Uchiha and Haruno
19 Proteger
Notas iniciais
Mamoru
守る
Sakura havia, definitivamente, esquecido como era ser rodeada de amigas, ou gralhas, chame como preferir.
Parecia que naquele dia elas estavam mais eufóricas, talvez fosse pelo chocolate quente de minutos atrás ou por Sakura estar experimentando seu vestido de noiva.
A peça era tão branca que poderia ferir os olhos de uma pessoa recém acordada, possuia o decote tomara que caia em um leve formato de coração e o vestido por inteiro bordado com finas e delicadas flores, a cauda estendendia-se pelo chão em camadas delicadas.
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Sakura estava realmente feliz, pois mesmo com todas as circunstâncias de seu casamento estaria casando-se com Uchiha Sasuke, o homem que sempre amou e karma pessoal. Mas entre estar feliz e emocionada ou chorar copiosamente em frente ao espelho, preferiu apenas socorrer a mãe e a sogra, que pareciam a beira de um colapso.
–- É comum querida! -- A mulher de cabelos cinzentos ajeitava o vestido branco prendendo-o onde ele deveria ser ajustado -- Quando as noivas encontram o vestido ideal, as mães quase se afogam em lágrimas.
–- A senhora passa por isso todo dia? -- Abaixou-se para que ela lhe retirasse o véu.
–- Duas vezes por dia no mínimo -- Sorriu e encaminhou Sakura até o provador para que retirasse o vestido.
De volta ao salão, foi a vez das madrinhas provarem tudo o que desejavam, inicialmente a decisão era de cada uma com seu vestido, mas não demorou muito para que as mulheres se apaixonassem por dois modelos e decidissem entre sí que ficaria um ótimo jogo de estilos para um casamento moderno. Ino e Temari usariam o drapeado com a sobreposição das flores de tecido, como eram as mais magras notaram a valorização que o modelo dava a seus corpos
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Já Tenten e Hinata optaram pelo caimento do liso rosa, valorizando suas curvas e claro, deixando a grávida confortável e com mobilidade suficiente graça aos laços das costas que eram completamente ajustaveis.
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–- Em sete dias vocês devem voltar e fazer a prova da peça de vocês -- Kayo, a mulher que fizera todo o atendimento das mulheres falava tão simpática como há 4 horas atrás, quando chegaram a loja – Provarão novamente, se necessário for, será re-ajustado e depois apenas a noiva deve voltar, uma semana antes do casamento para a prova final, certo?
–- Obrigada Kayo-sama – Sakura sorriu e vislumbrou o vestido que escolherá em um manequim, ao lado, a foto de Vera Wang dominava a sala, a estilista era uma mulher magnifica, elegante e principalmente, a maior designer do mundo de vestidos. As madrinhas também vestiriam sua grife, o que claro, a rosada sabia, havia custado muito e muitos euros, mas já que seus pais estavam lhe oferecendo tal privilégio, porque não aceitar?
–- Nos vemos logo Kayo – Ino acenou e sorriu, não usariam sua grife, mas ela estava satisfeita por ter falado pessoalmente com Vera Wang em busca de dicas.
***
O dia não podia transcorrer mais calmo, após a sessão de provas pela manhã e um almoço conturbado com Ino lhe enchendo de escolha para convites à flores, ela finalmente encontrou a desejada paz dentro de seu escritório na sala que havia alugado junto à Tsunade e Jiraya.
Por volta do 12h havia telefonado para Sasuke, avisando que chegaria tarde em casa e lhe saciando a duvida de "como havia sido sua manhã". Gostaria de contar-lhe o quão perturbada havia sido com sua mãe e sogra chorando ao vê-la de branco ou bolando planos para seus futuros filhos, mas preferiu não faze-lo, já que, delicadamente, Sasuke avisou que estava almoçando com pessoas importante em um restaurante japonês qualquer.
Sabia que contrariando qualquer protocolo, o noivo, japonês legítimo, não gostava da culinária japonesa, sempre que podia dispensava peixes crus, polvos, luvas e tudo que possuía uma grande possibilidade de mover-se em seu prato, e sentiu pena por investidores obrigarem o jovem Uchiha a comer algo que detestava.
Mas ele merecia
Colocou o celular na bolsa e depois de espreguiçar-se e encarar as pilhas de um processo, decidiu começar o serviço, afinal, ele não se concluiria sozinho.
Por volta das 20h sentiu algo estranho atingindo-lhe o coração, algo como angústia ou medo, não soube precisar, mas parou imediatamente tudo o que fazia. Os planos eram baseados em voltar para casa quando findasse o serviço, sabia que isso ocorreria bem depois das 22h, mas algo gritava em seus ouvidos "volte para casa garota tola".
Ignoraria, podia fazer isso!
Mas um enjôo repentino atingiu-lhe e suas pernas moveram-se sozinhas colocando-a em pé.
Pegou a bolsa e os pertences espalhados, aos tropeços pela ansiedade trancou seu escritório e o de Tsunade, por fim fechou a porta da sala e esperou o elevador, desceria pelas escadas caso não estivesse de salto alto e seu andar não fosse o décimo oitavo.
Jogou tudo que tinha em mãos no banco de trás e logo estava entrando em seu condôminio de casas. Dirigiu até parar em frente a garagem de seu novo lar, os faróis acessos iluminavam a mansão no mais denso breu.
Avistou uma única luz acesa, seu estômago deu uma pirueta, não sabia o que era, mas seu sexto sentido não lhe enganava.
Entrou a passos largos na residência, as empregadas já haviam se retirado, pois não havia sentido elas continuarem lá quase 21h de uma sexta-feira. Jogou a bolsa no sofá e subiu as escadas apressada.
No corredor ouviu um barulho distinto, que embrenhava-se pelo silêncio e parava em seus ouvidos, a luz do quarto estava apagada, mas a do banheiro estava acesa.
Ligou a luz, sua cama estava perfeitamente arrumada, mas o paletó de Sasuke estava ali, no chão.
No chão?
Correu até o banheiro e deparou-se com seu noivo, moreno e belo, agora pálido como uma cera caído ao lado do vaso sanitário, não pode raciocinar, quando notou já estava ajoelhada a seus pés.
–- Sasuke, por Deus -- Murmurou tirando os cabelos molhados de suor de cima dos olhos, que agora eram tão profundos. Não teve tempo para mais palavras, pois ele virou-se e vomitou dentro do vaso, tendo ânsia atrás de ânsia, enquanto ela lhe segurava pelos ombros -- Vamos para o hospital.
Ele negou com a cabeça, ela estendeu-lhe uma toalha para que se limpasse.
–- Sasuke, essa discussão não esta na pauta -- O moreno caiu em seu colo, consciente, mas fraco demais para mante-se apoiado sozinho -- Vamos, você precisa me ajudar.
Sakura não era médica, mas já havia passado por coisa semelhante, seu medico, um português muito gentil e competente lhe dissera "Enquanto houver apenas diarréia você estará bem, mas se começar a vomitar, corra para um hospital" e agora, ela via motivos bem claros para seguir suas recomendações.
–- Não quero -- O moreno sussurrou e Sakura desconfiou que ele não desejava sequer sua presença nesse momento, pois ela sabia que ele sabia que nunca estivera tão vulnerável.
Sasuke costumava ser um garoto forte, que agüentava bem suas moléstias e feridas, sem estardalhaços ou dramas, era um bom menino que não dava trabalho. E vê-lo assim, caído em seus braços sem forças para erguer-se do chão, cortou-lhe o coração.
–- Venha -- Segurou seus ombros e levantou em seguida -- Te ajudarei a levantar e queira quer não, vamos ao hospital -- Retrucou puxando suas mãos e o pondo em pé ao lado, a mão máscula repousando sobre o estômago mostrava que ela não tinha muito tempo antes dele passar mal novamente.
Seguiu até o quarto onde ajudou que sentasse na poltrona, ajudou a vesti-lo com o paletó e com o sobretudo e cachecol, nevava lá fora, não podia correr o risco dele além de tudo ter uma gripe.
Alcançou no armário uma bolsa de quinquilharias e correu entregando-lhe pacotinhos para náuseas de aviões.
–- Uma pequena ladra -- Ele murmurou com os olhos divertidos, mesmo que abatidos
–- Uma ladra funcional -- Respondeu orgulhosa enquanto passava um braço dele por seu pescoço e o carregava com o outro. Desceu as escadas com paciência e quando entrou no carro viu Sasuke vomitando no pacote -- Sabia que serviriam para algo! -- Murmurou desviando o olhar para que ela mesma não passasse mal.
Quando chegou ao hospital, rapidamente tiraram Sasuke de seus braços e ela logo sentiu-se preocupada, pois até aqui, sentia-se bem por cuidar dele com as próprias mãos, mas recitou para si mesma "você não é médica, fez o que pode, agora deixe tratá-lo", aceitou de bom grado e sentou-se silenciosa em meio a recepção da emergência.
Encarou o celular por quase 10 minutos e desistiu em seguida guardando-o, pois se ligasse para seu pai, ele logo contaria a sua mãe, que contaria a Mikoto, que informaria Fugaku, que comunicaria Itachi, que falaria aos demais, e a única coisa que ela não desejava agora era um show de rock na recepção de um pronto socorro, e lembrando-se da expressão frágil de Sasuke, imaginou que ele também não gostaria de ser a "donzela em apuros" na conversa.
Quase 1h se passou até que o médico surgisse chamando pela acompanhante de Uchiha Sasuke, a mulher quase cairá dos saltos graças ao pulo nervoso do banco.
–- Fizemos uma lavagem estomacal -- Contou o médico -- Seu noivo teve uma intoxicação alimentar, mas tomando os remédios certos e mantendo repouso por alguns dias ficará bem. -- Sakura teria derretido-se de felicidade pelo homem se não fosse convidada a entrar onde ele repousava.
Sentou-se na poltrona a seu lado, fitando o agora, tranquilo semblante. Uma agulha presa a seu pulso ligava a uma bolsa de soro e por fim, deixou-se respirar aliviada.
Nunca havia socorrido ninguém e estava contente consigo mesma pelo feito, mas mais contente estava por ter sido algo fácil de resolver, pois a parte difícil estava por vir
Como fazer o dedicado Sasuke repousar longe do serviço?
Ela daria um jeito!
–- Sakura -- Ouviu seu nome e viu os brilhantes olhos negros de volta, a pele ganhava nova cor e os músculos não pareciam tão vacilantes, ele estava bem, por Deus.
–- Não se esforce -- Sorriu tocando sua mão -- Mais 30 minutos e vamos para casa.
–- Eu quer... -- Era teimoso como um jumento, sabia que iria questionar, mas viu sua voz morrendo e seus olhos deslizando nervosos -- Obrigado! -- Não era preciso dizer mais nada, ela o entendia bem!
***
–- Não posso ficar tantos dias em casa -- Se ele já estava resmungando, com certeza estava ótimo de saúde.
–- Tanto pode como vai -- O corpo do homem vacilou e caiu sobre a poltrona, Sakura não demorou para alcançá-lo, encostou a mão em sua testa e meneou negativamente -- Por agora, vou preparar um banho quente de imersão, já me basta uma intoxicação, não precisamos de uma pneumonia -- Sorriu docemente lhe deixando.
Quando viu a figura feminina sumir no banheiro, lembrou-se vagamente do causador de seu mal estar, só podia ter sido aquele polvo nojento que o obrigaram a comer, nunca mais chegaria perto de um restaurante japonês.
Sakura voltou em seguida e ele admirou sua devoção para ajudá-lo, a calefação do quarto foi garantida para que ela seguisse até ele ajudando a retirar o paletó.
–- A água esta quente e coloquei alguns óleos calmantes e não me olhe assim Uchiha -- Virou-se após guardar a peça de roupa e encarou o olhar reprovador -- Óleo calmante sim e se reclamar encho esse quarto de lavanda, agora vai -- Estava determinada a fazê-lo melhorar o mais breve possível, nem que para isso tivesse que transformar sua vida em um conto de fadas ao contrário.
Envergonhada, muito envergonhada na verdade, havia ajudado Sasuke a desfazer-se da gravata, da camisa e da calça. Não era como se nunca houvesse visto seu noivo seminu, mas as coisas eram diferentes quando além de vê-lo, podia tocar.
De costas, dobrava a roupa rapidamente para sair daquele banheiro logo, mas ao ouvir o corpo de encontro a água paralisou, ele não havia entrado de cueca havia?
Claro que não
Então o audacioso havia retirado a peça com ela de costas, e se tivesse se virado? O que Sasuke tinha naquela maldita cabeça?
–- Sakura -- Sua voz mansa soou e ela abraçando as roupas dobradas virou-se lentamente, a cueca de fato, jogada no chão. -- Pode pegar o Shampoo para mim?
–- Claro -- Resmungou pegando o que havia sido pedido e deslizando até a banheira, ficou satisfeita pela idéia genial de acrescentar bastante sabão para espuma lá dentro. -- Aqui! -- Sasuke encarou-a profundamente, com os olhos carregados de algo como gratidão pela ajuda e principalmente, por manter sigilo em sua nova vergonha, ser japonês e passar mal com peixe cru.
Sakura soltou-se assim que pode, sob aquele olhar sucumbiria a qualquer coisa que ele dissesse, saiu fechando a porta atrás de si e respirando nervosamente, como podia um homem só ser tão magnífico?
Quando saiu do banho ele já estava acomodado entre travesseiros e lençóis, vestindo o hobby preto ela desceu para preparar algo que comer e sem muitas idéias, fez algo que Sasuke pudesse comer também.
Subiu com um prato de sopa de legumes fumegante, por recomendação médica ele deveria comer apenas alimentos líquidos nos próximos dois dias, e ela estava empenhada em ajudar.
Sentou a seu lado na cama e o viu abrir um dos olhos negros, como todo homem doente, fez birra no começo, negou-se, reclamou, dramatizou, mas não pode desviar de uma colherada enfiada em sua boca em meio a seus lamentos.
Contrariando suas expectativas a sopa era saborosa, leve e temperada como lhe agradava.
–- Não sabia que cozinhava bem -- Pontuou quando estendeu-lhe o prato
–- Há muitas coisas que não sabe sobre mim Sasuke -- Viu o sorriso doce e observou quando a mulher atravessou a porta do quarto e desceu em direção a cozinha.
Havia sim muitas coisas que não sabia sobre ela, mas algo que sabia muito bem era da beleza de suas curvas.
Deitou relaxado quando sentiu que ela deitava a seu lado, pela primeira vez em dias, não havia muralhas de travesseiros ou almofadas, não havia ameaças sobre ele toca-la acidentalmente nem brigas para que um dormisse na sala.
Sentiu a mão de Sakura pousando em sua testa, depois escorregando para seu pescoço, delicadamente ela retirou os cabelos negros da frente dos olhos e virou-se para desligar o abajur.
–- Deixe aceso -- Murmurou o moreno e viu os olhos verdes prendendo-se aos seus -- Você tinha medo do escuro, onde esta aquele elefante rosa que lhe protegia?
–- Para começar -- Deslizou sobre as cobertas virada para ele -- Não era um elefante e sim um hipopótamo rosa, e depois, eu não tenho mais medo do escuro -- Murmurou com a voz vacilante, era fato, não tinha medo, mas a escuridão a incomodava profundamente.
Viu o sorriso nos lábios do noivo, os olhos negros escorregaram para os seus com uma leve virada de cabeça, e logo sentiu sua mão sendo tomada e entrelaçada em seus dedos longos e suaves ao toque.
–- Enquanto eu estiver aqui, não precisa preocupar-se com o escuro -- Murmurou tão calmo como ela nunca o vira, será que ainda era efeito da anestesia? Fechando os olhos ele completou -- Confie em mim!
E de livre espontânea vontade, vendo-se com o coração receptivo, a alma acalantada e a mão entrelaçada, confiou cegamente no homem que amava e assim, todas as luzes do quarto foram apagadas.
***
Sentiu algo quente no pescoço, era confortável e agradável, por mais que seu estado subconsciente não lhe permitisse entender do que se tratava. Não mexeu-se, pois seja o que for, não gostaria de perder aquela sensação.
Na verdade, nem lembrava-se muito bem da noite anterior, mas quando abriu os olhos e viu que a quentura em seu pescoço era a respiração de Sakura, quase pulou da cama. Ela respirava brandamente, com o semblante tranquilo, aparentemente sem consciência que estava tão próxima ou com as mãos apoiadas na barriga firme masculina.
Por Deus, o que ele havia feito?
Então, quando vislumbrou o paletó jogado sobre a poltrona e algumas caixas de remédio e água sobre a mesa lembrou-se de tudo. Ele quase desmaiado, ela preocupada lhe dando o suporte necessário e o levando ao hospital, os cuidados com seu banho e sua comida e olhando para as mãos ainda entrelaçadas, de sua promessa, que ela poderia confiar nele.
E poderia mesmo!
Olhou os ponteiros do relógio na cabeceira dela e constatando ser 5h30 da manhã, voltou a fechar os olhos e involuntariamente, repousar sua mão antes caída ao lado do corpo sob a cintura da mulher, sentindo sua maciez e textura.
Se ela lhe metesse a mão na cara quando acordasse, seria um problema para mais tarde.
***
O sol fraco atravessou a pequena fresta da cortina e invadiu o quarto, demorou para que houvesse sinal de vida no recinto, mas condicionada a acordar cedo Sakura despertou.
Com os olhos ainda embaçados viu a proximidade perigosa que mantinha-se de Sasuke, o moreno bonito e charmoso que dormia tranqüilamente, a respiração calma, os cabelos sobre os olhos e uma das mãos em sua cintura.
E em um súbito despertar de consciência, viu sua própria mão apoiada ao peito dele e a deles entrelaçada.
Oh, por Deus!
Afastou a mão rapidamente, mas com o cuidado para não desperta-lo, não queria que ele a visse com as bochechas tão coradas como imaginava estar.
Desvencilhou-se do abraço firme e vislumbrou ele remexendo-se levemente, mas sem acordar. De um salto, trancou-se no banheiro, onde poderia manter uma distância segura do moreno formoso.
Tomou um banho quente, lavou e secou os cabelos, colocou uma roupa casual e já descendo as escadas ligou para Tsunade, ela era a melhor pessoa que conhecia para contar o ocorrido da noite passada sem que tivesse um colapso ao telefone.
–- E agora, ele esta bem? -- Perguntou interessada -- Alias, vocês dois estão bem?
–- Sasuke esta dormindo ainda, e eu...bom, eu não passei mal, então porque não estaria?
–- Oras Sakura, você detesta hospitais -- Respondeu como se fosse obvio
–- Ah, é mesmo! -- Sakura murmurou repentinamente sabendo que ontem não havia sentido qualquer repulsa pelo estabelecimento. Estava tão preocupada e aflita que sua fobia havia, surpreendentemente, passado despercebida
–- Que seja! -- Tsunade estava arrumando-se para trabalhar -- Fique com Sasuke, pedirei para que Jiraya avise Fugaku e deixe claro que vocês não precisam de visita, pelo menos não por hoje.
–- Obrigada Tsunade! -- Agradeceu a compreensão da tia e despediu-se. Não era como se quisesse ficar sozinha com Sasuke, era apenas um cuidado que sentiu que deveria manter, talvez a visita de amigos hoje não fosse viável, mas amanha, era uma possibilidade.
Chegou a cozinha pensando que encontraria as irmãs gêmeas Yumi e Yuri, mas hoje era o sábado que elas não trabalhavam, arrependeu-se de fazer um acordo como aquele "Um fim de semana sim, outro não".
Sabia cozinhar muito bem obrigada, mas não tinha criatividade para tanto. Derrotada, fez o café silenciosamente, assou alguns pães de queijo e estava ótimo, não poderia fazer mais do que aquilo quando seu armário não contava com tantos itens ainda.
Ponderou a idéia de arrumar a mesa na sala de jantar, mas e se sujasse o local? Teria que limpar e não estava com a mínima vontade. Sentou sobre uma banqueta e num estalo recordou-se que Sasuke morava naquela casa e não poderia comer nada sólido.
Xingou-se por pensar por meros 10 minutos que morava sozinha.
Voltou a cozinha, bateu um suco de laranja com cenoura que Tsunade sempre preparava quando ela sentia-se mal do estômago e com toda a habilidade que não possuía, preparou uma vitamina se abacate com limão.
Não era nada oriental e sim, muito ocidental, mas não podia conviver com a idéia de comer bolinhos de arroz no café quando conhecia o maravilhoso croassant.
–- Será que ficaria romântico demais? -- Murmurou quando encarou uma bandeja de inox e a sala de estar, mas entre parecer apaixonada e ter que limpar algo naquela sala imensa, preferiu a opção um, afinal, com ele doente era compreensível o cuidado, não?
Subiu os degraus com a peça em mãos, onde repousava uma pequena jarra com o suco vivamente alaranjado, a vitamina com a colher e o guardanapo repousando ao lado, um copo de água, seu leite com café e seus pães de queijo.
Entrou no quarto no exato momento que Sasuke sentava-se na cama após voltar do banheiro. O moreno ainda estava pálido e levemente abatido, afinal, além de colocar tudo para fora, não podia colocar nada decente para dentro.
–- Ohayo! -- Cumprimentou tão natural quanto podia quando ele cobria-se e encarava a bandeja em suas mãos, a mulher cruzou o quarto e a depositou na mesa ao lado dos comprimidos.
–- Ohayo! -- Se tivesse sorte, nunca mais ouviria a voz do homem amado tão frágil novamente.
–- Aqui -- Caminhou até o colchão apoiando-se com um joelho e sentando-se em seguida, entregou o copo com água para o moreno que a encarava concentrado -- Iria acorda-lo para tomar o remédio, mas sorte que já estava em pé -- Sorriu levemente estendendo o comprimido e o vendo beber -- Infelizmente estamos sem empregadas, por isso terá que aceitar o que eu preparei e sem reclamar -- Respondeu divertida quando o viu revirar os olhos.
–- Pode trazer aqui? -- Perguntou calmamente
–- Não pode caminhar até lá? -- Perguntou e viu a preguiça nos olhos escuros -- Por Deus, homens! -- Resmungou levantando-se e trazendo a bandeja -- Aqui, tudo que é líquido é seu, o pão de queijo é meu e solte isso! -- Sorriu quando ele resmungou de fome
–- Quantos dias ficarei sem comer? -- Perguntou analisando o suco -- E o que tem aqui dentro?
–- São dois dias a base de líquidos e tente descobrir -- Murmurou mordendo o pão quente.
–- Com certeza tem laranja, talvez veneno -- Respondeu após experimentar -- Como aprendeu fazer essas coisas?
–- Pesticidas? -- Riu -- Diferente do que imagina Uchiha Sasuke, eu sou uma mulher tão capaz quanto nossas mães -- Sorriu -- Agora beba, pelo menos vai tapear seu estômago -- Trouxe as pernas descobertas pelo short para perto do corpo -- Preciso pensar o que fazer no almoço.
–- Não vai trabalhar? -- Experimentou a vitamina e se viu encantado por todos os sabores agradáveis, que aparentemente sua noiva sabia combinar muito bem.
–- Hoje não, falei com Tsunade e...
–- Alguém vira aqui? -- O nervosismo em sua voz era palpável, ele não precisava de gozações familiares por passar mal e quase morrer graças a comidas típicas
–- Não, ninguém vira te visitar -- O brilho divertido de seus olhos fez Sasuke encolher-se -- Te conheço o suficiente para saber que não gostaria de visitas -- Tentou alcançar a caneca de leite mas Sasuke a pegou primeiro -- Hey, me devolva!
–- Você disse que tudo que era líquido me pertencia -- Sorriu divertido e tomou o primeiro gole muito agradado do gosto.
–- Você é um guloso mesmo -- Resmungou sabendo muito bem que um dos defeitos de Sasuke era o tamanho de seu estômago, ele era um comilão de carteirinha.
***
–- Sasuke, você sabe que não esta morrendo, não é? -- Sakura sentou-se no sofá ao lado do noivo, que jogava-se esparramado sobre as almofadas -- Não seja dramático
–- Nunca fico doente -- Murmurou tentando descobrir como usava as várias funções daquela televisão -- Não posso aproveitar?
–- Claro que pode -- Sorriu vendo o nervosismo do moreno por não ter resposta de alguns botões que apertava.
Sem avisos, deslizou a pequena mão pela testa do homem que retesou no mesmo instante, sua pele estava quente, será que quente demais?
Devia ter prestado atenção no que Tsunade dizia sobre temperatura corporal.
Os olhos negros encararam os verdes que pareciam perdidos em alguma lembrança, o contato foi breve, mas Sasuke sentiu um arrepios por todo o corpo quando, com delicadeza, Sakura ajeitou o cabelo dele para que saísse de cima dos olhos.
–- Você tem um cabelo bonito Sasuke -- Ouviu as palavras da mulher ainda desnorteado pelo toque anterior, ela lhe sorria tão divinamente que gostaria de tirar uma foto e colocar em sua carteira.
Pensou, ponderou, insultou sua atitude tardia, mas quando tentou toca-lá ela já colocava-se de pé e seguia até a cozinha.
–- Vou preparar o almoço -- A voz melodiosa soou e perdeu-se quando atravessou as portas
Agora ele sabia o que era aquilo que sentia, na verdade concluiu muita coisa quando caiu em seu colo no chão do banheiro e sentiu os cabelos sendo afagados. Soube também o que era quando acordou no hospital e a primeira coisa que viu foram os olhos verdes brilhando em preocupação ao lado de sua cama.
E chegou a conclusão sem sombra de duvidas do que sentia quando via a preocupação dela em zelar por ele e principalmente, por proporcionar sensações tão magníficas quando tocado por ela.
E nesse ciclo de descobrimentos, notou pela primeira vez que sempre soube, desde jovem o que sentia pela moça birrenta de olhos cristalinos e cabelos rosados, notou que era teimoso demais para admitir na adolescência, mas sabia, tão certamente como 2 + 2 são 4 que a amava de um modo tão profundo que o assustava.
E talvez pelo medo de enfrentar um sentimento tão intenso havia mentido a si mesmo, mas agora...
Agora era o fim da linha para seus medos e inseguranças.
Era o fim da linha para sua negação.
Pois ele já estava perto demais, preso demais nesse sentimento e não aceitaria perdê-lo pelo simples medo de vivê-lo.
Sua única opção era amá-la e que Deus permita, ser amado em troca.
Bônus
–- Sabia que atenderia meu chamado minha cara -- Sibilou
–- Você me procurando depois de tanto tempo Orochimaru? Agora que fui demitida? -- Resmungou sentando-se -- Não esta mais interessado na família Uchiha? Quer algo mais... pessoal? -- Recostou-se a cadeira cruzando as pernas
–- Poupe-me! -- Sorriu -- Minha meta sempre será os Uchihas, mas agora, talvez, eu deva tomar novos caminhos para atingir velhos objetivos.
–- E onde eu me encaixo nisso?
–- Se encaixa no lugar certo meu bem -- Levantou-se circundando a mesa e sentando-se em frente a mulher -- Conte-me o que sabe sobre Haruno Sakura, minha bela Karin.
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