorriu cumprimentando a amiga com um menear de cabeça – O que deseja?
–- Sayuri-sama pediu para que te chamasse – Sorriu – O almoço será servido em cinco minutos.
–- Claro, já estou descendo – Agradeceu e viu sua porta voltar a fechar-se.
Decidida a espantar o calor que fazia na propriedade e a até agora leve dor de cabeça Sakura tomará um banho gelado, que aliviará a sensação de calor, mas fizera algo inverso a sua incomoda dor. Abriu o armário poucos minutos antes de Hinata adentrar seu quarto e vestiu finalmente algo casual, que a tanto ansiava. Um short jeans curto, uma regata nadador branca e chinelos brancos simples, porém delicados graças a aplicação de pequenos cristais.
Desceu as escadas vendo os amigos aglomerados sobre as portas nos corredores chamando as meninas. Havia ficado decidido que homens estariam separados de mulheres para evitar incidentes e Sakura em seu próprio quarto, afinal, a dona da casa tinha certas regalias.
Não que Neji tivesse adorado a ideia de dormir sem Tenten, todavia quando ela deu o primeiro grito alegre sabendo que ficaria com as amigas e fofocaria até altas horas da noite, soube que férias em uma cama de casal própria sem ninguém puxando-lhe as cobertas não parecia tão ruim assim.
–- Vamos logo Ino! – Ouviu Sai resmungar
–- Ai Sai, desocupa a moita meu querido que estamos nos arrumando e... – A loira avistou a rosada passando sorrateiramente sob o corredor – SAKURA! – Por que Ino insistia em gritar seu nome justamente quando sua cabeça doía tanto? Pensou parando em seu lugar sendo encarada em seguida por todos.
–- Oi – Acenou constrangida com os olhares recaindo sobre seu corpo
–- Onde esta a pomposidade Sakura-chan? – Naruto gargalhou sem antes tomar um tapa na nuca de Ino
–- Cala a boca baka! – Resmungou passando por todos e dando uma volta sobre Sakura a analisando – O que temos aqui?
–- O que pensa que esta fazendo? – A rosada rosnou baixinho, odiava ser observada tão analiticamente por qualquer um que fosse.
–- Finalmente você voltou a ser você – A loira levou as mãos ao coração enquanto um sorriso debochado brotava em seus lábios, o suficiente para Sakura enfurecer-se com o comentário da amiga.
–- Ino – A voz soou mais baixo do que gostaria – Eu nunca deixei de ser eu – Apontou mesmo percebendo o quão estranha era a frase, e mais estranho ainda ter que se explicar – Eu apenas...mudei. – Concluiu virando-se e voltando a andar, talvez fosse o apontamento da amiga, ou a dor de cabeça que lhe tirava toda a paciência, não sabia ao certo.
Mas sua paz não poderia ser completa antes do almoço.
–- Mas olhe quem esta desfilando de shortinho – Ouvia a voz de Itachi – Se Tsunade te ver assim te deserda como tia – Gargalhou
–- Você também não Itachi – Não o chamou de fuinha, o que fez com que o homem parasse de rir bruscamente e a única visão que todos tiveram foi da cabeleira rosada descendo as escadas, mais rápido que o recomendado para não sair rolando degraus a baixo.
Quando alcançou a cozinha recostou-se ao batente segurando a cabeça levemente, ardia, doía, a incomodava. Seu quadro de enxaqueca já dava indícios que se manifestaria desde o dia que chegará a Tókio, voos muito longos a causavam isso e ela sabia, cedo ou tarde sua cabeça estaria a ponto de explodir.
–- Onde diabos eu enfiei o remédio? – Perguntou-se furiosa remexendo as caixas de remédios que andavam sempre com sua mãe e com Tsunade, sem sucesso apoiou-se na pia sentindo mais uma vez a dor tomando conta de si.
–- Sakura vamos... – Sayuri entrou na cozinha para pegar o assado no forno e chamar a filha, porém surpreendeu-se ao ouvir um leve gemido dolorido da menina que apoiava-se a pia e a apertava com força. – Amor, você esta bem? – Correu.
–- Ótima – Forçou-se a murmurar e endireitou-se para encarar os olhos preocupados da mãe – Estou ótima, vamos almoçar? – Murmurou respirando profundamente.
–- Vamos – Respondeu desconfiada vendo a menina dar passar lentos até a porta, sumindo assim da sua vista. Por hora apenas serviria o almoço, mas depois descobria o que a filha tinha.
Não que sua mãe não soubesse de suas dores de cabeça frequentes, mas também não é como se ela soubesse que ela tomava remédios fortes contra enxaqueca ou tivesse visto alguma crise da filha. Tsunade era a única que socorrerá a menina nesses anos que a viu desenvolver o problema herdado de sua avó paterna.
Não era nada grave, Sakura sabia disso graças aos exames que realizava de três em três meses, não tinha qualquer problema neurológico ou qualquer diabo que fosse, era só uma maldita enxaqueca.
Chegou a mesa cumprimentando os mais velhos e sequer encarando os mais jovens, eles estavam do seu lado esquerdo no campo de visão e infelizmente era o lado mais dolorido, não ousaria mexer-se muito, estava decidida a não passar mal, mas nem tudo o que se planejava podia ser realizado.
Todos conversavam animadamente, falando sobre as coisas que fariam após o almoço, os passeios a cavalo, visitas ao lago, mergulhos na piscina e a rosada concentrava-se em fazer sua cabeça latejar menos.
Mas todo seu controle perdeu-se quando o aroma do assado de sua mãe atingiu-lhe o olfato, era amadeirado, talvez tostado e levemente doce em alguns tons de fragrância, e com essa mistura toda seu estomago não aguentou.
Um dos sintomas da enxaqueca era o enjoo que geralmente ela controlava bem... quando não estava próxima a qualquer tipo de comida e seus aromas.
Sentiu o estômago revirar-se, o falatório parecia ficar mais alto a cada segundo e antes que sua mãe pudesse fazer as honras de cortar o primeiro pedaço Sakura levantou-se de um salto assustando a todos e correu escadas acima, dois degraus por vez, com a mão sobre a boca e os olhos levemente lacrimejantes.
Não esperava esbarrar em Sasuke e ele impossibilitar sua subida, todavia decidida a não dar importância ao que ele questionava sobre o encontrão, o empurrou com a mão livre e com a pouca força que lhe restava para o lado, formando assim um minusculo vão onde ela passou de lado rumo ao seu quarto e se tivesse sorte, ao seu banheiro.
Quando finalmente terminou de escovar os dentes voltou ao quarto e jogou-se sobre a cama, o estomago agora completamente vazio lhe deixava mais leve e o enjoo havia sumido totalmente, a cabeça diminuirá a intensidade do latejar, mas a dor ainda estava lá, firme e forte e pronta para voltar quando ela estivesse pensando que ela teria ido embora.
Subitamente recordou-se dos minutos passados onde havia esbarrado em Sasuke quase o jogando da escada e a impressionante preocupação que viu de relance pelos olhos negros, coisa que ela pensava ser de sua cabeça, mas constatou ser real quando ele foi o primeiro a bater em sua porta, meio desesperado, meio contido falando coisas como “O que aconteceu? Você esta bem?” “Sakura, abra essa porta!” sem sucesso, pois a mulher estava ocupada demais sentada no chão, em frente ao vaso sanitário colocando tudo que podia e o que não podia também para fora.
Levantou-se meio zonza e remexeu as bolsas procurando o maldito remédio, tinha certeza que havia trazido consigo, não era possível sumir assim. E depois de alguns pedidos aos céus, o encontrou em um bolso que nem sabia existir dentro da bolsa. Ponderou sobre engolir aquela drágea imensa com saliva, com a água da pia ou descer e tomar água mineral. Decidindo-se pela ultima, respirou fundo e desceu as escadas, com os cabelos levemente bagunçados, a blusa um pouco levantada na barra e descalça.
Assim que pisou no chão deixando o ultimo degrau para trás foi abordada por sua mãe, Tsunade e Ino que perguntavam meio desesperadas o que estava acontecendo.
–- Mais baixo, por favor! – Murmurou quase inaudível levando a mão até a cabeça e desvencilhando-se das mulheres para seguir até a cozinha, passando por olhares preocupados sob seu estado de saúde.
–- Ah claro! – Tsunade bateu na própria testa – Como pude esquecer?
–- Esquecer do que? – Sayuri perguntou levemente aflita
–- Sakura tem crises de enxaqueca fortíssimas – Respondeu para que todos ouvissem – Mas fazia meses que seu quadro não se desestabilizava, com isso e com todos os problemas que passamos em Portugal... esqueci completamente – Envergonhou-se pela negligência com a sobrinha.
Quando a rosada imergiu da cozinha, de olhos semiabertos e virando a garrafinha de água goela abaixo foi prontamente agarrada pela mãe.
–- Por que não me falou antes filha? – Colocou a mão sob sua testa vendo sua temperatura.
–- Okaasan, estou bem – Respondeu afastando a mão de sua mãe e colocando a garrafa de água gelada sobre a bochecha – Voos muito longos, dias muito quentes, viagens de carro muito transtornadas – Sorriu brevemente – Me causam enxaqueca, nada demais.
–- Por Kami, devia ter nos falado hana – Raiden levantou-se e seguiu até a filha – Poderíamos te-la medicado antes.
–- Eu realmente, estou bem otousan – Suspirou voltando a dar passos curtos até a escada – Vou subir e descansar um pouco, desço para o jantar – Sorriu fraco.
–- Quer que eu fique com você? – Sayuri encarou a menina com olhos grandes e mãos juntas
–- Não precisa okaasan – Voltou a sorrir e quando estava quase no primeiro degrau sentiu seu braço ser segurado levemente, mas com a força necessária para que não se soltasse, encarou a figura alta e morena a seu lado e antes que falasse qualquer coisa o ouviu murmurar.
–- Não me assuste! – Soltou-a e para finalizar resmungou – Irritante!
Subiu em seguida, desnorteada, mas sem saber exatamente o motivo. A enxaqueca que lhe doía a alma ou a súbita preocupação de Uchiha Sasuke?
***
–- Será que ela esta bem? – Sayuri resmungava sentando-se na espreguiçadeira da piscina de 5 em 5 minutos. Tsunade a seu lado desceu os óculos escuros encarando a Haruno
–- Claro que esta, não é comum ela ter crises tão fortes, mas já a vi passar por elas, tomando seu remédio e tendo umas boas horas de sono fará com que fique ótima – Voltou a se encostar confortavelmente sobre a espreguiçadeira – Apenas relaxem! – Murmurou quando percebeu que todas as amigas a encaravam – Não é isso que fará Sakura fraquejar – Finalizou cansada.
–- Meu bebê – Sayuri jogou a almofada da espreguiçadeira no marido que repousava de olhos fechados até ser atingido, ergueu seu corpo junto com os óculos confuso – Graças a sua mãe ela herdou isso – Rosnou a mulher – Culpa sua! – Mais uma almofada lançada.
–- Querida, minha mãe sobreviveu uma vida inteira sem remédios eficazes – Voltou a deitar – Sakura ficará bem!
–- Insensível – Deitou-se de braços cruzados encarando a porta de vidro do outro lado da piscina, não via a hora da sua pequena aparecer por ali sorridente.
***
Agora seu problema sério era fome!
Revirou na cama sentindo o estômago reclamar e constatou feliz que a cabeça tinha parado de doer completamente, três horas de sono haviam feito milagre. Espreguiçou-se bagunçando completamente a cama e voltando-se a janela avarandada, o sol brilhava mais fraco, dentro de uma hora e meia mais ou menos ele se pôria, sorriu satisfeita, pois recordou-se que quando criança adorava sentar na varanda e admirar o sol dando adeus.
Levantou-se e novamente, espreguiçou-se apenas para sentir a coluna estralar. Percorreu o quarto abrindo toda a cortina e vendo o lado de fora sob a porta de vidro. Destravou-a e saiu na varanda analisando o local tão limpo e arrumado, as cadeiras e mesa de ferro pintadas de branco ainda permaneciam como novas, seguiu até o parapeito e apoiou-se nele.
Sua infância a atingiu como uma rajada de vento refrescante, lembrou-se dos dias passados em férias com os país e com os amigos que comumente ficavam um longo período com ela, não evitou sorrir quando viu ao horizonte o sol mais baixo, mas ainda forte o suficiente para faze-la piscar algumas vezes. Antes que se lembrasse de mais alguma coisa, ouviu seu nome ser gritado animadamente.
–- SAKURA – Ino acenava frenética e Tenten, Hinata e Temari pulavam juntas, segundos depois sua mãe e Tsunade surgiam ao lado das mais jovens para olharem a varanda.
–- Xiii – Sakura colocou um dedo sobre os lábios e viu as amigas calando-se no mesmo instante com medo de incomodarem mais ainda, riu em seguida voltando a se debruçar sobre o parapeito – Estou brincando! – Falou um pouco mais alto vendo todas voltarem a pular animadas.
–- Desça filha – Sayuri falou abanando as mãos e chamando a filha para o andar de baixo – Quer comer alguma coisa?
–- Estou sem fome! – Mentiu, pois sabia que se comesse agora, não poderia compartilhar a mesa de jantar, assim como infelizmente fizera no almoço.
–- Então desça e venha para a piscina – Itachi resmungou de dentro da água – Você tá muito pálida
Ignorou completamente o Uchiha mais velho dando as costas a varanda e fechando a porta em seguida, ouviu Itachi resmungar algo como “Não faça isso com o Oppa”, costume que ele havia adquirido nos três meses vividos na Coréia do Sul.
Colocou o primeiro biquíni que encontrou na mala (http://migre.me/lAdZm) não que estivesse nos planos jogar-se dentro da piscina, mas estava quente demais. Vestiu o mesmo short jeans e preferiu não colocar a regata, calçou os chinelos brancos e saiu do quarto rumo a piscina, com esperança de encontrar uma espreguiçadeira vaga.
–- Finalmente – Naruto falou alto quando Sakura passou ao lado da borda da piscina, jogou-lhe um pouco de água nas pernas e foi retribuído com um resmungo.
–- Está melhor querida? – Sayuri ergueu-se para averiguar se não faltava nada na filha, sua mãe possuía o dom de fazer drama desnecessário.
–- Estou ótima okaasan – Sorriu tranquilizando-a – Não fique preocupada!
–- Olhe lá – Suspirou – Tome seus remédios direitinho, não quero você passando mal.
–- Okay – Meneou negativamente com a cabeça e um sorriso no rosto, virou-se a piscina onde todos os jovens encontravam-se apenas flutuando e conversando. Jogou a toalha que trazia consigo na espreguiçadeira e sentiu um olhar sobre o corpo, voltou-se rapidamente para a água e a única coisa que viu foi todos conversando e Sasuke sentado no degrau da hidromassagem, mexendo no celular e com um leve sorriso de canto.
Ignorando a sensação que lhe incomodava a cada vez que virava as costas abaixou-se para retirar o short, deu passos calmos até a piscina e sentou-se na borda, atrás de Sasuke que fingia que a hidro não era para dois e apenas para ele, colocou as pernas dentro da água e o empurrou levemente com os pés.
–- O que esta fazendo? – Soltou o smartphone na borda e encarou a mulher que sorria levemente.
–- Te jogando para o lado – Murmurou – Você é muito espaçoso.
–- Hm – Sasuke resmungou, porém ajeitou-se para que Sakura pudesse eventualmente entrar na água a seu lado, mas antes a encarou novamente percebendo algo novo em seu corpo – O que é isso? – Apontou o objeto de seu interesse
–- Isso? – Sakura apontou para a costela abaixo do seio esquerdo, viu-o menear a cabeça positivamente e como se fosse obvio respondeu – Uma tatuagem.
–- O que? – Naruto não deixava absolutamente nada passar de suas orelhas avantajadas.
–- O que o que? – Sakura inclinou a cabeça
–- Desde quando você tem isso ai? – Aproximou-se para analisar deixando Sakura incomodada, até porque, as pessoas costumavam encontrar a tatuagem quando olhavam para seus seios e Sasuke... O encarou um tanto quanto incrédula, ele não faria isso, faria?
–- Há uns três anos atrás eu acho, não sei ao certo – Resmungou
–- Que coragem – Tenten murmurou – Dizem que na costela doí muito, é verdade?
–- Dói um pouco – Assentiu – Na verdade dói bastante mesmo, não posso mentir.
–- E o que esta escrito – Dessa vez Temari nadou aproximando-se
–- Always Keep The Faith -- Respondeu sorrindo – Sempre mantenha a fé.
–- Que lindo – Ino encarava os olhos verdes – Ao lado é um pássaro?
–- Sim sim – Virou-se levemente mostrando a obra de arte em seu corpo, gravado com letras bonitas e delicadas, e um belo pássaro pequeno finalizando a frase – Ele representa a liberdade – Sorriu ficando em pé sobre o degrau da piscina, virando-se levemente de costas e levantando os cabelos dando visão de seu pescoço e costas, revelando assim mais uma tatuagem (http://migre.me/lAffB) – Essa significa “Viva o momento” – Finalizou sorridente e voltando a se sentar – Fiz ano passado.
–- Quem imaginou que você teria coragem para encarar agulhas – Hinata apontou contente -- Lindas alias!
–- E eu que pensei que seria o único descolado do grupo – Murmurou Itachi cabisbaixo fazendo todos rirem – Mas quando entrei na sala do tatuador e escutei o barulho da maquininha, dei boa tarde, sai por aquela porta, e nunca mais voltei – Suspirou profundamente e todos caíram na gargalhada.
–- Gaara fez uma de henna uma vez – Temari disse já rindo – Dizia para todos que era de verdade, mas no quinto banho desapareceu completamente e todo mundo percebeu – Novamente gargalharam.
–- Falando nele.. – Sakura levantou-se para sentar ao lado do silencioso Uchiha Sasuke, apoiou-se em seu ombro sem permissão atraindo o olhar contrariado e por fim, soltou-se, ficando com a coxa junto a dele, uma sensação desconfortável até poderia surgir, mas ele remexeu-se aproximando-se ainda mais. Sakura não sabia ao certo se foi sem querer, pois ele mantinha-se entretido com os aplicativos do celular, ou se foi algo premeditado, mas bastou para que ficasse tranquila, afinal, se ele não se importasse, porque ela importaria-se? – Porque Gaara não veio?
–- Papai esta viajando – Temari respondeu – Então um de nós sempre tem que estar na empresa, eu não deixaria de vir... então sobrou para ele.
–- Que pena – Sakura apontou chateada, o ruivo era engraçado e espontâneo, uma boa companhia para boas risadas.
–- Crianças – Raiden surgiu a borda da piscina vestindo a camisa – Vamos sair para comprar algumas coisas no mercado próximo, não fiquem de molho na piscina por muito tempo e Sakura – Encarou a filha que o encarou de volta – Todos estamos levando celular, caso precise de qualquer coisa ligue que voltaremos imediatamente. Sorriu para a filha e depois caminhou junto a Jiraya que já falava algo sobre “Precisamos comprar whisky, não tem nada alcoolico nessa casa não?”
***
Estavam conversando sobre coisas aleatórias na piscina quando o celular de Itachi tocou, ele nadou até a borda para encarar o celular que repousava junto com os demais sobre uma felpuda toalha azul marinho. Deslizou o dedo na tela não aceitando a chamada e ninguém pode deixar de notar seu semblante contrariado. Voltou nadando ao mesmo lugar que estava anteriormente, e antes que se engajasse novamente no assunto, Sasuke o questionou.
–- Sua adorável noivinha? – Sorriu debochado
–- Ultimamente ela esta com a mania enfadonha de me telefonar – Resmungou
–- Mania enfadonha? – Sakura empertigou-se o encarando seriamente – O que quer dizer com isso? Ela não é sua noiva?
–- Nem todo noivado é por amor sabia? – Resmungou encarando os adoráveis olhos verdes – Como eu posso te explicar? – Levou os dedos aos lábios – Digamos que eu não a suporto, enquanto ela simpatiza com meu lindo rostinho.
–- Explique-se melhor – A rosada o encarava com olhos semicerrados.
–- Nosso casamento é apenas uma troca de favores e interesses – Murmurou – Não passa de bons negócios.
–- E como você aceitou isso? – A mulher o contemplou indignada
–- Não tenho nada a perder, só a ganhar – Suspirou – E pelo contrato, esse noivado e casamento não durará mais que 1 ano, nos casamos em um mês, estamos supostamente juntos a três, então falta apenas oito para me livrar daquela garota fútil, mimada e potencialmente desagradável.
–- Ela é tudo isso realmente? – Perguntou curiosa
–- Bem pior se você quer saber – Dessa vez a resposta partiu de Sasuke que a encarou momentaneamente antes de virar o rosto ao irmão – Não sei como você aguenta os breves almoços que tem com a família dela – Dirigiu-se ao irmão para depois voltar-se a Sakura – Ela consegue ser bem mais irritante que você – Antes que a rosada pudesse revidar ouviu seu irmão concluir.
–- Akemi pode ser fina e elegante – Resmungou – Mas jamais será a mulher que eu escolheria para casar, não vejo a hora de tudo isso terminar.
–- Bons negócios? – Sakura sussurrou ainda inconformada com a situação, quem no mundo se sujeitaria a algo assim? Era degradante estar junto a uma pessoa que não gostava, ou no caso de Itachi, não suportava. Com certeza, Haruno Sakura não se sujeitaria a isso, em hipótese alguma!
Saiu de seus devaneios quando ouviu os mais velhos entrando em casa, não havia passado sequer uma hora, eram mais rápidos que antigamente. Todos saíram da piscina, se secaram e quando seguiam rumo as escadas foram detidos pela voz de Fugaku.
–- Arrumem-se para o jantar hoje a noite – Sorriu – Será especial e comemoraremos uma grande noticia.
Não que Sakura não gostasse de grandes ou boas noticias, mas algo em seu interior, como um sexto sentido lhe avisava que nessa noite, com certeza, algo imenso mudaria sua vida.
E talvez, pensou ela, não fosse para melhor.
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