Two Worlds
9 Capítulo IX
Notas iniciais
Quando o sinal tocou, indicando a troca de aulas, Quinn insistiu para acompanhar Rachel até sua próxima sala. É claro que alguns alunos olhavam para as duas nos corredores. A capitã das líderes de torcida com Rachel Berry, uma garota comum e invisível. Quinn queria mais é que olhassem mesmo. Teriam que se acostumar com isso. A loira mantinha sua pose superior, olhava de cima para todos. Como ela queria que alguém lhe desafiasse. Como queria que questionassem sua superioridade ali. Teria um prazer imenso em colocar a pessoa de volta em seu lugar.
- Brigada de novo! – A morena disse assim que chegaram à sala.
- Está tudo bem Rach! Não foi nada demais...
- Bem... Significou muito pra mim! – Sorriu tímida.
Quinn lhe devolveu o sorriso, também envergonhada, o que não impediu que se olhassem durante algum tempo, até a loira dizer:
- Nos vemos no almoço?
- Sim, é claro...
- Ótimo! Leve a Tina com você... – Sorriu. – Bom, tenha uma boa aula Rach! A gente se vê!
Saiu deixando uma Rachel sorridente para trás.
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Tina e Rachel seguravam suas bandejas e passavam os olhos pelo refeitório, procurando a mesa onde Quinn estava com seus amigos. A morena viu quando a loira ergueu sua mão num gesto gracioso e lhe lançou um sorriso de canto. Foram andando até o lugar. Tina sentou entre Mike e Puck, enquanto Rachel ocupou o lugar ao lado de Quinn. No momento em que as duas chegaram cumprimentando os amigos, o fato de Rachel estar usando roupas da loira não passou despercebido por ninguém, a não ser Brittany, que estava entretida com as batatinhas. Porém, Mike e Puck eram discretos. O mesmo não se podia dizer sobre Santana. A latina ergueu as duas sobrancelhas, numa expressão surpresa. Em seguida, olhou de forma provocativa para a amiga e abriu um sorrisinho cheio de significados. Quinn revirou os olhos levemente e resolveu fazer de conta que a latina não estava ali. Ela era boa nisso, treinara a vida inteira. Virou-se para Rachel e as duas começaram a conversar, esquecendo-se do resto do mundo.
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Estavam todos esparramados pela sala de estar da casa da loira. Quinn jogava videogame com Puck, enquanto Mike lia quadrinhos e Brittany descansava deitada no colo de Santana, que lia uma revista fingindo desinteresse.
- Então... – “Lá vem!”, Quinn pensou. – Suas roupas ficaram ótimas na Rachel Q...
- Ok Santana... Vamos direto ao assunto! Aproveitando que Mike está aqui. – Parou o jogo. Puck se esparramou na poltrona, cruzando os braços. O chinês soltou a revistinha e encarou a amiga também.
- Vá em frente... – A latina incentivou.
- Bem Mike, eu estou gostando da Rachel... Desculpe falar isso só agora!
- Tudo bem, eu entendo! Concordo com a Santana, suas roupas ficaram legais nela! – Sorriu provocando. Quinn jogou uma almofada que atingiu em cheio o rosto do amigo.
- Ouch! Essa doeu... – Ele riu e ela mostrou a língua.
- Bem, agora que todos sabem... Podemos conversar abertamente sobre isso. – Santana continuou.
- Contanto que a Quinn esteja confortável, é claro! – Brittany completou, ganhando um sorriso carinhoso da amiga.
- Tudo bem... Podemos falar disso. Se eu não quiser expor qualquer coisa, vocês saberão!
- Já que estamos falando disso, preciso confessar uma coisa também... – Mike comentou.
- Você mentiu sobre a origem do Sushi! – Brittany se referia ao ursinho de pelúcia que o amigo trouxera de presente e ela já fizera questão de dar um nome.
- Não Britt, ele é realmente do Japão, ta? Eu não mentiria pra você...
- Ta... – Sorriu em concordância.
- O que eu ia dizer é que eu gostei da Tina.
- Sério? Eu não acredito, isso é tão mágico! – Brittany falou empolgada.
- É sério... E por isso eu acho que elas deveriam sair com a gente sempre, seria legal! Todos ganham!
- Por mim, perfeito! – Brittany falou.
- Elas são legais, então... Odeio admitir que fico feliz se vocês estiverem. – Santana completou, fazendo os outros sorrirem com sua sinceridade.
- É claro que eu concordo. – Quinn falou, abrindo um sorriso e balançando a cabeça.
Todos olharam para Puck, que ainda não tinha dito nada. O rapaz passou os olhos por cada um dos amigos, com uma expressão questionadora.
- Você ta tão quieto... – Santana começou. – Não vai dizer nada?
- Bem... Mal posso esperar para andar com dois casais de lésbicas super quentes! – Sorriu de forma cafajeste.
E duas almofadas voaram com força em direção a ele.
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- Bem, agora que estamos só nós três aqui, se você quiser conversar sobre os estímulos... – Santana começou. Quinn sabia que ela ia tocar nesse assunto novamente. Não podia culpa-la. Santana tinha um bom coração, queria ser útil, Quinn sabia disso.
Elas estavam na cozinha, preparando sanduíches enormes. Coisa de lobo... Comer generosamente!
- Eu não sei bem o que dizer... – Quinn respondeu.
- Cospe tudo de uma vez! Você consegue... Somos suas amigas, não seus pais.
- Você sabe que eu não sou muito experiente Sant... Em nada! – Balançou a cabeça, olhando pra baixo, subitamente tímida. – Isso é tão constrangedor. Quer dizer...
- Quinn, olha! Só porque eu e Brittany fazíamos de tudo enquanto você esperava pela pessoa certa, não quer dizer que somos melhores do que você ou qualquer coisa assim... Eu quero dizer... Instinto é tudo! Na hora certa, você simplesmente vai saber o que fazer!
- Não é disso que eu tenho medo. Eu tenho medo de não conseguir me controlar! Eu não posso assustá-la Santana. Nós somos diferentes... Eu tenho medo de que ela não aceite, eu não sei...
- Tantos “nãos” em uma frase... – Brittany comentou.
- Britt-Britt tem razão Q.! Não precisa ter medo de tudo. Como eu disse, você vai saber o que fazer quando a hora chegar... Mas é bom que se prepare. Converse com seus pais, o mais rápido possível, eles sabem melhor do que qualquer outra pessoa como te aconselhar em relação a tudo isso. Agora sobre os estímulos... Pode ser meio constrangedor. Nós podemos te ajudar, se você quiser...
É claro que a loira ainda estava com vergonha, mas Santana colocara tanta força naquelas palavras e olhava para a amiga de uma forma tão confiante, que foi impossível não quebrar um pouquinho a barreira de Quinn. Ela estava rendida, pelo menos naquele momento.
- Ok! – Suspirou. – Eu sinto como se eu fosse morrer queimada de tanto desejo... Queimada ou de dor, porque dói tanto, tanto... Tudo o que eu quero fazer é jogar ela contra a primeira parede e fazer coisas que eu nunca pensei que fosse querer fazer com outra garota!
- Eu entendo... Eu vou te dar uma dica valiosíssima. Quando vocês estiverem juntas, se estiver difícil aguentar o cheiro dela, prenda a respiração de tempos em tempos. Isso ajuda bastante. O cheiro é um tremendo afrodisíaco, é viciante e torna os estímulos umas três vezes mais fortes.
- Eu fiz isso algumas vezes...
- Viu só? Instinto... – A latina sorriu.
- É... – Sorriu de volta. – Às vezes eu sinto como se fosse impossível aguentar sabe... Eu preciso de alívio e não sei o que fazer. – Diminuiu o tom de voz, como se alguém pudesse escutar a quilômetros de distância.
- Eu sei! – Ergueu uma sobrancelha. – Masturbação! – Sorriu, enquanto Brittany fazia um sinal de positivo e abria um sorriso maior que o de Santana.
- Sério? – Perguntou levemente corada. Aquilo ERA constrangedor. Definitivamente.
- Sério... Ajuda demais, eu garanto! É claro que você não vai se trancar no banheiro do McKinley e fazer isso lá... Mas quando estiver sozinha, em seu quarto, à noite... – Sorriu, deixando Quinn ainda mais vermelha.
- Obrigada Santana, já entendi!
- Você nunca fez antes, não é?
Quinn estava visivelmente desconsertada.
- Não... – Murmurou. – Eu sei lá... Nunca senti necessidade, nem nada. É como se essa coisa toda de sexualidade estivesse adormecida dentro de mim, até que a Rachel apareceu e tudo explodiu de uma vez...
- Eu sei o que você quer dizer! Eu me sentia assim também, isso é normal pra gente.
- Masturbação é tão comum... É tão humano, sei lá... Eu não pensaria que isso ajuda tanto assim nesse caso!
- Bem, o que você esperava? Nós somos humanos também! – Brittany finalmente falou de novo, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E era... Só Quinn que tinha dificuldade em perceber às vezes.
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Elas já tinham lanchado e estavam deitadas na cama da loira, assistindo um filme. Judy e Russel chegaram quando estavam limpando a cozinha. Cumprimentaram as meninas e após uma breve conversa, as três subiram. Quando o filme acabou, conversaram durante algum tempo. Brittany e Santana expressavam suas opiniões e enchiam a loira de sugestões sobre como lidar com os estímulos.
Elas não ficariam para dormir naquela noite, então Quinn levou as duas até a porta. Brittany foi usar o banheiro antes de sair e Santana aproveitou para dizer uma última coisa a amiga.
- Você deve estar fazendo um esforço descomunal pra esconder o cheiro de seus pais.
- Bom, o cheiro a gente aprende desde cedo a disfarçar né... Difícil é esconder todo o resto.
- Conte a eles Quinn! Quanto mais cedo, melhor!
- Eu sei, é que... É difícil!
- Não precisa ser, para de complicar! Se você tiver coragem, tudo vai começar a dar certo mais cedo do que você imagina Q.! – Sorriu com carinho.
- Obrigada Sant!
- Somos amigas branquela, eu me preocupo com você! – Beijou-lhe a testa.
Brittany, que estava se aproximando, imitou o gesto da namorada antes de segurar em sua mão e sair.
A líder de torcida ficou observando as amigas irem até o carro e pensou nas palavras de Santana. Ela sabia que a latina tinha razão.
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Sexta-feira, segunda semana de aula.
Estacionou o carro na vaga especialmente reservada para a capitã das líderes de torcida. Saiu com a pose superior de sempre, cumprimentando algumas cheerios. Retribuiu o sorriso torto de Finn Hudson quando passou por ele. Nem todos os jogadores eram babacas, afinal. Bem, é claro que ela sabia disso. Puck e Mike também estavam no time.
Chegando ao armário, guardou algumas coisas, pegando apenas o material do dia. Ia fechar a porta, quando escutou a voz mais linda do mundo atrás de si.
- Bom dia!
Virou-se e sem disfarçar sua alegria, respondeu animada:
- Bom dia Rach! Como você está?
- Bem! E você?
- Melhor agora. – Arriscou. Não se arrependeu ao ver o sorriso tímido de Rachel.
A morena não sabia o que dizer. Lembrou-se que estava segurando uma muda de roupas.
- Aqui está! – Estendeu para a loira. – Suas roupas. Obrigada mais uma vez!
- Não precisava ter trazido tão rápido. – Comentou, aceitando o pacote.
Sustentaram o olhar durante algum tempo. Quinn não conseguia lidar com aquilo. Respirou fundo antes de perguntar:
- Que aula você tem agora?
- História, com a Sra. Lewis.
- Legal, eu também! – Sorriu enquanto uma festa acontecia dentro de si. – Vamos?
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- Você quer me explicar qual é a emergência Santana? – Quinn perguntou um pouco irritada.
- Bem... Sim! É que ontem nós conversamos sobre tudo, mas eu acabei esquecendo de perguntar porque Rachel estava usando suas roupas...
- Você me chamou aqui pra isso? – Falou entre dentes.
- Calma... Isso é importante, estamos falando da sua garota!
- Ok, olha... Enquanto isso eu podia estar na aula junto com ela... – Falou impaciente.
- Ótimo! Quanto antes você me responder, melhor... Poderá voltar correndo para ela.
- Você é inacreditável!
- Obrigada, mas não mude de assunto...
A loira bufou, mas sabia que não teria outra saída.
- Ooookay! – Respirou fundo, vencida. – Jogaram slushie nela ontem. Não como uma tradição idiota, mas como provocação. Foi horrível, você não sabe como eu me senti.
- Uau! Eu imagino Quinn... Quem foi?
- Azimio e Karofsky.
- Eu odeio esse Karofsky! Alguém precisa colocar esse ogro no lugar dele.
- Eu sei... Olha, não é hora pra gente falar disso. Precisamos conversar com calma.
- Você está sempre fugindo!
- E você está sempre me irritando. Tchau Santana, estou voltando pra sala.
- Ta bem, vai! – Revidou.
Quinn apenas revirou os olhos antes de sair do banheiro.
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O resto do dia na escola foi ótimo. Quinn conseguiu mais alguns minutos ao lado de Rachel depois de ter deixado uma Santana furiosa para trás. É claro que era difícil para a loira se controlar. Sempre era. Mas ela não podia ficar longe da morena, não tinha forças para isso. Sofreria de qualquer jeito, então era melhor sofrer com ela por perto.
Durante o almoço, todos conversavam animadamente. Quinn sempre dava mais atenção a Rachel, é claro. Em determinado momento, a morena se levantou para pegar água e Santana aproveitou a deixa.
- Não pense que eu esqueci nossos assuntos inacabados
- Saia da minha cabeça Santana, se você tem amor por essa vida.
- Escuta aqui...
- Sant, você ouviu a Quinn. Deixe isso pra outra hora.
- Britt? O que você está fazendo aqui? – Quinn perguntou.
- O que parece que ela está fazendo?
- Não seja grossa Sant, eu já avisei! – Brittany pensou.
- Ta bom... Eu só...
- Meu amor, eu odeio fazer isso... Mas se você continuar, ficará sem brincadeiras por uma semana.
- Eu parei, pronto! Falaremos disso quando você quiser Quinn!
A capitã sorriu vitoriosa, erguendo uma das sobrancelhas na direção da Santana, que por sua vez, bufou impacientemente. Sua irritação passou tão logo Brittany lhe deu um beijo demorado no rosto. Quinn não percebeu. Estava ocupada demais observando Rachel voltar para a mesa com uma garrafinha de água em mãos.
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As garotas não tiveram treino naquele dia. Sue Sylvester sequer tinha aparecido no McKinley. Era aniversário de sua irmã, algo assim. Quinn agradeceu a todos os deuses por isso. Despediu-se de Puck e Mike, que não tiveram a mesma sorte. Santana e Brittany iam para a aldeia, mas Quinn preferiu ir pra casa, alegando que precisava dormir. Não era mentira. Ela ficara acordada até tarde se dedicando a um “projeto” especial. Estava morrendo de sono.
Ao chegar, preparou dois sanduíches, acompanhados de quatro copos de suco. As maravilhas de comer em casa...
- Obrigada Deus, pelas pequenas coisas!
Terminou de comer, escovou os dentes, pegou algumas coisas no quarto e saiu de casa novamente. Tinha algo importante a fazer. Mais importante do que dormir. Cantava baixinho dentro do carro, numa tentativa de se acalmar. Estacionou em frente à casa e saiu. Respirou fundo e caminhou até a porta. Tocou a campainha e esperou.
Quando a porta se abriu, revelando Rachel, a loira não pode deixar de sorrir. A morena estava linda. Usava um vestidinho azul e sapatilhas. Abriu um sorriso assim que viu a amiga parada em sua porta.
- Oi!
- Oi Quinn! Que surpresa...
- Desculpa vir sem avisar.
- Não, tudo bem! Entra! – Convidou animada.
A loira sorriu timidamente e entrou. Rachel pode ver que ela segurava um pacote.
- Bem, eu... – Quinn começou e a morena lhe deu total atenção. A loira perdia todas as suas defesas quando se tratava de Rachel. Aquilo era intimidador. Pigarreou antes de continuar. Rachel percebeu que ela estava tendo dificuldades e achou adorável. – Eu pensei que talvez... Talvez você fosse precisar de novos cadernos. E então eu... Bem, aqui está! – Sorriu e estendeu o pacote, antes que sua situação ficasse pior.
Rachel pegou o embrulho com um sorriso no rosto.
- Bem, não precisava, eu... – Foi a vez da morena de ficar sem graça.
- Abre! Vê se você gosta!
Ao abrir o embrulho, Rachel não pode conter um sorriso. Um caderno cheio de colagens dos cartazes de grandes musicais da Broadway, lado a lado. Cabaret, Rent, Wicked, Les Mis, West Side Story. Os preferidos de Rachel, entre outros. Estava tão impecável que nem parecia que alguém tinha feito à mão. E então ela pegou o segundo caderno e uma foto em preto e branco da Barbra Streisand estampava a capa. Rachel sorriu ainda mais e ergueu seus olhos na direção da loira, que mordia os lábios, insegura.
- Você fez isso? – Sua expressão era quase triste e Quinn pensou que tivesse feito algo errado.
- Na verdade, o dos musicais sim. O outro eu apenas escolhi a foto e levei numa gráfica. O dono é amigo do meu pai e... Eu pensei que você gostaria... – Terminou quase num sussurro, tentando decifrar a morena, que olhava para os cadernos novamente. – Eu sei que parece meio bobo, mas... – Abaixou o olhar.
- São lindos! – Rachel interrompeu, olhando para ela novamente. Quinn ergueu seu olhar com essas palavras. – Eu nem sei o que dizer! Você deve ter tido trabalho.
- Não, de forma alguma. – Sorriu. – Você gostou?
- Eu amei Quinn! Isso é... Eu não sei! A coisa que eu mais gosto no mundo.
- Eu sei... Você disse que a Barbra é uma grande inspiração! – Sorriu timidamente. – Estou feliz que você gostou.
Rachel parecia hesitar em alguma coisa, um pouco tímida. Era difícil acreditar que aquela garota a sua frente fosse real. Quinn tinha entrado em sua vida trazendo coisas maravilhosas e conquistando não só respeito, mas também sua amizade e uma admiração que crescia a cada dia. Rachel admirava a loira. Seus gestos, sua postura, seu jeito. Olhava para ela e se perguntava como tanta beleza cabia em uma pessoa só. Quinn era extremamente linda por fora. Seu corpo era escultural e suas feições, perfeitas. A morena estava descobrindo todos os dias que ela era linda por dentro também.
Afastou de sua mente todas as dúvidas e questionamentos e simplesmente agiu. Deu dois passos na direção da loira e a abraçou. Quinn correspondeu imediatamente, ainda que nervosa. Aquele era o primeiro contato mais íntimo entre as duas e na visão da loira, era extremamente perigoso ter Rachel tão perto. Mas era tão bom... Rachel ainda segurava os cadernos com uma das mãos, mas Quinn usava as duas para rodear a morena. Rachel sentia aqueles braços macios rodeando sua cintura delicadamente e aquilo aquecia seu coração, lhe dava paz. A loira estava prendendo a respiração, evitando sentir o cheiro da morena. Torcia para que Rachel não escutasse seu coração batendo de forma tão intensa. Fechou os olhos e passou a línguas pelos lábios, evitando que sua boca secasse completamente. Quando a morena foi se soltando do abraço, sem pressa, Quinn se permitiu sentir o cheiro que emanava dela. Soltou o ar e aspirou o perfume doce de Rachel, reprimindo um gemido de aprovação. Aquele era, de fato, seu cheiro preferido. O melhor do mundo para Quinn. Seu novo vício. Era doce e único, como um perfume que nenhum homem seria capaz de produzir. Ela abriu os olhos e Rachel lhe encarou sorrindo, antes de dizer:
- Uau! – Arregalou os olhos castanhos, levantando as duas sobrancelhas, numa expressão que revelava surpresa e encantamento.
- O que? – Perguntou devolvendo um sorriso leve, procurando disfarçar.
- Seus olhos... Estão tão... Brilhantes e quase amarelos.
- É... – Quinn fechou os olhos rapidamente. – É só que... – Balançou a cabeça. Reabriu os olhos. Passou a língua pelos lábios novamente. – Eles meio que fazem isso às vezes. – Sorriu.
Você é idiota?
Eu estou tentando aqui...
Você só pode ser idiota, é isso que ela deve estar pensando agora.
Vai pro inferno!
- Eles são lindos. Mas é claro que você deve ouvir isso o tempo todo.
Quinn abriu seu maior e melhor sorriso. Aquele que obviamente já era dedicado somente a Rachel.
- Eu... – A loira começou, ainda sorrindo. Mas escutou uma voz masculina vindo de algum lugar da casa e parou subitamente de falar. As duas olharam na direção da voz. Quinn engoliu em seco, angustiada e com um mau pressentimento.
-... Então eu abri esse aqui! – O rapaz concluiu chegando ao hall com um suco em mãos.
O que chamou a atenção da loira foi o fato de que ele estava completamente à vontade ali. Jason Reeves, aquele cara com jeito brincalhão e sorriso fácil estava na casa de Rachel usando uma bermuda, uma regata preta e meias. Meias. Onde estariam os sapatos dele? E o que ele estava fazendo com aquela caixa de suco em mãos?
- Ah, olá Quinn! – Abriu um sorriso surpreso. – Bom ver você!
- Oi Jason! – Respondeu completamente sem graça. Sua angústia era tão grande que ela não sabia se conseguiria sorrir para disfarçar.
- Veio se juntar a nós? Rachel não me disse que teria mais alguém... – O rapaz comentou olhando para a morena.
- Na verdade eu não sabia que...
- Eu vim sem avisar, peço desculpas! Não queria atrapalhar. – A loira interrompeu Rachel. Estava começando a ficar difícil sufocar as lágrimas e a dor em seu peito era imensa. Quinn sentia-se uma intrusa ali.
- Você não atrapalhou! – Rachel falou rapidamente. Na verdade a morena queria assegurar Quinn de que tudo estava bem. Rachel era muito observadora. A mudança na postura da loira era perceptível para ela e começava a se perguntar se teria alguma coisa a ver com a presença de Jason ali.
- Quinn, por que você não lancha com a gente? Está com fome? – Jason sorriu, fazendo a loira lhe detestar um pouco mais, exatamente pelo fato de que, aparentemente, ele não tinha nada de detestável.
- Não, está tudo bem. – Passou a língua pelos lábios e apertou os olhos, forçando um sorriso em seguida. – Na verdade eu preciso ir, só passei mesmo pra entregar algumas coisas pra Rach!
Foi se afastando, ainda sem graça, em direção à porta. Rachel e Jason olhavam para ela e a loira dividia seu olhar entre eles, tentando afastar as inúmeras imagens dos dois que surgiam em sua mente.
- Fica! – Rachel pediu dando um passo na direção de Quinn. Pediu de forma tão delicada e sincera que a loira se derreteu por dentro. O mundo parou por um momento porque tudo o que Quinn queria era ficar. Porque era impossível negar um pedido daquela garota que ela amava com todas as suas forças. Mas a loira tinha medo, ela sempre tinha medo. Medo de presenciar qualquer coisa, qualquer mínimo detalhe ou interação sugestiva que pudesse partir seu coração. Medo de não se controlar e colocar aquele babaca “olha como é fácil gostar de mim!” em seu lugar, utilizando toda a força que ela sabia que tinha. Era doloroso demais, Quinn não sabia lidar com isso. Ainda não estava forte o bastante.
- Desculpa, eu não posso. – Falou num tom de voz quase triste demais, olhando nos olhos da garota. – Outro dia Rach! – Sorriu levemente. – Tchau Jason. – Se dirigiu ao rapaz rapidamente e sorriu mais uma vez para a morena. – A gente se vê...
Virou-se novamente e saiu da casa sem olhar pra trás. Sentia seu coração sendo cortado e suas mãos começaram a tremer de nervoso. Ela andou rapidamente até o carro e executou cada movimento sem sequer notar o que fazia. Enquanto a casa da morena ia ficando pra trás, ela se permitia chorar violentamente dentro do carro.
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