Two Of Us.
1 A Silly Request.
Mais um dia de ida à Escola. Se não fosse preciso encarar Bonnie, talvez eu o faria com menos resmungos.
Tive tempo o suficiente para tomar um duche, comer algumas bolachas salgadas e até mesmo papear com minha mãe.
Pensei em levar meus óculos, mas sei que não será mais necessário usá-los, já que o professor me transferiu para a fileira principal.
E quando direciono-me à carteira já aos pedaços, onde habitualmente sento-me, avisto um rapaz de cabelos louros. Não era exatamente um loiro, mas seu cabelo era claro e ao ser atingido pela luz solar, ficava mais intenso ainda.
A sala estava completamente vazia, e só ele estava lá... Guardando algumas apostilas e um caderno encorpado. Pôs as alças negras nos ombros esqueléticos. Os mesmos arriaram-se quando o pesar fez contato com aquele corpo tão esbelto.
Os lábios róseos contraíram-se e emitiram um plangor. Alisou as mãos nos cabelos e jogou-os para à lateral.
Estendeu o cenho ao me flagrar admirando-o.
–Algum problema? – Perguntou num tom ríspido, caminhando em minha direção e encarando-me bravamente.
–E-Essa é minha sala. – Respondi, fitando meus pés e minhas mãos. É instinto descair a cabeça na presença dele.
Apesar de não nos conhecermos muito bem, ele perambulava pelos corredores há um bom tempo, e confesso que inúmeras vezes tentei cumprimentá-lo.
Nenhuma palavra escapava dos meus lábios... E ele... Bem... Ele nem se quer tentou.
–Não tem aula.
–C-Certo. Até mais entã... –Espera! – Disse histericamente, pondo suas mãos sobre meus ombros e apertando-os. –Pode me emprestar seu caderno? Eu fui transferido hoje, então preciso das matérias.
“Diga sim, diga sim!” –Não sei...
–Será que você não pode mesmo me quebrar esse galho, Burguês? – Jogou minhas costas contra à parede cor-salmão, em seguida pôs seus braços ao meu redor.
Eu deveria ter dito sim, definitivamente. Ele aparenta ser encrenqueiro, e se eu emprestasse meu caderno, talvez ele não implicasse comigo.
Verbalizar gírias urbanas e tentar amedrontá-lo era a única coisa que eu deveria fazer, pois transparecer o medo pode deixá-lo certo de que sou demasia fracote.
–Qual é a sua, cara? Eu já disse que não posso emprestar! – Ele estava tão, mais tão perto. Eu sentia seu hálito abrasador atingir minha nuca exposta.
Tinha cheiro de tabaco, pasta de dentes e álcool...
Virei meu rosto à direita, pondo-o contra à parede.
–Você disse que não sabia. Porra, isso vai te custar tanto assim?
–Não é isso, é que... É que eu tenho uns trabalhos pendentes, e até você terminar com as matérias o prazo se esgotará. Se você tivesse deixado eu fa... –Então vamos estudar juntos! – Os braços que anteriormente jaziam à parede, prendendo-me, logo se afrouxaram. –O que acha?
–Eu...
–Qual é? Eu te descolo uma boa grana depois. Por favor, eu preciso muito... – Aqueles olhos verdes... Sempre tão verdes e fúlgidos. Verdes desde que eu o avistei pela primeira vez e algo nele despertou minha atenção. –Por favor. – Disse suplicadamente. E isso já fora longe demais, o suficiente, na verdade, para que eu pudesse abdicar.
Mirei seus olhos e assenti com a cabeça. Pude vê-lo descerrar um sorriso amável, em seguida nos dirigimos à saída, onde logo poderíamos estudar... Estudar juntos.
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