Typical of Love
3 Capítulo 3 - Every morning is the same
Notas iniciais
Só lembrando que o texto está todo desconfigurado por conta do celular, desculpe!
Toda vez que chegava com as crianças em casa após as aulas extras, as meninas faziam exatamente a mesma coisa: jogar a mochila no quarto, lutar para ver quem era a primeira no banho, comer e passarem o resto da tarde na sala de jogos. Seus dias ao lados das crianças eram, em sua maioria, simples, porém, cansativos.
Elas já estavam na última parte, jogando UNO enquanto alguns clipes de Frozen passavam na TV quando os pais chegaram. Era quarta-feira, o que automaticamente significava noite da pizza! Helena sorria ao seguir as crianças que já estavam sentando à mesa, cantando incessantemente o nome do alimento. Ao avançar da refeição, a família conversava animada sobre o dia das crianças. O jantar era sempre um momento muito feliz. Terry era sargento da Polícia e era difícil estar em casa para esses momentos; Shannon era gerente de uma marca de grife, igualmente ocupada.— E sobre seu dia, Helena? Como foi a semana para você?— Foi tranquila, Shannon. — Helena engoliu o primeiro pedaço de sua segunda fatia — Passei hoje a tarde com uma amiga e... Ah, nossa, vocês não vão acreditar! Eu estava em um café, esperando o horário de buscar as meninas e encontrei com Shawn Mendes! A menina riu da reação dos maiores. Shannon ainda tinha uma sobrancelha arqueadas, como se buscasse um rosto para o nome em sua mente. Terry, por outro lado, continuou com a mesma expressão de nada.— Shawn Mendes, um cantor que está super em alta esses dias! Eu não o reconheci também de primeira, mas aí minha amiga me lembrou do nome... — SIM, SHAWN MENDES! — Shannon largou os talheres, batendo as mãos no alto — Claro, sei quem é.... Hm, ele é bonitinho!— Por Deus, ele é lindo, Shannon! E tão simpático, cavalheiro, super prestativo, parece ter um-— Você encontrou com ele ou teve um encontro romântico? — a mulher interrompeu Helena com uma expressão muito bem calculada.— Não não, é que ele acabou tomando um café com a gente. Na verdade, nem foi um café. Ele sentou com a gente. E foram só alguns minutos. Enfim, Shannon! Todos em volta da mesa começaram a rir de uma Helena se atrapalhando em suas próprias palavras.— Sei, sei... É legal ter você toda empolgada com L.A., com a cidade e encontrando gente nova. Bom saber que você está se divertindo. — Terry colocou mais suco para Helena e para suas filhas. — Foi a primeira vez que realmente encontrei alguém, tipo, de perto, sabe? Acho que me empolguei— E por sorte foi um cara lindo...— E por sorte foi cara absurdamente lindo, Shannon!Quinta-feira a tarde estava chuvosa. Agradeceu a Deus pela aula de natação das meninas que seria em local coberto ou então seria mais uma tarde elétrica dentro de casa. Helena desceu apressada, tentando equilibrar bolsa e chaves do carro e guarda-chuva, nume tentativa de fechar, e saltos nos pés e, mais uma vez, o celular entre a orelha e o ombro. Não escorregando por muito pouco, ela chacoalhou um pouco os braços tentando se livrar das derradeiras gotas que conseguiram alcançá-la até sua entrada no café Beth Bakery, as notícias recebidas do outro lado da linha não eram promissoras.— Melissa, você poderia ter me falado isso antes, você sabe que não gosto de ficar assim sozinha! — Helena ocupou a mesa de sempre, próxima à porta, de costas para o balcão. — Tá, ok. Não, agora já cheguei, vou gastar tempo até buscar Ava e Lacey. É, conversamos mais tarde. Helena logo soltou o celular na mesa, estava visivelmente frustrada, uma vez que sua amiga cancelou o café do dia de última hora. Olivia estava começando a adoecer e ela achou melhor ficar em casa. Jamais reclamaria disso, mas não custava ter avisado antes. Helena sempre fora muito tímida, enfrentar locais públicos sozinha não estava em sua lista de passatempos favoritos. Althea logo chegou, cumprimentando a menina.— Boa tarde, Althea! Hoje vou querer um chocolate quente, eu acho.— Ou seja, o mesmo de sempre. — A simpática atendente nem se deu ao trabalho de colocar o cardápio para Helena — Volto rapidinho com seu chocolate e com seu sanduíche. A jovem sorriu, observando a grande janela a sua frente. As pessoas estavam começando a usar casacos mais pesados e acessórios de frio, as chances de neve eram baixas, mas esse podia ser seu inverno da sorte, certo? Estava na lista de coisas a se fazer: ver a neve de fim de ano. Ela sempre soube, desde que escolhera uma família na maior cidade da Califórnia, que o inverno não seria tão intenso. Na verdade, esse foi um favor muito positivo a ser considerado em sua vinda, não sofreria com as dores do inverno. Mas, uma neve de vez em quando não faria mal a ninguém, certo? Seu fluxo de pensamento foi interrompido por uma presença que bateu levemente os dedos na mesa e um coçar de garganta.— Hey, você de novo!— Eu estava fazendo meu pedido no balcão quando você chegou. Sem mais acidentes hoje? — lá estava o sorriso ladrão de suspiros de novo.— Hoje estamos inteiras, por enquanto. — Montoya fez questão de retirar seus pertences da cadeira a sua frente e oferecê-la. Sentando-se, ele logo agradeceu a gentileza e passou as mãos pelos cabelos, sem querer encará-la diretamente. E essa era uma sensação recíproca.
— Então... Shawn Mendes, hum? O moreno a sua frente saltou levemente na cadeira. — Fica tranquilo, eu não conto se você não contar. A piscada da menina fez com que Shawn ficasse quase relaxado de novo. Ele estava contente com conversar com pessoas que não estivessem ligadas em toda sua bagagem, há dois segundos.— Achei que você não soubesse quem eu era.— E saber é algo ruim? — Não exatamente, só disse porque você não pareceu me reconhecer ontem. — os braços cruzados na mesa e o corpo levemente lançado para frente exigiram de Helena um pouco mais de concentração para responder à conversa.— E não reconheci mesmo! Mas, não por ser você, é que eu sou desligada mesmo, distraída, sabe? E péssima com rosto, tipo, muito péssima mesmo! É difícil eu reconhecer até as pessoas que fazem aula comigo, não é pessoal de verdade, tá?! Shawn riu da menina, aproveitando para pegar os donouts que Althea trazia com um belo sorriso em seu rosto. A jovem com quem dividia a mesa era, no mínimo, divertida. — Nesse caso, vou acreditar em você por enquanto. — Shawn praticamente gemeu ao pegar uma primeira mordida de seu donout — Nossa, muito bom! Você quer? Helena apenas negou... como queria que seu sanduíche chegasse logo para se concentrar em outra coisa!— Como você descobriu?— O que? — as preces da garota foram atendidas e seu pedido chegou. Parecia que seu estômago estava prestes a gritar com ela se não recebesse comida logo.— Minha identidade não secreta.— AH, tá. Melissa. — vendo a expressão confusa no garoto a sua frente, continuou — a amiga que estava comigo ontem. Ela te reconheceu na hora em que te viu. Mas, por Deus, ela conseguiu manter o mínimo de civilidade e não surtou. Ela queria, acredite em mim. Não sei o que aconteceu para ela não ter surtado , mas vamos agradecer, não é mesmo? Como ela conseguia? A cada palavra atropelada que saía de sua boca, Shawn percebia que ela era alguém com quem certamente seria fácil ter uma conversa um pouco mais profunda. Era confortável a maneira como as letras simplesmente saíam de sua boca, sem o menor controle.— Ok, Shawn, sinto muito, eu tendo a falar demais quando estou desconfortável. Desculpe. E você pode me falar. Eu paro. Mesmo. A palavra desconfortável saltou ao ouvido de Shawn. Era completamente o oposto e sentia muito pelo fato de ela estar se sentindo dessa maneira. Resolveu, então, voltar para o básico e tentar levá-la a um local bom.— Me sinto meio mal com você podendo usar meu nome e eu sem ao menos saber o seu.— Helena. Helena Montoya. Teatralmente, ela lhe estendeu a mão, esperando um cumprimento: um aperto de mãos clássicos. O que recebeu, entretanto, foi um beijo em sua mão. E um fofo avermelhado de constrangimento no rosto.— Helena. É um ótimo nome. Ela revirou os olhos:— Não precisa dizer isso só por educação.— Mas, é sério. Minha mãe ama esse nome. Ela sempre nos disse que se tivesse outra filha, com certeza seria Helena. Desde então, aprendi a ver quão forte, bonito e elegante esse nome soa. Helena apenas ficou surpresa, não esperava por essa resposta. Apenas arrumou os cabelos atrás da orelha antes de dizer:— Nesse caso, vou acreditar em você por enquanto. A conversa continuou amena. Entre mordidas e risadas, o assunto voltou a ser o clima quando Shawn retirou o casaco, discursando sobre o quão quente estava o café.— Você é desregulado. Está fazendo, tipo, 10⁰C lá fora. Bota esse casaco, menino.— Eu sou do Canadá, nenhum lugar é tão frio quanto Canadá — eles tiram, acompanhado de um balançar de cabeça dela.— Ok, essa passa porque aqui sempre está bem aquecido, não porque o frio do Canadá blá blá blá.— Falando nisso, você realmente vem pra cá todos os dias na mesma hora? É meio clichê, não é?— Clichê sim e confortável também, senhor Mendes. — ambos tiram. Eles já estavam completamente conrtaveis conversando agora e Shawn começava a se sentir melhor com isso — Mas, sim. Venho aqui sempre para esperar minhas meninas saírem das aulas, como disse. É perto, não muito movimentado, bem aconchegante e tem comidas maravilhosas. Por quê não viria?— Eu te entendo. Gosto daqui exatamente por isso, pouco movimento e essa sensação de caseiro. Cafeterias locais são os melhores lugares dessa cidade. O silêncio permaneceu na mesa por poucos segundos. Na pouca intimidade que os jovens compartilhavam, pareceram horas até Althea se aproximar com um pacote nas mãos, para a felicidade de ambos.— Peter, Jake já está lá fora de esperando. Pediu para que te chamasse depressa. — Obrigada, Althea! — o menino se levantou, depositando um beijo no rosto da senhora — Bom, minha deixa novamente.— Tudo bem, tenho que ir em poucos minutos também. Até outro dia por aí, então. — Helena se levantou na educação de se despedir.— Hm... Foi divertido hoje e se você vem sempre aqui, a gente podia combinar de tomarmos outro café juntos amanhã. O que acha? — Shawn beijou seu rosto em despedida.— Claro! Claro. Estarei aqui no mesmo horário, de qualquer maneira. Em um abraço desajeitado, trazendo ambos de volta ao desconforto inicial, eles se despediram. Enquanto Shawn entrava no carro, Helena destaca-se a mesa. Terminava seu chocolate e acertava as contas com Althea com um sorriso confuso, não certa de que entendera muito bem tudo o que havia acontecido. O carro que virava a esquina abrigava um diálogo sem resposta, igualmente confuso com o decorrer dos acontecimentos, segurando o mesmo sorriso. Althea parecia ser a única consciente da narrativa que assistia. Já vira aquela história antes. Eram sorrisos muito promissores, disso ela tinha certeza.
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