Two Pieces

1 Say your Goodbyes


Notas iniciais
Geeeeeente, tô começando a minha primeira FanFic postada em um site só pra isso agora, tanã! Eu postava antes em uns grupos/tumblrs fechados, enfim, espero que vocês gostem, e se gostarem, comentem... tá?

“Don’t try to wake me in the morning, because I’ll be gone. Don’t feel bad for me, I want you to know […] I’ll feel so glad to go […] there’s another world. There’s a better world”

(annabeth pov)

Meu despertador tocou às seis da manhã. O barulho era incômodo, de certa forma, por não ser um despertador digital. Eu não queria gastar a minha bateria, por que ela acabava muito rápido, e a viagem ia ser um desastre. Então, tá. Deixa como está. Suspirei e dei minha última olhada no meu quarto. Em vinte e quatro horas, eu iria dormir no meu novo apartamento em Los Angeles. Seria um adeus à Filadélfia, com exceção, quem sabe, de um feriado aqui e ali. Mas eu não teria muito dinheiro, a não ser algo que eu iria ganhar trabalhando e a ajuda dos meus pais. Daí eu também teria a contribuição da minha melhor amiga Rachel, que é de Little Rock, na verdade.

Então, me contemplei no espelho. Se eu era narcisista? Sim, pode-se dizer isso. Eu estava com olheiras profundas e uma espinha horrível do lado do nariz, o que não me agradava. As olheiras podiam ser postas de lado, por que geralmente reparam na cor dos meus olhos. São de um tom de cinza tempestuoso. Meu cabelo loiro e comprido estava emaranhado, então eu iria precisar de algum tempo pra me arrumar. Mas quer saber? Isso tudo é ótimo. Pelo menos eu acho que é.

Largar tudo pra cursar jornalismo, abandonar a neve que eu gosto tanto aqui da Pensilvânia e largar meus amigos. Eu também tenho o Will, que é minha paixonite não tanto secreta. Acho que ele já deve saber que eu gosto dele, a Rachel deve ter contado.

Peguei uma toalha fofinha que eu havia separado e minha roupa, aqui estava frio, o que significa que na Califórnia está bem quente. Enfim, eu tinha outra muda de roupas mais quentes na bagagem de mão, e poderia trocar enquanto estivéssemos aterrissando. Era uma boa ideia, sei lá. Eu peguei meu blazer preto com spikes na região do ombro, uma blusa de manga comprida branca com algumas listras pretas e uma calça skinny preta, e um sapato de salto com alguns spikes prateados do lado e minhas roupas íntimas, a única coisa que eu não vejo necessidade de combinar.

Entrei no meu banheiro. Provavelmente seria umas das últimas vezes que eu o veria, também. Suspirei ao me olhar no espelho novamente e coloquei minhas roupas no balcão da pia e coloquei a toalha estendida no box. O meu banho foi rápido: me lavei, lavei o cabelo e o penteei. Ele secaria naturalmente. Assim espero. Me vesti rapidamente e passei uma base e corretivo na cara, coloquei sombra preta e passei o curvex nos cílios, depois passei um pouco de rímel e delineador. Dizem que maquiagem forte deixa meus olhos mais claros. Passei um gloss e pronto. Eu iria ir de um modo confortável, pelo menos.

Peguei a minha mala bordô e minha mochila preta com glitter, que é a minha bagagem de mão. Certifiquei-me que eu tivesse dinheiro, meu celular, passagem e meu livro, além das roupas extras pra emergência, caso acontecesse alguma coisa.

Abri a minha porta e desci as escadas silenciosamente. Embora a mamãe tenha me dito que eu devia acordá-la pra dar um abraço de adeus, eu não o fiz, por que ela merecia um descanso. Me sentia mal por deixar a Catharine, como meu irmão fez, mas eu não tinha escolha dessa vez. Peguei um bloquinho e uma caneta e escrevi na melhor letra que eu consegui: “Oi! Desculpa não ter acordado vocês. Eu apenas me senti mal por fazer isso. Amo todos vocês, obrigada por me apoiarem na nova etapa da minha vida. Me escrevam assim que der, ok? Eu também espero que vocês vão me visitar no meu aniversário, por que eu vou vir no natal e no ano novo (uau!). Amo vocês, de novo. Annie xoxo”.

Suspirei e limpei a lágrima que insistiu de cair do meu olho e fui até a cozinha, que estava escura e acendi a luz. Quando eu o fiz, minha irmã gritou “surpresa!” e me abraçou. Mamãe estava com um sorriso orgulhoso do lado do papai, com um bolo do meu sabor favorito, cenoura, na bancada. Eu tenho que admitir que me assustei, mas Cat me deu um tapa e fez cara de brava. Soltei uma risada pelo nariz.

— Sua bruxa. Achei que você iria sem se despedir — ela disse me dando um abraço, com um sorriso bobo. Meus pais vieram atrás dela e repetiram seu gesto. Estávamos tendo um momento familiar, o que não acontecia há muito, muito tempo — Que horas é seu vôo? Pode ficar para o café? Fizemos bolo... — ela pediu e sorriu torto.

Meu vôo era só as oito e meia, e ainda eram seis e meia. Eu iria tomar café fora, mas eu não pude recusar o convite. Minha mãe estava chorando discretamente, e meu pai, um homem grandalhão que nunca chorava, estava se segurando. Cat ainda estava agarrada no meu braço. Sorri e respondi:

— Claro, por que não? — e minha irmã deu um gritinho de felicidade. Minha mãe foi pro fogão fazer panquecas e meu pai estava espremendo laranjas pros sucos. Eu e Cat arrumamos a mesa, como o natural. Quinze minutos depois, estávamos todos sentados. Nos demos a mão e rezamos, e agradecemos. Isso era um procedimento normal, e me deixava feliz. Pelo menos, eu não iria pra baixo.

Peguei uma panqueca e a cortei ao meio, levando o pedaço à boca. Era doce e ao mesmo tempo, salgada. Era uma das últimas vezes que eu iria comer essa panqueca, feita em casa. Peguei o melado e coloquei na pontinha da panqueca. Cortei um pedaço de bolo e servi um pouquinho de suco de laranja no meu copo, minha família fez o mesmo.

— Agora você vai comer na IHOP, sua sortuda. Talvez até no Starbucks. Ai, você não quer me levar junto não, Annie? — ela perguntou e eu ri, assentindo. Minha mãe me lançou um olhar de censura. Certo, eu não podia “dar esse tipo de ideia” à minha irmã até ela terminar o ensino médio. Faltava um ano.

— Ok, termine o Ensino Médio e você pode ir pra lá... — eu ia terminar, dizendo comigo. Mas a minha voz foi ficando mais baixa conforme eu via a expressão no rosto da minha mãe. Claro, a síndrome do ninho vazio. Seus filhotes iam partir, e seria só ela e meu pai. Então eu pigarreei e comecei novamente — Talvez... Vamos ver como as coisas se sucedem, ok? Dê tempo ao tempo.

Ela assentiu empolgada e meu pai suspirou aliviado, eu olhei a hora no meu celular. Sete e quarenta. Eu limpei a boca, coloquei a louça na pia e olhei pro meu pai, com o olhar suplicante. Coloquei o peso do meu corpo na perna direita e o encarei.

— Você me leva? — ele assentiu e convidou minha mãe e minha irmã. Minha mãe se negou a ir, e Cat até quis ir, mas meu pai a lançou um olhar de censura do tipo “não, fique com a sua mãe” e ela logo mudou de ideia. Dei um beijo nas duas e me permiti chorar, já que elas estavam comigo.

Meu pai me ajudou com a mala e a colocou no porta-malas do Impala antigo dele, o seu bebê. Ele nunca me deixou dirigir, é claro. Mas eu já fiz isso sozinha, quando eles estavam viajando. Eu, meu irmão Brad e a Cat. Foi muito divertido, até o Brad vomitar cerveja nas costas da minha irmã. Acho que ele acabou descobrindo, mas não nos falou nada. Ele não era um cara de brigas, embora parecesse.

Sentei no banco da carona e coloquei o cinto, abraçando minha mochila. Meu pai se sentou com a expressão dura ao meu lado, apertou as mãos no volante e pousou a cabeça nele. E depois começou a chorar. Eu não sabia o que fazer, então comecei a chorar também. Quando ele me ouviu, ele parou e colocou o cinto, dirigindo rumo ao pequeno aeroporto da cidade. Dirigimos pelo subúrbio e eu vi a neve de ontem a noite em certos pontos do chão.

— Annabeth Chase — ele disse com a voz vacilante e o encarei com uma expressão triste — Me prometa que vai se comportar. Não vai aceitar bebida nem drogas nem cigarros de estranhos, nem de ninguém, pra ser sincero... E não vai fazer você-sabe-o-quê sem proteção, tente não arranjar um namorado também... Mas não faça isso com qualquer um! Tente não fazer. Você é o meu bebê. E eu sei que isso é natural. Mande a Rachel me ligar, caso você não volte pra casa algum dia depois de alguma festinha. Me ligue todos os dias, e me avise se precisar de mais dinheiro. Sua mãe e eu vamos mandar cem dólares por semana até você conseguir se manter. Eu quero a relação das suas notas todo o bimestre, ou eu faço você voltar! Cat vai ver se manda dinheiro também. Vamos pagar sua passagem pro Natal, e vamos tentar ir na Páscoa. E com toda a certeza, vamos no seu aniversário. Passar uns dez dias, talvez. Você me promete? — eu olhei pra ele com a expressão risonha e comecei a gargalhar. Logo, ele gargalhou também, embora eu saiba que ele está falando muito sério. Esse é meu pai. E eu amo ele, do jeito que ele é.

— Prometo, pai — o abracei de lado assim que paramos no semáforo. Pensilvânia estava vazia hoje, como se estivesse de luto por minha partida. Mas não estava. O céu estava cinza, as árvores sem folhas e sem flores, as luzes apagadas. Fomos até o aeroporto e ele me ajudou com a mala de novo, e ficou comigo no momento que eu fui fazer o check-in. Rachel iria me encontrar só em Los Angeles. Ela que iria me buscar no aeroporto.

A moça mandou eu ir até o portão seis, e, assim que chegamos perto de lá, meu pai parou de andar e começou a chorar de novo. Aqueles choros com soluço, que dão pena. Então ele andou até mim, ainda com lágrimas nos olhos, e me entregou minha mala.

— Aqui. Eu não quero ver isso... Mas cumpra sua promessa, ok filhona? — eu assenti e comecei a chorar também, então ele me deu um beijo no topo da cabeça e andou até a escada rolante, e a desceu. Não me olhou nenhuma vez. Suspirei e entrei no corredor, passando pelo detector de metais, a moça me deu permissão e eu fui até a sala de embarque. Comprei uma água com algumas moedas que eu tinha e a bebi. Abri o livro da vez, as vantagens de ser invisível. Eu quero ler antes de ver o filme, pra apontar os defeitos como sempre gostei de fazer.

Bufei e virei a página oitenta e sete, quando um garoto se sentou ao meu lado, me olhou e sorriu pra mim. Coloquei o marca-página na página que eu havia parado e o encarei com uma expressão de dúvida, e então ele estendeu a mão. Desinibido, legal. Apertei a mão do garoto de olhos azuis e os cabelos um tanto oxigenados.

— Jason Grace — ele disse arqueando uma sobrancelha, como se me desafiasse.

— Annabeth. Annie. Ér, Chase. — eu disse e ele soltou minha mão, pegando o livro do meu colo. Olha a intimidade do garoto. Tossi de propósito e ele olhou pra mim, sorrindo e devolvendo o livro, meio corado.

— Eu já vi o filme. Não vou te contar o final, a não ser que você já tenha visto também. Você vai pra L.A ou é só uma conexão, Annie? — ele perguntou olhando fundo nos meus olhos.

Eu não deveria estar falando com estranhos, mas ele parecia um garoto simpático, e talvez estivesse sendo burra, talvez, mas eu sorri de volta e continuaria falando com ele. Ele passava uma boa sensação pras pessoas. Uma sensação receptiva e calorosa, não sei explicar.

— Vou sim. Pra fazer faculdade. E você, Jason Grace? — ele riu quando o chamei pelo nome completo, mas assentiu e agarrou os próprios joelhos, colocando a mochila na cadeira do lado e um boné na cabeça. Boné não, bombeta. Vermelha.

— Vou ir com meu amigo Leo e tal. Mas Leo vai entrar na conexão de Nova York. Ele mora lá. Nos conhecemos online. Vou cursar faculdade de direito, mas eu quero mesmo é ser músico. Vamos ver se dá certo. — ele mordeu o lábio inferior — E você? Está sozinha?

— Por ora. Vou me encontrar com a minha amiga em Los Angeles. — eu disse, olhando em volta e procurando por câmeras. Por sorte, tinha uma e ele não podia fazer nada depois de ter passado pelo detector de metais. Olhei em volta pra disfarçar, parecia um loft, mas era mais alto e era todo coberto por janelas de vidro. Desconfiada como sempre, Annabeth.

Ele murmurou um “ah, legal” e parou de falar, embora estivesse inquieto, balançando as pernas, mexendo na roupa, na mochila, na passagem, amarrando o sapato — que já estava bem amarrado — e olhando pra mim de vez em quando. Finalmente, a aeromoça nos chamou para o embarque. Me apressei e meio que corri, entreguei minha passagem e meu documento, ela assentiu e eu passei para o túnel.

Andei um pouco e vi o avião e relaxei. Não tinha notado que eu estava tão tensa. Mas agora tudo parecia melhor. Entreguei o canhoto pra aeromoça e ela me indicou onde eu iria sentar. Não na primeira classe, é óbvio. Mas era em uma das poltronas do meio, e era uma das primeiras também. Eu estava no meio das cinco. Jason entrou, acenou com a cabeça e se sentou ao meu lado. Eu comecei a rir.

— Você está me seguindo? — ele fingiu estar ofendido, colocando uma mão próxima ao peito, mas depois começou a rir de novo. E o pior é que ele ria alto. As aeromoças ficaram olhando e eu cobri a boca dele com a mão, e ele me lambeu — Nojento — eu disse, limpando a mão na poltrona do lado. Ele pegou minha mochila e colocou no compartimento acima de nós. Agradeci.

— Convencida! — ele disse e, dessa vez, eu que me fingi de ofendida. Ele começou a rir de novo, mas depois, para a minha alegria, ele mesmo cobriu sua boca e retomou a expressão séria. — Enfim, Annabeth Chase! Você é daqui? — revirei os olhos e assenti.

— Sou sim, e você, sotaque estranho?

— Meu sotaque não é estranho, a não ser que você ache que ser do interior seja estranho. É, talvez seja um pouquinho. — ele admitiu e eu ri pelo nariz. — Sou de uma cidade a cinco horas de distância. — ele levantou os braços e coçou a cabeça.

Ele abaixou os braços e colocou o cinto. Só agora que eu vi que a aeromoça já estava simulando o que deveria ser feito em situação de emergência, bem ao nosso lado. Estaríamos decolando assim que ela terminasse.

O avião começou a andar na pista e eu agarrei forte o apoio de braço, Jason estava relaxado, mas olhou pra mim. — Medo de voar? — eu assenti e ele revirou os olhos e me estendeu a mão. Eu ia perguntar o que ele queria, mas estava com medo de abrir a boca e vomitar — Quer segurar?

Balancei a cabeça e ele deu de ombros. Eu estava bem assim.

— Calma. — eu senti uma voz rouca dizer, e olhei pro lado e vi o Paraíso, literalmente. O garoto era alto, tinha cabelos loiros e bem aparados e um sorriso maravilhoso. Com covinhas. Eu mataria ele só pra roubar o tal defeito genético. Eu acho que ele me viu olhando, por que corou. — Olha, eu tenho medo de voar também. Você só tem que se distrair. Eu te distraí, viu? Já acabou.

Eu me senti uma completa criança quando vi que já estávamos voando firmemente, e os avisos de cinto já estavam desligados. Agradeci-o e comecei a tentar respirar fundo, o que provocou um sério ataque de risos em Jason. Pelo menos ele estava segurando. Pelo menos. Eu sinceramente não havia reparado o garoto do meu lado. Acho que ele estava no banheiro, ou chegou atrasadinho no vôo. Ele estava mexendo no celular. Eu havia deixado o meu desligado, mas vê-lo jogar me deu uma súbita vontade de jogar Fruit Ninja. E novamente, ele me viu olhando.

Desviei o olhar e Jason acabou por falar com o garoto, que se chamava Luke. Eu realmente estava me sentindo excluída, mas eu pedi licença, levantei e peguei meu livro na mochila. Andei até minha poltrona parecendo um pimentão e abri na página que eu havia parado antes de conhecer Jason. Os garotos soltaram o cinto também.

— O filme é ótimo, e uma pena que a tia Helen tenha estuprado ele — eu o olhei bem séria, com um olhar fuzilador. Então, ele entendeu que eu não tinha lido o livro e corou um pouco, mas cobriu com um sorriso. — Desculpe duas vezes, a segunda, por não ter perguntado o seu nome. Qual é? — me apresentei — Que nome bonito. Você também vai fazer um teste pro The X Factor? — balancei a cabeça. Não queria continuar acordada e me submeter a uma conversa desse modo.

Eu não sabia conversar com garotos. Nem um pouco. Então, coloquei o livro no colo, me virei na poltrona e ia tentar fingir dormir, mas o cansaço me superou e eu acabei dormindo de verdade.

Notas finais
Enfim, espero que vocês gostem!
Beeeijos,
~mavii
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.