Uchiha and Haruno
4 Esqueci de te esquecer!
Notas iniciais
Esqueci de te Esquecer!
私はあなたを忘れるのを忘れた
FLASHBACK
–- Sakura, meu bem – Tsunade olhava para a menina de 15 anos que chorava – Você não precisa chorar por causa disso, minha pequena, por favor...
–- Deixe a garota -- Jiraya interviu -- Na idade dela é difícil lidar com a exclusão e ela também esta cansada. Você anda estudando muito Sakura -- Ajoelhou-se em frente a menina que limpou os olhos -- Descanse um pouco que tudo pode melhorar
–- Querida -- Tsunade sorriu -- Aprenda que esses tipos de emoções não são necessárias, você precisa aprender a controlar seu coração, para que possa controlar sua vida!
–- Não sei se consigo tia -- Murmurou chateada -- Me parece tão difícil!
–- Nós não podemos impedi-la de sentir -- Jiraya sorriu colocando uma mecha dos cabelos rosados atrás da orelha -- Mas podemos ensinar a lidar com isso, lidar com a dor e contorna-la, afinal, você não quer chorar por ai, correto?
–- Uhum -- Balbuciou
–- Pequena -- Tsunade sentou-se a seu lado -- Seu tio e eu, felizmente ou não, adquirimos muita experiência com os anos, promotores e juízes nos ajudaram. Seu pai nos chama de frios, mas somos aquilo que a profissão exige de nós! Observe-nos e verá que não é tão complicado ser aquilo que você quer ser.
–- O dia que sua ultima lágrima cair Sakura -- Jiraya sorriu -- Será o dia que terá liberdade sobre sua própria vida!
–- Seu coração meu amor, nunca mais será ferido e você poderá ver o mundo a seu redor com clareza -- Limpou as lágrimas da menina
–- Dói -- Sussurrou olhando esperançosa para os tios -- Isso... Isso vai parar de fazer doer? -- Segurou a camiseta com força no local do coração.
–- Nada mais vai doer Sakura -- Tsunade ajoelhou-se emocionada pelo sofrimento da menina, aquilo com certeza era bem mais do que apenas uma exclusão em um grupinho de escola, aquela dor era algo bem mais complexo, bem mais profundo -- Quando você tornar-se a Sakura educada por nós, nada mais irá doer.
–- Então eu quero! -- Mais lágrimas caiam de seus olhos -- Quero ser que nem vocês! -- Finalizou, os tios se entreolharam, pois, até que ponto uma criança ter sentimentos de um adulto estaria certo? Mas vendo o sofrimento da sobrinha, como negar o pedido da pequena de cabelos rosados?
Mesmo aos 15 anos, ela era uma menina doce e ingênua demais, pensar na hipótese de qualquer um fazer mal a pequena flor que eles, depois de um ano, já tomavam como filha, cortava seus próprios corações. Então, ali, tomou-se a decisão, eles ensinariam Sakura a agir com a razão, e para o bem dela, deixar que o coração se preservasse, pois nunca saberiam quanto ele já fora ferido ou quanto ele ainda se feriria.
...
–- Sakura, não sorria desse jeito para o vizinho – A loira levantou-se da cadeira e sorriu gentilmente para a menina – O sorriso deve ser gentil e contido, deve passar tranquilidade não animação, ou nervosismo, muito menos falsidade. E bom... o vizinho não é a pessoa mais confiável do mundo, pense nele como um promotor -- Fechou a porta na frente do senhor pervertido.
–- Certo! – Sakura confirmou com a cabeça sentando-se a cadeira da cozinha
–- Você deve controlar suas lágrimas também – Tsunade passou as mãos sob o cabelo rosado da sobrinha – Eu sei que você é sensível, mas pode fazer isso, não pode? – Abaixou-se um pouco na frente da menina
–- Posso! – Respondeu depois de minutos em silêncio
–- A tristeza deve ser camuflada, assim como a felicidade e a animação e... – Tsudade observou seu esposo abrir a porta e entrar com o jornal nas mãos.
–- Porque o vizinho estava sorrindo na frente de casa? -- Jiraya murmurou -- Não gosto dele!
–- Era isso mesmo que eu estava falando -- Virou-se a rosada -- Deve saber selecionar as pessoas também, das potencialmente confiáveis, daqu...
–- Daquelas que já deveriam estar presas -- Rosnou Jiraya fechando a janela -- Como esse nosso vizinho! Ele tem uma cara de Serial Killer -- As mulheres riram e ele sentou-se mal humorado abrindo o jornal -- E então, sua tia já te desiludiu da vida de quantas formas diferentes? -- Tomou um tapa na nuca da esposa
–- Calado Jiraya!
–- Estou falando a verdade, você não confia em ninguém mulher. -- Murmurou passando para a próxima página -- Antes de casar comigo, puxou minha ficha criminal completa -- Sorriu baixando os classificados
–- Sakura, seu tio é um retardado, eu...
–- Eu entendo tia -- Sussurrou -- Se você não confia em ninguém, deve ter seus motivos não é? -- Encarou-a com olhos brilhantes
–- O mundo é tão traiçoeiro Sakura, mas você querida -- Afagou os cabelos da menina -- Verá por si mesma e na verdade, por mais rígidos que possamos ser com sua educação, nunca poderemos garantir que você saíra inteira da guerra lá fora.
–- O que eu posso te dizer princesa Haruno é... -- Jiraya a encarou -- Nunca, jamais, em hipótese alguma deixe que pisem em você e se um dia por acaso te derrubarem, faça com que eles corram muito quando você se levantar. De resto, apenas a vida vivida irá te ensinar!
–- Certo – Sakura baixou os olhos -- Eu nunca serei derrubada! -- E com essas palavras saiu da mesa caminhando feliz ao quarto.
FLASHBACK END
–- O coquetel está maravilhoso Ino! – Sakura disse aproximando-se mais uma vez do grupo de amigos.
–- Que bom que gostou Sakura – Ino sorriu – Fico tão contente de todos estarmos aqui, juntos novamente.
–- Também estou feliz! – Murmurou sorrindo -- Eu não sabia, mas senti falta de vocês -- Encarou os próprios pés, sentia-se estranha perto dos amigos.
–- Você só precisa ser um pouco mais você -- Tenten murmurou receosa
–- Um pouco...mais eu? -- Perguntou com o semblante curioso, tão curioso quanto a Sakura de 14 anos faria.
–- Você esta... -- Não pode completar, pois foi cortada por Sasuke
–- Como era a palavra mesmo? Hm, irritante? – A rosada apenas lançou a ele um olhar sério. Há quanto tempo não era chamada de irritante?
–- Como? – Todos pararam para ver a conversa que certamente viraria uma longa discussão que acabaria com Sakura chorando e chamando o Sasuke de imbecil.
–- Formalidades para cá e para lá, esses sorrisinhos falsos – Gesticulou – O que pensa que está fazendo? – Bufou voltando a colocar as mãos nos bolsos
–- Desde quando você usa tantas palavras em uma mesma frase Sasuke? – O olhar de Sakura era imparcial, mas um sorriso desdenhoso surgiu nos lábios rosados, não passando despercebido por ninguém – Mas meu mundo é cheio de formalidades, assim como o seu, já deveria estar acostumado com isso, correto? – Todos arregalaram os olhos, pois desde quando Sakura respondia o Uchiha com a voz tão serena? – E eu, não penso em fazer nada, igual você!
–- O que quer dizer? – Sasuke deu dois passos a frente com o semblante duro como de costume
–- Interprete como quiser! – Sakura encarou-o para em seguida virar-se de costas e teve tempo apenas de dar um passo antes que Sasuke falasse o que realmente queria.
Os mais velhos notando o silêncio e poucas vozes trocando palavras seguiram até a sala, apenas para ouvir o que não desejavam.
–- Você não deveria tem voltado! -- Murmurou friamente vendo a menina de costas
Os amigos encararam o chão desacreditados, as amigas levaram as mãos as bocas e Sakura perdeu uma batida do coração.
Estava preparada para tudo, para uma longa discussão como antigamente, para desaforos e ofensas trocados como farpas ardentes ou apenas para ser rudemente ignorada, mas nunca esperou ouvir de Sasuke aquelas palavras, doeu-lhe a alma e sentiu lágrimas formarem-se nos olhos esverdeados, ela não desmoronaria, não na frente de todas aquelas pessoas, não na frente dele, não depois de tanto tempo controlando o próprio coração e cuidando da vida com nervos de aço, não mostraria o quão frágil poderia ser. Queria fugir, correr o mais rápido que pudesse, mas invés disso encarou o fato como um tribunal, e depois de respirar profundamente e obrigar as lágrimas a voltarem de onde tinha vindo, voltou-se a ele.
–- Eu sei! -- Murmurou cabisbaixa -- E você, não deveria estar aqui!
Sakura virou-se e caminhou até onde os mais velhos estavam, acenou brevemente com a cabeça e recebeu um aceno de volta, foi até as escadas que ficavam depois do corredor e de longe lançou um olhar para os amigos e sorriu simpaticamente, sendo retribuída e subindo elegantemente os degraus.
Entrou no quarto que antigamente era seu e notou que estava totalmente redecorado, móveis mais modernos e aparelhos de alta tecnologia eram distribuídos por todo o ambiente, mas aquilo no momento, pouco lhe importava, afinal como era possível tantos anos passarem, e ele apenas ter aprendido como feri-la mais?
–- Droga Uchiha! – Suspirou escorregando pela porta sentando-se no chão, engrenhou as mãos nos cabelos e ali, sozinha, pela primeira vez em anos, permitiu-se chorar – Quando eu pensei que tivesse me livrado de vez desse sentimento você reaparece na minha vida. Que inferno! -- Afundou o rosto nas próprias mãos, não era possível que no seu primeiro dia tudo isso já tivesse acontecido!
Quando era menor conheceu os irmãos Uchiha através de seu pai, passou a admirar Sasuke e rapidamente aquilo tornou-se uma paixão juvenil, decidiu esquece-lo por completo, todavia ele infiltrou-se em seu grupo de amigos e então, aquilo que não passava de uma paixonite foi a cada dia transformando-se em amor. Amava o modo como ele agia e como ele era, então logo percebeu que amava as discussões que eles tinham, pois Uchiha Sasuke não perdia tempo com ninguém, e para ela em seu inicio de adolescência, aquilo os tornava próximos. Nunca ninguém soube do sentimento que ela nutria pelo menino, e não tinha pretensão nenhuma de revelar isso para ninguém.
–- Isso não pode continuar assim -- Murmurou a si mesma enquanto erguia-se do chão e secava as lágrimas com o punho, respirou profundamente -- Isso não pode ter aumentado, não pode! -- Segurou o vestido onde ficava o coração e apoiando-se na pia do banheiro mais algumas lágrimas fujonas escorreram.
... ... ... ...
–- Feliz Uchiha? – Ino perguntou raivosa – Você tinha que aprontar não é Sasuke?
–- Não enche Ino – O moreno disse colocando as mãos nos bolsos enquanto olhava de relance a escada pela qual Sakura tinha subido há pouco.
–- Seu infeliz -- Tenten socou-lhe as costas tomando assim sua atenção -- Você é tão inconveniente Sasuke, não pudemos anunciar minha gravidez a Sakura... -- Bateu-lhe novamente no ombro -- Por que você tinha que estragar esse momento?
–- UCHIHA SASUKE – Fugaku rosnou para o filho que não teve tempo de responder a Tenten – Venha até aqui! – Sasuke caminhou lentamente até o pai que lhe agarrou o braço com violência – Vamos para casa ter uma conversa moleque!
–- Desculpe-nos pelos modos de Sasuke queridos – Disse Mikoto desculpando-se com os Harunos, as bochechas rosadas em vergonha – Até logo e boa noite!
–- Sem problemas Mikoto – Raiden sorriu gentil – Até breve!
Mikoto saiu pela porta ao lado de Itachi sendo seguidos por Fugaku que segurava o filho fortemente pelo braço, o homem estava irado e Sasuke preferiu não enfrentar o pai, afinal, pra que piorar uma noite que já estava uma merda?
... ... ... ...
–- Eu mudei tanto, fiz tanto... Aprendi tanto! – Suspirou Sakura lembrou-se da sua primeira audiência
O promotor sorria abertamente quando entraram no tribunal, Sakura lhe lançou um sorriso gentil passando rapidamente por ele e seguindo o caminho até seu cliente, um homem que estava de fato sendo acusado injustamente de um crime que não cometeu.
Quando a sessão se iniciou as farpas começaram a ser trocadas entre ela e o promotor esnobe, a defesa estava feita e sabia que a sentença seria a liberdade, quando rapidamente seu rival levantou-se e disse “Tenho uma prova extra para apresentar a vossa excelência” para o total desespero de Sakura e de seu cliente o juiz aceitou.
A menina lançou um olhar assustado à Tsunade que lhe sorriu gentilmente, e deu uma leve piscadela. Sakura entendeu e conversou baixo com seu cliente, alertando para que mantivesse seu estado sereno, que ela daria um jeito, e assim o fez. Quando o promotor voltou, a menina lhe lançava um olhar gentil e um sorriso confiante, coisa que assustou o homem e fez com que relutasse, pedindo assim, para conversar com ela.
–- O que passa pela sua cabeça? – Perguntou sério
–- Faça o que deve fazer – Sakura suspirou e voltou a sorrir – Mas saiba que não estou despreparada! – Rapidamente sentou ao lado do cliente que mantinha um semblante calmo.
O promotor depois de breves minutos pensando, e com medo da própria carreira estar ameaçada, voltou atrás e desistiu da prova que dizia ter. Sendo assim, caso encerrado e Sakura pela primeira vez havia ganhado uma causa.
Eram tantas mudanças, tantas histórias para contar, tantas memórias melhores para guardar do que aquele sentimento. Não acreditava que tudo aquilo podia ter permanecido intacto, lembrou-se de uma aula maçante de filosofia, onde havia ouvido apenas uma frase coerente "Aquilo que é verdadeiro nunca acaba" e pela primeira vez sentiu na pele aquelas palavras. Aquele amor estava enraizado em seu coração e ela não poderia dar brechas para crescer e florescer, tinha que conte-lo antes que fosse tarde demais.
–- É muito masoquismo! -- Virou-se de bruços na cama e fechou os olhos, pelo menos por aquela noite, permitiria lembrar-se das feições bonitas de Sasuke e de como aquele garotinho baixinho havia crescido e tornado-se um homem, antes de pegar no sono ouviu-se murmurar -- Tão lindo! -- E por fim, caiu nos braços de Morfeu.
... ... ... ...
–- O QUE PENSA QUE FEZ SASUKE? – Fugaku gritou assim que entrou pela porta de casa – Como pode falar aquilo em frente a Sayuri e Raiden? Como pode falar uma coisa como aquela quando a menina passou 11 anos fora Sasuke?
–- Eu só disse a verdade papai – Respondeu indiferente dando as costas ao homem.
–- Não dê as costas pra mim moleque! -- Fugaku bradou com toda a fúria contida e o perigo na voz – A verdade é que você querendo ou não Sakura voltou e também trabalhará conosco, então fique ciente Sasuke... -- Encaminhou-se ao filho ficando centímetros de seu rosto -- Fale algo do tipo mais uma vez, e você não precisará voltar para casa, estamos entendidos? – O velho homem sabia que Sasuke não suportava a ideia de perder a vida mole que tinha dentro da mansão Uchiha. Por mais trabalhador e esforçado que fosse, ser jogado para fora não era uma opção.
–- Certo pai – Sasuke respondeu friamente – Para que nenhum incidente ocorra, não me dirigirei a Sakura, assim, eu e ela, evitamos qualquer mal entendido!
–- Me diga filho – Fugaku alisou o cabelo impaciente – O que a Sakura fez pra você? – Sasuke subia as escadas quando respondeu rudemente.
–- Nasceu! – E assim a mansão Uchiha silenciou-se
... ... ... ...
–- Vamos falar com ela – Disse Naruto pela milésima vez na noite -- Ela deve ter ficado ofendida!
–- Não Naruto, nós vamos embora – Ino recolhia algumas taças. Os olhos azuis ainda brilhavam pelas lágrimas que haviam se acumulado, não acreditava no que Sasuke falará, porque diabos ele era assim? -- Apoiou-se no balcão
–- O Sasuke e ela tinham que brigar – Temari sorriu tristemente – Pelos velhos tempos!
–- Pelos velhos tempos? -- Tenten murmurou revoltada -- Antes eles tivesse discutido até a voz de ambos falhar, mas... mas falar aquilo para Sakura... Eles eram amigos apesar de tudo -- Choramingou -- Quando Sasuke ficou insensível desse modo?
–- Algo o incomoda -- Sai sussurrou -- Algo que nem eu nem vocês entendemos, mas algo lá no fundo me diz que se Sakura não entende agora, um dia entenderá.
–- Algo o incomoda? -- Neji resmungou -- Tudo incomoda o Sasuke!
–- Vamos parar de falar desse energúmeno -- Ino rosnou -- Juro que um dia, eu ainda vou virar minha mão na cara dele e deixar meus cinco dedos estampado naquela pele branca -- Mirava a própria mão com fúria.
–- Podem deixar isso ai meninas – Sayuri disse gentilmente aproximando-se da conversa que estenderia-se pela madrugada caso não fosse cortada – Vão para casa e descansem, amanha podem voltar para falar com Sakura, principalmente você Tenten.
–- Bom, nós também já vamos – Jiraya disse olhando Tsunade, que deu alguns passos até a porta e se ateve virando-se para os jovens e dizendo.
–- Ambos estavam de cabeça quente -- Encarou o chão -- Amanhã é um novo dia, esperemos!
"A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande." Roger Bussy-Rabutin
Fale com o autor