Notas iniciais
"Olá meus ursinhos carinhosos! Espero que estejam vomitando arco-íris de tanta felicidade nessa noite mágica de segunda-feira!"

Olá leitores. Desculpem por isso! A Brittany me deixa muito constrangida às vezes! (:

Quinn não sabia dizer como chegara em casa. Ela estava em outro mundo, em um universo paralelo. Não pensava em nada, não se lembrava de ninguém, não sabia o que estava fazendo. A única coisa da qual tinha consciência e total percepção era o estado deplorável no qual se encontrava jogada em sua cama. Eu odeio ele. Eu odeio ele. Eu odeio ele. Repetia para si mesma, arranhando o lençol com as unhas, cravando-as no tecido do travesseiro, como se quisesse descontar toda sua raiva ali. E então pensava em Rachel. Pensava em seu sorriso, em seus vívidos olhos castanhos. Sentia seu cheiro como se a morena estivesse ali. Aquele cheiro doce, suave, viciante. Pensava em sua pele macia e em todas as coisas que ela queria fazer com ela. Em todas as coisas que queria viver com ela. Quinn ouvia aquela voz poderosa como se ainda estivesse no auditório do McKinley. Na verdade, a sensação era exatamente essa, de que ela ainda não havia saído de lá. Rachel parecia um sonho bom demais pra ser verdade. Quinn poderia acordar a qualquer momento. Mas ela sabia que não aconteceria. Era real. Era único. Era a melhor coisa do mundo, apesar de toda a dor. Quinn se contorcia na cama, abraçava seu próprio corpo, encolhendo-se como um animal ferido. Chorava com toda a sua força, cada vez mais. Só que ao mesmo tempo, tentava abafar as lágrimas, impedir que caíssem. Quando não conseguia, soltava um rugido de frustração e desespero. Tentando evitar o choro, dificultava sua própria respiração. Fazia um esforço descomunal para que o ar entrasse em seus pulmões. Respirava com força, tentando aspirar tudo o que podia. Era como se alguma coisa muito mais forte do que ela precisasse se libertar.

– Eu não consigo! E-eu n-não con-con-si-si-go! – Soluçava, deixando que sua dor transbordasse pelos olhos. Finalmente aceitando. – Não! – Mordia o lábio inferior com força. – Ela é minha. Ela é minha. Ela é minha. Minha! Minha! Minha! Minha! – Repetia incansavelmente e desesperada. Repetiu várias vezes, até que sua voz diminuiu por completo e seus olhos se fecharam, tomados pelo sono.


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Acordou e deixou que todas as suas lembranças da morena lhe invadissem novamente. Não chorava, apenas lembrava. Permitiu que milhares de outras lembranças invadissem sua mente. Lembranças de sua vida, de sua infância, dos amigos que sempre estiveram por perto. Todas as coisas conduziam para uma só: Rachel! Quinn sentia como se tudo o que tivesse vivido até ali, fosse por causa dela e somente dela. Tudo a tinha levado até aquele momento. Tinha que ser. Rachel tinha que ser. Era sua parceira, sua companheira, sua vida. Rachel era a peça que faltava. Quinn só seria completa se tivesse a morena ao seu lado. Agora que sabia disso, precisava dela até para respirar. Não saberia dizer quanto tempo permaneceu ali, mastigando aquelas verdades assustadoras que ela não poderia mais evitar.

Cansada de ficar na cama pensando em Rachel e em tudo o que a morena lhe fazia sentir, Quinn se levantou e foi direto para o banheiro. Retirou as roupas vagarosamente, ela queria e precisava relaxar. Entrou no boxe, ligou o chuveiro e deixou-se levar pela sensação da água caindo em seu corpo... Como seria bom se ela levasse tudo embora. Todo o medo, toda a dúvida, toda a angústia e toda a preocupação. A loira suspirou, fechou os olhos e encostou a testa na cerâmica gelada da parede. Derrubou mais algumas lágrimas, que estavam ficando tão frequentes quando as batidas de seu coração. Ela ergueu a cabeça para cima e deixou que a água caísse em seu rosto. Passou as mãos pelos cabelos, jogando-os completamente para trás. Mordeu o lábio inferior e fechou os olhos com força, numa expressão de dor. Deus, ela não podia aguentar. Ela não suportava mais isso. Quinn novamente encostou a testa na parede fria e não se preocupou em tentar diminuir ou abafar o choro. Dessa vez, ela chorou como uma criança, alto, deixando o sofrimento transbordar. Fechou a mão direita e deu um soco na parede, gritando de angústia e dor. Mais um soco, mais lágrimas e ela se virou de costas e foi escorregando aos poucos até o chão, onde chorou e chorou e chorou.

Depois do que julgou ter sido um banho de quarenta minutos, a loira desligou o chuveiro e se enxugou. Ainda nua, encarou seu reflexo no espelho e suspirou. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Mas ela não conseguia se olhar por muito tempo, estava envergonhada pelos momentos de fraqueza e pela frequente sensação de vulnerabilidade que lhe perturbava. Desviou os olhos e apanhou a muda de roupas que havia escolhido. Optou por uma calça e um agasalho de moletom. Secou o cabelo rapidamente com a toalha e foi saindo do quarto com os olhos fechados, a cabeça inclinada para baixo e fazendo movimentos circulares na nuca. Seu pescoço doía por causa da posição na cama. Ela levantou a cabeça e no momento em que abriu os olhos, eles se arregalaram em surpresa e ela parou instantaneamente no meio do quarto. Franziu as sobrancelhas antes de questionar:

– O que vocês estão fazendo aqui?

Os dois se entreolharam. Judy estava sentada na cama, com as mãos unidas em seu colo. Russell, por sua vez, se apoiava na mesa de estudos, com os braços cruzados. Foi ele quem respondeu:

– Nós precisamos conversar Quinn!

A loira suspirou, vencida. Estava derrotada, sabia disso. Não deixou que seu lado arrogante e orgulhoso falasse mais alto. Eram seus pais e ela teria que se render dessa vez. Já tinha mentido demais e Quinn não gostava de magoar ninguém, não fazia parte da sua natureza, tampouco da sua personalidade. Apesar é claro, de ter seus momentos. Principalmente com Santana... Mas não era hora de pensar na latina.

– Tudo bem! – Passou a língua pelos lábios e abaixou o olhar, devidamente envergonhada e arrependida.

– Levanta a cabeça e olha pra gente! – Russel ordenou. Quinn apenas obedeceu. – Eu consigo pensar em mais de mil punições nesse momento. Você sabia disso? – Sua voz era ríspida.

– Sim senhor! Eu peço desculpas pelo meu comportamento. Eu farei o que for preciso para me redimir e ser digna de confiança novamente. Não tenho palavras para descrever meu constrangimento. – Seus olhos lacrimejaram.

– Chega! – Russel fez um sinal com a mão direita, como se pedisse para ela parar.

Quinn não conseguiu mais sustentar seu olhar e abaixou a cabeça. Percebeu o homem se aproximar dela e um certo receio tomou conta de seu corpo. Ela colocou os braços ao redor de si mesma, tentando se proteger. Sentiu quando duas mãos enormes seguraram seu rosto, levantando-o.

– Eu consigo pensar em inúmeras punições e nenhuma delas é suficiente. – Ela queria chorar, porque a expressão dele era rígida e quase decepcionada. – Nada é suficiente se você não fala comigo. As coisas que você não diz partem meu coração. – Agora ela sabia que o olhar dele era de amor e preocupação. – Eu sou seu pai Quinn! Eu te amo e não há nada que você possa fazer para diminuir isso ou para me afastar de você. Então entenda que não há nada que você não possa me dizer.

– Pai, eu... – O resto da frase morreu em sua garganta. Sua voz era falha e as lágrimas recomeçaram mais uma vez. Russel, com as mãos ainda em seu rosto, puxou a filha para si e a abraçou com toda a força que ele precisava ter para passar a ela. Quinn deitou a cabeça em seu ombro e chorou mais um pouco ali. E havia tanto sentimento presente naquele choro. Culpa, arrependimento, tristeza, medo, dor. Russel sabia disso. Judith esta agoniada, querendo fazer alguma coisa, mas sabia que aquele momento era apenas dos dois. Então ela esperou.

Quinn afastou-se do abraço e seu pai olhou para ela. O que ele poderia dizer? Ela tinha apenas dezesseis anos. Ainda era sua garotinha, aprendendo a viver. Sorriu para a filha e Quinn tinha uma expressão triste e infantil no rosto. Ela desviou o olhar para a mãe e andou até ela. Judy se levantou da cama e abriu os braços para a filha. Quinn se jogou e abraçou a mãe com força, chorando mais uma vez.

– Me desculpa mamãe!

– Está tudo bem meu amor!

A mulher acariciava as costas da filha com uma das mãos e com a outra, acariciava seus cabelos, tentando lhe acalmar aos poucos. Judy deixava que algumas lágrimas caíssem de seus olhos também. Ela tinha muito medo de que alguma coisa acontecesse com Quinn novamente. Alguma coisa muito ruim. Por mais forte que a garota já fosse, com apenas dezesseis anos, ela tinha medo de que Quinn não resistisse a certas coisas. Ela segurou no rosto da filha, imitando o gesto do marido, e olhou para ela com todo o seu amor. Naquele momento ela estava uma verdadeira bagunça. Judith teve vontade de chorar mais, porque o sofrimento da filha era evidente. Seus olhos estavam inchados demais para quem tinha começado a chorar há apenas cinco minutos. A mulher imaginou que seu choro durara horas antes desse momento. O lábio inferior da garota possuía um corte bem vermelho. Um corte que provavelmente não estaria mais ali no dia seguinte, mas era horrível saber que sua filha tinha se machucado fisicamente tamanha a sua dor e desespero emocional.

– Eu amo você! – Ela disse. – Eu te amo mais do que tudo! Seu pai, Frannie e você são as melhores coisas na minha vida. – Sorriu para a filha.

– Eu amo você também mamãe! Eu sinto muito!

– Está tudo bem! – Sorriu mais uma vez, assegurando a filha de que estava realmente tudo bem. – Mas nós precisamos conversar. Não podemos adiar mais Quinn.

Foi puxando a filha na direção da cama para sentar com ela. A garota acompanhou a mãe, enquanto esta não tirava suas mãos dela. Acariciava seu rosto e seus cabelos, olhando para ela o tempo todo. Russel, que tinha saído dali por um momento, chegou trazendo um copo de água. Quinn bebeu e em seguida o homem puxou a cadeira, para sentar-se com elas.

– Bem... Você acha que consegue nos dizer tudo o que está acontecendo?

– Sim! – Quinn respirou fundo. – Sim, eu consigo! – Deu uma pausa e seus pais não lhe pressionaram. – Eu estou tendo estímulos por alguém da escola. E... – Abaixou a cabeça envergonhada. – É uma garota! – Disse baixinho. Judy e Russel se entreolharam.

– Levanta a cabeça Quinn! – Mais uma vez a loira obedeceu. Russel pôde ver o constrangimento em seus olhos. – É isso que está te incomodando? O fato de ser uma garota? – O homem perguntou.

– Você não ta bravo? – Perguntou surpresa.

– Por que eu estaria? – Devolveu, como se aquela ideia fosse o maior absurdo do mundo.

– Eu não sei, eu pensei que... – Balançou a cabeça. – Eu não sei, na verdade. A Frannie disse que vocês não se importariam.

– Você cresceu com Brittany e Santana Quinn! Já faz algum tempo que elas estão juntas e isso nunca nos incomodou. – Judy falou segurando a mão da filha.

– Eu sei, mas... Pensei que talvez vocês não fossem querer uma filha assim.

– Assim como querida? – Russel começou. – Você é diferente das outras pessoas por vários motivos... Mas este definitivamente não é um deles!

– Nós te amamos Quinn, ficaríamos ao seu lado mesmo achando errado, mas não é o caso. Sabemos que é normal e que não se trata de uma escolha. – Dessa vez foi Judy quem disse.

– O Puck disse que é mais ou menos uma escolha... Sentir os estímulos por alguém. É como se escolhêssemos aquela pessoa.

– Mas é uma escolha inconsciente querida. Seu corpo reage à outra pessoa, sem que você possa evitar. E eu estava me referindo à homossexualidade. Você é humana também Quinn. O que você tem sentido não diz respeito apenas a seu lobo. É sobre você como pessoa querida. – A mulher procurava passar todo seu carinho e apoio para a filha através daquelas palavras.

– Eu sei que pode parecer difícil, porque você provavelmente nunca imaginou que gostasse de garotas...

– Eu gosto de uma só pai. Garota! – Interrompeu o homem. Judy sorriu com sua declaração.

– Ok! – Ele concordou. – Então vamos falar sobre isso! Você já sabe que nós não nos importamos. Mesmo assim, imagino que isso não seja suficiente para tornar as coisas mais fáceis.

– É um alívio na verdade... Saber que vocês não se importam. A única opinião que me preocupa é a de vocês. Eu não ligo para o que os outros vão dizer. Mas eu tenho um pouco de medo do que ela pode pensar. Tenho medo de que ela não me queira ou de que eu não consiga me controlar. – Abaixou a cabeça, novamente envergonhada.

– Querida, uma coisa de cada vez. – Judy disse com delicadeza. – Nós podemos te ajudar com os estímulos, podemos te ensinar como se controlar melhor, mas você precisa ter força de vontade, perseverança...

– E coragem! – Russel completou. – Você precisa ter coragem para fazer o que nós não pudermos fazer por você! Ok?

– Ok! – Assentiu, sentindo-se bem mais tranquila. – O que vocês têm em mente?

Os dois se entreolharam e foi o homem quem falou:

– Bem... Em primeiro lugar, se você se sentir mais à vontade, pode conversar com sua mãe sobre os estímulos, sobre o que exatamente você tem sentido. – Quinn corou um pouco com esse comentário. Ela sabia que seu pai sabia da intensidade dos estímulos. Afinal, ele já sentira isso um dia. No começo é difícil para todos. – Você sabe que embora não se trate apenas de sexo, esse é um departamento extremamente valorizado por nós e...

– Ok pai, você tem razão! Eu prefiro conversar sobre isso com a mamãe... – Tentou não corar novamente. – Próximo capítulo! – Brincou. Russel apenas sorriu.

– Nós podemos treinar juntos. Podemos ir para a vila toda noite, durante a semana e você sabe, caçar... Ou apenas correr por aí. Você não tem se transformado. Isso é ruim. – Quinn assentiu. – Eu pensei em artes marciais. Algum tipo de luta, o Sr. Oldman poderia ajudar com isso. Seria uma forma de gastar suas energias. E ter equilíbrio também.

– Na verdade eu gostaria de aprender boxe! Outro dia eu e o Puck conversamos sobre isso, ele disse que tem vontade também. Acho que seria legal. Quer dizer, eu não quero ganhar um monte de músculo nem nada assim, mas tenho vontade. Eu posso fazer os dois.

– Ok, você escolhe o que achar melhor Quinn! – O homem falou.

– Nós também pensamos em meditação... Com a Sra. Howard! Pode ser muito útil pra você. Não se preocupe, não é nada demais. Vocês apenas sentam e fecham os olhos e ela te ensina técnicas para controlar os pensamentos. É tranquilo e muito bom, eu mesma fiz! – Judy comentou.

– Tudo bem, qualquer coisa que me ajude! – Sorriu de forma triste.

– Quinn, nós queremos que você não lute contra isso. Tudo bem? Não há nada, absolutamente nada de errado no que você está sentindo. Nós vamos te apoiar em tudo e você vai conseguir lidar com isso meu bem.

– Obrigada pai!

– Não se preocupe demais, ta bom? – Judy incentivou.

– Sim, ok! – Assentiu.

– Você quer conversar com a sua mãe sobre os estímulos agora?

– Quero sim! – Olhou para a mãe e crispou os lábios, um pouco aflita.

– Tudo bem, vou deixa-las! – Russel sorriu para a esposa e deu um longo beijo na testa da filha, antes de sair do quarto fechando a porta.

Judith olhou para Quinn ciente de que seria difícil para a filha falar sobre tudo. Ela era reservada, sempre fora, e aquele assunto era muito delicado. A mulher queria deixa-la confortável.

– Não precisamos falar sobre nada que você não queria... – Começou.

– Tudo bem mãe! Eu só... Não sei por onde começar. É meio difícil falar de sentimentos.

– Ok, podemos começar por aí. Por que você acha que é difícil falar de sentimentos?

– Eu sei que eu sempre tive dificuldade em me expressar completamente. Ser reservada parece bem mais fácil porque uma vez que as pessoas não sabem o que eu sinto, não precisam se preocupar com isso. Eu não gosto de magoar ninguém. Então seria uma escolha altruísta. – Ela encarou a mãe. – Mas... Ao mesmo tempo eu... O que eu sinto às vezes é intenso demais pra colocar em palavras e eu não sei se vale a pena compartilhar com alguém, porque parece que as palavras diminuem tudo. Se o que eu sinto se torna o que eu falo, então parece muito menos nobre e verdadeiro.

– Querida, você não precisa ter medo de magoar ninguém aqui. Eu e seu pai somos velhos o bastante para lidar com sentimentos. – Sorriu. – Eu entendo o que você quer dizer. Mas não concordo. – Permitiu-se olhar para a filha durante cinco segundos, antes de continuar. Queria passar confiança para ela. – Você acha, por exemplo, que contar a Rachel sobre seus sentimentos faria com que eles diminuíssem? Ou se tornassem menos nobres? – Quinn balançou a cabeça negativamente. – É assim com todo o resto meu amor. Você pode ter dificuldade em dizer o que sente, tudo bem. É uma coisa sua. Faz parte de você e sempre fez. Mas não fique tentando reprimir seus sentimentos por isso, não tenha raiva de si mesma ou vergonha.

– Eu entendo! – Ela respondeu. – Entendo de verdade. Mas eu nunca me vi da forma como vejo vocês. Desde que eu era pequena eu...

– Você se via como diferente... De uma forma negativa.

– Às vezes eu me vejo como uma aberração. – Abaixou a cabeça, envergonhada pela milésima vez naquele dia.

– Meu amor! – Judy se aproximou dela na cama. – Nós vamos passar o resto da vida tentando te convencer do contrário se for preciso. Assim como naquela época, você precisa fazer sua parte também... E evitar pensar dessa maneira. – Eu sei que você tem medo de uma rejeição ou de provocar medo na Rachel. – Isso fez Quinn erguer seu olhar porque era exatamente o que ela sentia. – Eu tinha medo da rejeição mesmo quando já sabia que seu pai era apaixonado por mim. Isso é normal, é nosso lado humano. Agora me responda uma coisa... Você não acha que seria mais fácil e benéfico para Rachel amar alguém que se aceita?

Algumas lágrimas caíram dos olhos da garota. Ela estava entendendo finalmente. Balançou a cabeça, concordando. Judy aproximou seus polegares dos olhos da filha, enxugando seu rosto delicadamente.

– Então é essa pessoa que você deve ser! – Continuou. – Se tem sido difícil se aceitar sem motivo algum, use isso como motivação! – Ela sorriu. – Eu não vou mentir pra você Quinn... Conquistar um humano pode ser bem mais difícil e até onde nós sabemos Rachel não se transforma num lobo. – Quinn olhou para ela. – Mas é ela que você quer e para conquista-la é preciso ter coragem. E estar disposta a arriscar coisas. Você entende o que eu quero dizer?

– Entendo mãe! – Concordou.

– Posso te dar uma dica valiosa sobre relacionamentos? Sendo lobo ou não...?

– Pode!

– Quando existe insegurança dentro de um dos dois, o outro percebe e se sente ameaçado por isso. Insegurança é constantemente associada à falta de confiança Quinn. De qualquer forma, a insegurança de um desencadeia uma série de sentimentos no outro. Vamos supor que vocês estejam juntas e a Rachel perceba que você não consegue vencer suas inseguranças. Ela vai começar a se perguntar como é possível que alguém lhe ame, mas não se sinta bem ao seu lado. Mesmo que você confie nela e seus medos nada tenham a ver com o relacionamento em si, ela vai levar isso para dentro dele, se perguntando coisas do tipo: “o que eu estou fazendo de errado?”; “o que eu não estou fazendo?”; “será que não sou o bastante para ela?”. É uma bola de neve, querida! Sua insegurança gera inseguranças na outra pessoa e as coisas vão se desgastando até ficar muito difícil e doloroso lidar com elas.

Quinn escutava tudo aquilo muito atentamente. Estava admirada pela sabedoria da mãe e por sua maneira de enxergar as coisas. Aquilo não era um pulo grande demais no futuro. Judy estava apenas colocando suposições para que ela percebesse o quanto era prejudicial não conseguir se aceitar.

– Você entende o que estou tentando fazer aqui? Você disse pra mim que sufoca seus sentimentos porque tem medo de magoar alguém... Mas você percebe que isso pode ser muito mais prejudicial do que dizer o que sente? Admita pra você mesma e aceite meu bem. E então, admitir para os outros será muito mais fácil! E se você não consegue fazer isso por si mesma, então faça por ela!

– Mãe, eu não quero magoar vocês também! Rachel não é a única coisa importante na minha vida...

– Eu sei que não... Mas ela será a primeira! Quando a hora chegar, você vai nos deixar por ela... Para que vocês duas possam ter uma família. E eu e seu pai ficaremos muito, muito felizes com isso! Mas primeiro, precisamos lidar com essas coisas chatinhas dentro de você, não é mesmo? – Sorriu com todo seu amor para a filha!

– Nem me fale!

(...)

Notas finais
"Se gostaram ou não, pra mim tanto faz. Não dou a mínima para nenhum de vocês mesmo. É assim que as coisas funcionam em Lima Heights Adjacents!"

Pra ser sincera, eu preferia o "ursinhos carinhosos"! Os opostos realmente se atraem. Peço desculpas mais uma vez por isso!

Comentários me fazem feliz! *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.