Quando abriu os olhos, Kouyou estava sentado na terra úmida com as costas apoiadas num bloco imenso de granito retangular.

Encostado em outra pedra a sua frente, uma figura magra, tinha a pele pálida e olhos vermelhos que o fitavam sem que o mesmo falassem nada.

-Onde estou? -perguntou Kouyou.

-Nos alicerces do Mosteiro dos Jerônimos de Belém. -respondeu o outro.

-Queres dinheiro? Leve a bolsa. Mas deixa-me a vida.

-A vida? -riu irônicamente.- Será que ainda não entendeste? -perguntou.

-O que?

-Não sabes que és um vampiro?

Kouyou não se assustou por que ele não sabia o que era aquilo. Teve de ouvir explicações. Não gostou nenhum pouco.

-Estas dizendo que bacalhau nunca mais?

-É.

-Ah, não. De jeito nenhum. Que diabo está a acontecer? Quem és tu?

-Chamo-me Shiroyama Yuu. Vampiro também. Não concordei com o que o Velho fez a ti e resolvi ajudá-lo.

-Está falando do maluco que mordeu o meu pescoço?

-Aquele era só o corpo do comandante. O Velho é o vampiro mais poderoso entre nós. O único que consegue entrar num corpo humano.

-Não estou entendendo...

-A alma do Velho se adonou do corpo do comandante.

-E pra que isso?

-Pretendia pilotar uma das caravelas que está a ser preparada aqui em Restelo.

-Pra que?

-Queria tomar parte no que será uma grande conquista portuguesa: o monopólio do comércio com as Índias. É a mania do Velho. Participar dos grandes acontecimentos.

-Que mal pergunte, o que eu tenho a ver com isso?

-Nada.

-Nada?

-O Velho te mordeu por pura raiva. Nem estava com sede. Sugou uma parte do seu sangue. Nem tudo a ponto de matar-te, nem tão pouco, que te pudesse recuperar. E aí está Kouyou... Agora és um dos nossos.

-Nunca mais vinho?

-Nunca.

-Então não!Nem morto! Quero ser como sempre fui. Há de haver um jeito.

-Não há, conforma-te.

Kouyou insistiu, insistiu tanto que o outro revelou:

-Só existe uma maneira de reverter a maldição mas tu não tens chance contra o Velho.

-Diz logo! Eu faço qualquer coisa...

-Precisas espetar uma estaca de carvalho no coração do vampiro que te criou e as pirar as cinzas em que seu corpo se transformará, ao diabo!

E sacudiu o manto negro na noite, desaparecendo por entre as pedras.

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A última semana passou depressa, obrigando Kouyou a agir rápido.

Ele evitava sair de sua tasca durante o dia. O mais fraco raio de sol feriá-o como uma navalha.

Na noite seguinte ao encontro com Yuu, cortou a ponta de um galho do carvalho da praça e fez uma estaca, com dois palmos de comprimento. Saía com ela após o trabalho, escodia sob o pesado casaco de couro, e caminhava ao acaso pelas ruelas escuras junto ao cais, tropeçando em bebados e pedras mal assentadas, amaldiçoando o Velho.

Procurou em vão até sexta-feira.

Notas finais
o que será que acontecerá na sexta? >< -q

OBS: talvez eu demore um pouco para postar o terceiro capítulo mas vai sair ^^

/nãoseiatéquandovai ç_ç
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.