Tão longe do sol
4 Capitulo 4: O novo cavaleiro real
—- Mets, você não vai me devolver para o lobo certo?
A essa altura Mets estava ignorando completamente a garota, e eu não duvidaria que ele realmente estava pensando em jogar ela no meio da floresta, ela é muito chata. Naquela manhã, acordamos com um grande café da manhã, literalmente grande, cada um tinha uma omelete de meio metro de diâmetro, muitas folhas e um copo de suco que mais parecia um balde, Mest não economizava no tamanho das coisas.
Logo nos arrumamos e partimos para Tun, segundo nosso guia da floresta, o caminho de ida era mais perigoso que o de volta, poderíamos ser atacados por animais que foram espantados dos portões, ou sermos acertados por flechas por sermos confundidos com animais, ele disse que já aconteceu várias vezes.
Bareka não ficava quieta, eu queria muito saber alguma magia que a deixasse em silencio, mas claro, eu não sabia. Pelo menos todo esse falatório foi útil diante dos portões, posso dizer que os guardas foram vencidos pelo cansaço ao terem que escutar dela o por que de estarmos ali fora.
Passamos pela casa da velha Clotz, tudo apagado e trancado como antes, isso era incomum, continuamos para o centro da cidade, íamos deixar Bareka na sede da ordem, e depois daquilo, quero apenas piedade para o próximo coitado a ter que ouvir ela falar. Mas foi chegando lá que tudo ficou diferente.
Dezenas de Sun’s vestidos de armaduras completas e armas em mão estavam parados diante da entrada, um senhor flutuava diante deles, ele era pequeno e vestia um capuz longo, era impossível ver seu rosto, parecia até coberto por magia.
-- Do norte ao sul de Drakhty, este é o momento que guerreiros esperam por toda a sua vida, há dois dias, o segundo comandante do batalhão real morreu em uma batalha com um bruxo das trevas, ontem, estávamos de luto, hoje, uma nova possibilidade nos é fornecida, um, entre todos os combatentes do reino, será escolhido para preencher está vaga.
Um zumbido de conversa explodiu por toda a cidade, alguns assustados com a morte de um grande guerreiro, outros ansiosos com a possibilidade da entrada no grande salão real, como um dos mais honrados guerreiros do reino, eu? Só queria me livrar da Bareka.
-- Hoje, dentro de algumas horas, um grande campeonato irá ser feito, aquele que sair vitorioso irá para a capital comigo, e disputará a vaga, para lutar ao lado de nosso rei.
E assim a multidão explodiu em gritos de felicidade, uma vez um homem me disse que não existe nada mais excitante para os humanos que uma boa chacina gratuita. E ali isso me provou verdade.
Passamos entre a multidão de guerreiros histéricos, que já estavam começando discussões e brigas sobre quem seria o mais forte, e chegamos ao velho na entrada da ordem dos guerreiros de Tun.
-- Mewt, não me diga que deseja ser rejeitado novamente. – Falou o velho.
-- Não dessa vez, eu trouxe essa garota, ela quer voltar para a casa dela, e nós não queremos leva-la. – Falei, sem emoção, e sendo o mais rude que eu conseguia, era assim que a maioria dos clientes do lugar agiam, presenciei isso várias vezes.
-- Bom, temos uma longa fila de espera hoje, os cavalheiros estão ocupados, e a demanda não diminuiu, sinto lhe informar, mas vai demorar. – Respondeu o atendente.
Agora que eu tinha notado, uma grande fila de pessoas, saindo de uma sala de espera lotada, algumas pessoas machucadas, outras chorando em desespero, alguns ricos impacientes e outros pobres humildes perdidos nos acontecimentos, então um senhor se aproximou do balcão.
-- Por favor, Oliver! – Falou o homem quase chorando, suas roupas eram humildes, e carregava uma bolsinha de dinheiro. – A minha fazendo está sendo destruída por eles, se continuar assim, mês que vem eu não terei onde morar, nem o que comer. – então o homem caiu em lagrimas.
-- Desculpe Sr. Straw, temos uma fila, o senhor deve se por em seu lugar e esperar. – O velho recepcionista respondeu, e pela primeira vez em anos, eu descobri o nome dele.
-- Obrigado sr. Oliver. – Falei, piscando para o velho e saindo, puxando atrás de mim Mets e Bareka.
Mets estava encantado com o lugar, eu tinha me esquecido que ele veio poucas vezes para a cidade, e Bareka estava quieta, muito estranho. O pobre senhor desesperado saiu da fila de espera da ordem e estava indo em direção as fazendas.
-- Vamos ajuda-lo, Mets? – Propus.
-- Acho que podemos. – Respondeu. – O que será que está atacando a casa dele?
-- Não sei. – Falou Bareka. – Mas deve ser algo horrível, essa quantidade de moedas é o suficiente para comprar uma pequena casa na região das fazendas.
-- O senhor quer ajuda? – Gritei de longe, e o homem parou.
-- Eu gostaria, meu jovem, mas os guerreiros estão ocupados demais para se preocuparem com um pobre camponês. – Respondeu o senhor, gaguejando e lutando para não chorar.
-- Estamos aqui para isso! – Falou Bareka. – Dependendo do quanto o senhor pagar!
-- Bareka, o lobo deve estar te esperando! – Falou Mets irritado. – Não importa o pagamento, o que está acontecendo?
-- São ciclopes, eu moro na extremidade do território leste de Tun, a minha é a ultima propriedade antes da fronteira, eles chegaram lá a 2 dias, não sei o que fazer. – E o velho caiu de joelhos, em lágrimas mais uma vez.
-- Bem, um ciclope? Acho que se eu acertar direto no olho, está tudo resolvido. – Falou Mets. – Bareka cuide deste senhor, voltamos já.
Bareka não gostou, mas não demos tempo para ela recusar, partimos em direção a portão leste, Mets teve a decência de me esperar desta vez. Quando chegamos, não foi difícil encontrar a casa, três humanoides de três metros de altura vagavam pelas plantações, comendo e destruindo tudo que podiam. Eles tinham grandes calombos ao redor do corpo, e um grande olho vermelho no meio da testa.
-- Esses são bem grandes! – Exclamou Mets, o que não me deixou muito confiante. – Aqui, pegue. – Então, de dentro de uma bolsinha, ele sacou uma grande espada prateada, era o tamanho ideal para mim, balanceada e bem afiada. – Fiz durante a noite, me agradeça depois.
Fiquei sem palavras, esse cara era demais. De dentro da mesma bolsa ele retirou seu martelo bumerangue e sua foice, se concentrou, ganhou altura para encarar os ciclopes no olho, e músculos para assustar qualquer ogro, e assim, partiu para a batalha “Eu pego os dois da direita, você cuida do outro” pena que ele esqueceu algo básico, ele não me deu aulas de combate.
Corri para cima do monstro mesmo assim, eu não podia ser tão inútil assim, pude ver ele surrando os monstros antes de eu mesmo cravar a ponta da espada na batata da perna no meu rival. O ser fedia, sua pele era ainda mais horrorosa de perto, cicatrizes mal formadas, sujeita, fungos e parasitas, na sua boca poucos dentes restavam, mas era tão assustadora quanto uma boca completa, quando ele se virou para mim, minha espada continuou cravada nele, então, ali estava eu, desarmado, diante de um monstro com quase o dobro da minha altura.
Por sorte ele era lento, tentava me socar e me chutar, mas eu conseguia desviar sem muito esforço, ele arremessava pedras que encontrava no caminho, e infelizmente algumas me acertaram, em poucos minutos de desvios falhos eu estava exausto, e o monstro parecia inteiro, corri para trás de uma arvore e o monstro a partiu ao meio com a cabeça. Ele cambaleou e ali eu vi minha chance, corri para trás de outra arvore, e o monstro tornou a quebra-la com a cabeça, repeti isso três vezes, até que ele finalmente caiu inconsciente no chão.
Mets estava sentado próximo da casa assistindo, e agora estava batendo palmas.
-- Eu sabia! Quem consegue matar um morcego em pleno voo, consegue derrubar um ciclope! – Ele ria, se levantou, veio até mim e examinou o monstro.
-- Eu sempre soube que conseguiria! – Falei, todos os músculos do meu corpo doíam, eu estava extremamente suado e sujo, sangue escoria da minha sobrancelha, mas estava tudo bem, eu tinha vencido.
-- Só teve um pequeno erro. – Falou Mets sério, virando para mim e dando as costas para o monstro. – Você não o finalizou, tudo que não está morto, pode levantar.
Olhei para a plantação, dois corpos decapitados, isso era obvio, eu provavelmente não venceria se tivesse que lutar novamente naquele estado, quando me voltei para Mets, o ciclope estava em pé atrás dele, com um tronco de arvore erguido a cima da cabeça, não tive reação, em meio segundo vi o monstro acertar com toda a força a cabeça de Mets.
Ele fez uma cara de dor, mas não se moveu nem um centímetro, então ele cresceu, ficou meio metro maior que o rival, o monstro se intimidou, Mets agarrou ele pelo pescoço e começou a soca-lo, chuta-lo, e em questão de segundos, o monstro era um peso morto nas mãos do guerreiro.
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Voltamos para a sede da ordem, Bareka e Sr.Straw estavam sentados em um banco de praça, assistindo os guerreiros que ainda estavam se preparando para a batalha que estava por vir, o senhor nos entregou um punhado de dinheiro, mas pegamos apenas algumas moedas e devolvemos o resto, ele iria precisar daquilo pra arrumar suas terras, e então ele fez algo que mudou o rumo de tudo. Sr.Straw contou para os outros.
Em questão de minutos estávamos rodeados por pessoas desesperadas, ricos chatos e camponeses, todos com alguma tarefa diferente, pela primeira vez na vida, eu teria dinheiro, isso, se sobrevivesse a todas as tarefas.
-- Você vai poder treinar, está precisando. – Falou Mets.
-- Eu cuido do dinheiro. -Falou Bareka.
-- Eu vou morrer. – Falei.
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